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Está a começar O Bom, o Mau e o Vilão, a edição desta quinta-feira. Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
E quem é o bom desta quinta-feira?
O bom desta quinta é João Cotrim Figueiredo. O presidente da Iniciativa Liberal foi, até agora, o único líder partidário que mostrou estar preocupado com o impacto da pandemia nas próximas eleições. Nas últimas presidenciais, houve 135 mil pessoas que não puderam votar por estarem em isolamento e este ano, com uma variante muito mais contagiosa, podemos chegar ao dia das eleições com várias centenas de milhares de pessoas fechadas em casa, quer estejam infectadas, quer sejam contactos de risco. As últimas previsões dos especialistas apontam para 600 mil isolados no começo do mês. Para as pessoas terem uma ideia, nas últimas legislativas, o terceiro partido mais votado teve 500 mil votos. Portanto, uma eleição com 600 mil pessoas em casa não é bem uma eleição, é mais uma roleta russa. Mas a esmagadora maioria dos líderes partidários não está nada preocupada com isso. É aquela velha máxima portuguesa: seja o que Deus quiser.
Vamos passar para o mau, Miguel.
O mau é António Lacerda Sales. Decididamente, o secretário de Estado da Saúde não aprende. Depois de há umas semanas ter defendido publicamente a vacinação de crianças antes de os especialistas se pronunciarem, agora decidiu defender a redução dos dias de isolamento antes de os especialistas se pronunciarem. Pelos vistos, Lacerda Sales está muito convencido de que essa medida seria uma boa notícia para as pessoas e para a economia e como está convencido disso, não há nada como partilhar a sua opinião de não especialista com o mundo antes de tempo. Como o secretário de Estado não chegou lá à primeira, eu vou repetir. Deixe a ciência para os especialistas e concentre-se nas suas responsabilidades políticas, porque olhando para aquilo que por aí vai, acho que só isso já lhe deveria dar trabalho suficiente.
E fica a faltar o vilão.
O vilão, nem de propósito, é Augusto Santos Silva. O ministro que, segundo as suas próprias palavras, adora malhar na direita, decidiu ontem malhar no PSD. Os social-democratas defenderam a revisão das normas de isolamento e Augusto Santos Silva indignou-se em defesa da autonomia dos especialistas. Usando a sua pouco elegante ironia, ele disse isto: "É natural que quem não consegue perceber a autonomia da Polícia Judiciária, também não consiga perceber a autonomia da Direção-Geral da Saúde, mas essa não é a atitude do Governo." Ora, eu perante isto recomendaria que Augusto Santos Silva tivesse uma conversinha com o seu colega do governo, António Lacerda Sales. Era capaz de ser útil para ambos.
E em resumo, o bom é João Cotrim Figueiredo, o mau, António Lacerda Sales e o vilão, Augusto Santos Silva. São estas as escolhas do Miguel Pinheiro nesta quinta-feira no Bom, o Mau e o Vilão, edição que vai ficar já a seguir disponível em podcast.
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