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São 9 horas . As notícias com Carla Jorge Carvalho. Uma semana depois do ataque informático à Agência da Modernização Administrativa, há ainda serviços que registam constrangimentos. A Federação Nacional dos Médicos denuncia que as falhas na saúde acontecem todos os dias. O Observador apurou que até ao dia de ontem havia ainda constrangimentos em algumas áreas do setor público, um deles precisamente a saúde. No entanto, a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, diz que esta situação não é novidade. Lamenta as falhas informáticas diárias com que têm que lidar os médicos e também os utentes.

Este caso, a questão é ter sido mais transversal e ter tido mais visibilidade. Agora, a verdade é que as falhas são mesmo diárias. Acima de tudo, é lamentável que este tipo de situações aconteçam e que não estivessem ou não estejam salvaguardados mecanismos para que isto seja evitável. Porque acima de tudo, é mais uma situação que pode ser perfeitamente prevenível para que o dia a dia dos médicos e, neste caso, os utentes e os doentes consigam ter um serviço de excelência, mas infelizmente não é isso que está a acontecer.

Médicos e utentes que viveram dificuldades devido ao ataque informático aos serviços da AMA. A presidente da FNAM explica como é que se viveu esta última semana nos serviços de saúde.

Houve imensos constrangimentos devido a estes ciberataques e o facto da nossa plataforma informática, como por exemplo, a passar receitas, esteve em baixa. Isso causa um constrangimento no trabalho dos médicos, mas acima de tudo nos utentes e nos doentes que ficam sem uma parte do ato médico, que é uma prescrição. E isso, obviamente, atrasa todo o trabalho e acima de tudo, o prejuízo é mesmo no utente e no doente.

É o balanço feito pela presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá. O governo indica que a causa do ataque informático foi já identificada, mas não apresenta detalhes, justificando que o caso implica questões de reserva. A Associação Nacional de Transporte de Passageiros acusa o governo de não pagar o valor associado ao desconto nos passes e ameaça suspender os passes gratuitos para os jovens. Estas medidas foram aplicadas no início do ano, mas a ANTROP diz que ainda não foram compensadas. A associação fala de uma dívida de quase €50 milhões acumulada entre janeiro a agosto deste ano e, por isso, ameaça suspender a aceitação de passes a partir já do próximo mês, caso o governo não pague entretanto a dívida. A resposta do governo surgiu numa nota enviada à comunicação social, com o Ministério das Finanças a rejeitar que exista esta dívida do lado do governo, diz que são as áreas metropolitanas e as comunidades intermunicipais que têm a responsabilidade de pagar aos operadores de transportes. Já em relação à compensação referente ao congelamento do preço dos passes, o governo garante que o valor referente a agosto vai ser pago até ao final deste mês. Temos em direto neste jornal o presidente da Associação Nacional de Transporte de Passageiros, Luís Cabaço Martins. Bom dia, obrigada por se juntar a nós. Já teve uma resposta do governo às reivindicações e posso chamar também às ameaças por parte da associação?

Muito bom dia. Tive a ocasião de falar ontem com o senhor ministro sobre esta matéria. Ele ligou-me informando exatamente isso, que tinha já dado orientações e que os pagamentos às autarquias já tinham sido efetuados. Enfim, o atraso era menor do que nós estávamos a reclamar. E o que eu disse ao senhor ministro é que para nós é indiferente onde é que o dinheiro está, o importante é que ele chegue às empresas. E, portanto, existe em Portugal, genericamente, uma insensibilidade relativamente ao problema das empresas. As empresas prestam o serviço que lhes compete desde o dia um de cada mês. Os jovens e todas as pessoas com passes viajam, a maior parte delas gratuitamente, e nós temos de ser reembolsados desses proveitos que não recebemos. Portanto, o circuito admitimos que possa ser complexo e burocrático, mas aquilo que nós exigimos ao governo, como entidade que governa este país, é que consiga efetivamente tornar o pagamento sólido e eficaz. A mim não me interessa nada que o senhor ministro me diga que já pagou às autarquias A, B e C se o dinheiro não chega às empresas. Portanto, aquilo que nós dizemos é exatamente o mesmo que está na nossa nota de imprensa e no nosso comunicado. Devem-nos cerca de €50 milhões. A fatia maior é da responsabilidade do governo. As autarquias têm uma responsabilidade na ordem dos 8%. O processo passa efetivamente pelas autarquias. São elas que, na prática, nos dão o dinheiro, mas o dinheiro vem do governo. O que nós queremos é que este processo seja ágil e que as empresas não estejam a suportar o custo das medidas sociais do próprio governo.

Portanto, o que está a dizer é que esta dívida em causa já está com o pagamento em curso, mas não há nenhuma garantia que estes pagamentos não voltem a acumular-se novamente, porque o circuito não está agilizado.

Desculpe, eu não estou a ouvir.

Percebo que está em viagem. O que está a dizer, o que concluo das suas palavras, é que este pagamento fica garantido, esta dívida, mas não uma forma mais ágil de pagamento dos próximos compromissos com o Estado? Parece que não há condições técnicas de continuar esta entrevista com o presidente da Associação Nacional de Transportes de Passageiros, Luís Cabaço Martins, que explica que já entrou em diálogo com o Ministério das Finanças. Há condições para que o valor em dívida, os € 50 milhões, sejam pagos. Não ficamos a perceber se no futuro essa forma de pagamento ficará mais ágil, nem percebemos também qual o impacto que o novo passe ferroviário nacional, que foi anunciado, poderá ter também nestas empresas. Vamos, naturalmente, tentar voltar ao contacto com o presidente da ANTP. Os pobres estão cada vez mais pobres e o Presidente da República pede mais ambição aos portugueses no combate à pobreza. E assinala, desta forma, o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza. Foi no site oficial da Presidência da República que ficou esta mensagem. Marcelo Rebelo de Sousa pede a mobilização coletiva da população e recorda o objetivo de retirar, até 2030, 660 mil pessoas da situação de pobreza. A taxa de risco de pobreza subiu, de facto, em Portugal pela primeira vez em sete anos. É a principal conclusão de um estudo da Pordata que foi conhecido hoje. Passou dos 16,4% em 2021 para os 17% em 2022 e foi no grupo de crianças e jovens que a taxa de risco de pobreza mais se agravou, assim como nas famílias com crianças dependentes. Este é o maior aumento da taxa de intensidade de pobreza da última década e é, de resto, descrita pelos autores do estudo como um dos desafios mais urgentes que o país enfrenta. Estudo referente ao ano de 2022, a DECO teme que a realidade este ano seja ainda pior. Isto por causa da subida das faturas na alimentação, mas também da habitação. A coordenadora do gabinete de Proteção Financeira da DECO, Natália Nunes, diz que os salários das famílias não chegam para todas as despesas.

A fatura da alimentação e da habitação continuam a pesar muito e a ter um peso muito significativo e tiveram um aumento muito grande em 2023 e continua em 2024. Na DECO, as famílias que nós temos acompanhado têm, em média, um rendimento mensal de € 1.350 líquidos. Estamos a falar de famílias com filhos. Claro que se formos falar de agregados familiares de duas ou mais pessoas, o valor médio do seu rendimento está nos € 1.600/mês. Este valor acaba por ser o correspondente a dois salários mínimos nacionais.

É a análise da coordenadora do gabinete de Proteção Financeira da DECO, Natália Nunes. Ao olhar para os números da Pordata, dizendo que são referentes a 2022, hoje em dia a situação poderá ser ainda pior. E são ouvidas hoje as primeiras testemunhas no caso do BES. As atenções vão estar viradas para dois Ricciardi. O comandante António Ricciardi e também o filho, o José Maria, isto depois de ontem os juízes terem começado a ouvir o depoimento feito por Ricardo Salgado em 2015. No Campus da Justiça já está a repórter do Observador, Laura Figueiredo. Laura, os trabalhos vão ser retomados daqui por menos de meia hora, é o que se espera. E o que é que podemos esperar para hoje?

Bom dia, Carla. Durante a manhã está prevista a audição do depoimento de António Ricciardi, o tio de Ricardo Salgado, e a primeira testemunha que vai ser ouvida neste julgamento. António Ricciardi morreu em 2022 e, por isso mesmo, o depoimento que vai ser reproduzido em tribunal foi já gravado em 2015. A reprodução desta gravação em julgamento faz, ainda assim, com que o depoimento valha tanto como os outros testemunhos. O comandante António Ricciardi, que começou a trabalhar no BES em 1950, cinco anos depois entrava para a administração do Banco Espírito Santo. Com o depoimento feito em 2015, o chairman do BES até 2008 destruiu em boa parte a teoria da defesa de Ricardo Salgado, ao garantir que o antigo banqueiro era mesmo o único que sabia da falsificação das contas e do saco azul. Já da parte da tarde, é o filho, José Maria Ricciardi, que vai estar aqui presencialmente, vai testemunhar aqui no tribunal. O primo de Ricardo Salgado, que foi administrador executivo do BES, também presidente do BES Investimento e que foi dos primeiros membros do banco que começaram, por assim dizer, a desconfiar, a detetar alguns movimentos suspeitos no BES. Ricciardi entrou então em rota de colisão com Ricardo Salgado e chegou mesmo a tentar uma mudança da administração do BES para evitar a falência, mas acabou por perder a guerra de poder, por assim dizer, com o primo. Este terceiro dia vai ficar então marcado pelos depoimentos de dois Ricciardi, pai e filho, que são duas das principais testemunhas deste processo.

E contaremos contigo e também com a equipa do Observador, Laura Figueiredo, para contar o que vai acontecer neste dia de julgamento. E Luís Montenegro participa hoje na reunião do Conselho Europeu. O primeiro-ministro está em Bruxelas, diz que Portugal vai ter de saber lidar com o extremar das posições europeias sobre a migração. Além da guerra na Ucrânia, o debate sobre a migração na União Europeia vai hoje dominar a agenda do Conselho. É uma cimeira que surge numa altura em que Alemanha e França reforçam os controlos das fronteiras e apertam as regras. Em Bruxelas, o primeiro-ministro diz que Portugal vai participar na discussão com ponderação.

Embora cada Estado-membro tenha a sua realidade, nós temos de ser solidários uns com os outros. Portugal participará nessa discussão com vista a termos uma imigração na Europa que seja compatível com a dignificação das pessoas, com a adoção de regulamentação e com o combate ao tráfico ilegal de pessoas e a fenómenos migratórios desregulados e, de certa forma, conduzindo as pessoas para situações de extrema degradação em termos das suas condições de vida. Sabemos que há, no âmbito da discussão político-partidária a nível europeu, como também há a nível nacional, algum extremar de posições que nós não acompanhamos, mas em todo o caso, teremos de saber lidar com isso.

Luís Montenegro, que hoje participa na reunião do Conselho Europeu. Volodymyr Zelensky vai também hoje apresentar o plano de vitória para a guerra na Ucrânia aos líderes europeus. São 9h12, Carla, antes do Explicador com André Coelho Lima, que outras notícias marcam esta manhã? O vice-comandante das secretas militares russas foi morto a tiro em Moscovo. Não é ainda conhecida a identidade do atacante de Nikita Klimkov, de 44 anos. Ele terá sido vice-comandante de uma unidade das secretas militares russas, que treina as forças especiais. A notícia foi avançada pelos órgãos de comunicação russos, citados pelo jornal The Kyiv Independent. Está agora a decorrer uma investigação ao alegado homicídio. Nasceram menos 430 bebés nos primeiros nove meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Dados divulgados pela Entidade Reguladora da Saúde, que revela também que, de todos os partos feitos nos últimos dois anos, 65% dos que foram feitos em privados, foram cesarianas. A Entidade Reguladora da Saúde fala ainda de um aumento de mulheres com baixo acesso a unidades de obstetrícia. A porcentagem de mulheres em idade fértil nesta situação passou de 8% para 12%. Nunca Portugal perdeu tantos dentistas. Um estudo da Ordem dos Médicos Dentistas, que é divulgado hoje, mostra que o número de profissionais com inscrição suspensa há mais de cinco anos aumentou 7,2% no ano passado. No total, há mais de 1300 médicos dentistas que estão nesta situação. Vamos ainda às pirâmides do Egito. Que custava tanto. Tantos segredos. Agora há mais um mistério a envolver as pirâmides. Um faraó. Andou para lá. Não. Um cão a passear no topo de uma das pirâmides.

Eu vi. Foi um drone, não é?

Foi. Foi um drone que o localizou.

Foi um drone que o localizou.

Eu pensei que tinha sido um homem de parapente.

Mas eu vi a imagem.

Foi um drone ou foi um homem de parapente? O homem estava de parapente. Pois, foi.

Ou foi um drone?

Não. A Sofia chama John Drone.

John Drone.

O que sabemos é que um cão, aparentemente, não sabe ler as placas que diz: "Não suba a pirâmide". Tem músculo na perna. E andou para lá, 480 metros, a escalar. A vista deve ser linda. Deve ser assim como a vista de parapente. Mais sorte que nós do cão.

Podes crer.