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Começa agora a nova edição do "O Bom, O Mau e o Vilão" da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia, Maria João Simões.

Bom dia, Miguel. Quem é o bom nesta sexta-feira?

O bom desta sexta é Carlos Guimarães Pinto. Ontem no Parlamento, o deputado da Iniciativa Liberal insistiu até que António Costa finalmente teve que admitir que o Governo assume que no processo de privatização da TAP, que está em curso ou está quase a chegar, o Estado pode mesmo perder dinheiro. Calma, não fiquem assim tão surpreendidos. É verdade. Ninguém estava à espera disso, de facto, Miguel.

Não.

Perder dinheiro na TAP, como é que é possível?

Não façam essa cara. António Costa ainda não dá tudo como perdido, diz que depende das negociações, e portanto vamos lá ver. Mas existe uma possibilidade, por ínfima que seja, de perdermos dinheiro. E nós daqui a algum tempo, e pelos vistos não será muito tempo, vamos ter todos que fazer as contas para perceber afinal quanto é que custou ao país a teimosia de António Costa com a TAP.

Sim, mais uma fatura, milhares de milhões, claramente.

Talvez. Vamos ver.

O bom é Carlos Guimarães Pinto e quem é o mau?

O mau é a Justiça. Ontem assistimos a um triste espetáculo em direto nas televisões. Duarte Lima saiu da prisão da Carregueira, onde estava a cumprir pena por causa de um processo, para depois à porta ter à espera a polícia para o deter à ordem de outro processo. Não está em causa, obviamente, a nova detenção de Duarte Lima. Se um juiz entende que pode haver perigo de fuga, ainda por cima num processo que julgará um crime tão grave como o de homicídio, é óbvio que as autoridades devem atuar. Mas aquilo que foi feito um metro fora do portão da cadeia, poderia seguramente ter sido feito um metro dentro do portão da cadeia e escusávamos todos de ter assistido a este espetáculo. É para as televisões, claramente. Isso não há hipótese.

Não percebo o que a Justiça acha que ganha com isto, mas enfim, eles lá terão feito as suas contas.

E vai ser tema do Explicador sexta-feira, não é?

Também já estivemos a falar disto.

Miguel, quem é o vilão?

O vilão é o PS. Esta é o máximo. Eu não sei se vocês se lembram, mas quando há umas semanas o PSD apresentou o seu pacote anticrise, os socialistas indignaram-se muito com uma das medidas propostas, que era um vale alimentar para pensionistas. Eu falei bastante disso aqui, e já vão perceber porque é que estou a voltar ao assunto, mas só que cenas dos capítulos anteriores. Portanto, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, na altura disse isto sobre a proposta do PSD de criar um vale alimentar: "É uma espécie de caridadezinha que é o oposto da ideia de solidariedade social que nós temos." Isto foi o que disse Eurico Brilhante Dias. A ministra Ana Catarina Mendes disse sobre a proposta de criação de um vale alimentar feita pelo PSD: "Nós nunca daríamos um vale alimentar. Nós somos o Partido Socialista. Não queremos nenhuma tutela do rendimento dos mais vulneráveis." E depois António Costa, sobre a proposta do PSD de criar um vale alimentar, disse isto: "O vale alimentar é uma lógica de direita, de falta de confiança na capacidade das pessoas se gerirem a si próprias." Isto foi as cenas dos últimos capítulos. E ontem, o Primeiro-Ministro, que leva este assunto muito a peito, foi ao Parlamento repetir as suas fortes convicções nesta matéria. Ontem houve o debate na Assembleia da República, aquele que agora existe quando o rei faz anos, e atacou novamente a medida e acusou o PSD de querer ser pai dos pensionistas por lhes querer dar um apoio que só, agora estou a citar, "só se pode gastar em bens alimentares". Portanto, ouviram isto tudo, não é?

Tudinho, sim.

Pronto. Então vocês sabem, meus meninos, o que aconteceu ontem no Parlamento poucas horas antes deste debate? Sabem?

Que vais contar.

Eu vou contar. Ontem a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social foi ouvida de manhã na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão. E meus bebés, sabem o que a Ana Mendes Godinho foi lá dizer? Não sabem. Pronto, mas eu vou vos dizer. A ministra Ana Mendes Godinho foi lá garantir que o cabaz alimentar, que faz parte de um programa do Governo, vai chegar, tal como prometido, a 120 mil pessoas. Está em causa o chamado Programa Operacional de Apoio às Pessoas mais Carenciadas, que foi criado em 2015 e ontem de manhã, horas antes de o Primeiro-Ministro falar, Ana Mendes Godinho foi dizer com orgulho que esse programa já apoiou 238 mil pessoas. E atenção a este detalhe: é que neste programa, o Governo não dá dinheiro aos mais pobres para eles depois gastarem naquilo que entenderem. Como pelos vistos defende o Governo. Não é isso. E nem sequer dá um vale que só pode ser usado em alimentação, mas que as pessoas depois poderiam usar para comprar este produto, aquele produto, aqui, ali. Portanto, também não é isso. Também não dão um vale para as pessoas irem comprar o que quiserem de alimentos. Também não é isso. Neste programa, aplicado pelo PS desde 2015, os mais pobres recebem diretamente um cabaz, um cabaz verdadeiro, com produtos alimentares já escolhidos. Já está escolhido. Olha, é isto. Não tem nenhuma liberdade de escolha. É isto. O que pode comer é isto. Estas batatas, estas cenouras e estas alfaces.

Esta marca de leite, esta marca de farinha, é este o programa. Aliás, o PS quer agora criar um outro programa em que há uma espécie de cartão alimentar, em que aí já podem escolher a marca que querem e se em vez de farinha querem arroz, tudo isso. Portanto, com o PS, às vezes as coisas são mesmo como diz o nosso bom povo, é o bom velho: "Olhem para o que eu digo, não olhem para o que eu faço." A única coisa é, os nossos ouvintes olhem, mantenham os ouvidos abertos, os olhos abertos e não acreditem em tudo o que vos dizem.