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E começam agora as outras histórias do desporto e quem melhor para nos contar as novidades do que a jornalista da editoria de desporto do Observador, Mariana Fernandes. Olá, bom dia.

Olá, bom dia.

Há quanto tempo não nos cruzamos em antena.

É verdade, sim, senhora. Depois de uma passagem pelo Europeu, estou de volta.

Uma breve passagem, felizmente.

Exatamente.

O Euro 2020 continua hoje com a primeira meia-final, um Itália-Espanha que tem um século de história.

Sim, é verdade. E era difícil arranjar um jogo europeu mais clássico do que um Itália-Espanha, portanto, um confronto que é conhecido como a Guerra dos 101 Anos, porque a primeira vez que se confrontaram foi já em 1920, nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, e porque praticamente todas as partidas desde aí ficaram marcadas por expulsões, por confrontos entre os jogadores das duas equipas e por muita hostilidade. Só para termos uma ideia, logo nesse primeiro jogo de 1920, que Espanha ganhou por 2 x 0, o guarda-rede espanhol Ricardo Zamora deu um murro a Badini, jogador italiano, por estar farto das entradas duras dos italianos. Portanto, ele retaliou exatamente da mesma forma e decidiu dar um murro a um jogador adversário. De lá para cá, cruzaram-se praticamente todo o lado, entre Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo, Campeonatos da Europa, Taças das Confederações e encontros particulares, sempre com muitas quesilhas à mistura.

Pois, é para imaginar. Deve haver muitas histórias desse gênero, não?

Sim, existem histórias destas em praticamente todos os jogos, apenas oito anos depois daquele encontro inaugural, em 1928, e agora nos Jogos Olímpicos de Amsterdã, os italianos venceram os espanhóis por 7 x 1, naquela que é ainda a derrota mais pesada sofrida por Espanha em toda a sua história. Em 1936, no Campeonato do Mundo, organizado precisamente em Itália, e num jogo que ficou conhecido pela Batalha de Florença, devido à violência extrema que se viveu dentro de campo, sete jogadores espanhóis acabaram por ficar lesionados, enquanto que os italianos perderam quatro titulares para entradas muito duras. E daí chegamos, em 1994, às quartas de final do Mundial dos Estados Unidos, quando Mauro Tassotti deu uma cotovelada a Luis Enrique nos últimos minutos. O espanhol sangrou muito do nariz, mas o árbitro da partida nada assinalou, nem sequer falta, e Espanha acabou mesmo por ser eliminada. Ora quis o destino que Luis Enrique seja atualmente o selecionador espanhol na hora do novo confronto com a Itália.

E o selecionador espanhol já recordou essa cotovelada, Mariana?

Claro, foi questionado sobre isso mesmo na antecâmara do jogo de hoje à noite. Disse que já passaram muitos anos, que falou várias vezes com Tassotti nos 27 anos que entretanto também já decorreram, e que encontrou sempre uma pessoa boa e honesta e até brincou. Disse que o nariz ficou até bem melhor do que era originalmente. O certo é que Itália e Espanha têm hoje 90 minutos ou 120, vamos ver, para disputar uma vaga para a final do Euro 2020. Resta só saber se será mais um capítulo desta guerra dos 101 anos.

E de Wembley, onde será disputada esta meia final, passamos para os Estados Unidos.

Sim, para os Estados Unidos e para uma festa de 4 de julho, portanto, o Fourth of July, que correu muito mal. E como sabemos, os Estados Unidos celebram a independência a 4 de julho, que calhou no passado domingo, e costumam festejar esta data com grandes festas, com muito fogo de artifício, um fogo de artifício que acabou por ser fatal para Mattis Kivleniks, um jovem jogador de hóquei no gelo de apenas 24 anos, que morreu depois de ser acidentalmente atingido por um foguete na zona do peito.

Isso é incrível, mas como é que isso aconteceu, Mariana?

Todo o episódio está ainda envolto em alguma confusão, porque inicialmente a polícia do Michigan, onde tudo isso aconteceu, disse que o Mattis Kivleniks tinha morrido depois de uma queda a sair de um jacuzzi, portanto, tinha saído, tinha caído e tinha batido com a cabeça, o que abriu logo também a porta a muitas vozes da opinião pública que disseram desde logo que o jovem jogador deveria estar sob o efeito de álcool ou de outras substâncias e que foi por isso caiu. E só ontem, depois de uma autópsia completa, é que as autoridades concluíram então que morreu devido a um trauma fatal no peito, depois de ser atingido por um foguete, sendo que o fato de o foguete ter sido disparado na direção de pessoas ainda vai obviamente ser investigado. Certo é que Mattis Kivleniks, que era guarda-redes dos Columbus Blue Jackets, portanto, da Liga Norte-Americana de Hóquei no Gelo, foi o protagonista da história mais trágica deste Fourth of July 2021.

E terminamos, espero que com melhores histórias, com final feliz, pelo menos, terminamos nos Jogos Olímpicos.

Com uma história, pelo menos, bastante atípica. E estes são os Jogos Olímpicos que estão ainda muito incertos no que toca à necessidade de fazer quarentenas, portanto, à presença de público nas bancadas, àquilo que é exigido aos jornalistas que vão cobrir o evento. E a verdade é que parece que surgem notícias um bocadinho contraditórias todos os dias. Agora foi só mesmo uma notícia muito estranha. Este fim de semana a tocha olímpica estava a passar pela localidade de Mito, na zona Este do Japão, quando uma pessoa que estava a assistir à cerimônia decidiu apagar a chama com uma pistola d'água enquanto filmava com o telemóvel. A mulher em casa, que foi entretanto identificada como Kayoko Takahashi, de 53 anos, foi de imediato cercada por vários agentes da polícia, claro, e já explicou que decidiu ter esta atitude mais fora da caixa, porque está contra a realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos em Tóquio, devido à pandemia de Covid-19. Não conseguiu apagar a tocha olímpica, mas o vídeo acaba por ser engraçado porque vemos as pessoas que carregavam esta tocha olímpica a tentarem correr, andar um bocadinho mais rápido para fugir a uma pistola d'água.

À bisnaga. A jornalista Mariana Fernandes e as outras histórias do desporto nas manhãs 360. Obrigada, Mariana. Até amanhã.

Até amanhã.

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