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Às terças-feiras, o lado bom da vida é sobre livros, as novidades literárias da semana com Tiago Pereira. Olá, Tiago, bem-vindo de volta.
Olá, tiveram saudades minhas?
Super.
Noto que foste o único a responder.
Ninguém te liga aqui.
Não, sim.
Ah, do Tiago, claro.
Exato.
Muito bem. Certo. Tiago, vamos olhar para algumas das tuas sugestões literárias da semana.
Já não me lembrava.
Claro.
Mas sabes o que é fantástico? É que eu esqueço-me sempre que isto vai acontecer. E quando acontece, fico contente.
É voltar a um lugar seguro, a um lugar confortável. Eu acho que é muito cozy esta música.
Não, não é chato.
Super cozy. Ora bem, vamos começar por uma reedição do livro "Morte no Estádio", é de Francisco José Viegas e tem uma nova edição, Porto Editora?
Tem uma nova edição. Como disseste bem, é uma reedição, portanto, não é um livro novo. Primeiro aspecto. Segundo aspecto, não é o primeiro livro de ficção de Francisco José Viegas. Desculpa, tive que me rir. E também não é o primeiro policial de Francisco José Viegas, mas é o primeiro em que aparece Jaime Ramos. E eu digo isto enquanto Judite põe levemente a mão perto do coração.
Sim, Jaime Ramos está no meu coração.
Porque Judite é muito fã de Jaime Ramos.
Jaime Ramos, que faz 30 anos.
Exatamente. O livro foi reeditado no final de 2021, que foi aquele ano-
Que não existiu.
Exato. Mais um. Precisamente para comemorar 30 anos de Jaime Ramos, que é muito mais velho do que 30 anos.
Não, o Jaime Ramos já nasceu com uma alma velha.
Exato. O que é ótimo para contar histórias.
Maravilhoso.
Jaime Ramos, o famoso inspetor, que tornou-se famoso, não é? Ao longo destes-
Nove livros, já
...destes 30 anos. Ele foi protagonista também de livros como "Longe de Manaus" ou "A Luz de Pequim".
Agora em 2020, não é?
Exatamente.
"Longe de Manaus", que ganhou o prêmio AP.
Exatamente.
E "A Luz de Pequim", que ganhou o prêmio...?
Fernanda Mora.
Exatamente, obrigada.
Estás a ver, Nelson?
Prêmios. Ele sabe prêmios.
Nelson, estás a ver como é que se prepara uma réplica de caralho?
Eu quase que tive que fazer Google de Jaime Ramos.
Bruno Vieira Amaral, ele sim, um autor premiado, sabe os prêmios dos outros autores.
Estavas a escrever um policial?
Gostava, mas não sei. Não tenho jeito nenhum.
Já escreveste mais ou menos um policial, mas não era bem um policial.
É um policial à minha moda.
Que é muito melhor.
Que é uma coisa que não é um policial.
O policial do Jaime Ramos também é um policial à moda do Francisco José Viegas.
Mas este "Morte no Estádio", deixa-me interromper.
Não, eu não deixo. Eu vou só esclarecer uma coisa. Eu venho aqui para ser interrompido.
Então ainda bem, assim estamos em sintonia. Este "A Morte no Estádio", se eu não estou em erro, começou por ser publicado em fascículos, como folhetim no Diário de Notícias. Correio da Manhã é onde escreve o Francisco agora.
Agora, exatamente.
Mas na altura saiu em capítulos.
Não me recordo disso.
Gosto muito mais da palavra fascículos.
Não me recordo disso, porque isto é de 91. Portanto, lembra-me do livro. Em 91, lembra-me do livro.
Estavas a fazer outras coisas que não a colecionar fascículos.
Não, mas comprava livros.
Exato. Ora bem, a história é a da morte de um jogador, daí "Morte no Estádio".
Não é um jogador.
Calma. Pronto, eu não quis estar a empolar.
Não podes dizer assim, um jogador. É um jogador do Futebol Clube do Porto.
Mas eu não acabei. De um jogador do Futebol Clube do Porto.
Conhecidíssimo.
Exatamente. E depois, o que é que queremos saber? Queremos saber quem é que matou o jogador.
Sim, para isso falta muito.
E depois-
Morre aonde? Isso é importante.
Mas eu não posso.
Morre num bar irlandês na Foz.
Eu não queria estar aqui.
Que ainda hoje existe.
E depois a mulher do jogador.
A mulher ou a amante?
A amante do jogador. O amante da amante do jogador. Portanto, tudo isto está envolvido de imensa suspeita.
É verdade.
Também há muita comida nesta história.
Muita comida, Jaime Ramos e a comida.
Também há, como estavas a dizer, música irlandesa.
Muita música irlandesa. E também há muitos Açores aqui neste livro.
Exatamente. E portanto, é uma boa desculpa para voltar a Jaime Ramos e é uma boa desculpa para descobrir Jaime Ramos.
Quem não conhece Jaime Ramos, não sabe o que está a perder.
Ora bem. E "Morte no Estádio", meu amigo.
De Francisco José Viegas, também ele um famoso portista. Agora avançamos para uma outra sugestão trazida esta tarde aqui pelo Tiago Pereira. Maddadam?
Não é fácil, pois não?
Não.
Madadam.
Madadam. Eu iria por aí.
Como é que se lê, então?
Sei lá, Madadam.
É que isto é só uma palavra.
Pois.
E parece que é a junção de mad, mas com dois D no fim.
Sim.
E Adam.
Sim.
Mad Adam.
Mad Adam, é isso.
Pode ser.
Boa tónica.
O livro é de Margaret Atwood. Quem não conhecia Margaret Atwood até há poucos anos, provavelmente ficou a conhecê-la à conta de Handmaid's Tale, a série que adapta a história distópica de Margaret Atwood e que foi um enorme sucesso, e que entretanto já teve uma sequela, também à conta desse sucesso, o livro "The Testaments", que foi publicado em 2019. Mas Margaret Atwood é muito dada a esta coisa das distopias, e este livro é o final de uma trilogia, também ela distópica, escrita por esta canadiana, que são coisas que eu aposto que o Nelson adora.
Coisas distópicas.
Não tem naves.
Mas esta é a autora daquela série que passou na HBO. É essa a série?
The Handmaid's Tale.
The Handmaid's Tale.
Mas isso não passou na HBO.
Não?
Não, passou na TV Séries. Na altura. Não sabemos se alguma outra plataforma de streaming conseguiu os direitos.
Eu não vi a série.
Mas na altura quando estreou, foi na TV Series em Portugal, porque a adaptação é da Hulu, e o serviço não existe em Portugal.
Tinha ideia que era uma série dura.
Mas há mais séries adaptadas a partir da-- dura é pouco.
Ok. Mas que eu não vi exatamente por isso.
Sim, é muito violenta, sobretudo psicologicamente. Mas bom, aqui na história de "Handmaid's Tale", a distopia levava para um mundo em que basicamente as mulheres perdiam qualquer valor a não ser o reprodutivo e serviam apenas de ferramenta. Estou a abreviar imenso a história, atenção.
Nada é isso.
Aqui é um bocadinho diferente. Podem fazer associações com a atualidade que vivemos, se bem que são sempre exageradas. É uma história de sobrevivência num mundo pós-apocalíptico, naturalmente, em que a humanidade está em perigo porque há uma pandemia, mas é criada por um medicamento. Vou abreviar também. As coisas não correm bem e é varrer, basicamente. E portanto, o primeiro livro chama-se "Oryx e Crake", também está publicado em português e é sobre como é que um sobrevivente disto tudo encara a realidade. O segundo chama-se "O Ano do Dilúvio" e a história acontece ao mesmo tempo, mas com outro ponto de vista, e os sobreviventes são um grupo religioso que consegue, de alguma forma, escapar a esta pandemia. E este terceiro capítulo é a sequela dos dois livros anteriores e junta personagens dos dois livros. Portanto, o que é que aconteceu depois da história daquelas pessoas e como é que o mundo vai avançar ou não, sabe-se lá, face a isto. Uma coisa curiosa é que a própria Margaret Atwood fez questão de não chamar a isto uma distopia, mas chamou-lhe ficção especulativa. Lá está.
Gosto. Ficção especulativa, eu ativo.
Que gosta de criar os seus próprios termos.
Mas gosto disso. Acho que isso faz muito sentido. Ficção especulativa.
Muito bem. Vamos olhar agora para "A Afirmação Negra e a Questão Colonial" de Mário Domingues. É uma edição Tinta da China.
Sim, o livro vai ser publicado esta semana, no final da semana, dia 20, e reúne textos de Mário Domingues, que foi jornalista, cronista e escritor. Ele nasceu em São Tomé e em 1919, portanto há mais de 100 anos, publicou o seu primeiro texto em defesa dos negros. O texto chamava-se "Colonização". E era um homem que estava atento ao que se passava em relação a isto no mundo inteiro e construiu muita obra em volta deste tema, em volta da afirmação negra e da questão colonial. E este livro recupera agora a maior parte dos textos que Mário Domingues escreveu nessa altura.
Podem ser encontrados no site da Hemeroteca. Estão digitalizados porque ele colaborou muito com o jornal "A Batalha".
Exatamente.
Eu creio que a totalidade ou a maior parte destes textos foram retirados desse jornal, pode ser consultado. Eu há uns tempos encontrei e fiquei muito curioso com esta figura do Mário Domingues. Encontrei esses textos precisamente nesse jornal, que está digitalizado e acessível a qualquer pessoa no site da Hemeroteca. E é muito interessante porque também é uma história muito pouco conhecida dos negros em Portugal e, sobretudo, a dos negros com um papel de relevo no meio intelectual e literário.
São textos de 1919 a 1928.
Pronto, e importa sempre localizares no tempo. Era um mundo completamente diferente. Quer dizer, bom, em algumas coisas e noutras-
Compilação aqui do José Luís Garcia.
José Luís Garcia, o investigador que reuniu os textos e que no início do livro tem também um ensaio que apresenta Mário Domingues e a sua importância, o seu legado e, portanto, é isso, "A Afirmação Negra e a Questão Colonial".
E vamos fechar com um livro que tem dado que falar nos últimos dias, "The Betrayal of Anne Frank" de Rosemary Sullivan. Tem-se falado disto, não é?
Tem-se falado muito disto. É um livro que acompanha um documentário da CBS, o canal americano de televisão, e que basicamente é o resultado de uma investigação de Rosemary Sullivan.
Quem tramou Anne Frank.
Basicamente é isso.
Quem terá denunciado.
Quem terá denunciado Anne Frank.
Terá sido um judeu, que é uma coisa interessante.
Pronto, e ao que parece, a conclusão deste livro é que terá sido um judeu.
Para salvar também a sua família.
Como forma de acordo. Exatamente, para salvar a pele. Como forma de acordo com os nazis e que terá revelado o esconderijo da família de Anne Frank e, pelos vistos, não só. E portanto, o livro foi agora publicado em inglês, e acompanha precisamente esse documentário que mostra como é que foi feita esta investigação e qual o resultado da investigação. E sim, Anne Frank é uma figura conhecida mundialmente.
E vende sempre.
Exatamente.
O incrível é que Anne Frank, enquanto tema, vende sempre, há sempre novidades e há sempre interesse do público.
Sobretudo quando tens, de facto, uma novidade, neste caso deste tamanho.
Mas houve sempre, novas edições.
Reedições, sim. Banda desenhada, seja como for. E resulta sempre.
Aliás, basta ver a fila em frente ao Museu de Anne Frank, em Amsterdão. Tem sempre muita gente.
Cá está. Belo exemplo.
Há um interesse.
Porque Anne Frank é uma espécie de um arquétipo, não é "a" Anne Frank, mas ela representa todas as Anne Franks.
Exato, é o que ela é, a história particular e tudo aquilo que representa.
Muito bem. Já saiu este livro?
Olha, eu julgo que sim, mas eu até te posso ajudar, Nelson.
Tanto nas notícias, nos últimos dias, a propósito dessa relação.
Eu julgo que sim, mas acho que não.
18 de janeiro. Sai hoje? Não. Sou eu?
Sim, já saiu. Podes comprá-lo nas lojas online. Sim, foi publicado hoje, meu amigo. Nada acontece por acaso, mesmo quando parece por acaso.
Claro.
Está, mas está número um best-seller. Muito bem. Bela história esta, agora também com essa novidade a propósito de Anne Frank. Em resumo, a reedição de "Morte no Estádio" de Francisco José Viegas, "Mad Adam", de Margaret Atwood e também "A Afirmação Negra e a Questão Colonial" de Mário Domingues. Foram as sugestões do Tiago Pereira no "O lado bom da vida" desta terça-feira. Amanhã ele vai estar conosco para nos falar sobre séries. É, não é?
Não.
Nostalgia?
Isso é quinta-feira.
Isso é quinta-feira, pois é.
Amanhã vamos ter saudades. Muitas saudades.
Nostalgia.
Eu já estou com saudades, Tiago. Até amanhã.
Falsos. Até amanhã.
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