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Com a jornalista Mariana Fernandes. Mariana, bom dia.
Olá, bom dia.
Bom dia. Vamos começar as outras histórias do desporto com a herança de Maradona.
Sim, nos dias seguintes à morte de Maradona, ultrapassado o choque coletivo, depressa se percebeu que os próximos dois grandes capítulos da história do antigo jogador argentino, mesmo sem que ele próprio assistisse a esses capítulos, seriam a acusação de negligência ao médico que o tratou e a divisão da herança. O primeiro capítulo teve desenvolvimentos logo nas horas seguintes, com o médico a entregar-se às autoridades para prestar declarações e defender que não fez nada de errado, e também com o resultado final da autópsia a considerar estranho o fato de Maradona tomar medicação que aumentava o ritmo cardíaco e não tomar nada precisamente pra condição cardíaca grave com que vivia. É um capítulo que está longe de estar fechado, mas no último dia, ontem, aliás, o outro abriu definitivamente e fica a ideia de que a herança de Maradona vai demorar anos até estar oficialmente calculada.
Mas era assim tanto dinheiro?
Em termos genéricos, a herança de Maradona vale mais de 75 milhões de euros. O problema é que o mais complicado não é o dinheiro que o antigo jogador argentino tinha no banco ou em casa, mas sim as propriedades e os investimentos que tinha espalhados pelo mundo. Segundo o jornal "Marca", de Espanha, Maradona tinha casas ou investimentos empresariais na Venezuela, em Cuba, na Argentina, na China, Itália, no Dubai e até na Bielorrússia. Tinha um contrato vitalício com a Puma, que valia milhões, e ligações também milionárias à Konami e à EA Sports, duas empresas ligadas aos videojogos. Vai ser muito complicado chegar à avaliação final de tudo isto, principalmente tendo em conta que ainda não se sabe muito bem quais e quantos são os herdeiros de Maradona.
Não se sabe quantos são os filhos e os netos, não é?
O problema aqui é que Maradona tem cinco filhos reconhecidos, sendo que o mais velho tem 34 anos e o mais novo tem apenas sete. O problema é que existem outras seis pessoas, duas argentinas e quatro cubanas, que garantem que são filhas de Maradona, mas que o jogador argentino nunca reconheceu. E depois existem casos como o da mansão que Maradona tinha em Havana, em Cuba. Isto porque os advogados do antigo jogador falaram recentemente sobre uma casa que o antigo jogador tinha na capital cubana, onde viveu no início do século XXI, e onde acabou por fazer a recuperação da toxicodependência, e que essa mesma casa tinha pertences, objetos e memórias de Maradona suficientes para construir um museu. O problema foi que logo depois surgiu alguém a dizer que vive nessa mesma casa e que foi o próprio Maradona a oferecer-lhe a casa há muitos anos. E essa pessoa é nada mais, nada menos do que um dos filhos de Fidel Castro, de quem Maradona se tornou muito próximo durante esses anos em que viveu em Cuba. Vai, por isso, ser um processo complexo e que provavelmente vai durar muitos anos.
Não, vai ser fácil. O senhor vai meter slide, ponto final.
No falecimento, houve a mão de Deus. Agora, na herança, é toda a gente a tentar deitar a mão na herança.
Há várias mãos.
E passamos para o tênis e para a Austrália e, Mariana, pedia-te que arrumasses esta história num set.
Sim, e é verdade.
Ou num tie break. Exato.
Exatamente.
Só podes fazer o serviço. Vá!
O primeiro Grande Slam do ano, o Open da Austrália, está marcado pra arrancar no próximo dia 8 de fevereiro. Já sabe que Roger Federer não estará presente, por estar ainda a recuperar de uma lesão no joelho, mas Nadal e Djokovic vão participar, assim como as novas caras do tênis internacional. O problema é que atualmente a Austrália tem uma política muito restritiva no que toca a receber cidadãos de outros países, devido à pandemia, e não vai abrir regras para o Grande Slam. Todos os tenistas, assim como todos os elementos das comitivas, terão de realizar 14 dias de quarentena obrigatória num único hotel da cidade de Melbourne, de forma a não criarem um surto quando o torneio começar. Quem não está nada contente com isto são as pessoas que vivem no hotel onde os tenistas vão ficar.
Mas então, por quê?
Porque estão preocupadas com a própria segurança, isto porque este hotel de luxo é parcialmente residencial e tem várias pessoas, algumas já de idade avançada, que vivem em apartamentos da unidade hoteleira. Essas pessoas estão preocupadas com a possibilidade de os tenistas ou de os elementos que os acompanham levarem o vírus para dentro do hotel. Dizem que sofreram uma emboscada e que vão avançar mesmo com uma ordem judicial para impedir que os participantes do Open da Austrália fiquem naquele hotel. Acaba por ser uma opinião justificada, isto porque Melbourne é o epicentro da segunda vaga da pandemia na Austrália e porque a origem dos maiores surtos da cidade foi precisamente nos hotéis selecionados para os cidadãos estrangeiros realizarem as quarentenas obrigatórias de 14 dias quando chegam ao país.
Muito bem, Mariana Fernandes com as outras histórias do desporto nas manhãs 360 e sempre em podcast. E já com quatro minutos depois das 10:30 da manhã, vamos a uma síntese de notícias com edição do Miguel Cordeiro.
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