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São 9 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. António José Seguro começa a receber o apoio de figuras de outras candidaturas para a segunda volta, como Pedro Duarte, Poiares Maduro, José Miguel Judice e Francisco Rodrigues dos Santos. Os partidos de esquerda também apelam ao voto em Seguro para derrotar André Ventura.
As declarações de apoio e de apelo ao voto em António José Seguro começaram a chegar logo ontem à noite, depois de serem conhecidos os primeiros resultados. Pedro Duarte e Poiares Maduro, apoiantes de Marques Mendes, Francisco Rodrigues dos Santos, apoiante de Gouveia e Melo, e José Miguel Judice, mandatário de Cotrim Figueiredo, afirmam que vão apoiar Seguro na segunda volta. PCP, Bloco e Livre também já manifestaram a intenção de votar a favor de António José Seguro para derrotar André Ventura. Esse mesmo apelo para a união foi deixado por António José Seguro, o candidato mais votado nesta primeira volta, logo no discurso de vitória.
Com a nossa vitória, venceu a democracia e voltará a ganhar no dia 8 de fevereiro. Convido todos os democratas, todos os progressistas e todos os humanistas a juntarem-se a nós para unidos derrotarmos o extremismo e derrotarmos quem semeia ódio e divisão entre os portugueses.
António José Seguro, no discurso de vitória de ontem à noite, diz que quer ser o presidente de todos os portugueses. Não fez questão de ter o PS ao lado neste discurso, sendo que o líder socialista fez uma declaração a elogiar a campanha de Seguro e a apelar à concentração de votos. António José Seguro teve o melhor resultado de um candidato apoiado pelo PS desde a reeleição de Jorge Sampaio, em 2001. Conseguiu 31,1%, o que equivale a mais de 1 milhão e 700 mil votos.
André Ventura ficou em segundo lugar e aponta agora a uma vitória no dia 8 de fevereiro. O candidato apoiado pelo Chega apresenta-se como a personificação da luta contra o socialismo e apela à união da direita na segunda volta.
Ventura conseguiu 23,5% dos votos, o equivalente a 1 milhão e 300 mil. Vai à segunda volta com António José Seguro, também canta a vitória e deixa um desafio ao PSD e à Iniciativa Liberal.
A direita não perdeu estas eleições. A direita ganhou estas eleições. A direita ganhou estas eleições. Por isso, meus caros, nós só perderemos estas eleições por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita, mas que agora têm que escolher entre um socialista e quem quer verdadeiramente fazer reformas no país. Agora é que nós vamos ver a fibra de que são feitos.
André Ventura, no discurso desta noite, afirma que começa agora uma luta entre quem está a favor e quem está contra o socialismo. Destaque também para o bom resultado conseguido no estrangeiro. Ventura conseguiu mais de 40% dos votos da diáspora.
João Cotrim Figueiredo não declara o apoio a nenhum candidato e lamenta uma segunda volta entre Seguro e Ventura. Diz que é uma péssima escolha.
Cotrim Figueiredo responsabiliza o primeiro-ministro e presidente do PSD pelos candidatos que passam à segunda volta.
Os portugueses serão confrontados nessa segunda volta com uma péssima escolha entre António José Seguro e André Ventura. Embora hoje exista em Portugal uma maioria social de centro-direita, é provável que venhamos a ter um presidente da República oriundo do Partido Socialista. Tal ficará a dever-se exclusivamente a um erro estratégico da liderança do PSD. Apesar do apelo que lhe fiz, Luís Montenegro não pôs o interesse do país à frente do interesse do seu próprio partido. Não esteve à altura do legado de Francisco Sá Carneiro.
João Cotrim Figueiredo fala ainda numa derrota pessoal. O candidato ficou com 16%, o que o deixa em terceiro lugar, fora da segunda volta.
Henrique Gouveia e Melo afirma que vai tomar uma posição sobre a segunda volta, mas remete essa decisão para mais tarde. O almirante deixa também em aberto o futuro na política.
Conseguiu quase 700 mil votos, ficou em quarto lugar. Admite que o resultado ficou aquém do esperado, mas afirma que vai continuar por aí.
Este é um momento ainda muito precoce para manifestar qualquer opinião a esse respeito. Ainda agora acabamos de saber os resultados da primeira volta e eu vou reservar isso para outro momento, mais tarde.
Henrique Gouveia e Melo, a reagir aos resultados da noite eleitoral.
Destaque também para Luís Marques Mendes. Assume total responsabilidade pela derrota e afirma que não vai apoiar ninguém na segunda volta.
Luís Marques Mendes conseguiu apenas 637 mil votos, ficou com 11,3%. É o pior resultado de sempre entre candidatos apoiados pelo PSD. Marques Mendes afirma que a responsabilidade é só dele.
Esta candidatura foi minha e assumo por inteiro a responsabilidade por este resultado. A responsabilidade é minha, toda minha e apenas minha.
O discurso de derrota de Luís Marques Mendes. Luís Montenegro também fez uma declaração para admitir que o resultado fica aquém e anuncia que o PSD não vai apoiar nenhum candidato na segunda volta. Catarina Martins assume o mau resultado, apela ao voto em Seguro, tal como fez António Filipe e Jorge Pinto.
A Rádio Observador está a passar a manhã nas Caldas da Rainha, onde vive o vencedor da noite, António José Seguro. Importa, por isso, Carla, percebermos como é que os habitantes da terra olham para este triunfo na primeira volta.
E para isso contamos com a ajuda da repórter Laura Figueiredo. Laura, o que é que vão dizendo os habitantes das Caldas da Rainha, os vizinhos de António José Seguro?
Bom dia, Carla. Diria que pouca surpresa e bastante satisfação. É assim que parece ter despertado esta cidade onde ontem à noite se cantou vitória. A sede da noite eleitoral de António José Seguro foi aqui nas Caldas da Rainha e a poucos metros da Praça da Fruta, onde me encontro e também muito perto de onde vive o candidato que conseguiu vencer a primeira volta com mais de 30% dos votos. Aqui no concelho onde vive, António José Seguro arrecadou cerca de 45% dos votos, mais do dobro dos que conseguiu André Ventura, que foi o segundo candidato mais votado e que obteve aqui 20% dos votos. Mas vamos tentar perceber aqui com Noémia Pinto, se este resultado era expectável. Bom dia, já esperava esta vitória de António José Seguro?
Sim, já esperava. E fiquei satisfeita, sendo que foi aqui, que morou aqui nas Caldas da Rainha, fiquei muito satisfeita por ele ter ganho esta vitória e sei que ele na segunda volta vai vencer.
Era isso que lhe ia perguntar, o que é que espera então da segunda volta?
Eu penso, tenho a certeza que ele vai vencer esta vitória, que ele já a tem na mão.
E costuma ver aqui António José Seguro? Já viu alguma vez?
Vi. Várias vezes. Quando é esta parte de andarem a fazer as campanhas, eu vejo. E no dia da campanha dele também estive aqui na Praça do Peixe.
E sente que a população aqui das Caldas da Rainha gosta de António José Seguro?
Sim, gostam. A maior parte. A bem dizer, esta praça estava repleta com tanta gente.
Obrigada. O testemunho de Noémia Pinto. Aqui mais um testemunho neste sentido, Carla, de pouca surpresa com o resultado. É de facto isso que tenho ouvido durante esta manhã. Os moradores parecem satisfeitos e sobretudo confiantes numa vitória de António José Seguro na segunda volta.
A reportagem da Laura Figueiredo está esta manhã nas Caldas da Rainha, é onde vive António José Seguro, apesar de ser natural de Penamacor.
Estamos também em Fafe, terra de Luís Marques Mendes, um dos derrotados da noite. Importa, Carla, perceber o que dizem os habitantes.
E para isso contamos com a repórter Maria Rego. Maria, aí Marques Mendes venceu. Teve 31,23% dos votos, mas não chegou. Tens encontrado muita desilusão esta manhã?
Precisamente, sim. E comigo tenho um habitante que também partilha desta opinião. Miguel Cunha, começo por lhe perguntar se esperava este resultado nestas eleições.
Esperava. Pessoalmente, esperava.
E como é que vê o resultado, concretamente de Luís Marques Mendes?
Fiquei surpreendido pela percentagem que teve. Pensei que ia ter mais percentagem. Ou que ia dar mais luta. Pensei que ia dar mais luta, pensei que ia ser maior.
Acha que houve aqui um contraste muito grande desde o início da campanha e agora a parte mais final?
Sim, houve. Principalmente nos debates, o Almirante a atacar o Mendes, o Mendes a atacar o Almirante. Não dá ideias para o país. Estava mais a falar da vida pessoal do que outra coisa. E isso acho que também afetou um bocado.
Foi um fator decisivo.
Sim, um dos fatores. O resto da população eu não sei o que pensa.
E aqui, concretamente agora para esta segunda volta, entre António José Seguro e também André Ventura, qual é que acha que vai ser o cenário aqui?
Eu, pessoalmente, acho que o Seguro vai ser o próximo presidente da República. Acho que sim.
Uma larga vantagem?
Parece. Mas eu posso estar errado. Mas pelo menos parece-me que o Seguro será o próximo presidente da República. Agora não tenho a certeza. Pelo menos dá-me essa ideia, mas é pessoalmente, eu não sei o que o resto da população vota. Eu não faço a mínima ideia.
Muito obrigada. Ficamos então com este testemunho deste habitante de Fafe. Aqui, como dizias, Carla, onde venceu Marques Mendes, um cenário muito contrastante com o que aconteceu a nível nacional.
Maria Rego em direto esta manhã de Fafe, de onde é natural Marques Mendes, onde de resto o candidato anunciou a entrada na corrida a Belém. A destaque também para a descida da taxa da abstenção. Estas foram as eleições presidenciais mais participadas em 20 anos. A abstenção desceu, esteve nos 47,7%.
São agora 9:11. Já a seguir o Explicador com o debate entre Adalberto Campos Fernandes, apoiante de António José Seguro, e Cristina Rodrigues, apoiante de André Ventura. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de segunda-feira?
Continuamos a dar atenção ao descarrilamento de dois comboios de alta velocidade em Córdoba, em Espanha. Pelo menos 39 pessoas morreram, 150 ficaram feridas, 24 estão em estado grave. As autoridades admitem que o número de vítimas pode subir. Foi aberta já uma investigação para apurar as causas do descarrilamento. Marcelo Rebelo de Sousa enviou uma nota de pesar ao rei Filipe VI. 10 distritos do litoral do continente vão estar amanhã e quarta-feira sob aviso amarelo por causa da agitação marítima. Prevêem sondas com quatro a cinco metros. É o que indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Estamos de regresso às presidenciais para olharmos para os dados mais interessantes da votação de ontem. Vamos olhar agora para fora de Portugal.
Vamos para onde?
Vamos para o local-
Na China.
Perto. O local que ficou conhecido por ter a mesa de voto com o maior equilíbrio entre escolhas.
Onde é que fica?
Jacarta, a capital da Indonésia.
Estamos em todo lado.
Estamos em todo lado. Aqui estavam inscritos 160 eleitores, votaram cinco e é como se tivessem votado apenas os elementos da mesa de voto, que houve um empate. Cinco pessoas, cinco votos diferentes, nenhum real vencedor na Indonésia. E não era a segunda, era a terceira.
Muito bom. Sei quem foram os cinco já agora?
Vamos lá saber. António José Seguro, André Ventura, João Cotrim Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e Manuel João Vieira.
Todos os João Vieira.
Eu por acaso ia perguntar isso. Será que havia um voto para Manuel João Vieira?
Houve sim, teve 20%.
É bem intenso.
Aqui, se pensarmos bem, o que é que acontece? Luís Marques Mendes teve zero votos. Ele que, por exemplo, venceu em Macau. Em Macau votaram mais de 2000 eleitores, num universo de mais de 57 mil inscritos e Marques Mendes venceu em Macau.
Em Jacarta, cinco pessoas votaram.
20% para cada candidato.
20% para cada.