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Está na hora de falarmos de desporto e conhecermos outras histórias. Para isso, hoje temos de novo conosco a jornalista do Observador, a Mariana Fernandes. Bom dia, Mariana.
Olá, bom dia.
Bom dia. Começamos nos Estados Unidos e com basquetebol.
Sim, eu acho que praticamente ninguém nos Estados Unidos ficou surpreendido quando a NBA começou a fazer campanha a encorajar a vacinação, quando pegou nos jogadores e nos treinadores que já estão completamente vacinados e fez diversas campanhas de encorajamento, explicou que as vacinas são a solução para esta pandemia, apresentou números sobre as diferenças de vítimas mortais com e sem vacinas e aproveitou então a boleia dos jogadores mundialmente famosos para tentar dar o exemplo, tal como a grande maioria das ligas de várias modalidades no mundo inteiro, incluindo a primeira liga de futebol em Portugal, fizeram igual. Ora, logo aí percebeu-se que a posição da NBA relativamente ao assunto seria de quase tolerância zero para os não vacinados, e tudo isto confirmou-se no final de setembro, com a ajuda das cidades de Nova York e de São Francisco, numa novela que está entretanto a ensombrar esta pré-temporada.
Então conta o que é que se está a passar exatamente, Mariana.
Bem, no final de setembro, as cidades de Nova York e de São Francisco decretaram que todos os jogadores profissionais de qualquer modalidade teriam de estar totalmente vacinados para poderem aceder às instalações dos clubes. Esta medida afetava os New York Knicks e os Brooklyn Nets, de Nova York, e os Golden State Warriors, de São Francisco. E a NBA respondeu desde logo à decisão com um comunicado onde concordava e onde garantia que estes jogadores só poderiam disputar as partidas fora de casa, ou seja, por não poderem entrar no estádio da respectiva equipe, só poderiam jogar nos jogos fora, nos jogos longe da casa da respectiva equipe, o que significava que também só iriam receber por esses jogos, portanto, perdendo vários milhares de dólares no final da temporada. Sendo que os New York Knicks têm todo o plantel vacinado, nem sequer se preocuparam com esta situação. Os Brooklyn Nets e os Golden State Warriors entraram em alerta vermelho, já que Kyrie Irving e Andrew Wiggins, portanto Irving dos Nets e Wiggins dos State Warriors, respectivamente, faziam parte dos 10% de jogadores não vacinados na NBA.
E entretanto, já houve algum avanço? Já resolveram isso?
Um já resolveu, o outro ainda não. Nos últimos dias surgiram várias notícias a dar conta de que Andrew Wiggins, o jogador dos Golden State, havia sido vacinado. Ele acabou por confirmar, ainda que tenha referido desde logo que foi forçado a fazê-lo. O grande problema está a ser mesmo Kyrie Irving, porque o jogador de 29 anos recusa por completo ser vacinado, mas também não aceitou a proposta dos Brooklyn Nets para passar a ser jogador parcial, por só disputar os jogos fora de casa. A equipe propôs-lhe que pudesse ser jogador parcial, portanto recebia só metade do salário e também só jogava os jogos fora de casa. Ele está aqui num quase limbo. Já surgiram várias vozes de peso no universo da NBA, como Shaquille O'Neal ou Kareem Abdul-Jabbar, a aconselhar os Nets a dispensarem Irving e a substituírem por um jogador que esteja vacinado. Mas a verdade é que esta decisão ainda não foi tomada. Certo é que Kyrie Irving, que faz parte deste 10% dos jogadores não vacinados, é apenas a ponta do iceberg de um problema que a NBA ainda tem a resolver e que só este fim de semana deixou de incluir LeBron James, que anunciou também que foi vacinado depois de se ter revelado muito cético em muitas entrevistas ao longo dos últimos meses.
Isto ainda vai dar muito a falar, não é, Mariana?
É verdade, ainda vamos tentar perceber o que é que lhes vão fazer. No fundo, é isto.
Sim. E passamos para uma sugestão?
Sim, porque a Netflix já nos habituou a alguns dos melhores documentários desportivos dos últimos anos. Foi o caso de Last Dance, sobre o último ano de Michael Jordan no Chicago Bulls, também The Athlete, sobre os abusos psicológicos e sexuais na equipe olímpica de ginástica dos Estados Unidos, e continua a investir nesta mesma temática. Desta feita, acabou de estrear Bad Sport, que em português se chama Dinheiro em Jogo, uma série com seis episódios, seis histórias diferentes, que explora a interseção entre o desporto e o crime e portanto conta os maiores escândalos desportivos relacionados com crimes contados pelos atletas, pelos treinadores e pelas próprias autoridades.
Então e que história que fazem parte da série? Ou histórias?
São várias. Exatamente, são várias. Um dos episódios, aliás, que maior curiosidade desperta é o que conta a história do Calciopoli, o maior escândalo de combinação de resultados da história do futebol italiano, que na altura até culminou com a despromoção da Juventus e a retirada dos títulos que o clube havia conquistado nesse período. Há também a história do escândalo na patinagem artística nos Jogos Olímpicos de Inverno, de Salt Lake City, em 2002, a história do piloto Randy Lanier, que traficava marijuana, uma história assustadora que envolvia abater cavalos de competição como parte de uma fraude de seguros, a manipulação de pontos em jogos de basquetebol da Universidade do Arizona e ainda a ascensão e queda de Hansie Cronje, o antigo capitão da seleção sul-africana de críquete. São seis episódios que mostram o pior que há no desporto e que esperamos nós que possam tentar dissuadir ao longo dos tempos quem tiver a pensar fazer algo parecido.
E acabamos com o aniversário.
Sim, porque Zlatan Ibrahimović fez 40 anos.
Pois foi, grande festa em Milão, não foi?
Sim, exatamente. Ele começou com uma festa normal. O AC Milan, o clube onde joga, fez uma festa normal depois do treino, mas a verdade é que ele, como é óbvio, também não deixou a data passar assim.
Isso normal não é pro Ibrahimović. A normal.
Sim, é sempre extraordinário. Ele deu uma festa para lá de exclusiva no Hotel Hyatt Centric, em Milão. Tudo foi organizado pela mulher do jogador. A lista de convidados incluía todo o plantel do Milan, incluindo o treinador e nomes como Paolo Maldini, mas também jogadores que não do clube italiano, portanto antigos colegas de Ibrahimović, como Pogba, Gattuso, Donnarumma, Verratti. O hotel iluminou os quartos da fachada de forma a desenhar o número 40 em cor vermelha. E antes, como também já é seu apanágio, Ibrahimović deu uma prenda a ele próprio, nada mais, nada menos do que um Ferrari Spider dourado, que custa qualquer coisa como € 500 mil.
Só faltou o dourado aí, dá aquele toque ao Ibrahimović.
O toque de bom gosto.
E discrição, não é? Sempre discrição.
Sempre, sempre muito discreto.
A jornalista da editoria de desporto do Observador, Mariana Fernandes. Amanhã há outras histórias de desporto para conhecer as últimas da semana. Obrigada, Mariana, até amanhã.
Até amanhã.
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