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O governo acredita que a UGT não está a levar a sério as negociações da reforma laboral e ficou surpreendido com a unanimidade do Secretariado Nacional. O Executivo dá agora mais 15 dias à UGT para se pronunciar, mas há poucas esperanças no acordo. A Ministra do Trabalho marcou para dia 7 de maio uma nova reunião depois do chumbo da UGT, a mais recente proposta do governo. Dentro do Executivo, há a ideia de que a UGT não está a levar a sério as negociações e, por isso, restam poucas esperanças para um acordo. Ao mesmo tempo, ninguém quer ficar com o ônus de ter rompido com as negociações. João Gama.

A começar pelo governo, que vai apostar na estratégia de mostrar disponibilidade para negociar até o limite, não só para tentar mostrar à opinião pública que o Executivo não foi inflexível, nem esteve nestas negociações de má-fé, mas também porque há outro obstáculo no horizonte: o Presidente da República. António José Seguro anunciou em campanha que vetaria uma reforma da lei laboral que não contasse com a luz verde da UGT. Ora, o governo quer mostrar que esgotou todas as possibilidades para chegar a um acordo. Para os patrões, já não há grandes dúvidas de que a negociação está esgotada. Resta saber qual vai ser a posição da UGT no próximo dia 7 de maio.

João, dentro do Executivo, ouve-se cada vez mais a ideia de que a UGT está, sobretudo, a fazer uma gestão das perceções políticas.

Ou seja, que não está a levar a sério estas negociações, em vez de trabalhar para uma lei melhor para os trabalhadores. O Observador apurou também que a unanimidade dentro do Secretariado Nacional da Central Sindical surpreendeu o governo, uma vez que também a tendência social-democrata acabou por votar contra a proposta que estava em cima da mesa. Esta posição não era esperada no PSD. No final de contas, toda a liderança da UGT acabou por concordar no voto contra, incluindo Lucinda Damaso, presidente da UGT e vice-presidente do PSD.

João Gama, com o estado atual das negociações da reforma laboral depois de um novo chumbo da UGT. Dia 7 de maio, há nova reunião. Este é o artigo que faz manchete a esta hora. Vai ser também o tema do Explicador, já a seguir, com Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, e Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar do PS. O secretário-geral do PS está convicto de que vai chegar a ser primeiro-ministro e recusa ter um opositor interno depois do regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento. José Luís Carneiro afirma que o recebeu de braços abertos, afastando assim a ideia de que está a surgir uma oposição interna não assumida no PS para desafiar a atual liderança quando houver eleições. Em entrevista à Agência Lusa, José Luís Carneiro afirma que quando houver novamente eleições, vai concorrer na qualidade de líder do PS e acredita que vai ganhar. Sobre o regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento para reassumir o mandato de deputado, Carneiro afasta qualquer ideia de desconforto.

Conversamos na sexta-feira passada e disse-lhe que o acolheríamos de braços abertos e se ele se sente bem hoje no Parlamento, é onde ele deve estar. Ele tem um mandato, tem uma legitimidade e mais, espero que ele se sinta bem, que as suas capacidades e experiência política sejam devidamente valorizadas no trabalho parlamentar.

Nesta entrevista, o secretário-geral do PS acusa também o governo de asfixia democrática.

O que está a acontecer com o governo é que se aplica ao governo aquilo que outrora a doutora Manuela Ferreira Leite falou do governo do PS, da asfixia democrática. É que o governo, se repararem, está a procurar, por um lado, criar instrumentos de distração da opinião pública. Vem com as questões dos estrangeiros, vem com a questão das burcas, vem com a questão da nacionalidade, ou o governo ou o Chega, enfim, uns de outros, vem com temas que não passam sequer pela cabeça das pessoas que no seu dia a dia estão confrontadas com a necessidade de levar os seus filhos à escola, com a necessidade de acompanhar seus filhos no estudo escolar ou com as suas necessidades de irem para o trabalho, de serem valorizados no seu trabalho. Não lhes passa pela cabeça.

Já sobre o presidente da República, o secretário-geral do Partido Socialista fala numa relação sadia, de respeito mútuo, mas admite que podem vir a surgir divisões diferentes sobre alguns temas. Com a ameaça de uma crise no setor da aviação, o governo tem pressa em fechar o processo de privatização da TAP. O futuro acionista privado da transportadora aérea deve ser conhecido até setembro. O relógio já começou a contar. Os dois interessados na operação, a Air France KLM e a Lufthansa, têm 90 dias para formularem a oferta vinculativa, o que atira a data de entrega para julho. A Parpública terá, depois, 30 dias para analisar propostas e entregar o relatório, o que já coloca a data em agosto. O governo há de escolher seguir a proposta vencedora, será até setembro. No briefing do Conselho de Ministros, os responsáveis das Finanças e das Infraestruturas não esconderam que o cenário de uma eventual crise no setor da aviação pode ter impacto na privatização, mas dizem esperar também que no final do verão, a guerra no Médio Oriente e a crise energética não estraguem mais esta tentativa de venda da TAP. Em 2020, recorde-se, havia negociações para a venda da participação de David Neeleman na TAP à Lufthansa, que caíram por terra aí por causa da pandemia. Vamos ao desporto. O Torriense venceu o Fafe por 2x0 e garantiu a passagem à final da Taça de Portugal, onde vai encontrar o Sporting. Carla, importa por isso percebermos como está a ser a festa em Torres Vedras. Até porque é a sétima vez na história que uma equipa fora da Primeira Liga consegue chegar à final da Taça. O Torriense, da Segunda Divisão, vai agora enfrentar o atual detentor do troféu no Jamor. Vamos ver como estão os adeptos a viver esta vitória. Vamos em direto até Torres Vedras, ao encontro do repórter Miguel Pina Andrade. Miguel, calcula-se que a noite foi de muita festa.

Muita festa, Carla, foi o que nos contou Maria, a responsável pela lavandaria do clube. Neste momento, o Estádio Manuel Marques encontra-se vestígios da festa. Torres Vedras acordou com um sentimento que não vivia há 70 anos. O Torriense vai ao Jamor 70 anos depois. Há pouco, no centro da cidade, falámos com Rebeca Esteves, que trabalha num café. Esta adepta fala-nos numa algazarra total, são estas as palavras usadas. Dentro do estádio, não cabia mais ninguém.

Muito cheio, a abarrotar. Nunca vi aquilo uma coisa assim, era só cabeças.

A abarrotar, uma casa cheia no Estádio Manuel Marques, aqui em Torres Vedras, um estádio que tem capacidade de mais ou menos 2500 pessoas. Ontem à noite estiveram pouco mais de 4000. Quanto à final, no Jamor, o coração desta adepta do Torriense, Rebeca, divide-se.

É assim, vai ser um jogo difícil, porque o Torriense também esteve sempre a jogar com força, mas o Sporting também é o melhor de todos.

Um coração dividido, a reação de uma adepta do Torriense à vitória da noite passada por 2 x 0 frente ao Fafe. Uma noite que foi de festa, numa cidade que agora, Carla, acorda aos poucos com a notícia de que o Torriense, 70 anos depois, vai jogar a final da Taça de Portugal, que como disseste, é contra o atual detentor do troféu, o Sporting Clube de Portugal.

Qual Carnaval, qual quê? A festa em Torres Vedras, registrada pelo Miguel Pina Andrade, tem a ver com o apuramento para a final, no Jamor, no dia 24 de maio.

São 09h08. Já segue o explicador sobre a reforma laboral com os líderes parlamentares de PSD e PS. Antes, Carla, que outras notícias estão em destaque?

Os Estados Unidos estarão a ponderar punir aliados da NATO que não apoiaram a guerra com o Irão. É o que pode ler-se num e-mail interno do Pentágono, que foi divulgado por um funcionário da Casa Branca, à agência Reuters. Na lista pode ler-se que Washington estará a ponderar suspender países difíceis da NATO, como é o caso de Espanha. Durante a guerra no Médio Oriente, o governo de Madri negou o acesso norte-americano a bases militares no país. Entretanto, Pedro Sanchez já reagiu a esta notícia à margem da Cimeira da União Europeia, que decorre no Chipre. O presidente do governo espanhol garante que a Espanha é um parceiro leal da NATO e que está absolutamente confiante com o papel que tem desempenhado na Aliança Atlântica. Os procuradores do Ministério Público estão hoje em greve, num protesto que é convocado pelo Sindicato dos Magistrados, no dia em que o ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio Azevedo, fica a conhecer a decisão judicial no âmbito da Operação Babel. É um dos 16 arguidos deste processo relacionado com a alegada viciação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanísticos em Gaia. Mais de 3000 km de caminhos florestais afetados pelas tempestades no início do ano já foram desobstruídos. São dados do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, relativos até ao dia 15 deste mês. Um terço destes danos aconteceu em Leiria. Até 31 de maio, o ICNF garante que a força de sapadores bombeiros florestais e os assistentes operacionais responsáveis pelas matas vão continuar a impedir o trânsito nas áreas afetadas pelo mau tempo.