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Bem-vindos a mais um "PopUp", o programa de cultura pop da Rádio Observador, o último antes da pausa de agosto, para que estas três lendas da telefonia portuguesa possam dar uns mergulhos. Maria Ramos Silva Bruno, Vera Amaral e Pedro Boucherie Mendes, os três que esta semana vão falar sobre esse conceito filosófico que é a Silly Season. Antes disso, fingimos que somos desportistas e falamos sobre Jogos Olímpicos na boa dica. Já devem ter reparado, apesar do fuso horário, que os Jogos Olímpicos de 2020 decorrem este ano em Tóquio e ainda que possa não parecer à primeira vista, há poucas coisas mais pop. E é por isso que aqui refletimos com a qualidade do costume. E por falar em qualidade, Pedro Boucherie Mendes, sei que tens estado a ver os Jogos Olímpicos, pelo menos quando podes, naturalmente. És um homem muito ocupado. Vamos lá partilhar aqui coisas essenciais. Tens sentido algo que me pareceu peculiar, que a forma como os jogos nos chegam, como os vemos pela televisão, pela internet, seja como for, criam de alguma forma uma ilusão de que aquilo que vemos está ao nosso alcance. É mais ou menos isto que te tem apoquentado?
Sim. Não me tem apoquentado, mas tenho andado a pensar nisso, porque os Jogos Olímpicos têm algumas características. Percebemos isso, é o objetivo número um de todos os atletas. Nós começamos por aí. Qualquer atleta, até o Djokovic, por exemplo, que está nos Jogos Olímpicos, depois de ter ganho tudo e mais alguma coisa, e de ter mais do que garantido o seu nome na história, nas enciclopédias todas, mesmo assim não abdica de vir aos Olímpicos tentar ganhar uma medalha, porque de facto, do ponto de vista pessoal de cada atleta, é o objetivo número um, número dois, número três, número 10. E só depois os outros, ser campeão nacional, ser campeão do mundo ou ter o recorde, parecem ser objetivos secundários em relação à medalha olímpica. Mas ao mesmo tempo, os Olímpicos são pouco espetaculares, porque têm muitos atletas, têm também atletas de que nós nunca ouvimos falar, nem nunca mais ouviremos falar. Não têm publicidade, não têm aquela cor e aquela intensidade cromática dos patrocinadores e dos seus logotipos que nós associamos aos grandes eventos e aos grandes momentos. De algum modo, nós na nossa cabeça sabemos que se o patrocinador for Alumínios Almeida, é porque estamos num jogo que não será o Champions, mas se for uma marca de cerveja começada por H, já sabemos que é uma coisa à sério. E há, mesmo nas transmissões, creio eu, uma certa neutralização do estrelato, as câmaras filmam todos os atletas ou os grupos.
Da mesma maneira. Há um tratamento.
Sim, há algumas exceções, claro. A Simone Biles foi uma exceção, mas a prova de triatlo que eu estive a ver com muita atenção, parecia um grupo de rapazes ambiciosos que queriam ganhar uma medalha e isso cria em nós, creio eu, uma espécie de ilusão de que nós também poderíamos estar ali se estivéssemos para aí virados, digamos assim.
Exato.
No fim ao cabo. E por exemplo, voltando ao triatlo, no fundo aquilo é só nadar, é só correr e é só andar de bicicleta.
É uma boa forma de colocar a questão.
São três coisas que nós conseguimos fazer.
Mas já agora pergunto, não estava a falar do triatlo. O que é que gostas mais de ver nos Jogos Olímpicos?
Olha, precisamente triatlo.
Mas por quê triatlo? Aparentemente, eu diria que não é muito espetacular.
Não, preciso perceber um pouco do tema. Isso era outra coisa que eu ia completar. Por que é que estes desportos não são fáceis ou não estão ao alcance de qualquer um de nós? Por razões várias, estou a investigar a evolução da natação. Estou a ver se me interesso por isso.
Mais uma que eu não esperava.
Sim, e o nadar de um atleta olímpico, o nadar de crawl, o nadar de estilo livre, tem pouco que ver com o nadar de crawl recreativo, como nós nadamos numa piscina da nossa casa, onde vamos passar férias ou o que for. É evidente que é a mesma coisa, porque se trata de um corpo humano que quer ir de um sítio A a um sítio B sem morrer afogado, e é evidente que mexe os braços assim e as pernas assado, mas há toda uma componente técnica. E até há, nas provas de natação, bastante estratégia, o que é curiosíssimo. E depois, quando começamos a investigar mais, que foi o que eu fiz, ficamos a saber, por exemplo, numa prova de velocidade de natação de estilo livre, no fundo, muito do percurso é feito debaixo d'água e tendo em conta o salto dos blocos de partida. E isso não é propriamente nadar. É só para dizer que o que parece fácil nem sempre é. Esta ilusão de que o mundo é fácil e complexo, nós vemos muito refletido nas redes sociais, que as pessoas, nós, opinamos sobre tudo e mais alguma coisa, como se tudo e mais alguma coisa fosse fácil de fazer, desde cantar para 100 mil pessoas até nadar numa final olímpica ou numa meia final olímpica. E creio que esta conversa toda também de alguma forma ajuda a explicar por que Portugal não ganha tantas medalhas como nós acharíamos que iam ganhar. Ou seja, criamos a ilusão de que será fácil ganhar, porque ao fim ao cabo aquele atleta e aquela atleta são bons e portanto estão motivados e otimistas e sorridentes e obviamente vão ganhar a medalha
E nem sempre é o caso.
Queria só deixar aqui o apontamento que a Maria Ramos Silva ficou fascinada com a tua relação com a natação.
Verdade.
Bruno Veira Amaral, como homem do desporto, mas não como desportista, digo eu, acompanhas os Jogos Olímpicos? Fazes questão de quatro em quatro anos?
Sim, acompanho. Já não fico acordado quando decorrem noutros continentes e a diferença horária é grande, porque já não estou em forma e ser espetador também exige disciplina e sacrifícios.
Não, e há um prazo para isso, não é? Para estares em forma para poder ver o desporto.
Vejo. No outro dia vi também a prova de triatlo e vi também a prova de surf em que participou a portuguesa Yolanda Otkin. E tenho visto outras coisas, e hoje de manhã também estive a ver, mas já não acordo para ver. Talvez acorde, não sei que horas é que será a final do triplo salto ou da participação do Fernando Pimenta, que eu acho que neste momento são as duas grandes hipóteses que temos de medalhas. Mas se estiver por aí virado, posso assistir a alguma prova dessas de madrugada, mas já não vou pôr o despertador a tocar para ir ver. Mas deixe-me dizer que eu gostava muito de saber qual é que é a marca da televisão do Pedro, porque eu não tenho nada essa ilusão de facilidade.
Opá!
Eu lembro que no outro dia, no final da prova de triatlo, o vencedor, creio que era norueguês, acabou e vomitou-se todo e foi transportado em cadeira de rodas. Não sei se na tua televisão viste isso ou se pareceu mais fácil.
Estou tentado a poupar-te as palavras.
É mais fácil ser transportado.
O Bruno obviamente tem razão. O que eu quis dizer, Bruno, e se calhar não ficou claro, ou se calhar não fui feliz, é que de alguma forma, nós a dada altura, enfim, também depende da idade provavelmente ou da fase da vida em que estamos, somos como que transportados também para os Olímpicos e pensamos que: "Eu podia estar ali." É nesse sentido. Eu gostava, pelo menos eu gostava de estar ali. Todos os espetadores sentem isso.
Sim, mas não sentiremos, desculpa insistir nisto, mas não sentiremos, por exemplo, a pilotar uma Fórmula 1 ou a pilotar um avião ou uma coisa assim, porque tem outro tipo de complexidade.
Eu acho que provavelmente o que não temos às vezes é noção da intensidade com que estas provas decorrem e a intensidade necessária para, eu já não digo para conquistar uma medalha, mas para se estar nesta elite. No outro dia os atletas portugueses no triatlo ficaram em 22º, 27º e nós tendemos a desvalorizar isso. Não é um resultado por aí além, mas estamos a falar de estar na elite, entre os 30 melhores atletas do mundo daquele desporto. Provavelmente nos Jogos Olímpicos, por causa de toda esta discussão sobre as medalhas, quais é que devem ser os desempenhos mínimos e as nossas expectativas por vezes irrealistas, temos essa tendência a desvalorizar o que implica participar nos Jogos Olímpicos e o que implica conseguir bons resultados, excelentes resultados nos Jogos Olímpicos. E eu vi há pouco o combate do Jorge Fonseca pela medalha de bronze e é inacreditável o esforço que aqueles homens em quatro minutos de combate estão ali a fazer. Ele estava completamente exausto no final do combate. Pode parecer fácil. Estamos ali a agarrar um tipo e a tentar mandá-lo ao chão, mas não nos podemos esquecer de tudo o que está antes de chegar àquele momento. Toda a preparação que é necessária para se estar na elite, para ser um atleta.
Mas a verdade é que esquecemos, credo.
Podemos esquecer.
Não devíamos.
Sim, um combatezinho de 10 segundos lembrar-nos-ia das dificuldades. E depois, deixe-me só dizer em relação a esta ideia de facilidade e como nós somos desmesuradamente exigentes com os atletas portugueses. É verdade que há um problema de mentalidade, que é geral e isso explica porque é que só temos ao fim de 125 anos de história de Jogos Olímpicos, só temos 25 medalhas e quatro campeões olímpicos. Portanto, há uma questão de mentalidade, mas também há uma questão de investimento ou de falta de investimento.
Claro.
Em 1996, em Atlanta, o Reino Unido, a Grã-Bretanha, conseguiu uma medalha de ouro. E a partir daí, o que é que eles fizeram? Começaram a investir e a desviar, entre aspas, desviar fundos dos jogos de sorte ou dos jogos de azar, da lotaria, para financiar o projeto olímpico. Isto para nós pormos em perspetiva estas questões das discussões sobre medalhas e o que é que deve ser exigível aos atletas. Para este projeto olímpico de Tóquio, houve um investimento no Reino Unido de 235 milhões de libras, que será mais ou menos o mesmo em euros, andará à volta disso, não andará muito longe. E o projeto olímpico português teve um investimento de 4,5 milhões. Isso explica se queremos mais medalhas. Precisamos de investir, se queremos investir, porque depois há essa discussão também no Reino Unido e noutros países, se estamos apenas a lutar por medalhas ou para mudar também os hábitos de prática desportiva no país e de tornar as pessoas mais saudáveis e essas coisas todas. Mas para as medalhas é preciso investimento. Para além das questões de mentalidade, dos azares, das lesões e dos nervos, há uma questão de investimento. Não se consegue medalhas sem investimento e eu acho que, por vezes, não temos noção disso, provavelmente fruto dessa ilusão de facilidade que o Pedro falava.
Fica a dica da raspadinha olímpica. Nunca se sabe, pode ser que pegue. Maria Ramos Silva, para terminar aqui estes jogos. Desta vez temos estrelas pop entre os atletas, mas também por razões um bocadinho diferentes. Já tivemos estrelas por causa de recordes, por causa de doping ou outros escândalos, por causa de política e desta vez a questão está na saúde mental, na pressão e na exigência sobre os atletas como nunca esteve. Isso tira glamour e encanto a estes superatletas porque os torna mais humanos?
Não, acho que não. Só para voltar um bocadinho na fita. Eu acho que a relação que nós temos, essa ideia ou essa ilusão de proximidade ou de facilidade, acho que é muito semelhante àquela que a maior parte das pessoas tem, por exemplo, com a Popart. As pessoas olham para aquelas latas de tomate do Oral.
É só pôr umas latas.
Pois, e dizem: "Eu também fazia aquilo." Pois é, mas não fizeste. E a diferença é justamente essa, entre o concretizar ou não. E portanto, estas pessoas com mais ou menos medalhas, fazem certamente mais do que qualquer um de nós no sofá a assistir e a torcer por elas, como é óbvio. A questão da saúde mental é interessante porque não é propriamente um ponto de interesse propriamente novo. E nós às vezes não temos dificuldade em lembrar-nos disso. Quando falamos de atletas de alta competição, por exemplo, numa modalidade como o ténis, eu recordo-me, talvez muita gente também se recorde ainda, no começo dos anos 80, o Björn Borg vinha de uma série vitoriosa de 11 Grand Slams e de repente decide arrumar a raquete, diz que não aguenta a pressão, fala de burnout. Depois, na altura, até se especulou se era a mulher que queria que ele se afastasse, se havia ali outras questões de saúde, mas esse ficou o discurso oficial desse afastamento, que depois ele haveria de voltar, sem grande sucesso. E quem fala do Borg, fala mais tarde, para em 2007, 2008, da Kim Clijsters. Atenção, o Borg afasta-se com 25, 26 anos, por aí. A mesma idade, mais ou menos, que a Kim Clijsters também tinha quando decide que já ganhou muito, porque estas pessoas, de facto, começam muito cedo a sua carreira. Portanto, nós quando vemos atletas com 20 e tal anos, eles já estão praticamente com o pé na reforma.
Já estão há 20 anos.
Já estão há 20 anos, praticamente quase desde que nascem, dedicados ao mais alto nível, a uma modalidade em concreto. E portanto, ela na altura também decidiu: "Eu quero ter uma família, quero ir passear os meus cães, já chega desta pressão", que existe, obviamente. E portanto, essa é uma discussão que ciclicamente se põe. O caso da Biles eu acho que tem aqui duas camadas logo à partida. Por um lado, obviamente, essa pressão que naturalmente está associada aos atletas de alto rendimento, e que têm no seu pequeno-almoço esse prato de pressão todos os dias e que também precisam dele muitas vezes para se manterem à tona. Mas é preciso não esquecer também o percurso em particular de cada ser humano que está ali. Quer dizer, a história particular da Biles não começa nem termina, do ponto de vista da pressão, julgo eu, na questão desportiva. Quer dizer, ela tem uma vida pessoal e um trajeto que não é, nem devia ser, de todo comum e de alguma forma faz-nos pensar que, de facto, há ali um desapoio que não é só ao nível desportivo e da sua carreira profissional, e portanto, é uma questão bastante mais alargada. Não é simplesmente alguém com uma organização mental desde logo muito certinha, uma família muito estruturada, não é o caso dela. Ela passa ali por uma série de coisas que provavelmente muitos de nós não teríamos sequer capacidade física e psicológica para estar na alta competição, quanto mais conseguir o palmarés que ela tem.
Ó Maria, mas mesmo nas famílias estruturadas, e por vezes são as famílias estruturadas que até põem mais pressão sobre os jovens atletas.
Claro, há uma série de conjunções.
É uma coisa que nós não nos devemos esquecer. Não há desporto de alta competição sem pressão.
Obviamente.
Eu acho também, tentar inverter aqui este discurso por causa da saúde mental dos atletas, em particular, acaba por transformar um pouco a imagem do que é o desporto. O desporto envolve pressão, o desporto competitivo e de alta competição envolve muita pressão e isso também faz parte, são qualidades, os grandes atletas são aqueles que também conseguem lidar com a pressão. Agora, a Simone Biles e qualquer outro atleta tem todo o direito de dizer: "Já chega, não consigo, neste momento não consigo." E ninguém deve levar a mal, nem isso é um sintoma e uma demonstração de fraqueza. Agora, a pressão também faz parte. Ainda hoje o Jorge Fonseca dizia que tinha tido cãibras durante o combate por causa dos nervos. A forma como se lida com isso também é uma das características que diferencia os campeões.
Obviamente, o Djokovic falou disso também. Falou disso hoje.
Vai estar sempre presente.
Muito bem. Vamos guardar as sugestões da semana para o início da segunda parte. Fazemos agora um curto intervalo e voltamos já a seguir. Segunda parte do "PopUp", estamos de volta depois de um intervalo para descanso destes guerreiros do documentário Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Boucherie Mendes. Antes de seguirmos em frente, vamos às sugestões da semana. Vamos começar pelo Pedro. Pedro, queres falar-nos de Agustina Bessa-Luís?
Sim, um livro que está a ser reeditado, uma nova edição da Relógio d'Água, "Doidos e Amantes". Para quem não se lembra, este livro começou por ser publicado em folhetim, portanto semanalmente no jornal O Independente há 20 anos. Chamava-se "O Mistério da Légua da Póvoa", e é uma versão ficcionada por parte de uma das nossas maiores escritoras de sempre, do caso da herdeira do Diário de Notícias que fugiu com o motorista. E para quem acha que Agustina não é propriamente a escritora mais fácil de ler, e de facto não é, este livro é bastante divertido e quem sabe pode ser uma primeira Agustina para muita gente. Fica a recomendação: "Doidos e Amantes", da Relógio d'Água.
Maria Ramos Silva.
Fugir com o motorista é uma boa ideia.
Eu não tenho motorista.
Hoje já falámos de raspadinhas olímpicas, fugas como turistas.
Isso promete.
Sabe-se lá onde isto vai acabar. E Maria Ramos Silva, queres falar-nos de Carlos Ratas?
Sim, mais um livro, "O Incorrigível" é o título. É uma edição da Ponto de Fuga, escrita pelo Pedro Protas da Fonseca, e que recupera a vida de uma figura talvez menos óbvia da nossa história ou mais esquecida. E de alguma forma, este livro acaba por enquadrar não só a personagem, mas também muito daquela época, o começo do século, o movimento operário, a Primeira República, aquela fase toda muito conturbada antes e depois da ascensão da ditadura. Ele foi decisivo, de facto, nesse movimento. Esteve ligado à fundação do PCP, foi aliás o seu primeiro secretário-geral. E depois há ali uma cambalhota desta figura, e este livro procura também pistas para essa pirueta que o leva por outros caminhos e à próxima acho que estou a azar a fazer ali uma guinada que talvez não seja muito óbvia, ou até seja. Lendo talvez fiquem com outra ideia. Portanto, é uma sugestão também agora para as férias.
Ao contrário do Pedro Boucherie Mendes, que tem andado a investigar natação, o Bruno Vieira Amaral tem andado a investigar como ser um tirano. Conta-nos mais sobre isto, por favor.
Na verdade, não tenho. A minha ideia era falar sobre outro programa que é o This is Pop, mas o Pedro alertou-me que a Susana Romana, quando aqui esteve, tinha falado dessa série documental da Netflix.
E tu, como estás sempre preocupado com a variedade que os ouvintes levam deste programa.
Claro, mais Netflix. Comecei a ver esse documentário, mas é muito fraquinho.
Pronto. É uma daquelas sugestões para não verem.
Não, é meh. Quer dizer, não aquece nem arrefece, é aquela história digest.
Sim. É verdade.
De vez que também era fácil chegar a tirano.
Não, mas aquilo são episódios de meia horinha ou não chega a tanto.
Não é fácil.
São episódios de meia hora e têm a vantagem de ser narrados pelo Peter Dinklage, que é aquela pessoa pequenina de "Game of Thrones". E é de facto uma mais-valia, torna aquilo um pouquinho mais interessante, mas é uma espécie de história abreviada para totós.
É os livros amarelos.
Vê-se bem, mas olha, eu tenho aqui na minha mesa de trabalho precisamente o "Doidos e Amantes", da Agustina Bessa-Luís, e queria recomendar então, não recomendando essa série, queria recomendar aqui um livro, que não saiu agora em nenhuma reedição, mas que eu li, nunca tinha lido este, do Camilo Castelo Branco, e que faz um belo par com a Agustina, que é o "Retrato de Ricardina", que é claro, um dos clássicos do Camilo Castelo Branco. E também queria recomendar agora uma novidade, que ainda não li, portanto podem ir à confiança, que é o novo livro da Ana Teresa Pereira, também uma edição da Relógio d'Água, que é "Como se o Mundo Existisse". A Ana Teresa Pereira, eu já tinha aqui recomendado o último livro dela. Ana Teresa Pereira é uma das nossas maiores escritoras, ainda há pouco o Pedro falava da Agustina. Ana Teresa Pereira é outra das nossas grandes escritoras e tem tido uma produção muito consistente e constante, e antes de o ler, eu arrisco a sugeri-lo, não só como leitura de férias, mas para qualquer altura, "Como se o Mundo Existisse", da Ana Teresa Pereira.
Diretamente da mesa de trabalho de Bruno Vieira Amaral. Fiquem com esta imagem. Ora bem, já falámos de Jogos Olímpicos, imaginem só. Já deixámos sugestões de qualidade cultural assinalável. Vamos agora ao que interessa. Falamos sobre a silly season no "Pop de Arroz". Silly season, e fica aqui um pouco de trivia também conhecida em alguns cantos do mundo como a época do pepino. É aquela altura em que nada acontece. Época do pepino, porque o pepino é um fruto. Para já fiquem a saber, o pepino é um fruto. O pepineiro é da família do melão.
Excelente.
É verdade.
Gosto imenso.
E faz muito bem à pele. É aquela altura do ano em que nada acontece. Ou será que não é bem assim e esta época baixa também tem os seus altos? É este dilema fundamental à existência humana que hoje trazemos à conversa e por isso começamos pela Maria Ramos Silva. Precisamos do teu discernimento para um pouco de ajuda, Maria. Como é que descreverias este conceito de silly season e em que medida, porque isto é uma coisa na qual eu penso, de facto, é que precisamos desta silly season para nos orientarmos todos os anos? Como se fosse uma estação.
Uma estação dentro das quatro estações e mais uma.
Temos que passar por ela para chegar ao... exato.
É, na verdade, não sei, sobretudo depois de uma pandemia, que de alguma forma transformou a nossa vida num ano que mais pareceu uma enorme silly season.
Sim, este agora está um pouco confuso.
As coisas tornaram-se, de facto, um pouco confusas, a começar pela A própria organização dos eventos e do nosso calendário. Havia ali uma série de coisas que também nos ajudavam a balizar o ano. Nós sabíamos que aquele festival de cinema acontecia naquela altura, aquelas estreias aconteciam naquela data. E hoje não é bem assim, há aqui uma série de alterações.
Que os Jogos Olímpicos 2020 aconteciam em 2020.
Em 2020, por exemplo. E portanto, uma pessoa que acorde neste momento, imagina de um estado um bocadinho comatoso, de facto vai ter mais dificuldade em lidar com esta nova organização do mundo. Depois, esse conceito original de silly season, que aliás acho que vem do final do século XIX ainda, estava muito associado precisamente a esta altura em que havia uma espécie de seca, ou pelo menos uma redução drástica no número de notícias importantes sobre política, sobre os tribunais, sobre uma série de outras coisas mais sérias. As pessoas iam a banhos. Agora, eu acho é que é um pouco difícil, eu pelo menos sinto isso, não sei se também muito por defeito de profissão, acredito, mas acho que não estou sozinha nisto. É difícil tu sentires nesta altura que não se passa nada, porque eu acho que há sempre alguma coisa a acontecer, sobretudo a partir do momento em que tu tens desde plataformas de streaming que te asseguram lançamentos permanentes até redes sociais, como é óbvio.
Até um Conselho de Ministros no final de julho a dizer como é que vais viver o teu agosto.
Por exemplo. Logo aí já tens quem te diga como vais viver o teu agosto. É difícil, porque enquanto o Twitter não tirar férias, é difícil nós imaginarmos uma estação que seja assim tão silly, tão tonta ou tão palerma ou tão levezinha, que nos deixe resumidos àquelas sopas de letras e aos cruza-dex e a pouco mais do que isso. É difícil imaginar. Até porque tu continuas, de facto, a ter notícias que são relevantes. Tu tens pessoas dispensadas a ir a tribunal que depois estão de férias lá fora, tens presidentes de clubes detidos, tens ali uma série de coisas que, de facto, não são propriamente-
Silly.
Não são silly. Espero eu que não passem discretamente por nós e que nós cheguemos a setembro sem nos lembrar delas. Ainda por cima vais ter autárquicas no final de setembro, portanto, não acredito que as pessoas estejam propriamente muito desligadas. Portanto, a haver essa estação ou conseguirmos aqui alguma bolsa mais silly dentro dos padrões mais tradicionais, sei lá, os primeiros 15 dias de agosto acredito que haja uma espécie de suspensão do juízo geral do país, mas acredito que rapidamente se volte. Acho que é difícil.
Já há campeonato.
Já há campeonato também.
Já lá vamos. Pedro-
E com público, espera-se, com algum público.
Eu pelo menos a ti considero um observador atento da silly season, como aliás da vida e da existência em geral. Eu gostava de saber que maravilhas deste tempo é que te ocupam a atenção.
Em primeiro lugar, a constatação de que as redes sociais mataram a silly season.
Pois é.
Um exemplo claro, e eu acho que o Bruno me acompanha, era a imensa alegria que alguns de nós tinham há 10, 15 anos ou 20, de comprar jornais desportivos nesta altura, porque era a única forma de sabermos quem é que o nosso clube poderia eventualmente contratar. E os jornais desportivos vendiam imenso nesta altura de excitação e antecipação. Mas hoje, com o Twitter ou com as redes sociais, sabemos quase ao minuto quais são os rumores. Portanto, escusamos de amanhã comprar o jornal desportivo. A silly season era uma espécie de licença para aquela sexta-feira em que as pessoas iam vestidas de calças ganga para o emprego, lembram-se como é que se chamava? Casual day. Era uma espécie de período casual em que o jornalismo e os jornalistas se outorgavam o direito de serem mais ligeiros na sua prosa. E o que é interessante verificar é que os jornais, pelo menos em Portugal, e também nos outros países, de certa forma, continuam muito sérios e só têm, ou tendem a ter apenas no verão, inquéritos e aquelas charlas, aquelas coisas mais divertidas para quem está na praia, enquanto que os telejornais televisivos há muitos anos que vivem em permanente silly season. E aqui não é uma crítica, é uma constatação. Um telejornal consegue em janeiro, um mês difícil e duro, porque sério, inverno.
Pedro, uma constatação pode ser uma crítica.
Sim, mas neste caso, estou a dizer, é uma constatação neutra. Neste caso, os telejornais, e em Portugal é muito elucidativo, deixem-me só pegar, pode perfeitamente falar de terrorismo, de crise económica, do aumento do preço do gasóleo e depois também falar da Feira do Fumeiro e de uma nova trotineta do Japão que tem flores não sei onde. A propósito, esta conversa começou entre nós com os inquéritos de verão. Não sei se queres falar, que eu posso falar disso agora ou se preferes daqui a pouco.
Vamos primeiro só perguntar aqui ao Bruno Veira Amaral, uma questão semântica, porque silly quer dizer algo como palerma. Mais ou menos.
Tolo.
Exato. Mas na verdade é uma temporada de que todos gostamos, uns mais que outros, eventualmente, porque diria eu que é bom desligar das coisas mais sérias para tentarmos estar focados naquilo que não importa nada ou tentarmos não estar focados em nada.
Claro.
Como é que tu vives a tua silly season? Ou não a vives porque silly-
O mais estupidamente possível.
Ok, muito bem. Vamos a isso, então.
Porque isto entronca, que é um verbo que eu sempre quis utilizar. Entronca naquela discussão que nós tivemos aqui há umas semanas sobre os livros, as leituras de verão.
Exato.
E levar leituras ligeiras. De facto, nós não queremos nada
Que seja demasiado pesado. E nem queremos notícias. As coisas continuam a acontecer, podem acontecer tragédias.
Claro.
Pode haver factos políticos relevantes, porque o mundo não para, só porque nós estamos de férias.
Pode haver uma remodelação governamental no verão, não seria a primeira vez.
Claro. Aliás, se há altura para fazer uma remodelação é no verão, quando ninguém está nem aí. Portanto, se o primeiro-ministro está a pensar mesmo em fazer uma remodelação, ele melhor do que ninguém saberá que esta é a altura certa. Mas se falamos de política, eu queria aqui sublinhar o papel do líder da oposição. Eu sei que é um exagero chamá-lo assim, mas vai. Chamemos de assim, o líder da oposição, doutor Rui Rio. Eu queria saudá-lo pelos esforços que ele tem feito para que a silly season se prolongue por todo o ano. Tem sido, de facto, um papel extraordinário. Não sei se há alguma ordem da silly season, uma comenda que se lhe possa atribuir, mas acho que o país já lhe deve esse reconhecimento. Eu agradeço-lhe muitíssimo, porque não há grande diferença entre a silly season e o resto do ano. Portanto, nesse aspecto, acho que o doutor Rui Rio está em sintonia com a silly season de uma forma permanente. E não sei, provavelmente optará por uma estratégia inversa, que é fazer política, fazer oposição na silly season. Também não me parece que seja uma boa estratégia, mas da mesma forma que a remodelação seria perfeita agora, na perspectiva do governo, seria perfeita para esta altura, fazer oposição não sei se seria uma grande ideia. Eu vivo a silly season, como disse, dessa forma despreocupada, a fazer palavras cruzadas e outro tipo de passatempos, lendo alguns livros que não tive a oportunidade de ler no resto do ano, é verdade, confesso.
Tu já estás nas palavras cruzadas, aliás, não foi o Pedro que detetou? Já não recordo.
É verdade. Isso foi o Paulo Freixinho, que é o grande cruzadista.
Verdade.
Não é o grande cruzado, é o grande cruzadista português. E ele, por acaso, no outro dia avisou-me que o meu nome estava lá e eu agradeço-lhe muito por essa honra.
Tiago, deixa eu só dar uma achega. Desculpa, esqueci-me e é importante pelo elucidativo. Nós emitimos na SIC Radical o Jimmy Fallon e o James Corden, que são talk shows americanos, como toda a gente sabe, que são programas gravados à tarde na América e emitidos no late night, portanto, meia-noite, por aí. E esses programas fazem imensas folgas, aquilo a que eles chamam dark seasons. Portanto, estão pura e simplesmente três semanas sem serem feitos, sem serem produzidos. Os tipos vão descansar, vão de férias, vão à vida deles. E o espetador português fica verdadeiramente ofendido porque nós temos que tirar os programas do ar pela simples razão de que não existem.
Não há.
Exato. E o público português tem imensa dificuldade em perceber isso. E nós, aliás, verificamos que, por exemplo, nas nossas televisões, os chamados programas da manhã e programas da tarde se mantêm em emissão durante todo o agosto, enquanto que antigamente havia uma folga. De dizer: "Não sei o quê, voltamos em setembro, voltamos em outubro". E esse período de agosto era ocupado por repetições ou por um tipo de programação menos ambiciosa. Mas agora, pelo menos na televisão, temos que manter sempre o pé no acelerador e o espetador, as pessoas, não compreendem facilmente a ideia de que possa haver férias, que possa haver hiatos nos seus programas televisivos. Pedro, vais ter que continuar com a palavra, porque antes que o tempo acabe, precisamos que fales de um dos teus maiores gostos desta época, que é esse quase género jornalístico, que é o inquérito de verão. Diz.
O Diário de Notícias e o Público estão a fazer o chamado Inquérito Proust. Poderíamos falar aqui um programa só sobre o Inquérito Proust, o escritor francês, obviamente. O nosso Bruno respondeu, julgo que no início da semana, segunda, terça-feira, e muito bem respondido, uma ótima fotografia, sempre com o seu ar entre o taciturno e o-
E o cool
...cool sempre. Eu estou sempre à espera de ver o Bruno num logotipo de um perfume ou de uma água de colônia qualquer.
Obrigado.
É um elogio.
Eu também estou à espera dos rendimentos de uma tal publicidade.
É um elogio e alguma inveja.
E a primeira pergunta é por que os jornais portugueses não fazem esse inquérito semanalmente, por exemplo, o ano todo, ou seja, 52 vezes por ano e não apenas umas 10 ou 15, como parece que vai acontecer.
Ou outros inquéritos. Desculpe por meter aqui a colherada, mas outro tipo de inquéritos. Eu acho que estes do Proust, já estão um bocadinho batidos. Eu próprio já respondi mais do que uma vez e até já dei respostas diferentes.
Já usaste as respostas em algumas perguntas noutras, trocaste a ordem das respostas.
Não, e é um exercício engraçado, porque, de facto, aquelas perguntas, ao contrário do que parece, não têm uma resposta muito simples.
Não, nada. Lá está.
A resposta é simples, mas exige muito pensamento para se chegar a essa resposta simples. E era possível variar, fazer este tipo de questionário, de entrevista curta, com perguntas curtas e também exigem respostas curtas, no resto do ano. Acho que as pessoas até gostam desse tipo de questionário. Mas que não fosse o questionário Proust, com aquelas perguntas já standardizadas e que todos conhecemos e que já se tornam um bocadinho aborrecidas.
Pegando aquilo que o Bruno disse, tem toda a razão e eu trabalhei muitos anos em jornais e revistas e julgo saber por que isso não acontece. É porque dá trabalho. A dada altura na redação, seja qual for a redação, a pessoa que faz ou está de férias ou cansou-se e a pessoa que era para fazer não veio essa semana, e então essas rúbricas acabam por morrer de morte natural. De qualquer maneira, voltando aos inquéritos, eu gosto de ler e creio que muita gente gosta de ler, porque espreitamos um pouco pelo buraco da fechadura para saber como é que aquelas pessoas são, ou o que pensam, ou como é que se safam das perguntas, porque algumas perguntas têm armadilhas em que se pode ser ou demasiado pedante, ou demasiado ignorante, ou demasiado ligeiro. Eu trouxe aqui, ou pelo menos pesquisei, dei-me ao trabalho de pesquisar e trago aqui duas respostas que eu considero excepcionais a inquéritos, neste caso, o inquérito da Vanity Fair, que tem na última página o inquérito Proust há muitos anos. Perguntaram à Sharon Stone: "Se morresses e voltasses como uma pessoa ou como uma coisa, o que achas que serias?" E a resposta da Sharon Stone é: "Uma maçaneta." Uma maçaneta de porta, que eu acho uma resposta muito interessante. Mas esta, sobretudo do David Bowie, e que me fez ainda gostar mais de David Bowie, que é: "Qual é a qualidade que mais gostas num homem?" E a resposta do Bowie foi: "A sua capacidade de devolver livros." Livros emprestados. Que eu acho uma resposta que denota uma enorme inteligência e sensibilidade.
Agora imaginem se o Phil Collins tivesse respondido a um inquérito Proust. Maria, só para terminarem muito rapidamente.
Ou o Gene Hackman.
Ou o Gene Hackman. O que é pior na silly season?
Ou o Nick Cave.
Não haver política ou não haver futebol?
É difícil. Eu fico sempre muito desejosa. Já tenho muitas saudades de futebol, no sentido desse ritual de ir ao estádio, que eu espero que esteja por breve. Já comecei a receber mensagens e espero que isso se concretize rapidamente e em segurança. Mas depois também me arrependo muito rapidamente quando as coisas começam a descarrilar e não correm como eu esperava e portanto fico ali sempre num misto. Mas entretanto à volta. E para quem gosta também de ciclismo, é sempre um daqueles pontos que de alguma forma marca a silly e a torna muito menos silly e muito mais agradável.
Muito bem. Antes do final do programa, rapidamente vamos fazer uma importante viagem no tempo, realmente importante, no Isso é que Era Bom. Arnold Schwarzenegger faz 74 anos este sábado e por isso eu quero saber qual o vosso filme favorito com Arnie. Eventualmente, qual o pior. Maria Ramos Silva, começamos por ti.
Para o pior, eu não consegui chegar a um consenso. Há muita coisa que podia classificar aí. Os melhores, talvez "Os Exterminadores", o primeiro e o segundo, e o "Total Recall", "Desafio Total". Acho que era essas coisas, sei lá, tipo "Os Gémeos". O Schwarzenegger é um tipo de quem nós poderíamos estar a falar mais como candidato aos Jogos Olímpicos do que propriamente nesta última parte do programa. Mas enfim, é aquele figuraço, um ícone do nosso cinema de ação.
Bruno Vieira Amaral.
Eu diria, em primeiro lugar, para simplificar, "Os Exterminadores", o um e o dois. Sempre prefiro o dois, mas por ser um dos meus filmes preferidos, de todos os filmes, tenho que falar do "Desafio Total", do Paul Verhoeven. Claro, que é um filme enorme em que o Schwarzenegger tem uma das suas mais brilhantes e polémicas falas, que é quando ele dá um tiro na Sharon Stone, que não estava a fazer de maçaneta, e diz: "Consider it a divorce." Ele diz um divorce.
Divorce.
E é um dos grandes momentos do cinema dos anos 90 e uma das falas que merecia um Oscar. Eu acho que também está a faltar isso, é a encomenda da silly season ao doutor Rui Rio e é um Oscar ao Schwarzenegger, um Oscar pelas suas atuações.
Demasiadas sugestões num só programa. Pedro Bosferimentos, faltas tu.
Olha, eu vou dizer o "Conan, O Bárbaro". Ninguém dava nada pelo Schwarzenegger, muito bem dizer eu, claro.
Claro.
Mas o homem, de facto, austríaco, bodybuilder, baixito, de facto conseguiu ter uma grande carreira no cinema e ter o respeito da indústria e chegou a governador da Califórnia. Chegou-se a falar inclusivamente que o tipo poderia ser um bom candidato a presidente da América, mas depois não pode ser, porque tens de ter nascido na América. E esse filme "Conan", com aquela rapariga que depois foi casada com o Stallone, aquela Brigitte Nielsen, acaba por resistir bem ao tempo. Eu vi-o há pouco tempo, meio a dormir, confesso, mas resiste bem ao tempo, não é de todo um mau filme. Portanto, olha, "Conan, O Bárbaro".
Olha, siga, fica o Conan.
Exato.
Final de mais um "PopUp". Nas próximas semanas podem sempre recuperar episódios antigos em observador.pt e também em podcast. Prometemos voltar em setembro. Até lá.