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O Bom, o Mau e o Vilão, as escolhas diárias do Miguel Pinheiro. Bom dia, Miguel.

Bom dia.

Bom dia. Quem é o bom desta semana ou desta segunda-feira?

Esta segunda, sim. Com o tempo vamos fazer isto semanal, uma vez por semana custa menos.

Exato. O de segunda.

O bom desta segunda é o Colégio de Cirurgia da Ordem dos Médicos, que está há vários meses a pedir que haja mais formação para tentar evitar casos de más práticas, como aquele que ocorreu em Faro. Ao "Expresso", o presidente do Colégio de Cirurgia Geral explicou o que está em causa com uma frase que é um pouquinho assustadora. Ele disse: "Não é raro fazer uma pergunta de anatomia a alunos do último ano e responderem: 'Professor, eu fiz anatomia há cinco anos.'" Isto se ainda nem sequer saíram de lá e já não sabem muito bem anatomia, uma pessoa fica um pouquinho assustada. É bom que haja esta autocrítica, é bom que os médicos não se fechem numa espécie de corporativismo em que muitas vezes caem, mas ao mesmo tempo é pouco tranquilizador perceber que as coisas estão assim. E se estão assim, convinha que o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos não demorassem muito a fazer alguma coisa.

Convinha mesmo, não sei é se isto é prioritário. Neste momento, basicamente não conseguem sequer arranjar médicos, independentemente de serem formados de uma forma ou de outra.

Percebo, Paulo.

Estás a perceber o nível de exigência, não é?

Estou a perceber onde é que estás a tentar chegar.

Olha, Miguel, quem é o mau desta segunda-feira?

O mau são os sindicatos dos professores, que no último ano entraram numa espiral de descontrole. Eles andam há meses a tentar convencer-nos que os professores são os seres humanos mais injustiçados do país, da Europa e do planeta. Andam há meses a tentar convencer-nos que por isso podem fazer tudo, porque estão a protagonizar a luta mais justa da história da humanidade. Nunca houve luta mais justa do que esta. Quem os ouve falar fica a pensar, por exemplo, que os professores foram as únicas pessoas que perderam dinheiro durante a troica, mais ninguém. Mais ninguém ficou com a vida virada do avesso, mais ninguém recuou anos na sua carreira, mais ninguém ficou para sempre, ou pelo menos até agora, a ganhar muito menos do que ganhava até à altura. Foram só eles, pelos vistos. Os sindicatos dos professores prejudicaram os alunos durante todo este ano letivo. Vão agora continuar a prejudicar os alunos durante os exames e estão já a planear prejudicar os alunos no próximo ano letivo. Este fim de semana, as pessoas decidiram finalmente olhar com atenção para um cartaz de António Costa com o nariz de porco, que foi mostrado no 10 de Junho. Mas esse cartaz, há fotos que mostram isso, já andava a ser exibido pelos professores há muito tempo em manifestações, porque os sindicatos sentem que tudo lhes é devido, tudo lhes é permitido e convenceram muitos professores disso.

Mas este tipo de ações provavelmente ainda virará contra os professores, famílias, alunos, o país de uma forma genérica, não é?

Parece-me que é uma questão de tempo e até suspeito que essa viragem já está a acontecer, porque todos temos problemas. E chega-se a um ponto em que realmente a luta vai para lá do que é admissível. CP, por exemplo, olha para a CP. Nem comecem a falar disso, que eu agora começo aqui a falar das greves dos comboios e não paro.

Não vamos por aí.

Não vamos.

Miguel, e quem colocas na pele de vilão esta segunda-feira?

O vilão é Mário Nogueira. Eu realmente acho Mário Nogueira um grande personagem. Depois da polêmica com os tais cartazes que mostram António Costa com o nariz de porco, o líder da FENPROF veio mostrar-se muito chocado, muito indignado. A FENPROF escreveu que o sindicato não se revê no insulto nem no populismo. A expressão foi deles. Cá está, o populismo de fato serve para tudo. E Mário Nogueira diz que o seu sindicato não tem nada a ver com o que aconteceu. Aliás, nas últimas horas temos assistido a uma operação que pretende associar o cartaz apenas ao sindicato STOP. Dá jeito, mas há aqui dois problemas. O primeiro problema é que o autor do cartaz já falou aos jornalistas e mesmo dizendo que esteve no 10 de Junho por si, pertencendo àquilo que ele diz ser um grupo que se reúne de forma espontânea pelas redes sociais. Mas mesmo sendo assim, assumiu que pertence ao Sindicato dos Professores da Zona Sul, que é afetado à FENPROF. Portanto, este é o primeiro problema. O segundo problema para Mário Nogueira é que estas formas de luta espontânea, por assim dizer, têm sido incentivadas por Mário Nogueira para criar um ambiente de pressão permanente sobre o governo. E eu agora vou fazer uma coisa que eu acho que nunca fiz, que acho péssimo que se faça, mas todos temos direito, é segunda-feira e portanto cá vai. Eu vou fazer o pecado mortal de todos os comentadores, que é: vou citar-me a mim próprio, que é aquela coisa que não se faz. Eu nem acredito que estou a fazer isto, mas vou citar-me a mim próprio.

Mas avança, Miguel, de vez em quando sabe bem. Queres música? Não é preciso.

Não, já é suficientemente embaraçoso assim. Mas então, vou citar-vos o que eu disse aqui nesta rádio de informação a 3 de março. Atenção, vai começar a citação: "Mário Nogueira quer avançar para uma perigosa forma de manifestação. Disse ontem que não basta apenas a greve, a manifestação ou as reuniões negociais. É preciso que quando o ministro ou o primeiro-ministro se desloquem, seja onde for, que os professores marquem presença e estejam aí a reclamar." E depois eu continuava assim: "Quando uma destas marcações homem a homem correr mal, Mário Nogueira vai dizer que não tem nada a ver com o assunto." Portanto, isto fui eu a falar a 3 de março, portanto cá estou eu a citar-me. A coisa durou até 10 de junho, quando as coisas finalmente correram mal. E lá está, Mário Nogueira veio dizer que não tem nada a ver com o assunto. Portanto, primeiro disse: "Professores, avancem por aí, por vocês, marcação homem a homem, onde quer que esteja o primeiro-ministro, onde quer que esteja o ministro, vão e avancem." Correu mal. "Meu amigo, eu não tenho nada a ver com isso, não tenho nada a ver com o assunto." Enfim, só se deixa enganar por Mário Nogueira quem quer.