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A Operação Stop está com a Rádio Observador e está com o programa em que falamos de automóveis, falamos do mundo automóvel e recebemos sempre o nosso editor da secção Auto, o Alfredo Lavrador. Alfredo, muito bem-vindo.
Viva, Miguel.
Mais um domingo. Vamos hoje falar do trágico incidente que aconteceu esta semana, o acidente que vitimou Diogo Jota e o irmão, André Silva. Vamos falar essencialmente do que aconteceu em torno do pneu. Ainda há muito para saber sobre este acidente que vitimou Diogo Jota e o irmão. Tudo aponta para que a causa tenha a ver com o rebentamento de um pneu. Isto é um risco real e frequente ou é um caso raro para os restantes condutores?
Olha, felizmente é muito raro e não é frequente, mas o que não quer dizer que não exista. E tudo depende um bocado do estado dos pneus e do tipo de estrada onde se roda. Os pneus são uma coisa extremamente robusta, mas aquilo essencialmente são várias camadas de borracha que revestem várias camadas de tela e tudo depois depende do esforço a que estão submetidos. Resistem a tudo, não são fáceis de furar, menos fáceis ainda de rebentar, mas a verdade é que os pneus não é uma coisa para que os automobilistas olhem frequentemente e por vezes rodam em condições algo duras e com pneus muito velhos ou de má qualidade. Nós, condutores, tentamos muitas vezes recorrer a pneus baratos, sobretudo aqueles chineses, e esses são bastante mais fáceis de rebentar em caso de um esforço extremo. Daí que, em defesa da nossa saúde e da nossa vida, neste caso, como foi o caso destes dois futebolistas, é bom que se invista um pouco mais e nos preocupemos sobre as condições de segurança dos nossos pneus, algo que descuramos, mas se calhar é a altura de revermos esse aspecto.
Sim, sendo que, como referiste, também há aqui o aspecto da estrada, que também é sempre importante, e das condições da estrada e perceber também em que piso é que estamos a circular. Mas nós nesta altura desconhecemos o que verdadeiramente aconteceu aos dois futebolistas portugueses, portanto vamos debruçar-nos sobre a melhor forma de os nossos ouvintes se protegerem deste risco, portanto, do risco quanto ao pneu, porque foi esta a primeira indicação que surgiu e é a indicação que ainda temos nesta altura sobre este incidente. Vamos começar pelo que acontece ao carro durante o rebentamento de um pneu, quando isso surpreende o condutor. O que é que se sente ao volante?
Olha, é algo que é capaz de surpreender mesmo o condutor mais experiente. Um carro tem, grosso modo, depende, um carro pequeno tem 1500 quilos, um carro mais pesado pode ultrapassar os 2000, mas estamos a falar de cerca de 500 quilos por roda. O peso que incide em cada uma das rodas são cerca de 500 quilos. E tudo depende de se pisamos uma pedra. Há muitos detritos, até mesmo nas autoestradas, porque, por exemplo, imagina tu quando um caminhão de repente rebenta um pneu, e esses são frequentes. Nós às vezes quando falamos no rebentar de um pneu de caminhão, de um veículo pesado, às vezes referimo-nos, por exemplo, o pneu de chapa. Os veículos pesados muitas vezes utilizam pneus recauchutados, em que à estrutura de um pneu colam um piso novo.
Sim.
Tudo depende também do estado do pneu original, da perícia da empresa que realiza essa obra, que normalmente tem a ver com os custos, e há muitos caminhões que recorrem a fornecedores mais baratinhos, digamos assim, e menos fiáveis para recuperar esses pneus. Quando o piso chapa, digamos assim, que acho que é o termo, aquilo de repente são umas telas de aço que estão ali e se por descuido um condutor passa por cima de uma coisa daquelas, não é impossível que o pneu rebente. E a mesma coisa acontece quando vais na estrada, há muitos caminhões de obras que transportam pedras e detritos vários, e é fácil que esses objetos, essas pedras caiam do caminhão e fiquem na estrada, e de repente tu seres surpreendido, vais na tua vida dedicado aos teus pensamentos ou a conversar com os teus acompanhantes, com a tua família, e de repente passas por cima de uma coisa daquelas e no caso, por exemplo, de um carro superdesportivo, como o caso do Diogo Jota, É fácil que, por exemplo, uma pedra, mesmo naquelas mais pequenas, não um paralelepípedo da calçada, mas aquelas pequenas paralelepípedos que são usados na calçada portuguesa, são uns cubos com quatro dedos de lado, estamos a falar de 5, 6 cm de lado, aquilo, de repente, ao pisar ou serem pisados por um pneu desportivo, que é sempre um pneu mais baixo, de mais baixo perfil, etc, rebentem o pneu, ou então não rebentando o pneu, sejam apanhados pela jante, partindo a jante, provocando uma perda de ar repentina, e aí não há grande coisa a fazer. Nesta altura, respondendo à tua questão, o carro guina para um dos lados, o condutor não está à espera, nem pouco mais ou menos, porque ninguém está à espera de, de repente, ficar sem um pneu no meio da autoestrada. E mesmo a 120, mesmo dentro das velocidades legais, é fácil que o carro guinpe para um dos lados, o condutor tenta corrigir guinando para o lado oposto, e como o carro já não tem quatro rodas, mas apenas três, porque aquela roda que rebentou já foi à vida, coitada, é fácil perder o controle do carro e ocasionar um despiste.
Como é que um pneu pode rebentar de forma inesperada?
Olha, há ene situações. Miguel, tu já viste, com certeza, até em carros de amigos nossos, nós olhamos para os pneus e dizemos: "Como é que é possível tu andares com estes pneus?", que até têm um piso porreiro, têm a profundidade de esculturas e estão em bom estado, digamos assim, é aquilo que se chama um pneu ainda com a profundidade daqueles desenhos que servem para evacuar a água, sobretudo. Mas de repente olhas para os ombros dos pneus, aquela parte vertical entre o piso e a jante, e vemos ali umas barrigas, umas bolhas, fruto de pancadas anteriores, que rebentam ali uma parte, umas telas, as telas que constroem, na realidade, o pneu, e que facilmente se apanharem qualquer golpe de vinho extra, provocam o rebentamento. Na prática, poucos condutores dedicam o mínimo de atenção ao estado dos pneus. A maioria remete-se a olhar para ver se o pneu está careca ou não.
E a pressão, não é? Ver a pressão.
A pressão, aí tens toda a razão, Miguel, a pressão ainda dedicam menos atenção. E a pressão é determinante, é claro que a pressão determina o conforto, mas também determina a eficiência do pneu.
Exato.
E um pneu com baixa pressão, com pressão abaixo do normal, é extremamente fácil de ser rasgado perante um dos buracos que nós sabemos que durante o inverno surgem facilmente nas cidades e nas estradas, e isso ocasiona um rebentamento e potencialmente um despiste.
Claro. O que o condutor pode fazer quando tem um rebentamento no pneu? Aliás, acho que o essencial aqui é o que não deve fazer.
Na realidade, o que seria ótimo é que isto fosse um tema debatido e ensinado durante a formação, ou seja, quando nós tiramos a carta.
Sim. Hoje em dia, muitas escolas já nem ensinam a trocar o pneu, quanto mais o que fazer quando ele rebenta.
Nem falam nos pneus. Pneus é aquela coisa que está para ali, é melhor não olhar para eles. Mas vamos imaginar que um condutor normal vai à velocidade legal, 120 km/h, entra na autoestrada. Potencialmente, aquilo que pode ter acontecido aos irmãos PJ. O que acontece é que de repente o pneu rebenta e há o estrondo, porque é audível dentro do carro, juntamente com o facto de, de repente, o carro guinar. Vamos imaginar que o que rebenta é o pneu da frente esquerda. Só para o nosso ouvinte ter uma ideia. O carro guina para a esquerda, porque de repente há um atrito muito superior na frente esquerda e o carro guina para aí, como se de repente só aquela roda travasse. O que é que acontece? Perante este espanto, este estrondo, esta surpresa, o condutor tenta compensar guinando para a direita. Este é um bocado o primeiro erro. E, sobretudo, o condutor o que tenta fazer também é travar. E lá está, é o segundo erro, porque guinar para a direita é o primeiro erro e tentar pressionar o pedal de travão é o segundo erro. E quando estou a falar de pressionar o pedal de travão, estou a falar de pressionar fortemente o pedal de travão.
A fundo.
O condutor o que quer é basicamente parar com aquilo, porque de repente sente que está em vias de perder o controle do carro e é a última coisa que ele quer. E aí, o que acontece é que o guinão para a direita e o pressionar o pedal de travão, como aquela roda não tem qualquer aderência, uma vez que é basicamente uma jante com uma coisa solta, vazia, que é o resto do pneu, acaba por bloquear E desequilibra por completo o carro. É fácil perder o controle de um carro nessas condições. De modo que, sobretudo não travar, ajustar levemente o travão é o nosso conselho. E tentar equilibrar o comportamento do carro sem guinar, sem se assustar e sem guinar para a direita, isto no caso que nós estamos a ter como exemplo, de ser um pneu frente esquerda a furar, a arrebentar, e ser muito suave. Se há alturas em que um condutor tem que ser suave, é quando rebenta um pneu. Porque qualquer movimento brusco é a perda do controle do carro e isso sai caro e pode custar-lhe a vida.
Há alguma forma de se preparar para este risco? Como é que um condutor se pode preparar, de facto, para este risco?
Olha, é um bocado complicado responder a essa questão, Miguel. Mas eu acho que basicamente é bom que as pessoas se apercebam que isso acontece. É bom que as pessoas se apercebam, um pouco à semelhança do que acontece quando tu tens que evitar um carro que se atravessa à tua frente, ou uma criança, ou um animal, ou o que quer que seja, num dia de chuva, por exemplo. Tu tens que perceber que tens que ter alguma calma, tens que ser suave com os travões e proteger-te minimamente para evitar o mal maior. Mas não há uma receita para evitar o desastre.
Claro.
Pode sempre acontecer. Basicamente, tens que ter alguma experiência, não por casos anteriores, porque efectivamente é uma coisa relativamente rara, felizmente, de acontecer, mas tens que pensar um bocado no assunto, ou seja, precaver-te. Se caso me aconteça isto, eu vou travar suavemente, vou agarrar no volante e tentar manter o carro direito e não começar a corrigir de um lado para o outro, e evitar males maiores.
Muito bem. Alfredo Labrador, está dito o que podemos dizer, não é? Isto, de facto, é uma situação anómala e rara, como já discutimos.
É lamentável a todos os níveis, mas é o que é. Acontece a toda a gente, podia ser a um de nós.
Não deixa de ser uma tragédia, também pelas condições e pelas realidades familiares que se foi conhecendo ao longo dos últimos dias. Alfredo Labrador, está feita esta edição de "Operação Stop". Voltamos na próxima semana com um novo tema. Um abraço.
Um abraço, Miguel.