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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia. Bom dia. Bom dia, Miguel. Quem é o teu bom de hoje? O bom é André Ventura, porque houve três coisas que lhe correram bem ontem. Primeiro, ele manteve a disciplina no discurso. Ele quer que a segunda volta das presidenciais seja uma luta contra o PS. Por isso insistiu nesse ponto, eu vou citá-lo. Ele num encontro com jovens disse: "Se há alguma coisa significativa que António José Seguro tem na vida, só há uma que vem à cabeça, Juventude Socialista e Partido Socialista." Enfim, são duas coisas. Ele aqui embaralhou-se a contar. Ele diz que só há uma que vem à cabeça e depois disse duas. Não interessa. O ponto é Juventude Socialista e Partido Socialista, é aquilo em que ele tem de insistir na campanha se quiser ser eficaz. Além disso, Ventura conseguiu que o debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento fosse basicamente sobre a neutralidade de Luís Montenegro na segunda volta, e esse tema só ajuda o líder do Chega. A terceira coisa que correu bem a Ventura foi o fato de António Costa ter falado em Bruxelas e ter declarado o seu apoio ante a António José Seguro na segunda volta. André Ventura deve ter aberto uma garrafa de champanhe, porque esse apoio a António José Seguro é uma maravilha para André Ventura. É tudo o que ele poderia pedir. Depois à noite esteve na RTP, na versão já animal feroz. Também pode funcionar para aquela eleitorada. Ele vai ter que ir articulando, porque ele precisa deste voto da direita moderada, mas também precisa de mobilizar os eleitores clássicos do Chega. Portanto, vai fazendo as duas coisas. O segredo aqui é o equilíbrio, é se ele consegue ir falando sobre as duas coisas ao mesmo tempo, sem cair demasiado para um dos lados, sendo que aqui tem que dar mais peso à mensagem para os moderados, porque os eleitores do Chega já lá cantam. É só preciso tirá-los de casa no domingo, no dia 8 de fevereiro. Portanto, o bom é André Ventura, o teu mau é Luís Montenegro. Sim, porque ontem o primeiro-ministro esteve no Parlamento para participar no debate quinzenal e ao falar sobre as presidenciais, descreveu a forma como vê o atual panorama político. E segundo ele, as coisas dividem-se assim: o PS está à esquerda, a AD está ao centro e o Chega está à direita. Eu até vou reter esta última parte para não escapar nada às pessoas. A AD está ao centro e o Chega está à direita. Portanto, pelos vistos, agora Luís Montenegro acha que a AD não está à direita, nem sequer está no centro-direita, está no centro. E pelos vistos, agora Luís Montenegro acha que o Chega não é a extrema-direita, nem é a direita radical, nem é a direita populista, é simplesmente a direita. E eu senti que estava a ouvir outra vez Rui Rio, que fugia da palavra direita como se fosse lepra. E se Luís Montenegro acha que a AD não é de direita, afinal é de centro, não é de direita, então com que cara é que vai andar a pedir os votos da direita quando chegar a altura de eleições? Eu fiquei embaralhado com tudo isto. Só espero que Luís Montenegro esteja a pensar muito bem no que anda a fazer, porque se o objetivo é este, André Ventura agradece, como é evidente, e os eleitores se calhar são capazes de não gostar. Pronto, e a magna questão dos últimos dias, quem é o líder da direita, está esclarecida. Só pode ser André Ventura, porque só ele é que está à direita. Temos um líder da esquerda, que é António José Seguro, um líder da direita, que é André Ventura, e um líder do centro, não sei se será o Centro Democrático e Social, que é o nome do CDS, que é Luís Montenegro. Enfim, está bem. Pronto. Se é isso que ele quer. Se acha, pronto. Com certeza, força nisso. Miguel, o teu vilão trouxe a conta para a mesa. Pois é, o governo. Ontem o ministro da Economia, Castro Almeida, anunciou duas novas medidas para ajudar os restaurantes. E preparem as carteiras, porque vocês vão pagar isto. Então, primeira medida: o Estado, através do Turismo de Portugal, vai ficar com as dívidas dos restaurantes à banca. Portanto, os restaurantes que neste momento pediram dinheiro à banca e devem dinheiro à banca, isso acabou. O Estado fica com essa dívida, ficam a dever ao Estado. Vamos ver se daqui a uns tempos não vem aí um perdão qualquer. Porque o Estado adora perdões. Alguns. Segunda medida: os restaurantes vão ter um novo apoio do Estado até €60 mil, sendo que 30%, atenção, podem ser a fundo perdido. Portanto, não é cá para pagar de volta. E para fazer isto, o Estado usa a desculpa da pandemia, como se os restaurantes tivessem sido os únicos negócios afetados pela Covid. Mas basicamente o que aconteceu foi: os preços dos restaurantes dispararam e os clientes fugiram. Mas vocês já sabem, é possível fugir dos restaurantes, mas não é possível fugir do Estado. Portanto, não comeram, mas vão pagar na mesma. E se há setor concorrencial é este, é impressionante. Paulo, tu sais na rua, duas em cada três portas é um restaurante. E atenção, na restauração mais cara, tem os chefs mais conhecidos, tem obviamente grandes grupos econômicos, grandes investimentos econômicos por trás. Como é vida. E muito bem. Decidiram fazer esse investimento, mas agora temos que pagar. Mas agora é como tu dizes, não temos de ser nós a pagar essa sobremesa. Não sei, Paulo, é que eu não comi nada. Então se calhar, se eu puder voltar atrás. Vais comer tudo o que tens direito. Vou comer, pago diretamente ao restaurante, com isto tenho um abatimento fiscal e pronto, está feito. Mostrei que sou um patriota e que contribuí para a restauração. Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é André Ventura, o mau Luís Montenegro e o vilão de hoje é o governo, foram as escolhas do Miguel Pinheiro. Nas manhãs 360 e sempre em podcast.