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Bom dia, Miguel Pinheiro.
Bom dia.
Quem é que elegeste como bom neste início de semana?
Nesta segunda-feira, toda dedicada a percebermos um pouco melhor o que aconteceu ontem. O bom, no sentido de serem os vencedores inesperados destas eleições, são os pequenos partidos que conseguiram aproveitar as fragilidades dos partidos tradicionais pra entrarem no Parlamento ou, num caso em especial, para se reforçarem. À esquerda, o PAN explodiu para quatro deputados e o LIVRE tornou-se uma ameaça pro Bloco. E aí o grande desafio é perceber se os cinco partidos, PS, Bloco, PCP, PAN e LIVRE, conseguem juntos ou à vez, sustentar um governo. E à direita tivemos a Iniciativa Liberal e o Chega, que souberam aproveitar as indefinições de Rui Rio e de Assunção Cristas. E aqui o grande desafio é articular de alguma forma PSD, CDS e Iniciativa Liberal e tentar esvaziar aquele que pode vir a ser o papel do Chega.
E vamos ao mau.
O mau é Rui Rio. Rui Rio perdeu votos e deputados em relação a 2015 e até teve menos votos do que Pedro Santana Lopes. Mas ouvindo na noite eleitoral, parecia que tinha ganho o Euromilhões, a lotaria e o Totobola tudo na mesma semana. [riso de Locutora 1] Eu imagino, se eu conseguisse ganhar isso tudo, teria mais ou menos uma reação parecida. [riso de Locutora 1 e Locutor 2] Talvez não dissesse mal da SIC, eventualmente, admito que talvez não faça isso. Mas além disto, que é o papel do Rui Rio dentro do PSD, há um outro problema que é: com a fragmentação destas eleições, o PSD precisa de um líder que queira federar o eleitorado de direita. Juntar essa gente toda que se dispersou por um voto em vários sítios. Mas Rui Rio, como nós temos visto, insiste que lidera um partido de esquerda ou de centro-esquerda e que não tem nada a ver, e mais do que isso, não quer ter nada a ver com essa entidade um pouco pestilenta que é a direita. Por tudo isso, aquilo que se segue, não só no PSD, mas na direita em geral, não vai ser bonito.
E, sobretudo, porque isso também não vai lá, perdão, minha expressão, à estalada.
Com o Rui Rio nem é à estalada, nem com bom brinde, [riso de Locutor 2] porque ele não quer ter nada a ver com isto. E, portanto, como é que ele vai liderar uma coisa que não quer liderar?
Para começar, vai assumir um cargo que ele não gostava de assumir. O cargo de deputado, para o qual não tem grande entusiasmo.
Está um bocado de frieira.
Exatamente.
Miguel, vamos ao vilão.
O vilão de hoje é o CDS, que conseguiu perder eleitorado liberal para a Iniciativa Liberal, claro, e conseguiu perder eleitorado digamos que musculado para o Chega. Sob a liderança de Assunção Cristas, o partido oscilou ao longo destes anos entre, para simplificar, Adolfo Mesquita Nunes de um lado e Nuno Melo do outro, e por causa disto nunca conseguiu ser um partido com um foco, um objetivo e um propósito. Antecipar o que aí vem dentro do partido, que eu imagino que seja uma espécie de uma miniguerra civil para perceber qual é a verdadeira alma do CDS. Vamos estar aqui a discutir muito estas coisas nos próximos tempos. Mas antecipando isto, a Assunção Cristas acabou a noite eleitoral às 21:30, que é uma coisa que no meu tempo havia o Vitinho, que era o bem animado que estava até [riso de Locutora 1] à cama, e eu acho que não dava antes das 21:30. Portanto, Assunção Cristas foi pra casa antes disso, simplesmente entrou no carro, foi-se embora e eu acho que como metáfora do futuro do CDS nos próximos tempos é absolutamente perfeita esta imagem.
Vamos então ao resumo desta segunda-feira. No papel de bom estão os pequenos partidos. O mau de hoje é Rui Rio e no papel de vilão temos o CDS. O Bom, o Mau e o Vilão com Miguel Pinheiro. Amanhã há nova edição.
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