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São 9 horas. Jornal das Nove, com edição do jornalista Luís Soares. E começamos por Espanha. O rei Felipe VI e a rainha Letizia visitam hoje as zonas mais afetadas pela tempestade da passada terça-feira, em Valência.

A Casa Real adianta que nessa visita, os reis de Espanha vão estar acompanhados pelo presidente do governo, Pedro Sánchez, também pelo presidente da Generalitat Valenciana. Amanhã de manhã, o rei vai presidir a reunião do comitê de crise, que está a seguir os efeitos da tempestade, uma reunião que vai ter lugar no quartel-general da Unidade Militar de Emergências. Na sexta-feira, o rei já tinha estado reunido com Pedro Sánchez para ficar a conhecer a real situação das zonas afetadas pelas fortes inundações.

E Luís, hoje baixou a afluência de voluntários para ajudar as populações mais afetadas.

São menos os voluntários que sobem aos autocarros, que a Generalitat organizou para levar ajuda a quem precisa de apoio nas tarefas de limpeza à Cidade das Artes e Ciências de Valência, que é o local de onde partem esses autocarros. Chegaram hoje menos pessoas. Os autocarros começaram a sair também um pouco mais tarde do que ontem. Foram 23 viaturas, menos do que as 100 de ontem. Levam cerca de 1300 pessoas. Apesar das restrições de circulação, há também milhares de pessoas que decidiram cruzar as pontes que separam a cidade de Valência dos municípios vizinhos afetados pela tempestade, para continuar a ajudar também nos trabalhos de limpeza. A Agência Estatal de Meteorologia espanhola pede cautela, já que prevê para hoje aguaceiros e tempestades fortes ou muito fortes e persistentes nas regiões da Catalunha, Comunidade Valenciana, Múrcia e também nas Ilhas Baleares.

Na atualidade nacional, o Chega critica o comportamento de Marcelo Rebelo de Sousa face aos tumultos que marcaram a última semana na Grande Lisboa. Fala numa atuação lamentável.

E por isso o partido quer entregar um protesto formal em Belém. Em comunicado, o Chega anuncia que este protesto formal também vai dar entrada na Assembleia da República. O partido liderado por André Ventura acusa o chefe de Estado de parcialidade, refere que não foi feita qualquer visita aos polícias envolvidos ou às vítimas de violência. Esta reação do Chega acontece depois da Presidência da República ter divulgado ontem que Marcelo Rebelo de Sousa esteve na sexta-feira no bairro do Zambujal, na Amadora, visitou a esquadra da PSP, conversou também com familiares do Odair Moniz, o homem que acabou por morrer baleado pela polícia no bairro da Cova da Moura. Numa outra nota, o presidente adiantava também que contactou com a mãe do motorista da Carris, que ficou ferido no ataque ao autocarro que conduzia, para se inteirar do estado de saúde do condutor.

E Luís, ainda neste tema, a PSP admite a necessidade de fortalecer as relações com os moradores dos bairros sociais de Lisboa.

Posição defendida pela responsável pela coordenação das equipas de policiamento de proximidade no Comando Metropolitano de Lisboa. A subintendente Aurora Dantie admite que as relações entre as forças de segurança e os bairros sociais têm que ser apaziguadas para evitar episódios como o do Odair Moniz. Apela, por isso, a que a polícia esteja mais presente, que ouça mais os moradores, mas pede também que seja mais ouvida e compreendida no sentido de apaziguar as relações.

Vai, leva tempo. Não é no imediato, mas vai. Temos que apaziguar, temos que fazer as pazes, temos que criar condições, estratégias, falar. Nós não podemos catalogar que as pessoas que vivem no bairro são todas criminosas. O que é isso? Isto não cabe na cabeça de ninguém. Existe um grupo que faz com que o bairro tenha má fama, porque a maior parte das pessoas sai de manhã para ir trabalhar.

Já quanto aos desacatos das últimas semanas nas zonas de Lisboa, Aurora Dantie, subintendente da PSP, considera que esse não é um problema social, é sim, um problema de vandalismo.

Estes já não estão sob tensão, são criminosos. Quem deita fogo ao carro alheio é criminoso, não está sob tensão. Aquilo é simplesmente vandalismo, puro vandalismo. Isto não é problema social naquele bairro. Aquilo é alguém que quer provocar qualquer coisa e põe fogo aos carros e cria esse tipo de vandalismo. São puros criminosos.

Declarações da subintendente Aurora Dantie, da PSP, declarações registadas pela Agência Lusa ontem, no primeiro dia do Congresso da Associação Sindical de Profissionais da Polícia. Um congresso que encerra hoje também com a presença da ministra da Administração Interna, Margarida Blasco.

Na saúde, o Instituto Nacional de Emergência Médica reconhece atrasos e admite a necessidade de analisar em pormenor as situações que podem ter levado à morte de duas pessoas por falhas no atendimento.

É a resposta do INEM à denúncia feita pelo presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Duas pessoas terão morrido em três dias devido a atrasos no atendimento da linha 112. Em comunicado enviado à redação do Observador, o INEM confirma que houve atrasos no atendimento a uma pessoa que morreu ontem em Gondela, mas nega os alegados 40 minutos de espera. Já na situação da passada quinta-feira em Bragança, o instituto também confirma o atraso no atendimento e justifica com o volume de chamadas. O INEM defende ainda uma análise pormenorizada das situações para se averiguar todas as circunstâncias em que decorreu a assistência a esses dois utentes que acabaram então por morrer. Sublinha ainda que decorre neste momento um concurso para um reforço de 200 profissionais. Acrescenta que o atual contexto de greve dos técnicos às horas extraordinárias também acaba por ter um impacto no funcionamento do instituto. O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro, diz que as condições de atendimento da linha 112 continuam a agravar-se devido à escassez de profissionais. Rui Lázaro acusa também o governo de não estar a tomar medidas concretas.

São situações frequentes que se têm vindo a agravar ao longo do tempo. Mais estranho torna que este governo, volvidos mais de seis meses depois de tomar posse, não tenha adotado nenhuma medida, apesar das nossas propostas e apesar de nós termos explanado logo no início da tomada de posse deste Ministério da Saúde, o estado em que o sistema de emergência médica se encontra.

E quais são as medidas mais urgentes, na vossa opinião, do sindicato?

As soluções que apresentámos foram, sobretudo, a valorização destes profissionais, da sua carreira, mas também do seu índice remuneratório

Dizer que são estes operacionais responsáveis pelo atendimento em exclusividade de todas as chamadas das centrais do INEM. São também estes profissionais que operam a esmagadora maioria dos meios de emergência médica que o INEM tem. O quadro do INEM devia comportar 1480 técnicos. Nós somos hoje pouco mais de 700.

As reivindicações de Rui Lázaro, do presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. O INEM admite atrasos no atendimento e promete também analisar de forma pormenorizada as duas situações para averiguar as circunstâncias em que decorreu a assistência a esses dois utentes que depois acabaram por morrer.

Neste jornal das 9h, tempo ainda para a atualidade internacional. Os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão realizaram hoje exercícios militares trilaterais a sul da península da Coreia.

Exercícios que foram uma resposta ao lançamento por parte de Pyongyang de um novo tipo de míssil intercontinental. De acordo com o Estado-Maior conjunto da Coreia do Sul, as manobras incluíram um teste conjunto de um bombardeiro de longo alcance norte-americano com caças sul-coreanos e jatos japoneses. O Estado-Maior sublinha que os exercícios realizados a leste da ilha de Jeju demonstram a firme determinação e prontidão dos três países para responder aos avanços dos programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte. Este foi o terceiro treino aéreo trilateral realizado pela Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão este ano.

E hoje, Luís, o chefe da política externa da União Europeia, Josep Borrell, inicia uma visita oficial à Coreia do Sul.

Visita que acontece também dias depois do envio de tropas norte-coreanas para apoiar a invasão russa da Ucrânia. Na rede social X, Borrell explica que o objetivo da visita é elevar o diálogo de coordenação sobre questões de segurança e defesa a um novo nível. As discussões irão provavelmente abordar o destacamento de tropas por parte da Coreia do Norte para a Rússia, tropas que poderão ser envolvidas na guerra em solo ucraniano, e também a coordenação conjunta para lidar com esta questão. Já na semana passada, Borrell tinha apelado a uma resposta forte e unida ao envio de tropas norte-coreanas. Explicou que a União Europeia recebeu informações sobre o destacamento na Rússia por parte dos serviços de informação da Coreia do Sul.

E na Moldávia decorre hoje a segunda volta das eleições presidenciais.

Segunda volta que é vista como um teste decisivo para o futuro do país. Um país que está hesitante entre uma adesão à União Europeia ou uma reaproximação à Rússia. Frente a frente está a atual chefe de Estado, Maia Sandu, alinhada com Ocidente e defensora da adesão ao bloco dos 27. Ainda, do outro lado, o antigo procurador-geral da República, Alexander Stoianogolo, que apela aos moldavos para uma reaproximação a Moscovo. Na primeira volta, Maia Sandu venceu por uma margem pequena. A atual presidente acusa a Rússia de estar a interferir nas eleições através da criação de uma rede de manipulação eleitoral.

Vamos agora ao desporto. O Futebol Clube do Porto enfrenta hoje o Estoril e o técnico dos Dragões alerta para um adversário que trouxe dissabores na época anterior.

É um jogo a contar para a jornada 10 do campeonato. O treinador do Porto, Vítor Bruno, recorda as três derrotas da época passada frente aos Canarinhos para considerar que o adversário vive um bom momento.

Vem de uma vitória gorda que nos deu a nós, enquanto clube, Futebol Clube do Porto, capacidade de perceber que há ali um vínculo que começa a estar instalado. Não é por acaso que num dos gols o Pedro Álvaro junta toda a gente para ir ao banco na comemoração de um dos gols. Isso é sinal de alguma ou de muita coesão, de quem acredita muito naquilo que está a fazer e que vai tentar chegar ao Dragão e fazer um bom resultado. Não esquecendo nós nunca que o ano passado tirou-nos seis pontos para o campeonato, tirou-nos também da Taça da Liga, e isso para nós tem que ser um sinal de alerta.

Aviso deixado pelo treinador do Porto. Já o técnico do Estoril, Ian Cattro, desvaloriza os resultados da época anterior.

Eu não vejo qualquer ligação entre a época anterior com esta época. Como tu disseste na pergunta, quase tudo mudou. A nível da nossa preparação para o jogo, como todos, nós sentimos mesmo preparados para ir lá competir.

A garantia do treinador do Estoril para o jogo frente ao Porto, que está marcado para as 19h30 no Estádio do Dragão.

E que tem relato e análise aqui em direto na Rádio Observador. Fica por aqui o Jornal das Nove com o Luís Soares. De regresso às 21h30. Até já, Luís.

Até já!