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Das nove. Jornal das nove das Manhãs 360, que tem edição da Carla Jorge de Carvalho. Carla, a União Europeia saúda a vitória de Péter Magyar nas eleições húngaras. Bruxelas fala num retomar do caminho europeu. Já do lado dos Estados Unidos, ainda não há reação oficial à derrota de Viktor Orbán.

Confirmaram-se as projeções. Péter Magyar é o vencedor das legislativas na Hungria. O líder do partido Tisza, de centro-direita, consegue a maioria no Parlamento e promete a libertação da Hungria. Já Viktor Orbán, ultraconservador, admite uma derrota que descreve como dolorosa, mas promete continuar a lutar pela Hungria, na oposição, agora. Vamos às reações. Oficialmente, nem Donald Trump, nem qualquer representante da Casa Branca fez qualquer comentário até o momento. Ainda assim, João Gama, há reações de peso dos Estados Unidos.

De um antigo presidente dos Estados Unidos e de uma antiga candidata presidencial. Barack Obama recorreu à rede social X para descrever a vitória de Péter Magyar como uma vitória para a democracia e para todo o mundo. No mesmo sentido, Hillary Clinton escreveu nas redes sociais sobre uma vitória não apenas para a Hungria, mas para as pessoas que valorizam a democracia em todo o mundo. A antiga candidata presidencial, que concorreu contra Donald Trump nas eleições de 2016, celebrou assim o fim do regime autocrático de Viktor Orbán.

E na Europa, em sentido contrário, os líderes europeus encaram a vitória de Péter Magyar como uma aproximação a Bruxelas.

É o caso, por exemplo, de Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, escreveu esta madrugada que esta noite o coração da Europa bate um pouco mais rápido. Sublinhou a esperança de que os resultados possam ser sinal de mudança na relação entre a Hungria e a União Europeia. Também Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, quis passar essa mensagem de união e escreveu no X que o lugar da Hungria é no coração da Europa, dando assim os parabéns ao antigo eurodeputado Péter Magyar.

E também os aliados políticos de Viktor Orbán, como Giorgia Meloni, deram os parabéns ao novo primeiro-ministro, João.

Uma política com conhecida proximidade ideológica a Viktor Orbán agradeceu, ainda assim, no Twitter, ao ainda primeiro-ministro, a colaboração intensa nos últimos anos, dando depois os parabéns ao primeiro-ministro eleito da Hungria. Líderes europeus de países como França, Alemanha e Reino Unido foram rápidos a deixar felicitações. Esperam trabalhar e aprofundar o projeto europeu ao lado do novo primeiro-ministro da Hungria.

João Gama, com as reações às legislativas na Hungria. Em Portugal, o presidente da República e o primeiro-ministro também já felicitaram o novo chefe de governo. António José Seguro e Luís Montenegro esperam um trabalho conjunto em prol do projeto europeu.

E Carla, afinal, quem é Péter Magyar, o novo primeiro-ministro da Hungria, eleito ontem à noite?

Tem 45 anos, é formado em Direito, chegou a pertencer ao partido de Viktor Orbán, mas saiu e teve uma ascensão mediática meteórica. Rui Casanova.

Péter Magyar saltou para a ribalta da política na Hungria com a ajuda da mulher, que chegou a ser ministra da Justiça de Viktor Orbán. Péter Magyar divulgou um áudio de Judit Varga, no qual a mulher falava de um caso de corrupção que deu origem a um escândalo político na Hungria, e foi a partir daí que cresceu. Já divorciado, chegou a ser acusado de violência doméstica, acusação que sempre negou, numa altura em que começou a tornar-se mais conhecido. Depois deste escândalo, começou a criticar publicamente o Fidesz, o partido de Viktor Orbán, e expor a corrupção do primeiro-ministro, líder de quem em tempos Péter Magyar teve um pôster no quarto. Subiu mediaticamente nos últimos três anos e agora chega a primeiro-ministro, mas ainda há poucas informações sobre como será a governação. É um político conservador, de centro-direita. Durante a campanha, percorreu o país e focou-se, além de Budapeste, nas áreas rurais, algo que lhe valeu muitos votos. Prometeu, durante a campanha, medidas duras contra a imigração ilegal. É por isso também conservador. Prometeu ainda a resolução de problemas relacionados com a saúde e a educação na Hungria e, sobretudo, a recuperação das relações com a União Europeia e a NATO. Aqui uma clara diferença face ao primeiro-ministro Viktor Orbán.

Rui Casanova, com o perfil de Péter Magyar, o vencedor da noite eleitoral na Hungria. Na análise, a editora internacional do Observador, Cátia Bruno, sublinha precisamente que o novo primeiro-ministro ainda é um desconhecido e deixa, por isso, uma questão sobre o futuro.

Péter Magyar ainda é um desconhecido. Parece muito mais europeísta do que Orbán era nos últimos tempos, mas sabe-se pouco mais para além disso. Ou seja, esse europeísmo ainda não é muito concretizado. E, portanto, isso também nos levanta a questão se ele sempre foi mais europeísta e durante a campanha não o quis assumir porque achou que a questão da Ucrânia não seria uma questão muito popular junto ao eleitorado húngaro, ou se, na verdade, essa é a sua posição e agora quis apenas fazer bonito no discurso, digamos, para agradar a Bruxelas.

A análise da editora internacional do Observador, Cátia Bruno, que destaca também a maior proximidade com a União Europeia.

Este é também o tema da história do dia de hoje e as eleições húngaras vão estar em análise no Contracorrente depois do jornal das 10. Troca de acusações entre Estados Unidos e Irão no dia em que a Marinha norte-americana vai começar a bloquear o Estreito de Ormuz. Teerão acusa Washington de Pirateria.

E avisa que vai implementar um mecanismo permanente para controlar o local. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irão defendeu esta manhã que o bloqueio anunciado pelos Estados Unidos é ilegal e, por isso, Teerão admite responder. Ainda assim, sem dar detalhes sobre o tipo de mecanismo que Teerão pode colocar no terreno para controlar o estreito. O bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz deve começar esta tarde e vai ser aplicado aos navios que usam portos iranianos, uma medida que já fez o preço do barril de petróleo voltar a ultrapassar os US$ 100 nas últimas horas.

Entretanto, o Reino Unido revela que não vai participar no bloqueio aos portos iranianos.

Notícia da BBC: apesar de os Estados Unidos não poderem contar com navios e soldados da Marinha britânica, o exército vai continuar a disponibilizar caça-minas e mecanismos antidrone. À BBC, um porta-voz do governo britânico assegura que o Reino Unido vai continuar a apoiar a liberdade de navegação e a abertura do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial.

E para o professor António José Telo, a ameaça americana de bloqueio do Estreito de Ormuz deve ser levada parcialmente a sério.

Convidado do Gabinete de Guerra desta manhã, o professor catedrático na Academia de História Militar explica que esta ameaça é uma medida intermédia que os Estados Unidos vão tomar enquanto estudam outras possibilidades.

Em primeiro lugar, é de facto uma ameaça. Em segundo lugar, penso que parcialmente é para levar a sério. Ou seja, é uma medida intermédia que se toma enquanto se estudam as possibilidades em aberto. Ou seja, é uma missão perfeitamente ao nível e ao alcance das forças americanas. Portanto, sim, é uma ameaça que está ao alcance da Marinha americana e que tem alguns efeitos. Agora, esses efeitos não são decisivos, longe disso, porque significa que o Estreito de Ormuz passa a estar ainda mais fechado do que estava até agora, com prejuízo do Irão, é certo, mas com prejuízo da economia internacional também.

O professor António José Telo na análise à ameaça dos Estados Unidos. Entretanto, a noite voltou a ser de ataques no sul do Líbano. Bombardeamentos israelitas fizeram cinco vítimas mortais.

9h10, Carla, que outras notícias vão marcando a actualidade?

Hoje é dia de nova reunião entre governo, confederações patronais e UGT sobre a reforma laboral. O encontro surge depois do chumbo da UGT à proposta do Executivo. Na véspera da reunião, as confederações patronais divulgaram uma carta em conjunto em que criticam a posição da UGT por ter rejeitado a proposta de revisão laboral. André Ventura aceitou o desafio de José Pacheco Pereira. Os dois vão debater hoje à noite na CNN Portugal. O debate foi pedido pelo historiador, sendo que há algumas condições: será um frente a frente baseado em factos e documentos, sem condicionamento ideológico. O desafio foi feito depois da intervenção de Ventura nos 50 anos da Constituição, em que o líder do Chega afirmou que existiram mais presos políticos depois do 25 de Abril do que antes, durante a ditadura do Estado Novo. Luís Montenegro volta a celebrar os resultados económicos obtidos pelos governos da AD. O primeiro-ministro afirma que não foram aumentados impostos desde que tomou posse. As declarações foram feitas ao final da tarde, nas jornadas parlamentares distritais do PSD e CDS, na Maia. Montenegro diz também que as novas regras de fiscalização dos contratos públicos têm como objetivo acabar com um país onde os governantes têm medo de decidir.