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Bom dia, Rita. André nos fones.

Desculpem o atraso. Bom dia.

Eu vi que o jornal das 10 hoje acabou com algumas trívias, nomeadamente as perguntas mais pesquisadas no Google em Portugal.

Tenho que conhecer daqui.

Os habitantes da Guarda, não chegaste a dizer como é que se chamavam.

Não é guardense?

Pode ser guardense, mas há outro também.

Eu apostei em guardenses.

Egitaniense.

Esse eu não sabia.

E como tirar nódoas de sangue? Eu uso sempre sabão azul.

Um abraço para a guarda.

Tu usas sempre sabão azul?

Sempre, em tudo. E na cara também. É o melhor para tirar sebo.

Eu ia para casa hoje usar um esfoliante.

Mas não é sobre isso "O Melhor Emprego do Mundo". Esta semana aproveitei que ia tirar um siso para gravar um programa que já há muito queria fazer: "O Melhor Emprego do Mundo" com um médico dentista.

Que maravilha. Primeiro, nota-se um bocadinho.

Nota-se que eu tirei o siso.

Mas estás bem.

Sejas má, André.

Para dizer, não estou nada bem, eu pareço o Popeye, só me falta o cachimbo e passar-me com os espinafres. Eu não sei qual é a vossa relação com dentistas, mas eu demorei até encontrar o meu e nunca mais o larguei. Mas antes de conhecermos o dentista Diogo Castro, vou só dar-vos algumas curiosidades também sobre a medicina dentária.

Conta-nos.

Há 5700 anos, no antigo Egito, já se falava de saúde oral. Encontraram manuscritos que falavam de problemas de dores de dentes e de gengivas. Resi-ray, não, enganei-me. Resi-rá. Resi-rá foi o primeiro homem a ser referido como um profissional de saúde oral e morreu há mais de 4600 anos.

Portanto, já que andam há muito tempo, os dentistas.

E outra, esta é que é a mais engraçada. Até meados de 1700, os barbeiros eram os profissionais a quem as pessoas recorriam para arrancar um dente. É verdade. Essa tarefa cabia a uma especialidade chamada barbeiro-cirurgião, uma classe profissional criada em Inglaterra. Portanto, na altura do Marquês de Pombal, ia só o barbeiro arrancar o dente e fazer aquele penteado cacheado.

Por que não?

E só mais uma coisa, eu não sei qual deles é que é o pior.

Meu Deus, é uma dupla um bocado estranha. Rita, fala-nos um bocadinho, por favor, do teu médico dentista, Diogo Castro. Como é que começou esta paixão pelos dentes?

Ele pegou num trauma e fez dele uma paixão. Tinha 12 anos. Vamos ouvi-lo.

Porque na altura eu fiz aparelho e eu lembro perfeitamente, estava no colégio e estava a jogar à bola. E com o aparelho, fui agarrar uma bola atrás da baliza e caí, literalmente caí no chão e o aparelho desmontou-se todo na minha boca. E entretanto, o meu dente da frente saiu, fiquei com o dente na mão e no dia a seguir tinha consulta com o ortodontista e fui lá e assim: "Oh, doutor, olhe, isto partiu-se tudo na minha boca, não sei o que fazer. Tenho aqui este dente na mão, não sei o que vou fazer com isto, não quero ficar sem dente". E entretanto ele voltou a colocar o dente, fez-me o aparelho, desvitalizou o meu dente, ainda hoje tenho cá o meu dente. Aquilo fascinou-me completamente. Disse à minha mãe que queria tirar dentária e depois segui. Depois cheguei ao ortodontista, disse ao ortodontista: "Olha, eu vou começar a tirar dentária". "Não tires isso, que isto em Portugal está muito mau, o pessoal está todo para emigrar".

Portanto, já na altura disseram: "Não, não vás".

Sim, porque há muitos médicos dentistas. O rácio é elevado, por isso emigram à procura de trabalho e de melhores condições. O Diogo disse que lá fora os dentistas, reparem bem, chegam a ganhar o triplo no início da carreira.

Portanto, ser dentista até pode ser o melhor trabalho do mundo, mas se não for em Portugal.

É como quase todos os trabalhos, de resto, infelizmente, são todos bons, exceto se forem em Portugal.

Sim, no que toca à medicina dentária, Rita, queria perguntar: como é o Serviço Nacional de Saúde?

Olhe, também não é atrativo.

Ah, pois.

Primeiro não é atrativo, porque já essa é a polêmica dos médicos receberem, os médicos dentistas iriam receber muito menos. Mas já há nos centros de saúde, médicos dentistas a trabalharem para o Estado, mas é tratamentos muito básicos, é limpezas, restaurações simples, uma prótese ou outra, mas nada muito mais fomentado como é numa clínica privada.

E depois, há também um lado que sempre me chateou, que é o fato das seguradoras não cobrirem, na sua maioria, tratamentos que se enquadram em estética. Sabem disso, não é? E também lhe falei disso.

O que eu acho é que hoje em dia os seguros em si cada vez mais estão a comparticipar mais a parte estética, ou seja, a parte de implantes, a parte de facetas, já há bastantes seguros que comparticipam. Qual é que é o problema hoje em dia? É o valor que os seguros pagam aos médicos e pagam à clínica desse trabalho. E muitas clínicas fogem a esses seguros para não terem que praticar esses valores, porque o valor que o médico vai receber e a clínica vai receber é muito pouco pelo preço custo que vai ter.

Isso é que eu não sabia, não fazia ideia, que eles ganhavam menos por causa dos seguros. Por isso é que muitas vezes, não sei se já repararam, se já vos aconteceu, de um ano para o outro, o médico deixar de ter acordo com o seguro.

Pois, faz sentido.

Faz sentido agora, sim. Bom, o Diogo fala também da necessidade e da mais-valia de cada vez mais os médicos dentistas terem a sua especialidade. Por isso é que às vezes a mesma boca tem dois ou quatro especialistas.

O que acontece muito é que ainda há muitos médicos dentistas que não se querem diferenciar dos outros. Eu acho que não há trabalho em Portugal porque as pessoas não se querem diferenciar, não se querem especializar, não querem tirar formações. Pensam que basicamente ser um médico generalista, ou seja, acaba de faculdade e vai trabalhar, que vai ser rico. Não. A riqueza dos médicos dentistas já aconteceu há muito tempo.

Pode voltar.

Pode voltar. Mas isso tudo só advém do trabalho do médico, depois ser reconhecido pelos pacientes e depois é o boca a boca.

Boca a boca, que é curioso. Funciona muito boca a boca com os dentistas. Aproveitei também para falar de uma experiência que tive com uma dentista, em que estava sempre a propor-me mudanças, até que eu abandonei. Tinhas uma consulta às cinco da manhã. Exatamente. Já ouviram falar de harmonização facial? Já, sim senhora.

Não.

Não? Vê-se mesmo que não és mulher, porque senão recebias muitas publicidades disso no Instagram.

Então, mas o que é aquilo?

Já. Colocar ácido hialurônico ou botox.

Ah, sim, sei o que é. Já percebi.

Vamos ouvir o que o Diogo Castro acha sobre esta moda.

Pode fazer. Os médicos podem tratar tudo o que seja da boca e da cara, ou seja, pode-se fazer a aplicação. Se eu sou a favor disso? Eu acho que o médico dentista, em certas coisas, deve fazer-se um bocadinho contra isso. Ou seja, eu acho que o médico dentista pode tratar da parte dos lábios, da parte de um sorriso gengival, ou seja, se a pessoa sorrir muito, nota-se muito a gengiva, meter lábios para recobrir isso ou bloquear o músculo elevador do lábio para o músculo não subir tanto e não se notar tanto a gengiva. Acho que sim, é tanto funcional como estético. Agora, a situação das olheiras, das rugas, isso tudo, está a haver uma grande controvérsia com a medicina, com os médicos de cirurgia plástica, dermatologia, porque fazem essas áreas e estão muitas vezes a escapar esses tratamentos para a medicina dentária. O que está acontecendo também? Esse boom que está havendo na harmonização facial, está a fazer com que também muitos esteticistas não tenham formação nenhuma em saúde, estejam a fazer, cabeleireiros, enfermeiros podem fazer, mas também é um bocadinho limitado. Acho que devia haver um maior controle sobre essa situação, mas que está a haver um grande boom nas redes sociais e isso tudo.

Portanto, antigamente era o barbeiro cirurgião, agora é o cabeleireiro botox. Antes de se fazer a harmonização facial, às tranqueiras. Não pode ser. Sim, é muito. E eu cheguei ao ponto de denunciar essas publicações nas minhas redes. Nunca mais me aparece. Concordo que as pessoas devem fazer tudo para se sentirem melhor, mas também estamos muito toldados com imagens de sorrisos perfeitos e a necessidade de sermos simétricos. Mas hey, a assimetria também é linda.

É verdade.

Que bonita! Para.

Eu não sei se vocês já viram, se pegarmos em metade da nossa cara e fizermos a simetria, ficamos mais feios. Não ficamos.

Eu já experimentei. A minha cara é um bocadinho assimétrica. A mim parece muito simétrica. Mas é o que é, está tudo certo com isso. Olha, Rita, qual foi a maior revolução no mundo da dentária nos últimos anos? Conta-nos. Ora, foi a era digital.

Tudo vai mudando e tudo vai se modernizando. Hoje, principalmente na implantologia, faz-se muito pelo formato digital, ou seja, já não é uma cirurgia standard com uma pessoa abrir a boca, colocar o implante à mão, sem nos guiarmos por nada. Hoje em dia temos raios-X, temos tacos, temos scanners, conseguimos planear o caso em casa, ou seja, quando eu vou fazer um implante à pessoa, eu já sei onde é que ele vai sair, como é que eu vou colocar, que implante é que eu vou colocar, o que eu vou ter que fazer. Portanto, facilita muito mais o trabalho que nós temos.

E há também algo que gostava de falar, que são as sessões fotográficas. Não sei se vocês já repararam, ou melhor, as piores sessões fotográficas do mundo. Os dentistas costumam tirar fotos à nossa boca e eu só consigo imaginar a galeria de foto. Toda aberta com a goteira. Muito creepy. Vamos ouvir. Com uma máquina gigante, não sei se qualquer dia vocês estão a fazer longas-metragens.

É importante pela situação também do digital, porque eu em casa consigo programar a partir de programas próprios, como é que vou deixar o sorriso da pessoa se a pessoa fizer essas fotos. Muitas vezes também é para nós acompanharmos o follow-up e muitas vezes também é para mandar fotos para o laboratório, para o laboratório ter em mão uma foto real como é a boca da pessoa. Porque muitas vezes só mandar os moldes para mandar fazer uma faceta ou uma coroa, não é o suficiente, porque o laboratório não sabe que cor é que aquilo é, nem o formato, nem como é que é as feições da pessoa. Então isso é importante. E muitas vezes as fotos também são para documentar, para ficar no registo, para ver daqui a três anos se realmente o tratamento que eu fiz está bem feito e teve sucesso. Portanto, o sucesso imediato na medicina dentária não é hoje nem amanhã, é saber daqui a cinco anos, as pessoas vêm e mantém-se tudo igual.

Isso é que era bom, estacionar melhor o dente, ser mais rápido. "Ponha-me esse dente de um dia para o outro, deixar de ser torto." Isso é que era. Pronto, é que não dá mesmo para ficar bem nessas fotografias. É muito mau. Já só falta o refletor e vir o assistente de produção, o assistente da realização.

Alguém para apontar os tempos de corte.

Bom, abordamos também o tema da saúde mental e o Diogo fala de pacientes deprimidos.

Agora estamos numa fase em que se cada vez está a falar mais da saúde mental e noto muito nos pacientes que, não sei se é mesmo por parte dos psicólogos ou dos psiquiatras que os acompanham, mas noto, pelo menos nas minhas consultas, noto que cada vez estou a apanhar pessoas mais depressivas, que elas próprias querem vir ao dentista para tratar, para que a sua saúde mental melhore pela condição do aspeto, da autoestima e da situação de se sentir confortável socialmente. E eu acho que isso tem mudado. Sinceramente, não sei se tem alguma influência por parte dos psicólogos, psiquiatras, psicanálise, que estejam a acompanhar os pacientes, mas noto que tem havido muito mais pacientes assim.

Se calhar os psicólogos andam a reencaminhar, de facto, as pessoas para a dentista. E vocês sabem qual é um dos sintomas do estresse e como se vê na boca? Por acaso sei, porque a minha irmã sofre disso. Sofre de bruxismo. Eu não, a minha irmã. Eu sofro de bruxismo, sofro muito. É horrível.

Ranger, não é?

Ranger os dentes, apertar os maxilares, tanto durante o sono como acordados, são alguns dos sintomas de estresse que podem e devem ser tratados. Normalmente usa uma goteira, mas também há exercícios que eu aprendi. Meter um dedo na boca, na horizontal, e depois só o maxilar de baixo é que mexe. E depois ir para a esquerda e para a direita. Não consigo explicar assim com a mão, é difícil. Mas vamos ouvir então sobre bruxismo.

Sim, cada vez há mais casos de bruxismo, de atração, de afração, ou seja, o desgaste do dente por pressão, por estresse, as pessoas a rangerem os dentes, pessoas que se calhar não tinham isso antes e principalmente notou-se muito isso depois do Covid. Depois do Covid notou-se bastante casos assim. Agora tem vindo a estabilizar, não tem havido tantos casos, mas depois do Covid houve bastantes casos assim.

Uau, não estava à espera dessa informação. Rita, e tu sofres de bruxismo, mas também sofres neste momento de uma pequena operação de siso, não foi? Eu estava à espera de ouvir aqui a operação indireta.

Pois, é assim. Sabem qual é o truque para não sofrer, não sabem?

Dormir.

Não, antes de. Belas anestesias. É um bocadinho. Tomar muito tempo.

Está boa tarde.

Vamos tirar um sis, normalmente é uma coisa simples.

Vai ter que ser.

Eu, por acaso, desde que me anestesiam, não tenho qualquer problema.

Não, anestesiada vais estar, de certeza.

Eu até para limpeza prefiro ser anestesiada. Estou sempre a pedir anestesia.

Há pessoas que preferem por causa da sensibilidade, isso não tem problema nenhum.

Pois. O medo na tua voz não é: "Então vamos lá tirar o sis". Não tenho medo nenhum. A Rita só vai pela anestesia. Claro, é tão bom ficar com metade da cara... Se existe uma coisa que nos pode ajudar a não ter tantas dores, porque não usá-la? Claro, eu adoro. E normalmente eu peço para meter mais. "Ponha mais, meta. Eu só à meia-noite é que comecei a sentir parte da cara". Outra coisa, por exemplo, no cabeleireiro sempre me doeu o pescoço quando eles lavam a cabeça. No dentista, dói-me só de estar de boca aberta, às vezes.

Precisa de estar cá fora.

Essa é outra coisa. Às vezes nós ficamos muito tempo de boca aberta. Vocês conseguem perceber quando nós estamos cansados?

Sim.

Ainda bem. Às vezes perguntamos: "Aqueles lá?"

Lá está, quando são tratamentos mais demorados, eu até costumo passar um relaxante muscular para virem mais tranquilos.

Este é um dentista que deve ser. Os meus não fazem nada destas coisas. Depois quando começamos com aquele acumular de saliva, é tudo muito desconfortável. Bom, e de facto nós começámos a cirurgia. Vamos ouvir então um bocadinho. Meu Deus!

Agora vais ouvir um barulhinho que é o dente a dividir ao meio.

Ok, não digas. É daquelas coisas, eu prefiro não saber o que o médico me está a fazer. Normalmente não quero saber. Estou de boca aberta, mas de olhos bem fechados.

É como és analisa, olha para o lado.

Sempre. Sim. E agora perguntam-me vocês se ser médico dentista é o melhor emprego do mundo.

Rita, ser médico dentista é o melhor emprego do mundo?

Normalmente são pessoas bem-dispostas, só podem mesmo gostar do trabalho. Uma das coisas que o Diogo referiu foi o quão valioso é mudar a vida das pessoas e tem uma relação muito próxima com os seus pacientes, e muito boa. Agora, é preciso gostar mesmo disto, porque trabalham muitas horas. Só para fazeres confusão, o teu horário costuma ser das 09:00 às 17:00?

Isso era o que eu gostava de ter. Um horário é ter quase 12 horas de trabalho diárias.

A sério? Que horrível!

Normalmente entro às 08:30, saio às 17:30. Por exemplo, hoje aqui ia entrar às 08:30, saio às 17:30. Ontem entrei às 20:30.

Eu sou a última.

Não. Era bom que fosse a última, fosse agora para casa, mas não, ainda tenho alguns pacientes para operar.

Então vamos tirar a foto à desculpa. Ixi, a foto.

Isto é capaz de ter sido depois da operação.

Já era. Olha, eu gostava de agradecer ao meu dentista, Diogo Castro, e à clínica Médicos Algés. Reparem, o meu seguro nem é Médios, mas eu prefiro lá ir, porque pode não ser o melhor emprego do mundo, mas ele é o melhor dentista do mundo. Até sinto que é serviço público poder sugerir um bom dentista. E atenção, que eu, pelos vistos, também sou boa paciente. E dirias que eu sou, como é que eu sou enquanto paciente?

Se fossem todos como tu, estava tudo bem.

Era isso que eu queria ouvir. Bom, e foi "O Melhor Emprego do Mundo". Ele aconselha ainda ir ao dentista uma, duas vezes por ano, passar fio dental uma a duas vezes por dia, malta, todos os dias. E não tenham medo dos dentistas, porque há sempre anestesia. We will always have anesthesia. One love, anestesia. E obrigada ao Diogo Castro. Pronto, muito bem. Estás fechada este melhor emprego do mundo, Rita Camareiro. As melhoras. Bota muito gelo nessa bochecha. Antibiótico. Um beijinho, Rita.

Um beijinho.