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Duas horas. As notícias com Ricardo Lopes.
Muito boa noite. Começamos com as palavras do ministro dos negócios estrangeiros, que diz que uma coisa é o direito à manifestação, outra é a ocupação do espaço público. Paulo Rangel sublinha que as pessoas têm direito a passear no Rossio. Em entrevista à TVI, o ministro reagiu às acampadas em Lisboa e no Porto e considera que é necessário compatibilizar os direitos de todos.
Há lugar para os manifestantes se manifestarem, mas não para ocuparem o espaço público, porque os outros também têm direitos constitucionais. As pessoas que têm lojas no Rossio ou na Praça Dom João I também têm direito que esse espaço possa ser usado por aqueles que são os seus potenciais clientes. Portanto, é possível compatibilizar os direitos de todos. Aqui eu tenho visto um ou outro constitucionalista que está de má fé, porque, atenção, não existe só o direito à manifestação. Má fé, porque qualquer pessoa que tenha estudado direito constitucional sabe que há colisões de direitos. Agora, as pessoas que querem passear no Rossio também têm direito a passear e não a que ele esteja ocupado.
Palavras do ministro dos negócios estrangeiros, que ressalva que o direito à manifestação é essencial e deve ser respeitado. Paulo Rangel saiu em defesa do Executivo, garante que o governo tem trabalhado para resolver um problema que é estrutural.
Este governo já tem os novos licenciamentos e tem os 6% de IVA. Por isso é que este governo também baixou, como sabe, o IMT, tem o IMT Jovem, permitiu comprar, há 130 mil jovens a beneficiarem, 40 mil contratos. Portanto, isto significa que nós estamos aqui a trabalhar para melhorar um problema que é um problema estrutural.
O ministro dos negócios estrangeiros, em entrevista esta noite à TVI, aqui a elencar algumas medidas do Executivo para a habitação. Já o secretário-geral do PS insiste que o primeiro-ministro deve deixar cair a nova lei das rendas. José Luís Carneiro considera que esta lei desumaniza e também desequilibra a relação entre proprietários e inquilinos. Como alternativa, José Luís Carneiro apela ao governo que considere a proposta apresentada pelo Partido Socialista.
Deve deixar cair a nova lei das rendas que levou à Assembleia da República, com o apoio do Chega e com o apoio da Iniciativa Liberal, porque é uma lei que desumaniza e que desequilibra a relação entre os proprietários e os inquilinos. E deve procurar viabilizar a proposta que apresentamos, que eu apresentei na Assembleia da República. Para quê? Para dar proteção aos proprietários, nomeadamente em relação às rendas e à salvaguarda do património dos proprietários, mas ao mesmo tempo também dando garantias, proteção aos inquilinos, aos mais jovens, às famílias das classes médias e também aos mais idosos.
Sobre outro tema, José Luís Carneiro foi questionado sobre como agiria perante os protestos se ainda estivesse no cargo de ministro da Administração Interna. O líder do PS diz que um cenário como o atual estaria fora de questão, porque o primeiro-ministro também seria outro.
Se fosse ministro, significaria que haveria um outro primeiro-ministro e com um outro primeiro-ministro nunca teríamos assistido àquilo a que estamos a assistir. Ou seja, aquilo a que estamos a assistir é um governo insensível, que o que se está a passar e a viver nas praças, nas cidades deste país, tem uma causa profunda e a causa mais profunda é que o governo adotou políticas que agravaram os problemas, que já eram problemas naturalmente em Portugal e noutros países do mundo.
Declarações de José Luís Carneiro, esta noite à margem de um debate em Braga. Esta terça-feira, em Lisboa, os manifestantes pela habitação abandonam a Praça do Rossio para protestar à frente da Assembleia da República, um protesto que vai acontecer em dia de discussão do Orçamento do Estado. A decisão foi tomada esta noite em Assembleia Popular, depois da manifestação já confirmada para esta terça-feira. O movimento anunciou que vai permanecer junto ao Parlamento para realizar uma assembleia popular e a possibilidade de uma nova acampada será decidida nessa reunião. Não há, portanto, certeza sobre se os manifestantes vão pernoitar junto à Assembleia da República, mas ficou a promessa que serão montadas algumas tendas, pelo menos de forma simbólica. No Porto, esta noite os manifestantes decidiram mudar o local do protesto. Foram da Praça Dom João I para a Praça da Trindade, nas traseiras da Câmara Municipal do Porto, com o objetivo de chamar a atenção para o caso de um casal ameaçado de despejo. A acompanhar este protesto esteve a jornalista do Observador, Laura Figueiredo.
Foi uma noite de protesto relativamente calma aqui no Porto, contrariamente ao habitual. A Assembleia Popular aconteceu esta segunda-feira na Praça da Trindade, que fica nas traseiras da Câmara Municipal, e isto porque o movimento da Acampada Porto aliou-se ao movimento Habitação Hoje. Os dois movimentos uniram-se para denunciar os problemas de habitação na cidade, ao mesmo tempo que procuram também uma solução para um casal de Campanhã ameaçado de despejo há três anos. Foi este o principal tema do protesto de hoje e também o tema levado à Assembleia Municipal por um dos membros da Habitação Hoje. Ora, Pedro Duarte, o autarca, não participou nesta assembleia por ter outra reunião na área metropolitana. Enquanto decorreu esta assembleia municipal, que acabou perto da meia-noite, foi sendo transmitida cá fora, nas traseiras, na Praça da Trindade, enquanto os cerca de 100 manifestantes que aqui permaneciam assistiram então a esta assembleia. No final, quando os vereadores deixavam a Câmara Municipal, os manifestantes entoaram alguns cânticos a dizer: "Despejos não, há mais despejos" e, por agora, então, depois de terminada a Assembleia Municipal, está a desmobilizar o protesto.
O retrato desta noite trazido pela jornalista Laura Figueiredo, que tem estado no Porto a acompanhar os protestos pela habitação. Esta segunda-feira houve assembleia municipal da Câmara do Porto. O autarca Pedro Duarte esteve ausente da reunião, que ficou marcada também por várias queixas dos munícipes sobre as cargas policiais. Já o presidente da Câmara de Lisboa apela à calma e à serenidade depois dos protestos deste fim de semana, que terminaram com cargas policiais, tanto na capital como no Porto. Carlos Moedas quis posicionar-se do lado dos manifestantes, mas recusa, no entanto, comentar a intervenção da polícia.
Eu estou aqui do lado daqueles que têm esta causa e ela é absolutamente importante. Em relação àquilo que são as imagens, eu não iria fazer aqui nenhum comentário, apenas pedir serenidade e calma. Há uma investigação aberta e veremos qual é o resultado dessas investigações que estão abertas pela IGAR. Sobre isso, eu acho que hoje, e sobretudo hoje, que nós estamos ainda a viver esta situação, o importante é dizer: a manifestação é sagrada na nossa Constituição. As pessoas podem se manifestar, obviamente têm que respeitar a lei, e portanto, neste momento é realmente respeitar o direito à manifestação e ver depois quais são as conclusões desses inquéritos que vão ser abertos.
Palavras de Carlos Moedas, captadas pela RTP à margem de uma cerimônia de entregas de casas em Lisboa, onde também esteve o ministro das Infraestruturas e da Habitação. O presidente da Câmara de Lisboa quis ainda esclarecer que a autarquia não tem qualquer influência sobre as decisões da Polícia de Segurança Pública. Ainda sobre as manifestações, a Provedora de Justiça pediu à PSP informações urgentes sobre a carga policial em Lisboa e no Porto. A informação é divulgada através de um comunicado. Luísa Neto quer explicações da Direção Nacional da PSP. Esta não é a primeira vez que a Provedora de Justiça pede informações à Polícia de Segurança Pública. Depois da primeira intervenção de carga policial no Porto, Luísa Neto já tinha avançado com um pedido idêntico. A PSP tem agora 10 dias úteis para responder. Na atualidade internacional, Donald Trump reagiu aos resultados das presidenciais brasileiras. O presidente norte-americano diz que pareceu mais uma eleição manipulada, mas quis ressalvar que não apoiou nenhum candidato.
Não tomei partido, mas francamente pareceu mais uma eleição manipulada. Não tomei partido, mas foi uma péssima imagem pro mundo. As eleições têm de ser incontestáveis e, para mim, aquilo teve muito mau aspecto. Não apoiei nenhum candidato, nem nada do gênero, mas acompanhei as eleições. Pareceram tão corruptas.
Palavras de Donald Trump numa base aérea no estado de Maryland. O presidente norte-americano demonstra desconfiança em relação aos resultados das eleições no Brasil, mas sem apontar qualquer prova ou justificação. No desporto, o Benfica venceu o Santa Clara por 2 x 1. Os encarnados até estiveram a perder. Luís Fernando converteu uma grande penalidade perto da meia hora de jogo e levou mesmo os açorianos a vencer para o intervalo. Marco Silva mexeu no 11 logo ao abrir a segunda parte. Chamou Scheldrup e Lukebakio, mas foi Pavlídis, assistido por Prestianni, que restabeleceu a igualdade no marcador. Seis minutos depois, foi o argentino a consumar a reviravolta, 2 x1 para o Benfica, sexto gol no campeonato para Prestianni. Na zona de entrevistas rápidas, Marco Silva destaca a reação do Benfica à desvantagem e admite que nem sempre é possível ganhar a jogar muito bem.
A equipa respondeu bem, não de uma forma totalmente consistente ao longo dos 45 da segunda parte. Em espaços, após a vantagem, poderíamos e ainda devíamos ter controlado melhor o jogo com bola, mas nem sempre é possível ganhar a jogar muito bem. Hoje ganhamos de uma forma um pouco diferente, mas eu gostei da reação da equipa. Gostei muito da reação da equipa na segunda parte. O que eu lhes pedi ao intervalo, eles conseguiram colocar dentro do campo, acima de tudo, um pouco mais de calma, porque nós temos que ter, mesmo quando parece tudo difícil pra nós, nós temos que ter mais calma e temos que ter mais personalidade pra encarar esses momentos de frente como equipa.
A análise de Marco Silva, a vitória sobre o Santa Clara com este resultado, o Benfica cimenta o segundo lugar do campeonato, tem 22 pontos, está a cinco do líder Futebol Clube do Porto. Já Petit, técnico do Santa Clara, fala num resultado injusto.
Estamos no lugar que merecemos estar porque trabalhamos, lutamos todos os dias e apresentamos o futebol que apresentamos hoje contra uma equipa com qualidade, uma equipa que é candidata ao título, uma primeira parte onde nós fomos superiores, mas acho que é um resultado injusto por aquilo que nós fizemos ao longo dos 90 minutos.
A reação de Petit depois da derrota com o Benfica. Depois do apito final, uma altercação entre John Duran e Luís Fernando, jogador do Santa Clara, provocou uma confusão generalizada em campo. Terminou com cinco cartões vermelhos, incluindo a estes dois jogadores. O Benfica vai exigir, no entanto, ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, a despenalização de John Duran, por considerar que as imagens comprovam que a expulsão foi injustificada. Ainda no futebol, Harry Kane é o grande vencedor da Bola de Ouro. O avançado inglês que atua no Bayern de Munique superou a concorrência de Kylian Mbappé e também de Lamine Yamal, que completaram o pódio aos 33 anos. Kane é o quinto inglês a receber esta distinção. Segue-se a Michael Owen, que ganhou em 2001. Nota também para os portugueses neste ranking da Bola de Ouro, Vitinha ficou na 14ª posição, João Neves terminou no 19º lugar, Nuno Mendes foi 23º. Já Bruno Fernandes ocupa a 27ª posição. Quatro portugueses nesta lista dos 30 melhores jogadores do mundo. É com esta notícia que terminamos este jornal das 14h. A informação regressa em formato de síntese às 14h30. Até lá.