Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este episódio contém descrições de violência sexual que algumas pessoas podem considerar perturbadoras. Alguns nomes foram alterados para proteger as identidades dos entrevistados. Nesses casos, as vozes foram modificadas com recurso a inteligência artificial. 2014. Vai começar uma nova temporada do programa "Casa dos Segredos" na TVI.
Sou Agnes, tenho 30 anos, nasci na Transilvânia, terra do Drácula, Roménia.
Entre os concorrentes do reality show, há uma mulher loira, romena.
Querida, hoje, como está nomeada e pode sair, vai nos revelar o seu segredo. Sim?
Ok.
E qual é o seu segredo, querida? Quer nos dizer?
O segredo dela: fui sequestrada e explorada por uma seita.
Fui sequestrada e explorada por uma seita religiosa.
Fui sequestrada e explorada por uma seita religiosa. E a Agnes vai nos contar detalhes desse segredo, vai partilhar conosco.
Diz ter sido forçada a trabalhar num bar no Japão, sem receber.
O que realmente se passou. Sim?
Antes de tudo, quero deixar claro que a ioga não é uma coisa má, é uma coisa boa, é uma prática boa, não tem nada a ver com aquilo que aconteceu na Roménia e o meu sequestro foi de natureza mental, de indoctrinação e psíquica.
Chama-se Agnes Arabela Marques, tem 30 anos e conta que tudo aconteceu no movimento de Gregorian Bivolaru.
Havia uma organização que se chamava o Movimento de Integração Espiritual no Absoluto. Numa palavra, MISA.
É a primeira vez que se ouve, em Portugal, o testemunho de alguém que foi vítima deste guru.
Sempre ouvimos de um líder em Bucareste, que é o nosso líder, o líder da ioga. Se chama Gregorian Bivolaru.
As denúncias chegam rapidamente aos discípulos da escola de Lisboa. Por esta altura, Vera já vive no ashram. Ainda não conheceu o guru e está plenamente convencida de que tudo o que a Agnes diz é mentira.
Uma mulher oportunista que está atrás de dinheiro e de ter a sua fama às custas do Grig. É só mais uma.
Os inimigos de Bivolaru estão por todo lado, dizem na escola. Querem descredibilizar e espalhar mentiras sobre ele. Por isso, quem vive no ashram não pode ver televisão nem ler jornais. Vera, Beatriz e Lara, tal como os restantes discípulos, estão também proibidas de consultar um site. Chama-se Ex-MISA e tem como objetivo expor Gregorian Bivolaru, o movimento que ele criou e todos os que trabalham com o guru. É um blog romeno, onde é possível ler vários testemunhos e denúncias de homens e mulheres que passaram pela seita.
Enquanto nós estamos dentro, é-nos dito que todas essas pessoas do Ex-MISA, tudo oportunistas, cheios de demónios, pessoas que não valem nada, que caíram na sua escala espiritual.
Apesar de ser proibido, Vera continua a ler o site. Mas não é a única. Lara e Beatriz também o fazem. Em Miranda, em Londres, também. Foi neste mesmo blog que encontrou o vídeo da rapariga australiana com quem tinha estado em França e na Roménia. Todas escolhem infringir esta regra por um motivo simples: à medida que vão lendo, percebem que há muitas informações e alegações que vão batendo certo. Por vezes, deparam-se com relatos que mencionam chats de sexo e trabalho sexual em bares no estrangeiro, mas não acreditam que seja verdade.
Vou dizendo a outros colegas meus, a outras pessoas que lá estão. Muitos desmentem aquilo, dizem que não é bem assim, que aquilo são pessoas que saíram da escola e que querem denegrir a imagem do mestre, que há uma espécie de uma cabala contra ele para acabar com a escola, para acabar com todo o bem que ele faz à humanidade.
Só vários anos mais tarde, e já depois de abandonarem a escola, é que Vera, Beatriz e Lara vão perceber que, afinal, quem estava a mentir era o guru. Início de 2023. O telemóvel de Vera toca. Abre o WhatsApp e é uma mensagem de Beatriz com várias fotografias de uma antiga colega da escola de Lisboa. Chamavam-lhe Esmeralda. Foi esse o nome que Bivolaru escolheu para ela. No momento em que vê as imagens, tudo faz sentido. Afinal, a concorrente da Casa dos Segredos estava a dizer a verdade. Enquanto estavam na escola, Vera e Beatriz convenceram-se de que Esmeralda estava num retiro ou a fazer traduções. Mas, na verdade, ela está a ser explorada sexualmente numa casa na capital da República Checa. Vera e Beatriz já abandonaram a escola de yoga há quase 10 anos. Na altura, saíram em silêncio. Não fizeram acusações, nem sequer escreveram um testemunho para o site de denúncias Exmiza. Mas agora decidem que é finalmente hora de agir. Vera e Beatriz querem salvar Esmeralda e trazê-la de volta para Portugal. "Os segredos da seita do yoga" é uma série para ouvir em seis episódios, que faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Daniela Rua, com banda sonora original de Benjamim. Episódio seis: A máquina não para.
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Kia. Movement that inspires. 28 de novembro de 2023. Em Paris, 175 agentes da Polícia Judiciária francesa estão escondidos. Armados e em posição de ataque, esperam luz verde para avançar. Há muito que as autoridades planeiam este momento. Ouviram várias testemunhas, recolheram muitos depoimentos e levaram a cabo uma investigação minuciosa. Passou quase um ano e meio desde que a Agência Francesa de Combate aos Desvios Sectários recebeu 12 queixas contra o guru e o movimento. Há mais de duas décadas que a França tem como prioridade vigiar fenômenos de intolerância ou de extremismo. Hoje, a PJ francesa não vai deixar Gregorian Bivolaru escapar. Os agentes da polícia vão invadir oito locais em simultâneo, dois em Paris, os outros nos subúrbios. Em todos eles estão membros do movimento. O alvo principal é o próprio guru. Uma equipa armada avança. Passam poucos minutos das 6 h e entram no edifício moderno de um bairro a 11 km da Torre Eiffel. Procuram o apartamento 228. É um T2 no rés-do-chão. Arrombam a porta, entram de surpresa e seguem pelos corredores apertados. Alguns discípulos já estão a pé. São surpreendidos na cozinha a preparar chá, mas a maior parte dos ocupantes da casa ainda estão a dormir. Num dos quartos, os agentes, fortemente armados e de caras tapadas, encontram Bivolaru. Escondidos na casa estão €300 mil em dinheiro. A operação é um sucesso. São detidas 41 pessoas. Para além de Bivolaru, 11 homens e quatro mulheres são acusados de tráfico de seres humanos, sequestro e abuso de pessoa vulnerável. O guru está ainda acusado de vários crimes de violação. Os restantes são considerados cúmplices. Nestas oito propriedades, as autoridades francesas encontram ainda dezenas de mulheres. De entre as 58 discípulas resgatadas, apenas sete não têm nacionalidade romena. Estão a viver em condições difíceis de comprovada promiscuidade e sem qualquer privacidade. A polícia não tem qualquer dúvida: estas mulheres são vítimas. Ainda assim, nenhuma delas quer apresentar queixa. Dias depois da detenção de Bivolaru, todas as discípulas do movimento desaparecem do site pornográfico Rampant TV. Uma delas é Esmeralda. Dez meses antes de o guru ser preso, Beatriz e Vera já a tinham tentado resgatar. É dia 11 de janeiro de 2023. Beatriz regista-se na Rampant TV e paga €5. Precisa de ver pelos próprios olhos se a colega que conheceu na escola de yoga de Lisboa está realmente ali, naquele site. Escolhe a webcam dela e clica em join show. Esmeralda surge em grande no ecrã. Usa apenas um top branco, praticamente transparente, um fio dental cor-de-rosa e uns brincos compridos Está a dançar ao ritmo da música que se ouve em fundo. Uma canção francesa, provocante, que conta uma história de amor falhado. No chat vão surgindo vários comentários em inglês de utilizadores que elogiam a forma como dança ou a beleza dela. Esmeralda vai lendo e sorrindo. Até que, de repente, há uma mensagem em português: "Precisas de ajuda?". É Beatriz quem a envia, apesar de Esmeralda não saber. Não obtém resposta. Continua a escrever: "Se a tua sexualidade é sagrada, o teu corpo é o teu templo. Não há karma yoga que justifique que o vendas". Todos os que estão dentro do chat conseguem ver. Esmeralda fica visivelmente agitada. E Beatriz insiste. Escreve uma nova mensagem em que a trata pelo nome verdadeiro e lhe diz que aquilo que ela está a fazer não é evolução espiritual.
Escrevi em português porque percebi que era alguém de Portugal que a reconheceu. Tentei dizer: "Isto não é evolução espiritual, estás a ser enganada, olha onde tu chegaste". Tentei ter esta abordagem, mas tentei mesmo mostrar claro que eu não estava a brincar, que eu não era. E não era. Alguém que a conhecia, que sabe exatamente quem é e sabe que ela não é aquela pessoa.
Esmeralda bloqueia Beatriz, expulsa-a do chat de sexo e corta a comunicação por ali.
Não é de todo a melhor abordagem. Uma pessoa que chegou a este nível, a melhor abordagem não é dizer: "Epá, larga isso". Portanto, foi a pior abordagem que eu tive, mas na altura foi o que eu me lembrei de fazer. Era a única forma que eu tinha de me comunicar com aquela pessoa naquele momento.
António Madaleno, especialista em seitas, concorda. Beatriz cometeu um grande erro.
Nunca se deve atacar o líder ou o grupo. Ou seja, a pessoa deve usar de empatia para com a pessoa, tentar perceber por que a pessoa está envolvida com aquele grupo, ganhar confiança com a pessoa sem atacar e depois gradualmente, se possível, então começar a tentar trazer lhe informação, mas de uma forma como se tivesse curiosidade em relação ao grupo. E ao mesmo tempo ir introduzindo informação que pode ajudar a pessoa a despertar em relação àquilo que o líder lhe ensina.
Esmeralda continua no site de sexo e agora Beatriz não pode voltar a entrar. O perfil dela foi bloqueado. Mas o episódio tem consequências. As imagens de Esmeralda e de outras discípulas portuguesas que também estão na Rampant TV começam a circular entre um pequeno grupo de ex-alunos da escola de yoga de Lisboa. Lara, Luís e Nuno juntam-se a Vera e a Beatriz. Encontram-se todos pela primeira vez desde que abandonaram o movimento.
Começamo-nos a reunir e a combinar para nos encontrarmos e começamos a perceber a dimensão da coisa.
Decidem voltar a tentar tirar Esmeralda da Rampant TV. Criam novos perfis, enviam mais mensagens em português, mas o resultado é sempre o mesmo. Ela nem sequer lhes responde, limita-se a expulsá-los do chat. Vera tenta outra abordagem. Conhece Esmeralda desde que ela se mudou para o ashram de Lisboa, um mês antes de fazer 18 anos. Por isso, resolve tomar medidas drásticas. Entra em contacto com a mãe dela. Escreve-lhe um e-mail. Não dá detalhes sobre o que a filha faz, nem envia fotografias. Diz-lhe apenas que ela precisa de ajuda. Mas também nunca há de ter resposta. Meses depois, e apenas porque Grigorian Bivolaru é preso, Esmeralda desaparece da Rampant TV. Mas não abandona o movimento. Atualmente, continua na escola de Lisboa. Num vídeo publicado em maio de 2025, num canal romeno dedicado à prática do yoga, é entrevistada com o nome verdadeiro.
"So how did you find the school?" "So I found the school, I was 18. At the time I was with my boyfriend and he was searching for tantra and for some knowledge about these parts of our life."
Surge como instrutora de tantra yoga, coordenadora de grupo de Shakti e psicóloga. Diz que esta escola a transportou para um mundo melhor e que não consegue imaginar a vida sem ela.
I cannot imagine my life now without having known this school. Really, I'm super grateful.
Grigorian Bivolaru está em prisão preventiva desde que foi novamente detido em Paris, em novembro de 2023. As autoridades não querem correr riscos. O guru já fugiu demasiadas vezes A detenção é um escândalo tão grande que faz manchete em vários países. Por isso, o movimento emite um comunicado. O documento relembra a operação de 2004 na Roménia e garante: o guru está novamente a ser alvo de perseguição. Pode ler-se no comunicado: "As acusações absurdas divulgadas pela imprensa francesa e reproduzidas pela imprensa romena são semelhantes às que foram feitas em 2004". Em causa estão crimes muito graves: violação, sequestro, rapto e tráfico de seres humanos. Mas o movimento de Bivolaru diz que estes são temas com audiência garantida e que é por isso que as autoridades os mencionam sempre. E diz também que a acusação de que o guru exerceria algum tipo de controle mental sobre os discípulos é cómico-ridícula.
"Consideramos necessário recordar que Gregorian Bivolaru tem sido alvo de campanhas mediáticas destinadas a desacreditá-lo e difamá-lo desde a década de 1990. Aqueles que o conhecem podem testemunhar que Gregorian Bivolaru sempre foi um modelo de verticalidade e nunca se desviou dos seus princípios espirituais".
Ao mesmo tempo, várias escolas sentem a necessidade de marcar de Bivolaru. Garantem que ele é apenas mais um professor associado à Federação Atman e não líder de um movimento espiritual. A escola Natha de Lisboa é uma delas. No site oficial é publicado um comunicado a explicar que o alvo das autoridades foi uma escola de yoga em França, que nada tem a ver com a escola de Lisboa. Alegam que são entidades independentes. Lê-se também que o professor de yoga Gregorian Bivolaru é apenas um dos 23 fundadores da Escola Esotérica de Yoga Integral Miza, na Roménia.
"O senhor Bivolaru não mantém qualquer contacto com a Natha e não a dirige. É importante mencionar que a Natha não é responsável pela vida privada dos seus alunos, voluntários e professores. Ser membro da Natha é um compromisso completamente voluntário, que pode ser cancelado a qualquer momento".
Mas há três pontos que põem em causa esta tentativa de afastamento da escola em relação ao guru. Primeiro ponto: em 2017, depois de Bivolaru ter sido detido pela primeira vez em Paris, a Natha de Lisboa associou-se a outras 11 escolas de yoga da Federação Atman. Cada uma escreveu uma carta a apelar à libertação do guru, condenado então a seis anos de prisão por manter relações sexuais com uma menor. Todas garantiam: Bivolaru era uma pessoa extraordinária, que não representava qualquer perigo para a sociedade romena ou qualquer outra sociedade. Na carta que enviou para Bucareste, a escola de Lisboa deixou clara a relação de dependência que mantinha com Bivolaru.
"Os ensinamentos da escola são maioritariamente baseados nos seus cursos, ensinamentos, palestras e orientações. Desde o início da nossa organização, foram realizados em estreita colaboração com o senhor Bivolaru, que regularmente nos enviava os cursos semanais, tal como os ensinávamos em Portugal. Desde a sua detenção, esta colaboração foi interrompida com grande prejuízo para os nossos ensinamentos e para a nossa escola".
Em 2017, estas cartas ajudaram a fazer com que Gregorian Bivolaru saísse da prisão em liberdade condicional. Foi o próprio juiz que o disse na decisão que foi tornada pública. Segundo ponto: ainda hoje, no site da Natha, o guru é o único professor destacado. Na área em que a escola de Lisboa é apresentada, há um texto com o título "Sobre Gregorian Bivolaru", onde aparece uma foto antiga dele a meditar em posição de lótus.
"Um verdadeiro mestre espiritual vivo".
É assim que a Natha de Lisboa o identifica. É descrito como uma espécie de ser iluminado.
"Desde a infância, a vida de Gregorian Bivolaru foi marcada pelo excecional e pelo misterioso e, desde muito jovem, recebeu o chamamento da consciência cósmica".
A escola não deixa dúvidas sobre a influência dele.
"Centenas de milhares de pessoas descobriram a espiritualidade e enriqueceram as suas vidas seguindo os seus ensinamentos e conselhos. Transformou profunda e radicalmente as suas vidas de uma forma positiva".
Terceiro ponto: os antigos alunos garantem que Bivolaru nunca foi só mais um professor, nem antes, nem depois das prisões.
Mentira. Em todas as salas de yoga havia uma foto do Grig. Em todas as salas de yoga havia um pequeno altar com uma foto do Grig, portanto, não venham com tretas que ele era apenas um professor. Isso é mentira do princípio ao fim. Ele não deixa de ser o líder espiritual, mas como eles não querem ficar manchados e que as pessoas também se vão embora por causa disso, tentam fazer martiminha para levar a crer que ele não tem voto na escola portuguesa, mas não é assim. Internamente, depois fazem programas espirituais para o apoiar e têm mesmo a foto dele nas aulas.
Contactada pelo Observador em novembro de 2025, a direção da Natha diz que não tem qualquer ligação a Gregorian Bivolaru. Assegura que não trabalha em colaboração com ele, mas admite que alguns dos cursos que leciona são da autoria do romeno. Garante que repudia de forma inequívoca qualquer forma de violência, exploração ou abuso, ou qualquer tipo de atividades criminosas, e que não compactua com atividades ou comportamentos que possam configurar crimes dessa ou de outra natureza. Por outro lado, defende que qualquer suspeita ou acusação deve ser devidamente apurada pelas autoridades competentes, no respeito pelo princípio da justiça e do Estado de Direito. Gregorian Bivolaru não é o único alvo das autoridades. 26 de agosto de 2024, nove meses depois da operação que levou à detenção do guru em Paris. Advaita e Adina Stoian, o casal que funciona como braço direito de Bivolaru, estão mais uma vez em viagem. Na agenda, os professores têm sempre algum workshop, retiro ou formação. O destino é a Geórgia. Mas quando tentam entrar no país, Advaita e Adina são detidos. Há um mandado de detenção internacional em nome deles. Um porta-voz do grupo de estudo para o fenômeno sectário em França há de explicar que vários testemunhos indicam que o casal está envolvido no envio de discípulas da Dinamarca para Paris para encontros com o guru. Em declarações à imprensa, a escola de Copenhaga diz que a prisão do casal é injusta e aconteceu com base em graves acusações que colocam em risco a liberdade e até mesmo a vida deles. Ao mesmo tempo, a Natha dinamarquesa também garante que os Stoian não têm qualquer cargo de responsabilidade na escola. São apenas ex-professores contratados a tempo parcial. No dia 15 de maio de 2025, Advaita e Adina Stoian são extraditados para França. É lá que aguardam o início do julgamento. Para além deles, seis dos outros 15 investigados pela Justiça francesa também continuam presos preventivamente.
A escola é um polvo com muitos tentáculos. Se se corta um, os outros continuam. Agora, se começamos a ver os tentáculos maiores a serem apanhados também, então começamos a ter esperança que isto, de facto, seja exposto e seja terminado.
Gregorian Bivolaru nunca foi oficialmente investigado em Portugal, mas a Polícia Judiciária colaborou com as autoridades finlandesas depois do pedido de captura internacional. Desde a detenção de Bivolaru em Paris, o Ministério Público da Finlândia tentou obter por quatro vezes a extradição dele para aquele país, mas sem sucesso. Em junho de 2025, retirou as acusações contra o guru e decidiu transferir o processo para França. Se chegar a ser julgado e condenado pelos crimes dos quais é suspeito, Gregorian Bivolaru arrisca um total de 30 anos de prisão. Mas Lara acha que, mesmo assim, isso pode não ser suficiente para travar o movimento fundado pelo guru.
Por isso, nada para. A máquina não para por ele não estar lá. Tanto que a escola não parou sem ele, sem a Adina e sem o Advaita. Não sei, aquilo é uma máquina de fazer dinheiro, acho eu. E acaba por ser impossível que eles queiram parar, até porque há muita gente que dedica a sua vida àquela escola.
Estou sim, bom dia.
Estou, muito bom dia. Eu estou a ligar para o Templo Tântrico?
Sim, bom dia.
Bom dia. Olhe, eu estou a ligar porque eu encontrei o vosso site online e vi que fazem massagens tântricas. Estava interessado em, para já, obter mais informações sobre o que isto é, como é que funciona. Esta chamada acontece em setembro de 2025, quase dois anos depois da detenção do guru em Paris. Em Lisboa, tudo está a funcionar como sempre. O templo tântrico, onde vários discípulos dão massagens eróticas, continua a receber clientes.
Temos três tipos. Temos experiência de duas horas, duas horas e meia, três horas, sendo que a massagem tântrica, neste caso, é de uma hora e meia, duas horas, duas horas e meia, e depois há momentos de experiência, também de partida do momento, e uma fase inicial onde explicamos o que é o tantra e a massagem tântrica. Neste caso, não há qualquer tipo de envolvimento sexual com a terapeuta, não é feita massagem ao lingam, neste caso ao pênis. Estava a dizer até que isso é escrito. Não há massagem direta. Aqui o objetivo é mesmo explorarmos todo o corpo e perceber como é que o erotismo pode ser desenvolvido
Estava a ver aqui também pelo site. Nós, nesta massagem, estamos completamente nus ou temos uma toalha como nas outras massagens, por exemplo?
Damos sempre essa opção. Pode estar nu ou pode estar com desbox, seja sempre o que se sentir mais confortável.
Ok, certo. E onde é que é, na verdade? Eu não percebi muito bem.
É na zona de Lisboa, em Picoas.
Ok. Mas tem a morada aqui no site? Eu não estava a ver aqui.
Nós enviamos sempre a morada no momento depois da marcação.
A escola está a funcionar normalmente, mas noutra localização, junto à Quinta das Conchas, no Lumiar. Em setembro de 2025, abrirão novas turmas de yoga e de tantra. Os eventos para os antigos e novos discípulos continuam a acontecer. Todas as terças e quintas, ao fim do dia, há uma prática espiritual conjunta gratuita na escola de Lisboa. E durante um fim de semana de novembro de 2025, o Ashram de Alenquer recebeu o habitual retiro de outono da Natha. A inscrição custava entre 75 e 140 euros. Em Lisboa, também se realizam ainda vários eventos da Art Extasia. Esta academia de artes eróticas é o braço artístico do movimento criado por Gregorian Bivolaru. Miranda, que esteve na escola de Londres, fez parte da Art Extasia inglesa e foi lá que conheceu e chegou a namorar com alguns discípulos portugueses. A Art Extasia é coordenada por Ágora Vídya, uma artista e realizadora argentina. Miranda explica que Vídya é considerada uma espécie de número dois do movimento, algures entre Bivolaru e o casal Advaita e Adina Stoian.
Eles acham que ela tem uma visão artística única no mundo. Acreditam que a missão deles é salvar as almas das pessoas através da arte. Dizem que nem toda a gente quer praticar yoga ou meditação, mas toda a gente gosta de ver filmes. Portanto, se conseguirem tocar o coração e a alma das pessoas através dos filmes, vão ajudá-las a aproximarem-se de Deus. Acham que ela é divinamente inspirada e que tem uma missão divina, mas no final, todas as decisões vêm, ou pelo menos enquanto lá estive, vinham do Bivolaru.
A Art Extasia dedica-se, sobretudo, à realização de filmes eróticos e pornográficos. Obras que, segundo o movimento, serão um meio para atingir uma revolução erótica capaz de pôr o mundo inteiro a fazer amor, em vez de sexo. Mas esta academia é também uma forma fácil de recrutar novos discípulos, diz Miranda. E esse recrutamento é feito maioritariamente através de festivais, que também acontecem em Portugal.
Eles tinham o festival Art Extasia em Portugal e na altura também uma espécie de sex expo no Porto, onde faziam espetáculos ao vivo. A ideia era conseguirem, através dessas duas coisas, trazer pessoas para a escola.
Os discípulos da Art Extasia vivem em ashrams próprios e só se cruzam com os restantes alunos em eventos específicos, como workshops. Mas as regras são iguais para todos, quer estejam na Art Extasia, quer estejam na escola de yoga e tantra. As mulheres têm de ser femininas, o poliamor é quase obrigatório e a nudez é incentivada. Miranda passou seis meses na academia de Londres.
Estive em palco de sutiã e com uma saia transparente que deixava ver as cuecas e isso já estava fora da minha zona de conforto. É como se sempre que fazes alguma coisa que pressiona um pouquinho mais os teus limites, a tua zona de conforto se fosse alargando de forma gradual.
Foi num dos festivais organizados pela Art Extasia em Portugal que Miranda conheceu um português, ator em vários filmes de Ágora Vídya, que é também o coordenador dos eventos que acontecem em Lisboa.
Olá, bem-vinda. É a primeira vez?
É uma noite de setembro de 2025. Várias pessoas entram no rés-do-chão de um edifício na zona de Sete Rios, em Lisboa. Deixam os sapatos, as malas e os casacos à entrada. Algumas nunca ali estiveram antes, mas são recebidas como todos os outros que já são alunos da Art Extasia há vários anos. Com sorrisos, abraços demorados e chávenas de chá. Há no ar um forte cheiro a incenso e música oriental a tocar. As mulheres estão maquiadas, usam vários acessórios e vestidos justos e compridos, maioritariamente em tons de vermelho. Trazem os cabelos longos e volumosos, soltos ou penteados em tranças. Estão sempre a sorrir. Chega um homem. É alto, tem cabelo comprido, meio grisalho, e está a usar uma camisa escura com metade dos botões abertos. É o ator que Miranda conheceu em Portugal. Apresenta-se, distribui abraços a todos e anuncia: "Podemos descer". A palestra gratuita Arte Tântrica de Viver vai decorrer numa espécie de cave alcatifada e sem janelas. O espaço é iluminado por luzes vermelhas que, entretanto, diminuem de intensidade. No chão, há almofadas dispostas em círculo. Homens e mulheres devem sentar-se de forma alternada por uma questão de polaridade, explica o anfitrião e terapeuta tântrico. Vai começar a meditação guiada. Com o grupo de olhos fechados e sentado no chão de pernas cruzadas, dá indicações sobre respiração. A música sobe de tom, torna-se quase épica. A palestra começa logo a seguir. Fala-se do tantra, o que é e para que serve. E fala-se também sobre o caminho mais eficaz e mais rápido para alcançar aquilo a que o terapeuta e ator chama o topo da montanha espiritual. Deve ser feito com a ajuda de um professor ou de um guia, e deve ser feito através do amor. Fala de forma intensa. Olha cada um dos presentes nos olhos enquanto repete: "Fazer amor é a melhor forma de evolução espiritual". Só uma pessoa não está sentada no chão. Uma mulher de 20 e poucos anos. É a primeira vez que está num evento da Arte Extasia e como não estava confortável nas almofadas, trouxeram-lhe uma cadeira. A palestra continua a decorrer enquanto uma aluna se aproxima dela. Senta-se no chão e começa a acariciar-lhe os pés. Diz-lhe que estão frios, por isso aquece-os com as próprias mãos. Pouco tempo depois, beija-os. A mulher não parece incomodar-se, nem mesmo quando a aluna lhe toca nas pernas. Primeiro, pousa-lhe a mão direita num dos joelhos. Depois, vai deslizando lentamente até à zona da virilha. Está de joelhos, de olhos fechados. Coloca a mão esquerda no peito da mulher por cima do coração. Ela não reage. Continua apenas a olhar em frente. Hão de permanecer assim durante as quase três horas de palestra. Antes de terminar e depois de uma meditação final, o terapeuta tântrico lança um desafio. Todos os participantes têm de dar três abraços antes de irem embora e devem fazê-lo de uma forma específica. O abraço deve ser dado levantando o braço esquerdo, de forma a que as duas pessoas unam coração com coração. Esta, anuncia, é a primeira iniciação dos novos participantes. Em Portugal, a Arte Extasia parece estar mais ativa do que nunca. Organiza atividades de fim de semana, palestras sobre relacionamentos conscientes e cursos de introdução ao tantra. Em outubro de 2025, anunciou aos alunos o lançamento de um novo site. É um serviço de streaming para maiores de 18 anos. No catálogo, tem vários filmes eróticos e pornográficos. No site, registado em Budapeste, não há qualquer referência à Arte Extasia, à Agora Vidia, nem ao movimento de Bivolaru. Mas os atores dos filmes são membros da Arte Extasia e muitos deles são portugueses. O movimento de Bivolaru organiza-se da mesma forma em todo o mundo. Onde há uma escola de ioga, há um templo tântrico e há também uma academia de arte. Diz Miranda Grace que a Arte Extasia é o mais exclusivo ramo desta árvore.
Diziam-nos que as pessoas que chegavam atraídas pela Arte Extasia era porque tinham sensibilidade artística e conseguiam sentir coisas espirituais quando se ligavam à arte. Então, de certa forma, faziam-nos sentir como uma espécie de elite dentro da seita.
Vera, Beatriz e Lara. Estas portuguesas passaram vários e longos anos no movimento de Bivolaru. Cortaram ligações com a família e amigos, habituaram-se a seguir regras e a perderem o espírito crítico. Tornaram-se financeiramente dependentes e dedicaram-se por inteiro à escola de Lisboa, numa luta constante pela perfeição e pela evolução espiritual. Para todas, foi difícil abandonar a escola.
É muito mais confortável ficar. Cá fora é muito pior. Readaptar-me a estar cá fora foi muito difícil. As pessoas já não querem ter contato conosco. Até podiam ser nossas amigas, mas há sempre aquela ideia de que a pessoa falha um teste espiritual e como eles próprios não querem ser arrastados por quem falha os testes espirituais, preferem cortar relações para não ter de lidar com as influências demoníacas que a outra pessoa tem, qualquer coisa assim. O maior trauma que eu trago da Nata, para além de não ter corrido bem, é a nossa mente quando somos vítimas, nós tentamos justificar. A culpa foi minha, fui eu que fiz errado, eu fui porque quis, foi uma grande graça que eu tive e eu nem sequer dei valor
O primeiro é admitir que cometei muitos erros. É um engolir do orgulho horrível. Eu olho para algumas pessoas que estão lá, que até acho que são pessoas minimamente racionais e que não concordam com muita coisa, mas que vejo que as pessoas acabam por ficar porque não sabem por onde sair. Tipo: "Saio e vou fazer o quê? O que é que me vai acontecer?".
Sair de uma seita nunca é fácil e muito menos rápido. A fase de choque emocional e questionamento pode ser longa, diz o especialista António Madaleno.
Só que às vezes o sair não é logo. Às vezes leva tempo. Porque normalmente quando nós estamos dentro destes grupos muito fechados e são muito herméticos, em que constrange o teu relacionamento social todo, porque abandonaste os outros, os que tinhas antes. Então todos aqueles que estão lá dentro são os teus amigos. Se calhar até casaste com pessoas dentro do grupo, formaste uma família dentro do grupo. Toda a tua vivência está ali e gira em torno daquilo. Portanto, a pessoa quando quer sair e está numa situação destas, depois não é fácil de abandonar, porque a pessoa vai perder muita coisa.
Dária abandonou o movimento de Bivolaru no início dos anos 2000. Tinha apenas 18 anos. Tinha entrado na seita há pouco mais de três.
Me levou meses pensando: será? Será assim, será assado. Já fiz 15 anos sem cuecas na casa do Grig, praticamente passei dos 14 pros 15. E também me levou muito tempo pra fazer a transição na minha cabeça e me apercebi: não, isso não é divino, isso não é correto.
Dária sabe que no início, é quase impossível ter distanciamento pra ver com clareza e ter coragem para romper com este ciclo de abusos. E é por isso mesmo que quer falar diretamente para as mulheres que continuam no movimento de Bivolaru. Sabe que o mais provável é que não a oiçam. Quem vive no ashram não pode ler notícias. E sabe também que mesmo que a informação passe, vão dizer que ela está a mentir, que é uma oportunista, que tem demônios. Mas mesmo assim, quer tentar.
Ninguém tem direito a explotar-vos em nome da divindade ou pedir-vos despir-se. Vocês têm que pensar um bocado que há contradição aqui. O meu conselho pra vocês, não me levem a mal, mas há luz no fim do túnel e a vida pode ser linda, vocês podem ter sucesso, vocês podem reganhar a vossa dignidade, vocês podem ter uma família, um futuro. Não é tudo perdido. Vocês são mais importantes, podem ser espirituais e podem ter acesso a Deus sem guru, sem intermediários, sem ninguém. Pensem, mas pensam vocês. Esse é meu apelo pra vocês, que esse podcast é pra vocês.
Se ouviu esta história e está a passar ou conhece alguém que esteja a passar por uma situação semelhante, pode ligar pra APAV, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, através do número de telefone 116 006. O Observador contactou a Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, a Federação Atman, à qual pertencem as escolas de yoga espalhadas pelo mundo, e ainda Gregorian Bivolaru, através dos representantes legais. Foram confrontados com várias questões relacionadas com as alegações feitas ao longo deste podcast. O Observador contactou Gregorian Bivolaru através dos representantes legais. Não responderam. O Observador contactou a Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra. A direção não aceitou ser entrevistada, mas respondeu por e-mail a várias perguntas. Seguem-se as perguntas e respostas relevantes para este episódio. O Observador pergunta: o site da Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, no separador "Quem Somos", faz referência a Gregorian Bivolaru como um verdadeiro mestre espiritual vivo. Qual é a ligação de Gregorian Bivolaru à Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra? A Natha responde: como pode ser verificado nos respetivos estatutos suprarreferidos, a Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, não tem qualquer ligação a Gregorian Bivolaru, sendo que o mesmo não desempenha nem nunca desempenhou qualquer função na Natha. Não é, nem nunca foi sócio ou membro dos respetivos órgãos sociais. Podemos dizer é que, como autoridade publicamente reconhecida na área, com vários livros publicados, nos seus cursos, a Natha segue alguns dos seus ensinamentos, pelo que no nosso site apresentamos Gregorian Bivolaru como o coautor do curso de Yoga Integral Esotérico, do curso de Tantra Yoga Esotérico, oferecido pela Federação de Yoga e Meditação Atman, da qual a Natha é escola membro afiliada, e autor de muitos livros e publicações espirituais. Sendo que o curso de Yoga Integral Esotérico e o curso de Tantra Yoga Esotérico são apenas dois dos variados cursos que disponibilizamos na Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra. O Observador pergunta: e qual é a posição da Natha, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, face à detenção de Gregorian Bivolaru por suspeitas da alegada prática de crimes de violação, tráfico de seres humanos, sequestro e abuso de fraqueza? A Nata responde: a Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, repudia de forma inequívoca qualquer forma de violência, exploração ou abuso, ou qualquer tipo de atividades criminosas. Não compactua com atividades ou comportamentos que possam configurar crimes dessa ou de outra natureza. A Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, pauta-se pelos valores éticos do yoga, do respeito pelo ser humano e da integridade individual. Defende que qualquer suspeita ou acusação deve ser devidamente apurada pelas autoridades competentes, no respeito pelo princípio da justiça e do Estado de Direito. O Observador pergunta: a Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, deixou de lecionar aulas escritas por Gregorian Bivolaru? A Nata responde: a resposta a esta questão está clara no nosso site, aberto a todos os que quiserem ler. Gregorian Bivolaru é o autor do curso de Yoga Integral Esotérico, coautor do curso de Tantra Yoga Esotérico, oferecido pela Federação de Yoga e Meditação Atman, da qual a Nata é escola membro afiliada e autor de muitos livros e publicações espirituais. O Observador pergunta: por que motivo se mantém a referência a Gregorian Bivolaru como mestre espiritual vivo no site da Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra? A Nata responde: no contexto do yoga, o termo mestre espiritual designa alguém que, através da sua experiência e prática, inspira e orienta outros no caminho de autoconhecimento e do desenvolvimento interior. A referência a mestres espirituais vivos reflete uma tradição milenar presente em várias escolas de sabedoria presentes em todo o mundo, que reconhecem a importância de pessoas experientes que transmitam conhecimento de forma direta e viva. A nossa menção mestre espiritual vivo deve ser entendida nesse enquadramento filosófico e espiritual, e não como uma validação pessoal de comportamentos ou acontecimentos externos à prática e aos ensinamentos do yoga. O Observador pergunta: e qual é a ligação da Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, ao MISA? A Nata responde: a Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, é uma associação com personalidade jurídica própria, com órgãos sociais próprios, que se dedica ao ensino do yoga e do tantra em Portugal, enquanto o MISA, Movement for Spiritual Integration into the Absolute, é uma organização estrangeira que promove atividades também de caráter espiritual a nível internacional, não existindo qualquer relação jurídica, administrativa, orgânica ou outra. Temos conhecimento que, a título individual, no exercício da sua liberdade pessoal e espiritual, alguns alunos e professores sócios da Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, participam em eventos internacionais organizados por essa e outras entidades. O Observador pergunta: as escolas têm uma gestão comum? Que funções desempenham ou desempenharam Mihai e Adina Stoian, professores no Nata Yoga Center na Dinamarca, na Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra? A Nata responde: embora já respondida na anterior questão, voltamos a frisar que obviamente não há qualquer gestão comum com outras escolas, já que a Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, é uma associação com personalidade jurídica própria e naturalmente com órgãos próprios que fazem a sua própria gestão. Não temos qualquer conhecimento das funções que Mihai e Adina Stoian desempenham ou desempenharam na Nata Yoga Center. Os mesmos não desempenharam quaisquer funções na Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra. O Observador pergunta: professoras e alunas da escola viveram durante meses numa casa nos arredores de Praga, capital da República Checa. A partir dessa casa, que é propriedade da Federação Atman, estas mulheres desempenharam alegadamente trabalho sexual em chats de vídeo, em pelo menos um site chamado Rampant TV. A Nata responde: a Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, desconhece por completo alegado trabalho sexual em chats de vídeo. O Observador pergunta: estas mulheres foram enviadas para Praga pela Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, ou com o apoio da Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra? A Nata responde: a Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, não organizou, promoveu, apoiou ou financiou qualquer deslocação de professores ou alunas para Praga, nem teve qualquer participação direta ou indireta em atividades fora do âmbito das suas funções enquanto associação. A Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, desenvolve exclusivamente atividades relacionadas com o ensino e a prática do yoga e do tantra em Portugal. O Observador pergunta: a Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, tem conhecimento, sanciona e incentiva esse tipo de alegado trabalho sexual por parte das suas professoras e alunas? A Nata responde: não. A Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, não tem qualquer conhecimento, não sanciona, nem incentiva a tal. O Observador pergunta: este tipo de alegado trabalho sexual está de acordo com os ensinamentos lecionados nas aulas de tantra da Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra? A Nata responde: no âmbito da sua tradição espiritual, a Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, aborda o tema de erotismo sagrado como uma dimensão filosófica e espiritual do ser humano, entendendo-o como uma expressão consciente, respeitosa e transformadora da energia vital, sem quaisquer incentivos ou ligações a atividades de caráter comercial ou sexual. O Observador pergunta: em agosto de 2017, a direção da Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, enviou uma carta a pedir a libertação de Gregorian Bivolaru, que estava detido na Romênia. Por quê? A Nata responde: a atual direção desconhece a concreta carta a que se referem na vossa questão, sendo certo que a Nata, Escola Espiritual de Yoga e Tantra, pauta-se pelos princípios do respeito dos direitos humanos e pela confiança na Justiça, e assume-o publicamente através de cartas ou outros meios. Os atuais órgãos sociais não comentam concretos processos judiciais, nem situações individuais, mas obviamente defendem o direito universal de todas as pessoas a um tratamento justo, digno e conforme os valores da justiça e do Estado de Direito. O Observador pergunta: nessa carta, a Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra alegava que a escola estava a sofrer grandes danos desde a prisão de Grégorian Bivolaru. E avança também que a maior parte das aulas lecionadas na Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra, não só tinham sido escritas por ele, como eram dadas em estreita colaboração com ele. Em que essa colaboração consistia? A Natha responde: os atuais órgãos da Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra desconhecem a concreta carta a que se referem. Somos uma associação sem fins lucrativos, totalmente independente, que não trabalha em colaboração com Grégorian Bivolaru, antes alguns dos cursos que lecionamos se inspiram nos seus ensinamentos. O Observador pergunta: em 2023, quando Grégorian Bivolaru foi novamente detido, mas em Paris, a Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra emitiu um comunicado público a distanciar-se de Grégorian Bivolaru. Nesse texto, pode ler-se que Grégorian Bivolaru é só um professor de yoga, sem ligação à Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra, e também que a escola funciona de forma completamente independente, em todos os aspectos, do MISA e das outras escolas associadas à Federação Atman. Mantém essa posição? A Natha responde: sim, conforme exposto antes, a Natha Escola Espiritual de Yoga é uma associação independente da MISA e de outras escolas ou organizações afiliadas à Federação Atman. O Observador pergunta: qual é a ligação da Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra ao Templo Tântrico de Lisboa? A Natha responde: a Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra não tem ligação com o Templo Tântrico de Lisboa. A Natha é uma associação sem fins lucrativos, completamente independente, sem prejuízo de eventualmente haver membros comuns. O Observador pergunta: e qual é a ligação da Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra à Academia de Artes Arte Extasia? A Natha responde: a Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra não tem qualquer ligação com a Arte Extasia. A Natha é uma associação sem fins lucrativos, completamente independente, sem prejuízo de eventualmente haver membros comuns. O Observador pergunta: quantos ashrams tem atualmente a Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra na região de Lisboa? Quantas pessoas estão atualmente a viver nesses locais em comunidade? A Natha responde: a Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra não possui nenhum ashram. O Observador pergunta: para além do ashram de Alenquer, a Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra tem mais alguma propriedade e/ou representação fora de Lisboa? A Natha responde: a Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra desenvolve a sua atividade em Lisboa, onde estão concentrados os cursos e eventos regulares. O foco da Natha Escola Espiritual de Yoga e Tantra é a transmissão dos ensinamentos do yoga através de cursos, retiros e eventos que decorrem em diferentes locais, conforme as necessidades logísticas e pedagógicas, não sendo a posse de propriedade o objetivo central da sua atividade. A Federação Atman, à qual pertencem as escolas de yoga do movimento criado por Grégorian Bivolaru, não respondeu diretamente às questões enviadas pelo Observador, mas enviou um comunicado. Nesse texto, a Federação Atman garante não ter recebido, até ao momento e por parte da justiça francesa, qualquer comunicação oficial por possível envolvimento no caso. Refuta todas as acusações levantadas contra membros afiliados, professores e alunos. Recorda que a investigação ainda está em curso e que não há qualquer acusação, muito menos uma condenação. E acusa as autoridades francesas e os meios de comunicação internacionais de perseguição religiosa e de uma campanha midiática que, ao longo de anos, vem projetando a imagem da escola como um culto sexual culpado de lavagem cerebral e abuso sexual. Lê-se no comunicado: o que aconteceu em França é a continuação de uma longa série de ataques contra membros afiliados da Federação Atman e o professor de yoga Grégorian Bivolaru, por forças que consideram intolerável qualquer combinação de erotismo e espiritualidade. No mesmo texto, a federação garante ainda que não é responsável pela vida privada dos funcionários, alunos e professores das escolas afiliadas. Diz que as escolas são independentes e assumem total responsabilidade pelas respectivas decisões e atividades. Acrescenta ainda que condena categoricamente todos os tipos de abuso, incluindo o uso abusivo da força policial e detenções injustas. E por fim, assegura que ensinamentos de comportamento sexualizado nunca foram nem serão tolerados na Federação Atman. "Os Segredos da Seita do Yoga" é uma série para ouvir em seis episódios e faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Daniela Ruah, e tem banda sonora original de Benjamim. O guião e as entrevistas são de Mariana Marques Tiago e Tânia Pereirinha. A sonoplastia e desenho de som são de Pedro Oliveira. O design gráfico é Diana Moreira. A edição é de João Santos Duarte e Tânia Pereirinha. A coordenação é de Miguel Pinheiro, Filomena Martins, Pedro Jorge Castro, Ricardo Conceição e Sara Antunes de Oliveira. Se tem alguma informação para partilhar sobre este podcast, ou se conhece alguma história que acha que deve ser investigada, pode escrever-nos para podcastplus@observador.pt. Podcast Plus do Observador. É mais do que um podcast. Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Kia.
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