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Começa agora a nova edição do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador com Miguel Pinheiro. Miguel, bom dia. Bom dia. Bom dia, Miguel. Quem é o bom deste final de semana? O bom deste final de semana, e pela segunda vez esta semana, é António Costa. Ontem o primeiro-ministro aproveitou a remodelação no Ministério da Saúde para, juntamente com os novos secretários de Estado, Manuel Pizarro, dar posse a um novo secretário de Estado para si próprio. António Costa está a recuperar o cargo de secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, que existiu nos anteriores governos dele, mas que tinha deixado de existir quando ganhou a maioria absoluta. Houve várias pessoas que apontaram que as várias falhas de coordenação a que temos assistido no governo foram provocadas precisamente pelo facto de António Costa ter acabado com este lugar. E ao voltar atrás, ele mostra que ouviu as críticas e corrigiu o erro, e é sempre saudável um primeiro-ministro saber fazer isso. Portanto, vamos agora ver se isto resolve. A questão é essa. Agora vamos ver se era de facto a falta de uma pessoa a ocupar essa posição. Pode haver alguma coisa de pior ali a acontecer, mas vamos ver. Já não é mau tentar perceber se foi isto. Sem dúvida. Portanto, o bom, pela segunda vez esta semana, é António Costa. E quem é o mau? O mau é o ministro da Economia. Como sabemos, o governo anda há mais ou menos dois meses para apresentar estes seus pacotes anticrise. Primeiro apresentou o pacote de ajudas às famílias e ontem apresentou o pacote de ajudas às empresas. Tudo sem pressa, tudo com calma. A pressa, pelos vistos, só surgiu precisamente ontem. O ministro da Economia decidiu dar uma conferência de imprensa ao início da tarde, depois do Conselho de Ministros. O problema é que essa conferência de imprensa foi marcada em cima da discussão no Parlamento do pacote de ajudas que foi apresentado pelo PSD. Portanto, nós temos um órgão de soberania a marcar um debate sobre as propostas do maior partido da oposição para um dia e uma hora determinados, e temos ao lado o ministro da Economia a decidir falar ao mesmo tempo, sabendo que teria todas as atenções sobre si. E se o PS não tem cuidado, ainda vai ser consumido por estes tiques de maioria absoluta. Aliás, António Costa já disse que é para utilizar o poder que a maioria absoluta confere, não é? É, sempre que necessário. Tem graça, por acaso essa frase eu não a tinha ouvido durante a campanha. Era ao contrário na campanha. Aliás, António Costa disse, não nesta campanha, talvez na anterior, que mesmo que ganhasse com maioria absoluta, que governaria como se não a tivesse. É, mas entretanto depois deve ter percebido que se calhar não era bem assim. Também não o podemos levar a mal. Claro. E quem é o vilão desta sexta-feira? O vilão são os antimonárquicos de teclado. Paulo, calma, posso falar? Deixas-me falar? Eu ainda não disse nada. Mas não desligou o micro como costuma fazer. Ficou em standby. Já percebi. Se me permites falar, eu vou dizer o que tenho a dizer. Tu já falaste. Faça favor. E agora eu falo. O vilão são os antimonárquicos de teclado, que politicamente foram representados ontem pelo Bloco de Esquerda. O governo decretou três dias de luto nacional pela morte da rainha Isabel II, e o líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, disse que isso era ridículo e pacóvio e que não representa o sentimento popular e republicano. E claramente, a cabeça de Pedro Filipe Soares e do Bloco de Esquerda ainda vive em 1910, ainda vive na revolução republicana e continua a achar que há uma guerra mortal entre a república e a monarquia. Ele está convencidíssimo de que a república é sinônimo de democracia e de que a monarquia é sinônimo de tirania. Enfim, o que isto quer dizer é que Pedro Filipe Soares devia sair mais vezes da Rua da Palma, que é onde fica a sede do Bloco de Esquerda, para apanhar ar e, quem sabe, para tentar perceber um bocadinho melhor o mundo. Além disso, Pedro Filipe Soares esquece que outros países decretaram três dias de luto pela rainha, do Brasil a Cuba, imagine-se, Brasil e Cuba, do Líbano aos Emirados Árabes Unidos. Ignora ou faz por ignorar que Portugal já decretou várias vezes três dias de luto nacional por outras personalidades que exerceram a função de chefes de Estado, como Sadat do Egito, Samora Machel de Moçambique, o imperador Hiroito do Japão, Nelson Mandela. E por fim, o Bloco não quer saber que a Inglaterra seja um dos mais antigos aliados de Portugal. Gostaria seguramente que os nossos aliados internacionais fossem outros, mas o tal sentimento popular que o Bloco julga representar, apesar dos escassos votos que consegue, tem ideias diferentes e ao longo dos tempos tem preferido aliar-se a uma democracia sólida e confiável como a inglesa. Muito bem, mas pode acontecer com o Bloco. Chega, Paulo. Muito bem. Não. Já está. Está feito. Eu posso achar que o Bloco está certo pelas razões erradas, é o que eu acho. Da lista toda que tu leste aqui das personalidades estrangeiras que tiveram três dias de luto marcados em Portugal, a única que eu faria aqui é Nelson Mandela, que é superior a tudo aquilo que ele fez na vida. Samora Machel, Al Sadat, imperador Hiroito, por quê? Por que nós temos que fazer três dias de luto que reservamos aos nossos ex-presidentes também, por exemplo? Mas não achas que devemos estar abertos ao mundo, Paulo? Completamente. Não achas que Portugal deve ser um país que deve reconhecer, neste caso de Isabel II, deve reconhecer o papel que alguém que foi chefe de Estado de um país tão próximo de nós e o papel que teve. Os três dias de luto insultam-te assim tanto, Paulo? Não é questão de insultar, é questão de ser pacóvio. Pedro Filipe, pelo amor de Deus. Vamos então ao resumo. O bom desta sexta-feira é António Costa, o mau, o ministro da Economia, António Costa Silva, e o vilão são os antimonárquicos de teclado. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast.