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"Many nations have voiced a commitment to peace and security, and now they must demonstrate that commitment to peace and security in the only effective way, by supporting the immediate and unconditional disarmament of Saddam Hussein."
Faz precisamente hoje 20 anos que na Base das Lajes, nos Açores, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fazia estas declarações. O desarmamento do Iraque era incondicional.
Durão Barroso era o primeiro-ministro e o anfitrião daquela que ficou conhecida como a Cimeira da Guerra. Ali, no meio do Atlântico, o chefe do Governo português recebia ainda os primeiros-ministros do Reino Unido e Espanha, Tony Blair e José Maria Aznar. Quatro dias depois, a 20 de março, começava então a guerra no Iraque.
Daquela reunião na Ilha Terceira, que ainda podia ser a última chance para a via diplomática, saiu, afinal, um ultimato a Saddam Hussein e a intervenção militar acabou por não ser evitada.
16 de março de 2003 foi um domingo e os Açores foram o centro do mundo. Centenas de jornalistas estiveram presentes para relatar aquele momento que ficou para a história.
Durão Barroso foi o primeiro a chegar às Lajes. Seguiu-se Blair e Aznar. O Air Force One, do presidente norte-americano, foi o último a aterrar na base aérea, ao meio da tarde. No exterior das instalações militares aguardava uma manifestação pela paz com cerca de 350 pessoas, que acabou por dispersar depois de começar essa cimeira.
Em cima da mesa estava a hipótese de que o Iraque teria ao dispor armas de destruição maciça. No dia seguinte, já na Casa Branca, Bush fez um discurso em que assegurou que os serviços secretos norte-americanos não tinham dúvidas de que Saddam Hussein escondia as armas mais letais, nomeadamente armas químicas.
A verdade é que, apesar de essa ter sido a principal justificação para a invasão do Iraque, essa informação revelou-se infundada e nunca suficientemente sustentada. Anos mais tarde, todos os protagonistas da cimeira reconheceram isso mesmo.
Pois, que remédio. Mas ainda no domingo, os líderes nacionais reagiram ao que acontecia na base das Lajes. Ferro Rodrigues, que era secretário-geral do PS, acusou Durão Barroso de estar a envolver Portugal numa guerra com a qual os portugueses discordavam e que a paz nada ganhou com essa cimeira.
Já o líder do PCP, que era na altura Carlos Carvalhas, chamou à reunião uma fantochada feita por três falcões e o seu ajudante-mor.
A posição do Bloco de Esquerda foi semelhante, chamando ao encontro uma preparação para a guerra contra o Iraque, que teve a assinatura dos três chefes da guerra.
De facto, os Estados Unidos lideraram uma coligação internacional de países. Portugal também participou e só deixaram o território em 2011.
Logo no final de 2003, o presidente iraquiano foi capturado e três anos mais tarde, julgado e executado.
Isto correu super bem.
Correu.
Não foi? Isto correu muito bem.
Desde o início que correu bem.
Lembro-me que na altura havia também o receio de Portugal passar a ser um destino para ataques terroristas. Nesta altura, os países que se envolviam tinham esse medo e acho que isso também aconteceu com Portugal.
Com Portugal.
Nos anos seguintes, em 2004 e 2005, houve atentados, quer em Londres, quer em Madrid.
Quer em Madrid.
Quer em Espanha. Muito bem. Vamos então lá à música que mais se ouvia em Portugal em 2003, o ano dessa cimeira. Olha, no top dos mais vendidos fazem parte, por exemplo, Porto Campeão, dos Super Dragões. Também As Meninas da Ribeira do Sado, dos Adiefa e ainda as Hijas del Tomate, das Ketchup.
No entanto, ninguém vende mais em 2003 que os Tribalistas, o trio composto por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown rompeu várias fitas com esta "Já Sei Namorar".
Já sei namorar, já sei beijar de língua agora só me resta sonhar. Já sei onde ir, eu sei onde ficar agora só me falta sair. Não tenho paciência pra televisão, eu não sou audiência para a solidão.
2003 é também o ano de estreia a solo de Beyoncé, "Dangerously in Love" foi editado a 20 de junho e no ano seguinte valeu à cantora cinco Grammys. Ainda assim, falhou, e continua a falhar até hoje, o de Disco do Ano.
Por falar em Grammys, os de 2003 foram dominados por Norah Jones, com o disco de estreia "Come Away With Me", a cantora levou para casa as estatuetas das principais categorias. Ao todo, foram seis Grammys, incluindo o de Álbum do Ano.
Come away with me in the night. Come away with me, and I will rise.
Mas 2003 é também um ano de despedidas. Johnny Cash, por exemplo, morreu a 12 de setembro, quase um ano depois da edição do seu derradeiro álbum em vida, "American IV: The Man Comes Around", de onde se destaca a versão de "Hurt", dos Nine Inch Nails.
I hurt myself today to see if I still feel. I focus on the pain, the only thing
Little Eva, a cantora que deu fama à "Loco-Motion", também morreu em 2003, bem como Elliott Smith, Nina Simone, Celia Cruz e Compay Segundo, entre este grupo de famosos que morreram em 2003. Também nesse ano despedimo-nos de Barry White. O gigante norte-americano é um dos artistas mais vendidos de sempre, tem mais de 100 milhões de cópias de discos vendidas em todo o mundo. Um mestre do que é o sexual feeling, como prova, por exemplo, esta "Never Never Gonna Give You Up", aqui no fecho do Cassete 60, que viajou hoje até 2003. Cassete 60.
Rádio Observador