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Operação Stop na Rádio Observador. Todas as novidades do mundo do automóvel, todas as semanas, é essa a premissa deste nosso podcast e sempre com o Alfredo Lavrador. Alfredo, seja muito bem-vindo, não só à Operação Stop desta semana, mas também a 2026. Como é que estás? Como foi essa passagem de Ano Novo?
Estou lindamente e decidido, seguindo a tua dica, arrancar aqui no nosso podcast com o pé direito ou com os dois. Eu gosto de andar com os dois.
Ora bem, vamos com o pé direito, até porque é o pé do acelerador e vamos acelerar já para estes novos carros em 2026, até porque há novidades, Alfredo. Para reduzir os acidentes rodoviários neste novo ano, os carros vão passar a ter mais equipamentos, especialmente mais equipamento destinado à segurança. Tradicionalmente, mais equipamento implica preços mais elevados para os carros. A minha pergunta é essa mesmo, Alfredo, vamos ter carros mais caros este ano?
Olha, Rafael, eu lamento ser portador de tão más notícias, mas efetivamente, quanto mais por obrigação de Bruxelas, os carros cada vez têm mais equipamentos de segurança, o que é uma coisa que se compreende e até aplaudo, porque o número de pessoas que são vítimas anualmente de acidentes automóveis ou ficam muito feridas, é enorme e tem que ser reduzido. Então toda a tecnologia é boa para que se consiga atingir esta meta. Portanto, mais caro vão ter que ficar. Agora resta saber quanto, porque obviamente vão ser produzidos em maior quantidade, o que baixa o preço unitário, e depois os construtores obviamente vão fazer um esforço para não passar para o cliente a totalidade do custo dos dispositivos, que até agora, como era vendido como opcional, os clientes que queriam pagavam, por exemplo. Agora, por que é que acontece neste preciso momento, neste início do ano? Ou pelo menos que é anunciado neste início do ano. Porque a partir de julho de 2026, julho deste ano, vai entrar em vigor uma coisa, eu vou dizer em inglês, que eu sei que tu gostas de ouvir, General Safety Regulation 2. Para amigos é o GSR 2, que se destina àquele objetivo que falámos antes, reduzir mortos e feridos na estrada. E este ano tem uma componente específica adicional, que é proteger os peões e os ciclistas, que ainda são o elemento mais frágil nesta relação carro-pessoa.
E Alfredo, esta lista de equipamentos adicionais de segurança é uma lista longa ou são apenas alguns retoques que estão a ser feitos por parte de Bruxelas?
Não, a lista é relativamente extensa e inclui soluções que já existiam como opcionais, só em veículos mais caros e de maiores dimensões, sendo que muitos destes sistemas foram também evoluídos até para poderem ser atualizados remotamente numa fase posterior. Se posso te mencionar um dos pormenores. Os carros vão passar a ter de série um sistema para controlar o nível de álcool no sangue do condutor. Ainda não é obrigatório, mas é obrigatório os carros possuírem este sistema, que é para mais tarde o legislador atualizar e ativar o sistema à distância, portanto, remotamente, e o carro só anda se o condutor soprar e estiver dentro do limite. Se estiver grosso, como por exemplo, estaria muita gente depois de celebrar o final do ano, tem que ir a pé ou à boleia. Basicamente, é o que é.
Isso é bastante inovativo, não há dúvida. Ainda sobre este tema, vamos enumerar talvez alguns dos novos sistemas obrigatórios. Já falaste agora de um, Alfredo, o que é que mais vai ser obrigatório nos carros para impedir excessos do condutor e que outras novidades é que estão planeadas para este novo ano?
Mencionando só os mais importantes e aqueles que enchem mais o olho, a partir de 2026 vai ser obrigatório um sistema que verdadeiramente gire o volante para manter o carro ao centro da faixa de rodagem. Estamos a falar daqueles sistemas que eram conhecidos como Lane Keeping Assistant, portanto, era um centro de faixa de rodagem. Só que a versão mais simples desse dispositivo apenas se limita a virar muito ligeiramente o volante, não o suficiente pra fazer uma curva, por exemplo, e a tremer sempre que o carro se aproxima do limite da faixa de rodagem, daquela risca branca, seja a do centro ou a da direita. Agora, vai ser obrigatório o sistema mais evoluído, que verdadeiramente vira o volante e faz com que o carro desenhe a curva, ainda que tenha que atuar noutros pontos do carro, como por exemplo, o acelerador ou travão. Isto vai ser uma vantagem, porque vai reduzir as distrações, as saídas da sua faixa de rodagem e embate, ou despista o embate no carro que vem em sentido contrário, por distração do condutor. O sistema de travagem de emergência, falando de um outro sistema destes, também passa a ser mais sofisticado e com maior potencial para ajudar o condutor, uma vez que vai detetar melhor o carro que trava à sua frente e vai também permitir ler melhor, ou seja, identificar melhor peões e ciclistas Mesmo em cruzamentos. Até agora havia uma fragilidade do sistema, que era quando estás em cidade a fazer um cruzamento, viras à direita, num cruzamento de quatro estradas, por exemplo. Se uma pessoa tivesse ali a iniciar a travessia da via, não era fácil o sistema perceber que vinha alguém da direita a atravessar a rua. Este sistema vai ser melhor neste aspecto.
Alfredo, estivemos a falar aqui sobre estas novidades, estes novos sistemas obrigatórios, muito do lado do carro, do lado mecânico desta ligação condutor-automóvel. Gostava também de perguntar sobre precisamente o lado humano. Que novas soluções existem para evitar acidentes que sejam provocados pelos humanos e por possíveis distrações de quem vai ao volante?
Isso é uma pergunta que faz todo sentido, porque há muitos acidentes que são provocados por distração do condutor e o papel deste GSR2 é ajudar o condutor que mesmo quando se distrai, a tecnologia acabe por permitir safar-se, digamos assim, sem ter um acidente ou bater em alguém. Um dos sistemas que melhora também e que passa a ser obrigatório como equipamento de série nestes carros novos, é o assistente de velocidade inteligente. Ou seja, até agora, o condutor quando excedia o limite de velocidade num determinado ponto, acendia uma luzinha, porque o sistema lia com a câmera o sinal do trânsito que dizia que era 60, se o condutor ia a 70, acendia uma luzinha. Agora vai acender a luzinha, e vai dar-lhe um sinal sonoro e vai sentir um tremelique no acelerador para o lembrar que estamos acima do limite permitido pela lei. Mas este é um daqueles equipamentos que já vai permitir ser atualizado remotamente, porque se espera que muito em breve passe a ser também obrigatório, que este sistema corte o acelerador, ou seja, corte a potência do motor, e impeça o condutor de acelerar. Este é apenas um exemplo. Depois há os condutores que podem estar cansados, sonolentos, com os copos, ou puríssimamente distraídos, que vão ter também de série nos seus carros e curiosamente nos veículos comerciais ligeiros. Estes últimos vão beneficiar dos tacógrafos. Agora, os outros automobilistas vão ter sistemas que detetam os olhos do condutor, se estão semcerrados, se têm um ar cansado, se a cabeça está a pender para um dos lados ou para a frente, sinal que está com tendência para adormecer. Se o condutor está a olhar excessivamente para o lado, também intervém, chamando a atenção. E isso são tudo sistemas que ajudam a que o condutor que vai ao volante não tire os olhos da estrada e sobretudo, mantenha os olhos abertos.
Tudo sistemas para evitar acidentes, mas a verdade é que mesmo com mais atenção, mais equipamentos, os acidentes vão continuar a acontecer, Alfredo. Que soluções é que existem neste pacote de Bruxelas, digamos assim, que podem ajudar os intervenientes após um hipotético acidente? Se é que existem.
Existem, pois. E isso faz todo sentido, porque após um acidente, imagina tu uma viagem, tens um acidente a meio da noite, lagarto, lagarto, mas pode sempre acontecer. E então depois ficas no meio do nada, não fazes ideia onde é que estás, como é que vais pedir ajuda, etc. E aí é que intervém um sistema que já existe, que é o eCall, ou seja, a chamada de emergência, não é? Que até aqui tocavas num botão, aqui limitia mais ou menos a localização e pedia ajuda. O eCall vai se manter, mas vai evoluir consideravelmente face àquilo que existia até aqui. Não só regista de forma mais precisa o local do sinistro, como vai informar os serviços de assistência do número de ocupantes, da gravidade do embate, uma vez que é um acelerômetro e percebe qual era a velocidade, qual foi a desaceleração, qual foi o esforço a que os utilizadores foram sujeitos. Provavelmente deverá igualmente medir se o carro capotou, quantas vezes capotou, para tentar determinar a gravidade do acidente. Depois há um ponto interessante, que é, isso não é só para veículos elétricos, mas é sobretudo para os carros mais sofisticados, mais topo de gama, que tinham umas pegas de porta que nasceram para ser aerodinâmicas, mas na realidade davam assim um toque sofisticado ao modelo e muita gente gostava. Essas são pegas de portas elétricas, que é aquelas que só saem quando tu te aproximas a mão, por exemplo, elas sentem a aproximação e abrem, para tu poderes puxar e abrir a porta. Só que essas pegas, em caso de acidente grave, deixam de funcionar porque entretanto o carro deixa de ter corrente elétrica, porque a bateria 12 volts saiu do sítio, se desligou, qualquer coisa, e é muito difícil abrir a porta para aceder às pessoas que estão lá dentro. Os construtores vão ser obrigados, nos carros novos que queiram vender a partir de julho de 2026, a arranjar um sistema em que aconteça o que acontecer ao carro, as portas têm de abrir. Ou seja, o objetivo é basicamente em caso de acidente, essas alavancas da porta têm que ficar saídas para que quem vai assistir aos sinistrados possa lá meter a mão e abrir. E isso é uma solução que vai ajudar, uma vez que sobretudo nos carros elétricos, não só, mas também, havia dificuldades a aceder ao habitáculo de alguns modelos e isso colocava problemas.
Alfredo Labrador, muito obrigado por todas estas explicações sobre os novos equipamentos para os carros neste novo ano. Mais segurança, menos acidentes rodoviários é o que deseja Bruxelas. Cá estaremos, Alfredo, para fazer esse balanço, para verificar se esse desejo de Bruxelas se concretiza ou não. O que se concretiza também é pra semana novo episódio da "Operação Stop". Até lá, Alfredo, um grande abraço.
Está combinado.