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Muito bem, é oficial: vamos de férias. Mas antes, como somos pessoas absolutamente extraordinárias, deixamos aqui mais uma dose de sugestões. Nunca vão ficar sozinhos. Maria Ramos Silva, vamos começar por ti e vamos começar por cinema. Será que posso dizer vamos começar por cinema italiano?

Não.

Desta vez, não.

Desta vez, não. Mas para responder aos desejos do nosso Bruno, como eu falava no programa, o Ideal, o cinema em Lisboa, vai passar pela primeira vez a obra completa do António-Reis e da Margarida Cordolhe. São nomes fundamentais do documentário, no cinema novo.

Era disto que eu estava a falar.

Era disto que estavas a falar. Se não era, passa a ser.

Também é.

A obra foi digitalizada na íntegra pela Cinemateca e vai ser apresentada agora entre os dias 7 e 12 de agosto. São três longas-metragens e a curta, o "Jaime", depois o "Trás-os-Montes", o "Ana" e o "Rosa de Areia". Portanto, se não tiveram a oportunidade de ver, vejam, porque é um belíssimo trabalho. Não é assim tanta coisa, são poucos dias. Para quem estiver em Lisboa e puder passar por aqui, é uma bela sugestão. Depois, ainda mais imagem, agora no jardim, para virem cá para fora, em diferentes espaços da capital, o Fuso, Festival Internacional de Videoarte de Lisboa, que permite também fazer este convite para conhecer às vezes sítios que conhecemos menos bem na cidade e com as suas áreas exteriores. Neste caso, eu acho que eles vão passar por Museu Nacional de Arte Contemporânea, Palácio Nacional de Corres, Palácio de Galveias, a Praça do Carvão do Mate, o Dupla Sena e o Museu da Marioneta. Portanto, é consultarem a programação e aproveitarem. Isto também é agora no final de agosto.

Muito bem. Pedro Abrunhosa Mendes, tu também tens cinema, mas é uma estreia desta semana, não é?

É, estreia hoje. Eu não vi, mas quero ver. "Onde Para a Polícia", com o Liam Neeson e Pamela Anderson, que é uma sequel, não sei bem como dizer, de "The Naked Gun", com o Leslie Nielsen. O Seth MacFarlane está envolvido nisto, é um dos produtores executivos. Os protagonistas são filhos, portanto o Liam Neeson é filho do Draven.

Da personagem.

E eu quero muito ver, porque é uma comédia antiga. Com trocadilhos, com double entendres, com jogos de palavras, do tipo: o Liam Neeson diz à Pamela Anderson: "Take a chair", e ela, de facto, leva a cadeira.

Riam-se, senhores.

Porque take a chair em inglês também é senta.

Batanetes, no fundo.

Sim, mas estas coisas fazem falta. Este tipo de humor, que é um humor coletivo. Que a pessoa de 7 anos e a pessoa de 77 e o doutorado em Física Quântica e a pessoa que tem a quarta classe, como se dizia antigamente, conseguem perceber. É um humor que agrupa. E eu quero muito ver isto. Eu já vi o preview e há coisas que têm objetivamente graça, mesmo para um ser sofisticado como eu.

E superior até, em muitas circunstâncias.

Tem obviamente piada, portanto, eu quero ver, quero celebrar o meu sentido de humor.

Às vezes gostas de descer do teu pedestal e ir ao nível do homem comum.

Exato, desprivilegiar-se um pouco.

Eu estou a imaginar o Pedro a ver este filme.

Eu também gosto de vez em quando ir comer uns escoriados.

É um pouco isso.

E ouvir os trambosos.

O Pedro a levantar-se do cinema neste filme, quando acontece uma piada que ele adora e ele levanta-se.

E a bater palmas!

E a bater palmas. Sim, e a agradecer. A agradecer a existência.

Rir, a bandeiras, como é?

A despregar as asas.

Sempre que havia assim muito nos títulos da Enid Blyton, havia muito essa tradução, nunca percebi.

Muito bem.

É como mosquitos por cordas.

Isso.

Sim, e como chover cães e gatos.

E tens mais alguma coisa?

Tenho uma série. Eu acho que já falei desta série aqui, há long time ago, mas chama-se "The Breakthrough: Descoberta Decisiva", na Netflix. É uma série sueca de quatro episódios, que eu recomendo com todas as minhas forças. São quatro episódios, deve ser duas horas e meia. Um caso, um esfaqueamento.

Bruno, ainda não ouviste isto?

Eu já falei disto.

Foi ele que recomendou.

Mas pronto.

Não, mas força.

Porque foi há muito tempo. Já passou tempo suficiente.

Estás à vontade.

Ou seja, é uma coisa nórdica, é sueca, falada em sueco. Vemos um esfaqueamento, morre uma criança, morre uma senhora e o polícia vai passar os próximos quase 20 anos seguintes obcecado com o caso. Isto podia ser uma daquelas coisas que o polícia está sempre a beber uísque e a fumar cigarros.

Sim, muito deprimido.

Muito deprimido. E é um bocadinho, o polícia está deprimido um bocado. Mas a história está contada com imensa humanidade e dignidade. Nós suspeitamos que ele vai chegar a algum lado. O polícia vai conseguir qualquer coisa, suspeita-se. Mas a forma como o objeto audiovisual está construído é altamente recomendável. Eu achava que um de nós tinha falado, ainda bem que o Bruno falou e eu volto a falar, "The Breakthrough: Descoberta Decisiva", porque está traduzido em brasileiro, acho que é português do Brasil.

Muito bem.

Gostaste da série?

Gostei bastante. Acho, na altura, recomendo vivamente.

Eu não percebi foi uma coisa. É ficção?

Não, aquilo é inspirado num caso real.

Mas ficcionado?

Sim. É ficção.

A seguir ao Olof Palme, a seguir ao caso do Olof Palme, é o segundo caso mais longo da história.

E depois há a questão, que não é despicienda, que é da tal descoberta decisiva, que é aquela arqueologia genética.

Genológica, sim.

Genológica. Ou seja, de conseguires, através de uma análise, de uma amostra, conseguir relacionar os anos passados.

Muito bem.

E só tem quatro episódios.

Eu tenho sugestões esta semana. A primeira também é cinema, já que a Maria não sugeriu esta, eu sugiro o ciclo "Os Anos de Ouro do Cinema Italiano".

Se eu sugerisse, não a atendes.

É verdade, sim senhor, eu só quero reforçar. Não fiquem assim. Depois, um livro.

Cábula.

Um livro que se chama "The Colonel and the King" e que é a história da parceria entre o Elvis Presley e Tom Parker, que era o seu manager.

Coroné.

Exatamente, o Coronel. Já li umas quantas coisas sobre este livro, que saiu agora no estrangeiro, portanto têm que o comprar e ler em inglês se quiserem. Mas ao que parece, pode haver uma história não totalmente bem contada.

Então o Elvis é que mandava no Coroné.

Não, não é isso que eu estou a dizer, nem foi isso que eu li.

Eram um casal gay, é isso?

Talvez a narrativa de um ser absolutamente o diabo na Terra e o outro ser o anjo inocente.

Logo vi.

Enfim, vale o que vale. Mas amigos, é um livro, calma. Acho sempre que é interessante saber mais sobre duas pessoas que, para bem ou para mal, mudaram completamente a história da cultura popular. Eu acho isso muito interessante.

E sem as quais este programa não existia.

Isso aí tu tens razão.

Por exemplo. Vá lá, deem-me razão em alguma coisa. E depois, queria só reconhecer aqui uma situação. Não sei se sabem, mas eu acho que é para novembro, portanto antes do Natal, que estreia a última temporada de "Stranger Things" na Netflix, que tem sido um grande fenômeno nos últimos anos. Para bem. Eu nunca tinha visto.

Não, e começaste a ver.

E comecei a ver agora há poucos dias.

E gostaste?

E estou a adorar.

Mas atenção que a primeira temporada é muito boa.

Eu comecei a ver pela segunda temporada.

Há sempre os "out" da desgraça.

O meu filho é mais grande.

Eu já nem me lembro onde é que isso ficou. Quando isso voltar, vou ter que ir ver tudo outra vez.

Então eu é que sou o inteligente do meio disto tudo.

Já a Millie Bobby Brown é avó.

Pois é.

Exato. Pronto, por enquanto, no meu mundo.

Já a Millie Bobby Brown se separou do filho do Bon Jovi.

No meu mundo, ela ainda é uma criança.

É muito complexo estar a ver as coisas assim.

Estou a gostar muito.

Eu também gostei muito da segunda temporada.

E queria só recomendar, pelo menos a pessoas que nunca sequer quiseram ver por razões que não são justificáveis, tentem.

Tens que ver uma coisa que está aí a bombar também, que é o "Breaking Bad". Não sei se já ouviste falar. Isto para fazer uma piada que fizeram comigo.

Sabes que eu não vi o "Breaking Bad".

Não viste?

Não vi.

Pois, então.

É verdade, também há pessoas que nunca viram os "Sopranos".

Pois há.

Não é?

Mas eu já vi.

Já redimiste.

Para aí 20 anos depois de terem acabado.

O "Breaking Bad" não está em nenhum lado? Pois não.

Está na Netflix.

Netflix?

E é isto que eu tenho para vos dar, meus amigos. Já o Bruno Vieira Amaral tem um livro sobre crime.

Man.

Chama-se "Murderland".

"Murderland" é da Carolyn Fraser. É uma jornalista norte-americana, já ganhou um Pulitzer.

Coisa que nenhuma pessoa desta sala ganhou.

Ganhou e muito provavelmente não vamos ganhar, mas não vamos perder a esperança, também.

Exatamente.

E é um livro sobre o quê? É um livro sobre serial killers, mas tem uma tese. A tese é que um dos fatores que terá contribuído para aquele auge dos serial killers entre mais ou menos os anos 60 e o final dos anos 90, terá sido um fator ambiental, ou seja, a contaminação de chumbo, a presença de chumbo na atmosfera e o consequente envenenamento por chumbo de uma geração, não de todos os americanos, mas pelo menos daqueles americanos que viviam perto de fábricas, de fundições de metal. E ela encontra aqui alguma correlação, que pode não ser causalidade, mas entre o número de serial killers e as zonas onde eles viviam e que eram zonas que tinham bastante poluição deste tipo. Ela vai usando um pouco a narrativa dos crimes de Ted Bundy, que era originário desta zona do Pacífico Noroeste, Seattle, portanto os estados de Washington, Portland, cidade de Portland, Oregon, e ela alterna isso com a história da poluição e das fábricas dessa região. A tese em si, eu acho que ela não consegue provar completamente. Quer dizer, foi este fator decisivo. Mas também acho que esse não é o objetivo do livro. É que ela vai contando uma história, que é também uma história social, cultural da América, e contando também uma história empresarial, em que o lucro muitas vezes se sobrepunha a tudo, e de como isso afetou, sem dúvida, toda uma geração de norte-americanos. Ou seja, não havendo aqui um comprovar desta tese, eu acho que estão bem articuladas as várias narrativas, também é uma narrativa pessoal. É um livro que ainda não está publicado em Portugal, saiu há pouco tempo nos Estados Unidos, mas recomendo vivamente, "Murderland".

E o que nós precisamos é de recomendações feitas assim, vivamente.

E é mais mortamente, porque os teus livros...

Mas tens mais uma.

Tenho mais uma, é o documentário sobre os Blur, que está na Filmin, que se chama "To the End".

É ótimo.

É um grande documentário. Na semana passada, a Maria falava da reunião dos Oasis, que foi acima de tudo nostálgica. E a dos Blur há dois anos também foi. Só que o Damon Albarn encontrou aqui uma forma de Evitar que fosse apenas uma celebração nostálgica das saudades que nós temos de nós próprios quando éramos miúdos e ouvíamos e saltávamos com as músicas dos Blur, que foi fazer um novo álbum. Ou seja, houve uma digressão com o pretexto do novo álbum, mas claro que serviu acima de tudo para essa celebração nostálgica.

E para fazer muita terapia.

E muita terapia. Há aqui uma coisa que depois se percebe quando se vê o documentário. Estes rapazes, que agora são homens de 50 e tal anos, entraram em bandas, estes e outros, quando eram adolescentes. O projeto de vida deles não era ter uma banda que fosse durar 30 ou 40 anos. Era divertirem-se, fazerem música, que era aquilo que gostavam de fazer. Depois, logo se via. E cresceram dentro da banda. E nós às vezes ficávamos desiludidos quando eles se separavam. "Por que não continuam juntos?" Não continuam juntos porque isso não era a vida deles.

Claro.

Não era só.

E pelo caminho tiveram um sucesso absurdo.

Absurdo, e que os marcou pro bem e pro mal. E é muito bom ver no documentário essa pacificação com essa história.

E também é muito bom ver o Damon Albarn a tratar de galinhas.

De galinhas, também. Isso é bonito.

Isso é extraordinário.

E o Alex James com barriga também é ótimo, também nos faz sentir muito confortáveis.

Sentimos-

Nós estamos assim tão mal. Sabes que o Alex James é mais ou menos vizinho da minha tia, que vive em Inglaterra.

A sério?

É, onde ele tem a quinta, onde faz queijos.

Mas tu já reparaste o quão cool ele continua a ser?

É o mais cool deles todos.

É uma coisa absurda.

O Graham Coxon é um bocadinho paranoico. Mas o Alex James continua a ser o tipo mais porreiro do universo.

É verdade, sim.

E da galáxia.

Muito bem, sugestões entregues estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos para não perderem nenhum episódio. E agora sim, tenham um ótimo mês de agosto. Nós voltamos em setembro. Até lá.