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Ao telefone já temos o Miguel Pinheiro. Olá Miguel, bom dia.
Bom dia.
Quem é o bom nesta véspera de fim de semana?
O bom de hoje, desta sexta-feira, finalmente, é António Costa, que ontem à noite, numa reunião da comissão política do PS, pediu espírito de humildade, de abertura e de diálogo, porque, estou a citar: "Por muita força que o PS tenha, precisa de todos os portugueses, de todos os parceiros sociais e de todos os partidos para ultrapassar a crise económica." Logo depois das últimas eleições, o PS começou a comportar-se como se tivesse maioria absoluta e muitas vezes hoje em dia também se comporta assim. Sendo que, convém lembrar, que o PS não tem a maioria absoluta. Muitas vezes, quando supostamente está a negociar, parece que nem sequer está a ouvir quem se senta à mesma mesa. Mas, de facto, o PS, que não tem essa tal maioria absoluta com que sonhou, precisa mesmo de falar com quem pensa de maneira diferente. E se António Costa já se convenceu disso, é um bom sinal.
Deve ter sido o contexto novo que o convenceu disso, não é? Da necessidade de diálogo, porque está aí uma crise económica.
Não há nada como aprender, estar aberto a aprender da adversidade, Paulo. É um dos ensinamentos filosóficos antigos. Acho que fui eu.
Obrigado.
Ou isso ou está num daqueles livros do Chagas Freitas, não tem a graça, mas está em ambos os dois.
Sim.
E vamos ao mau, Miguel.
O mau é Alberto João Jardim, que se juntou ao esquadrão de suicidas políticos que à direita decidiram agora que Marcelo Rebelo de Sousa é um perigoso socialista por causa de um eventual apoio do PS à sua recandidatura. Segundo Alberto João Jardim, Marcelo é apenas o candidato do secretário-geral do PS, é esta a expressão que Jardim agora usa. Há uma coisa que alguma direita ainda não percebeu: a razão que leva o PS a admitir apoiar a recandidatura do Presidente da República não é porque o Partido Socialista está numa posição de força e Marcelo Rebelo de Sousa numa posição de fraqueza. É exatamente pelo contrário.
E só fica a faltar o vilão, Miguel.
O vilão é o PSD. Soubemos ontem que o Ministério Público decidiu acusar uma ex-deputada do PSD, que foi protagonista do caso do voto fantasma no orçamento. Já falámos disso hoje aqui de manhã. Em outubro de 2018, Maria Mercedes Borges terá votado pelo seu colega Feliciano Barreiras Duarte e, segundo o Ministério Público, atenção que isto é uma citação: "A arguida agiu com intenções de proveito meramente partidário por parte do partido do qual tomava assento parlamentar, querendo preservar a imagem política daquele e reforçar a expressão de votação contra a proposta de lei do orçamento para 2019." A ex-deputada terá tido também uma motivação pessoal de ajudar o outro deputado, Feliciano Barreiras Duarte, sendo que em relação a ele o caso foi arquivado. Ora, uma acusação não é uma condenação, é evidente, mas é muito pesado para qualquer partido ler uma coisa destas num documento judicial.
E sobretudo quando na base está um comportamento que eu diria absolutamente infantil, de alguma maneira.
E que na altura foi evidente para toda a gente e levou a uma reação equívoca do partido. Entretanto, a deputada transformou-se em ex-deputada, mas na altura aquilo foi um bocadinho equívoco.
E assim chegamos ao fim de mais um Bom, o Mau e o Vilão, sempre com o Miguel Pinheiro. Se não ouviu desde o início, pode fazê-lo através do podcast, mas eu resumo-lhe a edição de hoje: o bom é António Costa, o mau Alberto João Jardim e o vilão desta sexta-feira é o PSD.
Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM, 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.