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Este é o Som do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, que pode ouvir também em podcast, e sempre com o Miguel Pinhar. Miguel, bom dia, boa sexta-feira.
Bom dia.
Viste o meu loop da Rádio Observador?
Sim.
Desta vez está a cair a interferência .
Estava aqui a pensar: "Digo alguma coisa, não digo?" E pensei: "Não vale a pena."
Se dizer eu ou dizer a resposta . Vamos então ao bom de hoje.
Vamos então ao bom de hoje. O bom é o superior dos jesuítas em Portugal. Ontem, em entrevista à TVI, o padre Miguel Almeida mostrou que há pessoas na Igreja, e esperemos que sejam muitas, que estão a pensar de forma genuína e empenhada em soluções para o problema dos abusos. Em poucos minutos, o superior dos jesuítas em Portugal deixou duas ideias. Uma, que já tem sido falada, foi a criação de uma nova comissão independente. Sendo que aqui o importante foi a forma como o padre Miguel Almeida reconheceu, com realismo, que não há confiança nas comissões diocesanas. A Igreja está sempre a dizer: "Temos aqui as comissões diocesanas." Não, não temos. O superior dos jesuítas disse uma frase muito sensata: "As vítimas não vieram ter conosco e percebe-se. Se calhar sozinhos não conseguimos." E de facto, sozinha, a Igreja não consegue, não vale a pena fazer de conta que consegue. E a outra ideia, mais arrojada, foi a de que o modelo de formação dos padres em seminários está esgotado e a ideia de que os padres devem ser ordenados mais tarde, quando já são mais velhos e têm uma maior maturidade. Hoje os bispos portugueses vão reunir-se para debater as conclusões da comissão sobre os abusos. E não basta pedirem outra vez perdão de forma retórica, e espero que não se estejam a preparar para fazer só isso. É preciso haver reformas profundas na Igreja e, se calhar, tendo em conta que já mostraram não ter ideias próprias, os bispos poderiam começar por ouvir o superior dos jesuítas. Penso que ninguém pode dizer que o superior dos jesuítas é um ateu furioso mata frades que está a tentar derrubar a Igreja. Penso eu. Portanto, pelo menos ouvi-lo.
Pois, há aqui duas forças dentro da Igreja. Vamos ver qual das duas linhas é que vence, de alguma maneira. Estes momentos são decisivos. Se é a linha boa ou má, pondo as coisas de uma forma muito direta.
Ou se não vence nenhuma e ficamos no impasse, que é o que temos tido até agora.
Pois, sem dúvida.
Sempre em busca do equilíbrio.
Miguel, vamos ao mau?
Não, não é.
E quem é o mau?
O mau é Mário Nogueira. Eu já tinha ficado com uma sensação de que as coisas eram assim, mas agora tenho a certeza. Os líderes sindicais dos professores já se estão a julgar uma espécie de Che Guevara à procura da revolução permanente. Ontem o líder da FENPROF apelou a que os pais não levem os filhos à escola. Não os levem à escola, nem é chegarem lá e não haver aulas, é não os levem à escola. E segundo Mário Nogueira, os pais devem fazer isto em solidariedade com os professores. Na visão de país de Mário Nogueira, já não são apenas os professores que faltam ao trabalho por entenderem que têm reivindicações laborais, são os pais que mantêm os filhos em casa, reféns, para pressionarem o governo. E além disso, Mário Nogueira quer avançar para uma perigosa forma de manifestação. Ele disse ontem que não basta apenas a greve, a manifestação ou as reuniões negociais. É preciso, quando o ministro ou primeiro-ministro se desloquem, seja onde for, que os professores marquem presença e estejam aí a reclamar. Eu suspeito que quando uma destas marcações homem a homem correr mal, Mário Nogueira vai dizer que não tem nada a ver com o assunto e vai pôr-se à margem.
Há aqui também a tentativa de fazer da greve um sucesso, porque se toda a gente cumprir, de facto, nem precisam de fazer greve, simplesmente não há crianças nas escolas. Isso é uma pescaria de vaca boca.
A greve permanente, o tumulto permanente, não sei quanto tempo é que isto vai demorar. Eu já começo a temer que o governo esteja à espera das férias de verão para ver se isto acalma. Se é isso, é preocupante.
Que é atirar a toalha ao chão e dar aquele ano como perdido, quase.
Completamente.
E Miguel, só fica a faltar o vilão.
O vilão é o ministro da Saúde. Anteontem estreou-se um novo modelo de organização que fechou as urgências de pedopsiquiatria no D. Estefânia durante a noite. É a nova fórmula que serve para tudo, e sempre com a desculpa de: "Lá no Norte, isto funciona." É sempre a nova desculpa do CEO do SNS. Mas então decidiu-se fechar as urgências de pedopsiquiatria durante a noite e o diretor de pediatria do hospital disse imediatamente que este modelo não tinha sido bem pensado. E a verdade é que logo na primeira madrugada houve um problema grave com um doente que só pode ser resolvido de manhã porque não havia pedopsiquiatras. E perante isto, o que é que disse o ministro da Saúde? Manuel Pizarro foi falar e basicamente deu a entender que a culpa era do hospital, porque a frase do ministro foi esta: "Eu não tenho nenhuma dúvida de que um hospital tão diferenciado como o D. Estefânia, com recursos médicos tão qualificados, com profissionais tão qualificados, organizará esse atendimento de forma segura para as crianças e para os jovens que a ele venham a recorrer nesse período noturno." O ministro acaba com a existência de médicos especializados durante a noite e depois fica à espera que tudo corra bem na mesma e se não correr, a culpa é das pessoas que estão a trabalhar. Basicamente, o raciocínio do ministro é este e já deu para perceber que quando as coisas correm mal, Manuel Pizarro põe-se de fora.
Vamos então ao resumo. O bom desta sexta-feira é o superior dos jesuítas em Portugal, o padre Miguel Almeida. O mau é Mário Nogueira e o vilão de hoje é o ministro da Saúde. Foram estas as escolhas do Miguel Pinhar na Rádio Observador e a qualquer hora em podcast.