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E começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia, boa semana.
Muito bom dia, muito boa semana.
Quem é o teu bom neste início de semana?
Tão entusiasmado, não é?
É. Vê-se, sente-se.
Se vocês soubessem o que é a minha vida. O bom é António José Seguro, que teve uma grande vitória neste fim de semana. A direção do PS tinha lhe montado uma armadilha, marcou uma reunião da Comissão Nacional, de onde deveria ter saído um apoio mais ou menos claro à candidatura presidencial de António Vitorino, mas a verdade é que o jogo virou, como se costuma dizer. Aconteceu ali qualquer coisa. Afinal, Pedro Nuno Santos não acelerou o calendário, o que dá jeito a Seguro, que só quer anunciar na primavera ou no verão. O PS também não fechou o perfil desejado pra encaixar em Vitorino, pelo contrário, alargou-o pra apanhar Seguro. E durante a reunião, várias pessoas mostraram apoio a Seguro e nenhumas a Vitorino, segundo contamos aqui num especial da Rita Tavares sobre aquela reunião. Há uns anos, se bem se lembram, António José Seguro ficou conhecido por dizer: "Qual é a pressa?" E na altura a expressão correu-lhe mal, mas desta vez está a correr-lhe bem. Vamos ver como é que isto acaba, mas pra já o que se vê é que Pedro Nuno Santos tinha pressa de arranjar um candidato alternativo, mas acabou por tropeçar nos próprios pés e mesmo que Vitorino avance, isto já está uma enorme confusão.
Pois, no fundo, no sábado decidiram que não conseguem decidir. Para já, não é?
Não, acho que foi, ó Paulo, aquilo também serviu pra um convívio. As pessoas também têm que ter bons motivos pra se encontrarem, pra baterem um papo.
Pra rever velhos amigos.
É isso. Então marcou-se uma reunião pra isso.
Miguel, o teu mau é o Bloco de Esquerda. O que é que aconteceu desta vez?
Tudo, Maria Joel. Corre-lhes tudo mal. O partido entrou naquela fase em que faça o que fizer, a coisa não vai lá. Este fim de semana o Bloco anunciou mudanças nos estatutos depois de um chumbo do Tribunal Constitucional. Já agora convém notar que o Constitucional também chumba coisas do Bloco, não é só do Chega. Mas então o partido decidiu que por causa dessa revisão dos estatutos, um dos deveres dos militantes vai passar a ser o de se abster de conduta que acarrete sério prejuízo ao bom nome do partido. Não há nada que militantes de partidos de esquerda gostem mais do que a expressão bom nome. Obviamente, este é o pior momento pra isto, porque nos últimos dias, várias militantes com filhos pequenos têm sido acusadas por alguns de prejudicarem o bom nome do partido, por terem denunciado que foram despedidas através de expedientes pouco éticos e possivelmente até ilegais. E, portanto, as pessoas começam a ver aqui com teorias da conspiração: será que o Bloco se está a preparar pra pôr na rua dissidentes? Enfim, o Bloco está num momento de grande perigo político, tem de ter muito cuidado com cada coisa que faz e este fim de semana também não lhe correu muito bem.
E em nome do bom nome, às vezes cometem-se algumas atrocidades, não é?
Paulo, acho que vais ter que dizer isso a Mariana Mortágua.
O teu vilão é Rui Rio.
Já viste. Ontem o antigo líder do PSD foi ao "Isto é Gozar com Quem Trabalha" e lá pelo meio, Ricardo Araújo Pereira fez-lhe esta pergunta: "Quando era líder do PSD, o senhor doutor disse que a política precisava de um banho de ética. O que é que aconteceu pra esta semana militantes do seu partido terem sido acusados no processo Tutti Frutti? O senhor doutor subestimou a falta de higiene que havia no seu partido? Em vez de um banho de ética, era preciso uma mangueirada de ética com jato de areia?", perguntou Ricardo Araújo Pereira. E eu pensei: grande pergunta. Tu queres me ver que é agora que Rui Rio vai fazer um ato de contrição? Fiquei ali na expectativa, mas não, porque a resposta começou com a superioridade do costume, assim: "Quando me candidatei, falei de um banho de ética. Fui muito criticado por isso. Penso que era de as pessoas não estarem familiarizadas com a palavra, não saberem bem o que queria dizer." Ó doutor Rui Rio, então não sabemos o que é que quer dizer? Com certeza que sabemos. Agora só faltou Rui Rio explicar que ele próprio conheceu bastante bem um dos acusados agora no processo Tutti Frutti, de que Ricardo Araújo Pereira falou na pergunta, porque no final de 2017, quando se candidatou a líder contra Santana Lopes, Rui Rio tinha apoios no Norte e pra ganhar precisava de votos na distrital de Lisboa Não havia outra maneira de ser eleito e por isso aliou-se a quem? Aliou-se a Rodrigo Gonçalves, que toda a gente já sabia na altura que era um dos maiores caciques de Lisboa. Já tinha uma fama que vinha de longe, como se diz lá no outro anúncio. E eu até me lembro do momento em que vi, estava a ver os jornais, e vi uma foto em que Rui Rio, era no Expresso, estava sorridente ao lado de Rodrigo Gonçalves num restaurante, e então ele estava a posar, Rodrigo Gonçalves, Rui Rio era mais uma pessoa, dessa não me lembro. Eu lembro-me de ter visto aquela fotografia e ter pensado: "Olha, Rui Rio com Rodrigo Gonçalves. Olha para isto." E a verdade é que com esse apoio, Rui Rio ganhou, depois retribuiu ao contratar Rodrigo Gonçalves para gerir as redes sociais do PSD. Rodrigo Gonçalves até trabalhava, imagine-se, na sede nacional do partido. Entrou na sede nacional do partido. E obviamente, foi uma questão de tempo até dar asneira, porque nem um ano se passou e o Diário de Notícias publicou uma notícia onde explicava que Rodrigo Gonçalves estava à frente de uma rede de perfis falsos nas redes sociais que atacavam os adversários de Rui Rio.
Não acredito. Uma coisa dessas.
Quem diria que Rodrigo Gonçalves se ia meter numa destas, não é? Nunca se imaginou. Mas então, perante isto, Rui Rio teve mesmo de o afastar do emprego e depois mais tarde das listas, malfeito fora, pois com certeza. E agora, Rodrigo Gonçalves na Operação Tutti Frutti foi acusado de dois crimes de corrupção passiva. Naturalmente, a presunção de inocência vai defender-se, atenção, eu aqui nunca ponho em causa essas coisas. O facto é que quando Rui Rio precisou dos votos.
Pois, lá recorreu às mesmas pessoas de sempre.
Pois é. Por isso eu estava esperançoso que ontem Rui Rio nos contasse estas histórias todas, mas depois também a conversa com o Ricardo Araújo Pereira seguiu para outro lado. É normal, as conversas também são assim. Às vezes nós queremos contar uma coisa e depois aquilo ganha vida própria.
Interrompem-se.
É verdade. Depois foi para outras coisas.
Vamos então ao resumo. O bom António José Seguro, o mau é o Bloco de Esquerda e o vilão de hoje é Rui Rio. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 que também pode ouvir em podcast.