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Vou tomar a liberdade de começar a minha reivindicação.
Para fazeres o nosso jingle. Pequenas reivindicações de liberdade. Pronto, acho que pode ser. E eventualmente também contar o nome. Agora está aqui a small liberty.
Pequenas reivindicações.
Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.
De liberdade.
Mais um episódio de Offbeat, essa tão falada rubrica semanal do podcast Pequenas Reivindicações de Liberdade, um podcast do Observador. E hoje temos conosco, aqui presente em estúdio, João Maria.
Fogo.
Bate palmas a ti próprio, sim, é bom.
Não, não estou a bater a mim próprio. O que seria?
São os nossos efeitos sonoros.
Sim, os vossos fãs que estão aqui.
O episódio com o João Maria saiu no dia 13 de abril de 2023. É o episódio 20 do podcast Pequenas Reivindicações de Liberdade.
Já viste? Era o 20º, vocês tiveram muitos.
Pois é, João, tu lembras-te do que falaste conosco na altura?
Epá, mais ou menos. Acho que foi na altura da Plim.
Foi antes de estrearem.
2023 ou 2024?
23.
Há dois anos. Antes de estrear a Plim, a primeira Plim.
Exatamente.
Acho que falámos um bocadinho sobre isso, sobre o rum-rum e não sei o quê.
Mas antes de avançarmos para esse episódio, tu sabes o que fazes aqui hoje?
Não.
Não sabes o que é Offbeat?
Epá, acho que tenho uma ideia. No fundo, posso tentar?
Claro. Sim.
Vamos o quê? Ouvir excertos daquilo que eu disse e gozar comigo.
Tu nunca ouviste, pois não, um Offbeat?
Claro que ouvi.
Tu não ouviste porque o nosso trabalho não te interessa. O nível do nosso trabalho não é para ti.
Interessa muito. Eu ouço muitos podcasts vossos.
Muitos podcasts.
Desculpa.
Não é isso, eu não estava a corrigir. Estava a dizer que muitos podcasts nossos, nós só temos um.
Tem razão. Muitos episódios vossos. Ouço muitos episódios vossos e gosto.
Por acaso não ouviste nenhum Offbeats.
Não ouvi nenhum Offbeat. Mas acho que perdi assim.
A comunicação não chegou até ti.
Tenho que falar com aqui com o Observador, porque a comunicação.
Pois é, a comunicação aqui dos Offbeats podemos abordar melhor aqui com o Observador.
Não, por acaso não. Quantos é que já houve?
Alguns. Já houve alguns. Já houve bastantes, uns 10.
Ok. Eu não tive cá, atenção, agora ultimamente.
E não há internet.
Não há. Estive em Bali, achas que eu estou em Bali a ouvir podcast?
Estás a descobrir, e a passar, e a editar e fuck redes sociais. Sim, eu não estou a falar com ninguém nas minhas redes sociais enquanto estou em Bali.
Se vocês continuarem.
Ok.
Já está?
Sim.
Pronto, muito bem.
Vamos ouvir-te a falar um bocadinho neste episódio de 2023.
E eu sinto que as minhas amigas olham para mim sempre tipo: "Ah, coitado do João". Não é coitado, mas eu sinto que às vezes as pessoas não aceitam que uma pessoa pode querer ser solteira.
Nós queríamos dizer que as tuas amigas não aceitam isso, porque parece-nos que tu, de facto, não queres ser solteiro, tu não és uma dessas pessoas.
Não sou, não.
Pois não.
Não. Quando estou solteiro, estou sempre numa busca interna.
Por uma mulher.
Por uma mulher.
Por uma companheira de carinho.
Uma companheira de carinho. Pois.
Já na altura, não é? Já na altura. Ok. Meu Deus, como o tempo passa.
É isso. Não sei. Eu sinto que todas as pessoas estão aqui em busca de alguma coisa.
E tu é teres uma mulher.
Não sei o que é. Não sei se não é uma busca, não sei, se tivesse sido fácil para mim arranjar uma-
Um mulherão. Uma mulher
Uma mulher.
Não é uma coisa muito fácil.
Não sei. Há pessoas que arranjam logo, tipo 20 anos, casaram, então está feito. Outras, que nem tanto. Não sei. Mas eu acho que há pessoas, por exemplo, que são solteiras aos 40 e querem estar solteiras aos 40 ou aos 30. Eu não, eu estou solteiro, mas estou um solteiro triste.
A minha questão é: quando estás solteiro, passas a ter também pensamentos de "eu gostava de conseguir gostar de estar solteiro e ser esse homem"? Ou estás sempre só quero alguém.
Eu acho que, imagina, quando estou solteiro, o meu coração está fechado, ou seja, não está pronto para amar.
Ok. Então, mas só-
E depois às vezes acontece de cinco em cinco anos, há uma pessoa que de repente vem que coisa.
Mas há uma coisa que tu não estás a fazer, que é isto que tu também disseste.
Eu sinto que eu tenho amigos meus, amigas minhas, que estão com pessoas por circunstância.
Tu não fazes isto, tu não estás com uma namorada só por circunstância.
Com uma namorada? Não. Não consigo. Como é que eu vou te explicar? Estar com uma namorada que não gosto. Não consigo estar, primeiro porque me farto.
Mas esta acusação que tu fizeste dos teus amigos é grave. Esses amigos que tu ainda sabes identificar, ainda estão?
Amigos, acaba-se a vida a falar das vossas assim, às vezes acabam por estar. Mas tenho amigos meus que de repente estão com uma miúda e eu percebo. Eu sei que não gostas dela. Estás ali com ela porque ela está ali ao teu lado, estás a dar milho.
Essa imagem é horrível. A forma como tu tratas as mulheres, se calhar, é por isso que tu não tens.
Não, espera aí, não sou eu.
Dizeres essa imagem que estás a pôr nas pessoas. Eu nem costumo dizer que dá milho às galinhas.
Não, vocês estão a interpretar mal. Não estão a perceber o que eu estou a dizer.
Salte na cadeira, é tipo: "Vocês não estão a perceber".
Sinto que eles não gostam delas. Tu já percebeste, eles estão ali tipo-
Tu estás muito querido a justificar-te
A agarrar, de uma forma que é tipo: acaba isso e fica sozinho. Mais vale, não vais estar aí a magoar.
Nós também te perguntámos um bocado o que tu gostavas numa relação e assim.
Mas o tema é relações
Foi o teu tema que tu trouxeste para nós.
Já tínhamos falado de mais coisas.
Aliás, não reveles nada sobre a tua vida pessoal, por favor. Ouve só isto.
Bem, a palavra carinho saiu da tua boca.
O que tu também gostas de dar a outra pessoa?
Tudo.
Não te engasgues, Nana.
Tenho chá.
Não te engasgues com o chá.
Claro. Tu dás tudo. Foi pronta a tua resposta.
Espera.
Tudo, João Maria, o que tu dás às mulheres.
Não, se eu estou numa relação, não vou dar tudo o que tenho, tudo o que posso. Vou dar o quê? Um quarto?
Claro que vais.
Um terço?
Não, é tudo.
Falei mal. Acho que falei bem.
Não, nós adoramos. Nós estamos aqui para te elogiar.
Primeiro foi o milho, não gostaram.
Não, agora adoramos.
A questão do milho também existe com mulheres. Tem mulheres que fazem isso aos homens. Isto é vice-versa, isto não é uma coisa só da masculinidade tóxica. Acho que é dos dois lados.
Sim, mas isso também fica no binarismo.
É o que temos.
Mas isto é de fato excitante, o dar tudo.
Então, mas não é dar tudo.
Mas não te defendas de uma coisa que não é uma acusação, é um elogio que nós te fazemos. Nós estávamos a ouvir o teu episódio e pensamos que nós perguntarmos a um homem: "Mas o que tu queres dar a uma mulher?" E ele dizer: "Tudo".
Claro, tudo o que estiver ao meu alcance.
O pequeno-almoço.
O pequeno-almoço. Sabes que o meu pai dá o pequeno-almoço à minha mãe ainda, na cama, todos os dias.
Tu tens bons exemplos a seguir.
Tenho bons exemplos.
Pois tens. Então eu até tive preparado uma coisa para ti. Sim, porque nós no episódio também tentamos construir um pequeno cenário. Tu não te lembras, mas eu tentei construir um pequeno cenário entre vocês os dois, sobre conhecerem-se num bar e não sei o quê, como é que julgam os homens e as mulheres.
Isto é muito engraçado. Isto é 2023, Abril. Já viste as voltas que a vida dá?
Pois é. Parece que está tudo na mesma, não é? A vida dá tantas voltas.
Não, está fixe. Já não lembrava de ter conhecido-te há dois anos.
E o teu tema foi relações.
E o sítio onde eu estava.
Pois, e onde estás agora?
E onde estou agora, sim.
Com boa cor. É assim que estás, é assim que te encontras. Muito bem, vou prosseguir com o meu cenário.
Vamos.
Ok, então vá. São os dois atores, Nana e João Maria, portanto vão perceber bem este cenário. Estão os dois num casting, na fila de espera de um casting, sala de espera, e estão só os dois.
Isso era o que eu ia dizer, podes ir olhando para mim se precisares de ter a minha imagem presente.
Vão olhando.
Acabei de piscar o olho. Preparados? É o nosso casting, estamos aqui.
Ok, pronto, estão os dois num casting. Imaginem assim um centro de escritórios. O casting é numa salinha e tem duas cadeirinhas à frente uma da outra no corredor. E há várias portas. Estão lá os dois sozinhos, nervosos, não sabem o que é que vai acontecer. E têm a mesma cena para preparar, mas não sabem e são chamados ao mesmo tempo. Vão contracenar um com o outro.
Certo.
Eles já estão a ver químicas. E a cena que têm, vocês já sabem de antecedência, é uma cena pré-beijo. Não há contacto físico na cena, senão também não iam chamar assim à toa pessoas que não se conhecem para se beijar logo assim num casting. É uma cena pré-beijo, tensa, há muita tensão. A principal coisa, que o João Maria até pergunta na cena, que é: "Olha, aqui quando ele se aproxima, posso te agarrar na cintura?" Tu perguntas isto à Nana e agarras na cena. Há um abraço de cintura. A cena corre, já foi. Acabou o casting.
Muito obrigada.
A cara de João Maria é impagável, eu tenho tanta pena.
Estou a ser filmado, não é?
Ok. Não, pode estar à vontade, ninguém te está a ver.
Sim.
Saem do casting. Muito obrigada, és tu que abres a porta à Nana, a Nana sai e assim que sai da porta, encosta-se assim à parede da porta e faz . Podes fazer a respiração?
Não, tu fizeste tão bem. Continua a olhar para a Titi a ver e imagina que sou eu.
Sim. Pronto, e ela encosta-se e faz essa respiração. Faz assim. E tu, vou agora dar duas opções e vocês têm que escolher o que acontece a seguir. João, tu depois da Nana fazer isto, olhas para ela nos olhos, perto, e perguntas: "Queres continuar esta cena?" E pegas nela. Aquilo são várias portas de escritórios. Tu abres uma porta de escritório, entras, já vês que estão pessoas. Fechas outra vez, bates numa, uma que diz assim: "Doutor João Seabra, advogado". Tu bates, não está ninguém. Entram, secretária antiga de madeira, vintage, que tem assim uma plaquinha, João Seabra, limitado, e vocês têm que fazer em cima. Ou então, opção B, a Nana encosta-se. Vocês olham um para o outro, durante cinco segundos, nada acontece. Cada um vai para sua casa e estão os dois, cada um na sua casa, a ver o Instagram sem parar um do outro e a divertirem-se das formas que podem.
Ok, só para perceber, tenho que escolher uma das duas opções?
O que é que preferias?
Com ela?
Com a Nana, claro. Em cima de uma mesa.
Tu querias que fosse a Titi.
Não.
Tu gostavas que fosse eu?
Não, nenhuma das duas.
Tu não querias ter nada com nenhuma das duas?
Nenhuma das duas?
Assim em fantasia.
Estás a brincar conosco? Isso é ofensivo.
Não, desculpem, não quero. Desculpem. Só um bocado.
Então tu querias o quê? Propor outro nome, não querias repetir as duas.
As duas opções.
Eu achava que esta história seria com Com outra pessoa que não vocês duas.
Com quem? Com quem gostavas que fosse?
Ninguém específico.
Estás aqui a trazer uma terceira pessoa que ninguém falou.
Não está aqui mais nenhuma mulher.
Podia ser ninguém em específico. Imagina, gostavas de viver esse momento ou não vivias?
Tu não consegues olhar para a Nana e imaginar.
Não consigo.
Se ela está deitada numa mesa de madeira, tu por cima dela. Não consegues imaginar isso?
Estou a imaginar. Escolhi a opção B.
Tocar-te a ver as fotos do Instagram da Nana.
Falamos em tocar.
Tu disse divertir-se das maneiras que podes, só não disse que íamos para o observador e não queria dizer esta merda.
Estão ali os diretores, os nossos diretores.
Achei que tinhas percebido.
Tu quando pensas divertir-me a ver o Instagram de uma mulher, pensas em quê?
O que ias fazer?
Pensar numa pessoa engraçada. Assim: "Olha, engraçado". Não sei o que queres.
Então tu és uma seca, é isso?
Não sou uma seca. Acho que não sou uma seca. Não consigo.
Então não achas a Nana atraente.
É isso que estás a dizer. Olha para mim. É isso que estás a dizer.
Que ela não tem sex appeal.
Acho que tem. Parabéns.
Olha para mim, eu estou-te a pedir para olhares para mim quando falas.
Parabéns, tem sex appeal.
Não consegue. Olha sempre para ti.
Luizé, ele só acha isto sobre mim.
Eu não acho nada, vocês estão a por coisas na minha boca.
Isso já contei. Queres que tire?
Não, vai com isso.
As coisas da boca.
Vocês, é isso. Vocês gostam é disto.
Se fosse isto, tu não fazias nada. Saíamos do casting, eras uma seca.
Estou a pensar aqui. Estou a ponderar com outra pessoa. Posso ponderar com outra pessoa?
Não.
Não, isso assim não.
O conselho não é esse.
Contigo não, acho que não.
Pronto, é o B. E tu, Nana, o que é que escolhias?
Eu nada. Depois disto, eu nem fazia o casting. Eu perdia o trabalho. Eu neste momento perdia o trabalho só para não ter de estar nesta situação.
Ganhavamos o casting os dois ou não?
E depois eram nove meses de novela.
Aí é que é mais chato.
Pronto. Portanto, eu nem fazia este casting. Isto é para levar. Tu achas que vens aqui para dar uma tampa à anfitriã deste podcast?
Não te estou a dar uma tampa, desculpa. Deram-me duas opções, eu escolhi a opção B. Ia para casa ver o Instagram. Não me falaram em extorsões.
Tu és. Nós achávamos que tu eras.
Estou a imaginar. Então, mas agora vou… Espera aí, mas ter uma pessoa num casting.
Mas tu não tens fantasias nessa cabecinha? Não consegues imaginar assim?
Consigo imaginar.
Nunca estiveste com uma pessoa no metro e pensaste assim…
Consigo imaginar, claro. A questão é, vocês estão a perguntar se faria isso.
Só não comigo, não é?
Tu consegues imaginar.
Só não é contigo, Nana, pronto. Eu não te acho atraente.
O problema é que no cenário era pessoas que dizia.
Se vocês imaginarem, eu dizia: "Claro, consigo imaginar". Já imaginei.
Não gostas?
Os dois cenários. A questão é, não quero isso. Não quero.
Ok.
Ok. Eu nunca imaginaria sequer nenhum destes cenários.
Pronto. Eu tenho imaginação, eu consigo imaginar várias coisas.
Sim.
Tens de imaginar as vossas vidas.
Eu odiei esse cenário, Titi.
Vocês acham que a vossa imaginação… Vocês são criativas. Serem muito criativas é bom, é superbom ou também às vezes é mau?
Para o quê?
Para o quê?
Na vida.
Não, é bom.
É sempre bom.
É errado.
Quando é que é mau?
Então, a resposta certa dizia quando.
Eu acho que às vezes, desculpa a direção, não é a resposta certa dizer .
Ele não avisa que ias perder.
Não, porque eu acho que é um ponto que vocês se calhar não estão a ver, que é: imagina, a tua imaginação é muito boa para o teu trabalho, etc. Mas se estiveres a passar por uma coisa má e imagina que estás a passar por um breakup, estás a imaginar outra pessoa.
Estou a imaginar, ok.
Podes imaginar as coisas más de outra pessoa, mas como a tua imaginação é tão fértil, tu vais ser extraordinária a imaginar as coisas más também. Estás a ver?
O pior, eu sofro desse mal, afinal.
É?
É verdade.
Eu também sofro desse.
Pronto, então se calhar é uma coisa que temos em comum e tu devias ponderar outra vez o cenário que a Titi pôs antes. Acho que terminamos o nosso episódio porque eu pelo menos não tenho disposição para continuar.
Desculpem muito.
Olha, eu, só para os ouvintes saberem, diverti-me muito a imaginar este cenário. Acho que foi o que me diverti mais e a que se vai divertir para casa, a continuar a pensar neste cenário. Neste episódio, podíamos ter discutido a precariedade do setor cultural, mas infelizmente não temos mais tempo.
João Maria, obrigada por teres vindo. Espero nunca me cruzar contigo em nenhum outro contexto que não este podcast. E que te corra tudo muito bem a ti e à tua imaginaçãozinha fraca.
Muitos beijinhos, João.
Olha, obrigado, é sempre um prazer estar aqui convosco. Vou tomar a liberdade de apresentar a minha reivindicação.
Para fazeres o nosso jingle. Pequenas reivindicações de liberdade. Pronto, acho que pode ser isso.
E também podemos contar novamente.
Agora está aqui escrito.
Pequenas reivindicações.
Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.
De liberdade.