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Está no ar mais um episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão" das manhãs 360, que também pode ouvir em podcast. Fala Miguel Pinheiro. Bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom é o Ministério da Educação.

Sim, o Observador contou ontem que há relatos de que durante décadas o ator António Capelo terá, alegadamente, abusado de alunos da Academia Contemporânea do Espetáculo, uma escola que ele fundou e onde era professor. Uma das pessoas ouvidas pelo Observador diz que era o segredo mais mal guardado do Porto. A atual direção da escola jura e garante que nunca soube de nada. Dá-se o caso, porém, de a Academia Contemporânea do Espetáculo ser uma escola profissional tutelada pelo Ministério da Educação e por isso, na sequência de uma outra denúncia, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência abriu um processo de averiguações. Foi muito rápida a fazer isso. Esperemos que agora tudo fique esclarecido. Esperemos que o Ministério da Educação vá lá perceber exatamente o que se está a passar.

Pois, e se calhar começa a faltar ter uma estratégia para este tipo de casos. Uma forma mais sistemática, digo eu, nesta área de ensinos.

Pelo menos responder rapidamente quando há uma denúncia, eu acho que já é um bom método.

Então e quem é o teu mau, Miguel?

São os lisboetas, são aqueles que vivem aqui, que votam aqui. Ontem o primeiro debate com os candidatos à Câmara mostrou-nos que quem vive na capital não pode esperar grande coisa dos candidatos. João Ferreira, da CDU, resumiu as suas propostas. Basicamente é uma única medida, que é aumentar os impostos. Carlos Moedas baixou os impostos. João Ferreira quer aumentar os impostos. Ele diz-nos que se os lisboetas pagarem mais impostos, a Câmara, que é uma das mais ricas do país, ou a mais rica do país, vai ficar ainda mais rica e sendo ainda mais rica, vai resolver todos os problemas que não consegue resolver agora, mesmo estando já cheia de dinheiro e riquíssima. Portanto, mais dinheiro para cima dos problemas. Dinheiro nosso, só para não haver aqui dúvidas. O dinheiro é nosso. Carlos Moedas afirmou isto, cheio de segurança. Ele disse-nos: "Se há um assunto em que eu estou à vontade com os lisboetas, é com a habitação". Ninguém no país sabe como resolver o problema da habitação, mas pelos vistos o presidente da Câmara está a tratar de tudo. Nós é que ainda não tínhamos percebido, coitadinhos de nós. Quanto a Bruno Mascarenhas, do Chega, o que eu vos posso dizer? Eu posso citá-lo. Aliás, vi que no nosso noticiário nós escolhemos esta frase, porque de facto é uma frase marcante no resumo do debate. Então cá vai. Ele disse isto: "Nós identificámos, desde há vários meses, os problemas que haviam na Carris". Portanto, haviam problemas na Carris e Bruno Mascarenhas conseguiu identificar os problemas que lá haviam. E quando Carlos Moedas lhe perguntou em que momento é que Bruno Mascarenhas tinha chamado a atenção para os problemas que haviam no Elevador da Glória, ele reconheceu que de facto nunca tinha falado sobre isso. Tinha era falado sobre o problema de existir uma secção do PS na Carris. Ou seja, os problemas que haviam eram outros. Mas que haviam, haviam. Por fim, Alexandra Leitão, a candidata do PS, está tão preocupada em fugir da imagem de radical que só quer agradar a todos. E ela disse isto, por exemplo: "Eu quero uma mobilidade equilibrada". O que isto quer dizer? Quer dizer que há lugar para o carro, que tem de se reforçar os transportes públicos e que tem de se ter uma cidade mais amiga dos peões. E, portanto, Alexandra Leitão quer tudo para todos ao mesmo tempo, ninguém vai ter do que se queixar. Mas para mim a frase que melhor resume a prestação da candidata do PS é esta, cá vai. Atenção aí: "Eu lamento. Eu acho que nós devemos discutir o futuro. E discutir o futuro da cidade de Lisboa é também discutir o estado em que a cidade está e, portanto, é de alguma forma também discutir o passado". Ou o presente, na verdade. Não sei se vocês perceberam. Eu não percebi, mas no fundo, o problema é o futuro, o presente, o passado e, portanto, o passado, o presente dá-nos o futuro. É isto. É um grande programa político.

É como aquela frase feita: há dias de manhã em que uma pessoa à tarde não pode sair à noite.

Ora, nem mais. Eu faria um cartaz disso.

Miguel, agora diz lá quem é o teu vilão de hoje. Diz lá.

Ó Maria João. Sim, senhora. Muito bem, tu estás a gozar.

Nada, eu.

Estás a gozar. Eu mereço, porque de facto nesta vida não se pode ser boa pessoa. A verdade é essa. Eu faço um esforço, é contra a minha natureza, faço um esforço para ser boa pessoa. Ontem, com toda a boa vontade, tive a simpatia de, apesar de todas as dúvidas que apresentei, colocar o Ministério da Saúde como bom, mas arrependi-me logo que isto acabou. Aliás, eu estava a falar e já me estava a arrepender, porque ficaram a conhecer-se mais detalhes sobre as razões para este fim de semana a margem sul ter ficado sem urgências de obstetrícia Vamos lá ver a história desde o início. Em julho, a Ministra da Saúde foi à SIC dizer que a partir de 1 de setembro os problemas do Garcia de Orta estariam totalmente resolvidos, e eu vou citá-la: "O Garcia de Orta vai estar aberto 365 dias por ano, 24 horas por dia. Essa é a nossa garantia. Há uma equipa de especialistas que se desvincularam do hospital privado onde trabalhavam e todos quiseram fazer contrato com o SNS". E quando houve o problema deste fim de semana, eu pensei que por qualquer razão burocrática, a assinatura desses contratos podia estar atrasada uns dias, era aqui uma questão de dias, estavam mesmo a assinar. Mas não. Ontem percebi, percebemos todos, que a equipa de que a ministra falou pura e simplesmente não existe. Não existe equipa nenhuma, nunca existiu equipa nenhuma. Aqueles sete médicos de que a Ana Paula Martins falou são médicos fantasma. O hospital não contratou sete médicos, nem seis, nem cinco. Contratou quatro. E nem esses quatro são equipa nenhuma, nem vieram todos do privado. Dois dos quatro já eram tarefeiros no Garcia de Orta e simplesmente aceitaram entrar para os quadros. Era tudo uma fantasia. Ontem a ministra queixou-se e disse isto: "Confiei nas equipas. Aprendi que nada nos garante que aquilo que nos garantem que vai acontecer, acontece". E isto tem graça, porque nós podemos dizer a mesma coisa. Confiamos na Ministra da Saúde, aprendemos que nada nos garante que aquilo que a ministra nos garante que vai acontecer, acontece. Pronto, acho que aprendemos todos a lição.

Acontece.

Acontece. Eu aprendi a lição. Nunca mais.

Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é o Ministério da Educação, o mau são os lisboetas e o vilão é a Ministra da Saúde. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs "360" sempre em podcast.