A Federação Europeia para o Transporte e Ambiente (T&E) apresentou nova proposta à União Europeia para resolver o problema causado pelos híbridos plug-in (PHEV), modelos que anunciam baixos consumos e reduzidas emissões de CO2, mas que falham redondamente ao ficarem muito aquém dos valores que reivindicam. Aos construtores já foi solicitado que encontrassem uma solução que incentivasse a recarregar a bateria, uma forma de obter as vantagens reivindicadas pelos PHEV, e como tardam respostas funcionais, a T&E sugere reduzir drasticamente a capacidade do depósito de gasolina. Simultaneamente, a capacidade da bateria terá de aumentar ainda mais, para assegurar 200 km em modo eléctrico, o que tornaria os PHEV mais dependentes do motor eléctrico e menos do seu “irmão” a gasolina.

Os veículos com mecânicas híbridas plug-in sempre foram vistos como uma alternativa interessante para possuir um automóvel que permitisse circular em modo eléctrico nas pequenas deslocações durante a semana, para depois poder enfrentar mais à vontade as viagens de fim de semana ou nas férias. Isto acontecia sobretudo no início da electrificação, quando os modelos 100% eléctricos não ofereciam autonomias entusiasmantes e recorriam a uma rede de carregamentos acanhada. Hoje a situação já é diferente, mas diversos estudos encomendados pela União Europeia provaram que os PHEV são adquiridos maioritariamente por vantagens fiscais, não recarregando a bateria regularmente e circulando essencialmente a gasolina. O excesso de peso leva-os a consumir e emitir CO2 seis vezes mais do que anunciam nos testes de homologação, apesar de receberem incentivos à aquisição numa série de mercados, como Portugal, como prémio de serem mais amigos do ambiente, o que obviamente não acontece.

De acordo com a T&E, os veículos PHEV deveriam conseguir reduzir as emissões  de CO2 em 83%, o que é corroborado pelos dados anunciados pelos construtores. Porém, o ganho face a modelos similares com motores exclusivamente a gasolina é de somente 14%, realidade que a UE conhece, pois todos os carros modernos registam o tipo de utilização de que são alvo, além dos consumos instantâneos e médios, enviando as informações depois para os construtores, que estão formalmente obrigados a enviá-las para os serviços da UE que controlam os consumos dos veículos em condições reais de utilização. Isto quer dizer que Bruxelas conhece exactamente o consumo real de todos os PHEV, o que significa também que sabe que abundam os modelos com esta tecnologia, especialmente os mais potentes e caros, que raramente carregam a bateria, o que torna dificilmente justificáveis os incentivos comerciais e fiscais de que usufruem.

A proposta avançada pela T&E consiste em limitar a capacidade do depósito de gasolina (ou gasóleo) a 15 litros, o que deverá assegurar uma autonomia de aproximadamente 220 km. A esta autonomia, os PHEV devem adicionar cerca de 200 km de autonomia eléctrica, fruto de uma bateria maior, capaz de ser recarregada mais rapidamente. Resta saber se haverá clientes para este tipo de híbridos plug-in, com uma autonomia total ligeiramente acima de 400 km, quando hoje a gasolina garante mais de 700 km, para a bateria adicionar mais quase 170 km.

A Comissão Europeia vai ter de decidir o que fazer para disciplinar os PHEV, especialmente agora que as propostas chinesas estão a fazer a vida difícil aos modelos germânicos, que até dominavam o mercado.