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Observador, são 9h01.
As notícias com Carla Jorge Carvalho. Esta noite houve menos incidentes na Grande Lisboa. A PSP fala em um cenário muito mais tranquilo. Foi reforçado o policiamento em várias zonas, sobretudo no centro de Lisboa.
Para evitar que os desacatos se alastrem, a PSP montou durante a madrugada uma megaoperação na Baixa, sobretudo entre o Marquês de Pombal e os Restauradores. O Observador sabe que estiveram nesta zona equipas de intervenção rápida, o corpo de intervenção e também equipas de investigação criminal. O reforço policial contou até com o apoio de drones e de outros meios encobertos, expressão utilizada por uma fonte da PSP, que não avança mais detalhes sobre o que significa meios encobertos. Fontes policiais descrevem ao Observador um cenário muito mais tranquilo depois de três noites de desacatos.
Ainda assim, Carla, houve alguns incidentes.
Houve, sim, em Benfica, no bairro da Boa Vista, um autocarro foi apedrejado, houve danos, mas não há feridos. Já no Seixal, em Fernão Ferro, um carro foi incendiado dentro de uma moradia e em vários concelhos houve registro de caixotes do lixo e ecopontos incendiados, sobretudo na margem sul. É o balanço feito pela PSP.
O presidente da República diz que o confronto político é legítimo. É a reação de Marcelo Rebelo de Sousa às trocas de acusações entre partidos depois da morte de Odair Moniz.
E sobretudo depois das declarações do líder parlamentar do Chega, que diz que se as forças de segurança disparassem mais a matar, o país estava na ordem. Declarações que foram repudiadas no Parlamento por outros partidos. Marcelo Rebelo de Sousa fala num confronto político que considera ser normal.
Seguinte, eu não quero entrar nessa luta política, que é legítima. Os protagonistas políticos têm direito a dizer: "Isto é negativo, isto é positivo, eu penso isto, eu penso aquilo. Eu manifesto-me num sentido, manifesto-me noutro sentido". É a democracia. Agora, eu penso que, como a maioria esmagadora dos lisboetas e dos portugueses, eu estou mais ocupado com qual é o estado de espírito que se vai afirmando nos próximos dias. Por isso é que eu acho que só faz sentido o presidente da República lá ir quando ficar claro que há um conjunto de problemas que estão a ser tratados pelos autarcas.
O presidente da República, em declarações aos jornalistas ontem à noite, Marcelo Rebelo de Sousa, diz ainda que é prematuro visitar os bairros afetados pelos tumultos dos últimos dias.
Tumultos que, de Espanha a França, passando pelos Estados Unidos, vão sendo também notícia lá fora.
Os problemas vividos nas últimas noites estão a ser relatados em vários países. Vasco Maldonado Correia, do Reino Unido, chega a ter um aviso para potenciais turistas.
Um alerta do Daily Express, um dos jornais mais lidos do país, onde se pode ler este aviso a quem esteja a planear viajar para Portugal. Diz o jornal que Lisboa está a ser abalada por um cenário de violência cruel. O Daily Express descreve a capital portuguesa como um destino adorado pelos britânicos para uma escapadela, mas que agora parece estar transformado numa zona de guerra assolada por noites de agitação. Na edição online, o jornal ilustra as cenas horríveis, e estou a citar, que se têm verificado com vídeos de vários incidentes vindos das redes sociais.
A morte de Odair Moniz e as consequências que teve despertou interesse também em várias outras publicações, até nos Estados Unidos.
A resposta violenta à morte do cabo-verdiano chamou a atenção da ABC, que faz notar que esta reação é pouco comum em Portugal. Aqui mais bem perto, o espanhol "El País" descreve a morte de um imigrante africano que tinha deixado a vida de crime para trás e estava já reintegrado na sociedade. Em França, o Le Monde dá destaque às várias detenções que se têm registado nas últimas noites. Já a agência Reuters sublinha a agitação que se tem vivido depois da morte de um homem negro às mãos da polícia.
Vasco Maldonado Correia, lendo a comunicação social estrangeira sobre os desacatos em Lisboa, a ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, tem agenda para esta hora em Lisboa, mas não estão, para já, previstas novas declarações sobre os tumultos dos últimos dias.
A greve dos funcionários públicos está a levar ao fecho de escolas em todo o país. Os diretores escolares falam numa forte adesão à greve.
Greve convocada pela Frente Comum, que pede aumentos de salários e pensões e também o reforço dos serviços públicos. À Rádio Observador, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas explica que o impacto se está a fazer sentir em todo o território. De acordo com Filipo Lima, as escolas do primeiro ciclo são as mais afetadas.
Percebe-se que há várias escolas fechadas ao longo do país, mais a penalizar, entre aspas, as escolas do primeiro ciclo, porque são escolas que normalmente têm sempre um número reduzido de funcionários e faltando um ou dois, as escolas, de facto, não podem abrir as suas portas. Das escolas do quinto ano até ao ensino secundário, até ao 12º ano, a situação poderá ser diferente, porque as escolas precisam ter a necessidade, e isso está a acontecer em algumas delas, de fechar, por exemplo, a biblioteca, de fechar o pavilhão gimnodesportivo, mas as outras aulas decorrem em um ritmo normal. Agora, estou convencido, parece, até o momento, que a greve tem bastante adesão
Filinto Lima, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas, perante o impacto do protesto convocado pela Frente Comum, que promete ainda cancelar consultas médicas. Para esta tarde está marcada uma manifestação com início no Marquês do Pombal, no centro de Lisboa, às 15h, e que vai seguir depois para a Assembleia da República. Aníbal Cavaco Silva rejeita que as medidas apresentadas por Luís Montenegro no Congresso do PSD sejam de extrema-direita. O antigo presidente da República fala antes numa social-democracia europeia moderna. O primeiro-ministro apresentou medidas para a imigração, segurança e educação no Congresso do PSD no último fim de semana, medidas que foram criticadas pelos partidos da oposição. Num artigo de opinião no jornal Público, Aníbal Cavaco Silva afirma que é muito simplista dividir a política entre esquerda e direita hoje em dia, critica a forma como se tentou classificar ideologicamente as medidas, escreve que são movidas pela preocupação de responder às aspirações dos portugueses num quadro partidário descrito como extremamente difícil. Lembra também que a social-democracia moderna inova para dar resposta a problemas novos. Entre os vários exemplos, aponta para os movimentos migratórios, as alterações demográficas, as narrativas populistas, a criminalidade violenta ou as ameaças de terrorismo. Marcelo Rebelo de Sousa confirma que os militares não fizeram queixa de Paulo Rangel depois da polémica com o chefe do Estado-Maior da Força Aérea. O presidente da República fala em equívocos e diz que não encontrou factos graves. Em causa está uma notícia avançada pela CNN, que dá conta que o ministro dos Negócios Estrangeiros terá dirigido ofensas ao chefe do Estado-Maior da Força Aérea e a outros militares na base de Figo Maduro, quando regressou o grupo de cidadãos portugueses repatriados do Líbano. Marcelo Rebelo de Sousa confirma que pediu esclarecimentos aos militares sobre o assunto e confirma que eles não fizeram queixa do ministro dos Negócios Estrangeiros. Por isso, o chefe de Estado desvaloriza.
Houve equívocos e quando eu perguntei às autoridades militares se havia algum linte ou alguma razão de queixa ou houve algum problema, disseram que não.
Então considera que foi excessiva a atitude?
O Governo diz uma coisa e as autoridades militares dizem exatamente a mesma coisa. Eu admito que tenha acontecido aquilo que já me incomodou algumas vezes, em que se tem uma indicação dos serviços de apoio nossos, que é num sítio, e depois não é nem sítio, é noutro sítio.
Já pediram o pedido de desculpas.
E pronto. A mim o que me chegou foram versões muito coincidentes que minimizaram o problema.
Mas ficou totalmente esclarecido?
Eu fiquei esclarecido porque não encontrei uma versão que fosse muito diferente uma da outra e que fossem muito graves.
E por isso Marcelo Rebelo de Sousa ficou esclarecido. Seja como for, este incidente já levou o Partido Socialista e o Chega a pedirem uma audição parlamentar ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. E Charles Michel revela que a transição de pasta para António Costa está no bom caminho e sublinha a experiência do antigo primeiro-ministro. O presidente cessante do Conselho Europeu revela que o processo de transição está a correr bem. Diz ainda que não precisa de dar conselhos ao antigo chefe do Governo português.
O sistema de transição está, de facto, a funcionar bem. Também tive essa experiência há cinco anos, depois da minha nomeação, quando tive alguns meses para me preparar e para me coordenar com o meu antecessor. E desta vez seguimos a mesma abordagem. Estão a correr muito bem. A sua equipa tem participado diretamente em toda a preparação das reuniões do Conselho Europeu, ainda antes de dezembro. Eu não preciso dar qualquer conselho ao António Costa. Ele tem muita experiência a nível nacional e a nível internacional.
Declarações do presidente cessante do Conselho Europeu numa entrevista a várias agências de notícias, incluindo a portuguesa Agência Lusa. Charles Michel afirma que a União Europeia não deve ter medo de tomar medidas para gerir a pressão migratória na Europa. Em Moçambique, o candidato presidencial da oposição, Venâncio Mondlane, rejeita de forma liminar os resultados das eleições gerais. Os resultados atribuem à FRELIMO e ao candidato Daniel Chapo a vitória. Venâncio Mondlane considera que os resultados não refletem a vontade do povo e pede a divulgação pública dos dados. Os protestos em algumas cidades moçambicanas intensificaram-se depois do candidato da FRELIMO ter sido anunciado como o vencedor deste ato eleitoral. À Rádio Observador, o investigador do Observatório do Meio Rural de Moçambique, João Feijó, confirma que há relatos de violência em várias cidades do país.
As coisas até ocorreram pacificamente, mas em Nacala houve muitos confrontos, em Chimoio houve muitos confrontos, em Nacala houve mortos, houve feridos. A população vingou-se também na polícia e há relatos de polícias que foram linchados pela população. Quando dá o anúncio dos resultados, a situação agravou-se, porque nessa altura a população avança de Matola para Maputo, querem entrar em Maputo e são barricados à entrada da cidade pela Unidade de Intervenção Rápida, que atira gás lacrimogéneo. Entretanto, a situação fica fora do controlo, bloqueiam a N4 para a África do Sul, a estrada que vai dar também à Suazilândia.
O investigador João Feijó destaca também a possibilidade destes resultados terem sido adulterados e afirma que nos próximos dias podem continuar a decorrer protestos, atos de vandalismo, protestos que são contra os resultados das presidenciais anunciados e que dão uma vitória ao candidato da FRELIMO. Tempo agora para o desporto. O Futebol Clube do Porto venceu o Hoffenheim por 2x0 no Estádio do Dragão, jogo a contar para a terceira jornada da Liga Europa. O defesa central Diogo Djalo e o ponta de lança Samu marcaram os gols da vitória portista. Na zona de entrevistas rápidas da Sport TV, o técnico Vítor Bruno fala de um resultado que foi melhor do que a exibição.
No geral, fiquei muito contente com a atitude dos jogadores, com a forma como se entregaram. Termos ganho, uma vitória que era importante, mais importante que a exibição, era o resultado. Ganhar 2x0, não sofrer gols, depois dos seis pontos sofridos nos jogos anteriores. No fundo, o resultado é melhor que a exibição, é verdade, não é difícil negar, mas hoje era muito importante ganhar.
O Futebol Clube do Porto soma agora quatro pontos, está no 15º lugar deste novo formato da Liga da Competição Europeia. Destaque também para a Liga Conferência, o Vitória Esporte Clube foi ontem à Suécia vencer o Djurgården por 2 x 1. Neste caso, marcaram Manuel Silva e Nuno Santos.
São agora 9h13. Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
Arranca hoje o congresso do PSD Açores. O encontro conta com a presença do Presidente da República e também do Primeiro-Ministro Luís Montenegro. Miguel Albuquerque também vai participar. Um congresso que dura até domingo. Hoje, 57 associações de imigrantes juntam-se em frente ao edifício do Parlamento. Vão pedir o regresso das manifestações de interesse, o regime jurídico que permitia a regularização dos estrangeiros que chegassem com visto de turista a Portugal. O Líbano afirma que a morte de três jornalistas num ataque de Israel é crime de guerra. Estes profissionais morreram depois do exército israelita ter atingido, nas últimas horas, um hotel no sul do país. Na reação, o governo libanês fala agora num crime de guerra. E vamos ao Halloween. Está quase. É uma coisa muito tradicional em Portugal, não é?
É, sim. Estou aqui na imagino. Já fui às compras. Sim, teias de aranha, aquelas coisas todas.
O que aconteceu nos Estados Unidos: três filhotes de urso gostaram muito da decoração de uma casa. Gostaram tanto que começaram a comer as abóboras que estavam a enfeitar a entrada. E estamos a falar disso, porque o momento foi captado pelas câmaras de videovigilância daquela casa, pois com certeza.
É bom. Agora, no próximo ano, é escolher outro tipo de decoração.
É verdade. Agora, a boa notícia é que os ursinhos ficaram de barriga cheia e, portanto, não comeram as encomendas que também estavam à porta de casa antes da abóbora.