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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Olá, Miguel, de novo.

Alô, bandida.

Tempo para falarmos de NBA.

Sim, vamos falar da principal liga de basquetebol. Falamos da liga de basquetebol norte-americana e vamos falar de uma polêmica com a China. Esta semana começou a nova época da NBA e o dia de arranque ficou marcado por uma polêmica nas transmissões na China. Este ano, o país chinês impôs limites na transmissão dos jogos, tudo por causa da situação com Hong Kong. Na primeira jornada na China, o canal de televisão estatal decidiu não transmitir a noite de abertura e o serviço de streaming online, que tem o direito dos jogos da NBA, reduziu a emissão, decidiu não passar o encontro entre os Toronto Raptors e os New Orleans Pelicans. Só houve mesmo a transmissão de um duelo, o duelo entre LA Clippers e os LA Lakers. Esta decisão, e é aqui que começa a polêmica, surgiu depois de uma mensagem difundida na rede social Twitter. Eu recordo que esta é uma rede social que está bloqueada na China e era uma mensagem do diretor-geral de uma equipa da NBA, os Houston Rockets, em que o diretor-geral desta equipa, Daryl Morey, defendeu Hong Kong, escreveu: "Luta pela liberdade, força Hong Kong", uma mensagem de apoio aos manifestantes de Hong Kong e uma mensagem que foi mal recebida na China. Inicialmente, houve medidas de retaliação, principalmente com parceiros comerciais chineses a suspenderem os negócios com o clube. Também a venda de equipamentos dos Rockets começou a ser retirada das lojas, esses equipamentos, mas a coisa acabou por atingir toda a NBA. O governo chinês voltou-se para a liga e isso aconteceu porque o comissário da NBA, um dos responsáveis da NBA, falamos de Adam Silver, defendeu a liberdade de expressão política do diretor dos Rockets e isso fez com que os chineses ficassem insatisfeitos com a principal liga de basquetebol a nível mundial e então começaram a cortar nas transmissões de jogos e também no apoio às equipas, na venda de equipamentos. E é uma situação que tem estado a marcar esta semana de arranque da NBA. Já houve vários clubes a serem também sancionados por isto, porque, de facto, nos Estados Unidos defende-se a liberdade de expressão, tanto política como toda a liberdade de expressão, e a China não está a ver com bons olhos esta utilização por parte dos clubes para defender uma causa, neste caso, a causa de Hong Kong.

Já diz aquela velha frase política: "Quem se mete com a China, leva".

Neste caso, temos aqui um belo exemplo disso, porque é um caso em que afeta os clubes porque não têm a transmissão televisiva na China, e a China é um dos países com grande tradição de acompanhamento de basquetebol. Há também vários atletas a competir na NBA. Mas aqui há retaliação não só a nível da transmissão, mas também a nível de negócio, porque há muitas empresas chinesas com negócios relacionados com a NBA e também há muita venda de equipamentos e de material desportivo na China associado a equipas da NBA.

Miguel, estás então aqui a falar de jogos que não foram transmitidos, mas houve um que foi e onde aparece um momento de apoio a Hong Kong.

Sim, é um momento que está a ser muito partilhado porque, curiosamente, falamos do único jogo que foi transmitido, o jogo entre LA Clippers e os LA Lakers. Esse jogo teve transmissão em streaming e durante esse encontro, que aconteceu na terça-feira, um jovem fã, uma criança, conseguiu enganar o cameraman. Primeiro, erguia uma T-shirt de apoio aos Clippers e assim que percebeu que estava a ser filmado pelo cameraman e que a sua imagem estava a aparecer nos ecrãs, ele virou a camisola e lia-se: "Lutem pela liberdade, fiquem do lado de Hong Kong". Uma imagem que acabou por ser transmitida neste clima de tensão, neste jogo que era um dos poucos jogos que estava a ser transmitido para a China.

A vantagem do delay entre a câmera e a regia sempre é essa, é que na regia dá tempo para trocar de câmera. Não foram suficientemente rápidos.

Sim, o jovem conseguiu mesmo enganar e, de facto, tem corrido também nas redes sociais. Várias imagens à porta dos estádios da NBA, estão a ser vendidas várias camisolas com estas mensagens de apoio a Hong Kong e estão a ser vendidas estas camisolas de apoio aos protestos em Hong Kong. Camisolas que têm sido mais vendidas, principalmente depois desta retaliação por parte da China.

O jornalista Miguel Cordeiro com outras histórias do desporto. Amanhã à mesma hora temos mais para partilhar. Contamos consigo. Rádio Observador. Ouça este e outros conteúdos em observador.pt/rádio e subscreva os nossos podcasts.