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Cá estamos para mais um pop-up extra com as sugestões da semana, desta vez servidas pela Susana Romana, a Joana Sicínio Villela e o Pedro Bucher Mendes, como é óbvio. Susana Romana, vamos começar por ti e vamos começar por um livro.

Exatamente, é o livro "Sobre a Escrita" do Charles Bukowski. Falámos há pouco bastante de "Má Vida" e este é também um belíssimo exemplar disso. O "Sobre a Escrita" é basicamente uma coleção de coisas que ele foi escrevendo, sobretudo troca de correspondência, muita coisa que foi escrita à mão e que agora tentaram perceber a caligrafia dele para passar para livro. Tem muitos desenhos e são basicamente coisas que ele escrevia para outras pessoas sobre o processo dele de escrita. Reações a cartas de rejeição, conversas com outros escritores. Grande parte das coisas que estão no livro foram escritas à mão, porque muitas delas são de uma fase em que ele vendeu a máquina de escrever para comprar álcool.

Porque era preciso.

Porque era preciso, porque há necessidades. Aliás, é uma frase que aparece recorrentemente nas cartas que ele troca: "Vendi a minha máquina de escrever para me embebedar."

Pronto.

Isso é uma cena à Luís Pacheco também.

Sim. E eu gosto muito de ler sobre o processo de escrita e o processo de criação de outros autores.

Por que será?

Este do Charles Bukowski, se alguém está à espera de uma coisa inspiradora, talvez não seja esta, porque há ali um grau de sofrimento e de angústia muito grande.

Mas ia te perguntar se quem nos está a ouvir pode contar com alguma aprendizagem.

Não serve propriamente para isso. Eu ainda não li o livro todo. Aliás, eu acho que este é daqueles livros para se ir lendo. Não sei se faz muito sentido ler do início ao fim, de seguida, até por isso, porque é basicamente a angústia de uma pessoa a quem custa imenso escrever e que tem uma relação difícil com aquilo. Eu, por um lado, sinto-me inspirada de perceber que isto é difícil até para a malta que é muito famosa como escritora. Eu sinto algum conforto nisso.

A ponto de venderes o computador para comprar.

Sim. Vou sair daqui e vou direta.

Além deste livro, tens uma série, chama-se "Last One Laughing".

Não é bem uma série, é uma espécie de um reality show.

Eu não faço ideia o que isto seja.

É uma espécie de um reality show. É uma franchise que está na Prime. E há vários: da Austrália, do Canadá, das Filipinas, da Argentina, do Brasil, há de todo lado e mais algum. O que eu tenho gostado de ver é o do Reino Unido, apresentado pelo Jimmy Carr, e o conceito basicamente é: uma casa, um grupo de comediantes, 10, se não me falha a memória, vão ficar seis horas trancados naquela casa e o objetivo é fazer uns aos outros rir. Quem rir, perde. Há cartões amarelos e cartões vermelhos e quem rir vai sendo expulso do jogo até ficar apenas um.

Quem rir por último, ganha melhor.

Até ficar apenas um. São seis episódios, 30 minutos cada um, por isso vê-se bastante bem. Pelo que eu sei, já houve uma produtora em Portugal que tinha os direitos do "Last One Laughing", mas nunca avançou em canal nenhum. Para quem gosta de coisas tipo o "Taskmaster" e para quem vê, por exemplo, o "Taskmaster" britânico, há muitos concorrentes do "Taskmaster" britânico que estão na casa do "Last One Laughing".

As coisas que vocês sabem. Eu fico sempre fascinado com isto. Deixa-me só meter aqui uma colherada neste campeonato das sugestões. No próximo dia 10 é publicado um livro que reúne as entrevistas que o José Mário Branco deu entre 1970 e 2019. A publicação é da Tinta da China. Para os mais afoitos, fica a informação de que são 672 páginas e são 119 entrevistas. É uma boa oportunidade, para já, de ter um livro com substância em cima da mesa, que às vezes dá jeito. E além disso, é um bom retrato do homem e do artista e é também um bom retrato de uma visão particular sobre Portugal ao longo de várias décadas, quer concordemos ou não com a visão. Tem um lado documental muito importante, parece-me a mim, mas isso sou eu que não percebo nada disto. Joana Sicínio Villela, seguimos em frente contigo. Temos aqui um pijaminha. Primeiro, um livro chamado "A Life of One's Own", de Joanna Biggs. É isto?

É exatamente isso. É um livro que não está traduzido cá, não sei se alguma vez será traduzido.

Fica a dica.

E que é escrito por esta Joanna Biggs, que é uma autora britânica e que aqui o que faz é cruzar uma série de registos em que, por um lado, pesquisa e investiga a vida de uma série de mulheres escritoras e a forma como elas tiveram de ultrapassar uma série de obstáculos, vamos chamar-lhes obstáculos, nas vidas delas para conseguirem de facto ser escritoras e que obstáculos eram esses. Isto começando no século XVIII até à atualidade com o "A Room of One's Own", "Um Quarto Só Seu", traduzido em português, da Virginia Woolf, que é uma das autoras de quem ela fala neste livro. E portanto, é a Virginia Woolf, a George Eliot, a Simone de Beauvoir, a Sylvia Plath, a Toni Morrison, a Elena Ferrante. Eu estou a ler o livro ainda, estou a gostar muito, e ela vai percorrendo desde o século XVIII até à atualidade.

Mas vais a meio, que eu estou a ver o marcador. Nada mal, sim senhor.

Vai percorrendo a vida de várias autoras e traçando uma espécie de paralelo com a vida dela.

Ok.

Numa altura em que ela se divorciou, em que a mãe está com uma demência, em que a vida dela está muito complicada. E acaba por fazer uma série de reflexões que são muito interessantes. Não é um "Sobre a Escrita" do Bukowski, mas está um bocado na mesma linha de livros, ou seja, coisas que têm a ver como é que as pessoas escrevem, coisas que tenham tido de ultrapassar, desde questões familiares. Por exemplo, a George Eliot, que eu sempre achei que era um homem E é um nome de homem porque é um pseudônimo. Era uma mulher que adotou um nome de homem para escrever livros e não ser discriminada por ser mulher. Portanto, ao longo deste cruzamento de autobiografia com heterobiografia e reflexões dela, vamos viajando um pouco pela obra destas mulheres. E depois também lança aqui esta questão, que agora se está a tornar recorrente: se a biografia dos autores interessa ou não. E ela cruza isso. A outra sugestão.

É uma série.

É uma série.

Esta sim é uma série.

Esta é uma série, como a Susana. Não é um reality show, é uma série de animação. Chama-se "Common Side Effects", está a passar na Max.

Em Portugal tem o título "Efeitos Colaterais".

"Efeitos Colaterais". É uma série da Adult Swim americana, é muito divertida e muito bem feita.

Adult Swim, que é uma produtora de animação para adultos.

É a versão adulta do Cartoon Network.

Exato. Resumindo assim muito rapidamente.

Sim, obrigada. Acho que foi um apontamento importante para os ouvintes.

Claro.

A premissa é, e isto tem muito a ver com este momento que se vive agora do renascimento dos psicadélicos, por um lado, no lado importante da saúde e depois, por outro, pelo lado mais discutível do lifestyle. Discutível, debatível. A premissa é de um entusiasta, de um micólogo muito entusiasta, que dedica a vida toda aos cogumelos e descobre um cogumelo que cura tudo. E a partir desse momento, desenrola-se uma série, uma espécie de thriller e filme de ação, e também um pouco como comédia romântica, muito rápido, imensas personagens muito divertidas. Tem ali um lado quase de irmãos Coen, em que este jovem, que é muito idealista e acha que aquilo pode salvar as pessoas do mundo, no fundo, acabar com as doenças, tem de lidar com uma série de máfias: a máfia da indústria farmacêutica, a máfia dos outros produtores de cogumelos underground e que querem roubar-lhe aquilo, a máfia dos rednecks, e depois com uma paixão de infância ou de adolescência. Está muito bem feito, é muito divertido. E depois tem, para quem acompanha um pouco esta área, uma série de referências a pessoas reais, incluindo uma que é o Paul Stamets, que é uma grande referência na área da micologia. É um tipo que acredita, de facto, que os cogumelos curam tudo e que tem um negócio enorme à volta dos cogumelos, e que no livro do Michael Pollan, foi assim que eu o conheci, no "How to Change Your Mind", em português acho que se chama "Como Mudar a Sua Mente", aparece e explica-lhe que o cogumelo mais forte que existe é um cogumelo azul. E estes cogumelos são azuis, chamam-se Blue Angel. E ele usa sempre um chapeuzinho, e este personagem também usa um chapeuzinho, um panamá. Um panamá daqueles de pano. É panamá? Não é um país.

É um panamá. Desculpem.

Boa. Estás alto.

Não está fácil.

Estás em grande hoje. E este cogumelo, no livro, eu nunca me esqueci disso, porque ele diz: "Algumas pessoas tomam isto e ficam paralisadas durante uma série de horas." Não se mexem. Ou seja, não se conhecem efeitos nenhuns de salvar o mundo, mas tem este efeito muito forte. E eles aqui pegam no cogumelo azul que vai salvar o mundo. Ainda está a passar, ainda não acabou, ainda não sei o que vai acontecer, mas é muito divertido.

E de ver. Cogumelos, meus amigos. Pedro Abrunhosa e Mendes, eu ia dizer acabamos contigo, desculpa.

Agora é o teu subconsciente.

Queres falar de um documentário chamado "Camden" que está na Disney+?

Quero. Camden é uma zona em Londres, não é?

É verdade, sim senhor.

Como sabemos, como muita gente sabe. É um documentário que não é o melhor documentário do mundo. Dividido em quatro episódios, é promovido pela Dua Lipa e também tem uma parte sobre a Dua Lipa, que ela cresceu ali, começou a fazer os vídeos no YouTube por ali. Enfim, se o Bairro Alto fosse plano, podia ser a nossa Camden, porque ali nesta Camden de Londres nasceu muita da música, o punk, bandas como os Madness também são dali ou por ali, os próprios Coldplay, muitos anos depois.

Amy Winehouse.

Sim, Amy Winehouse. Parece que artistas da hip-hop americana também se radicaram ali. E é interessante quando há uma geografia, um sítio geográfico, que concentra tanta história da pop, quanto mais não seja para lhe passear a vista. E também me dá a oportunidade de dizer que dancei no Camden Palace no princípio dos anos 90.

Disseste dançaste?

Sim, não. No fundo, estava com o copo na mão, encostado a uma coluna, como faziam os homens portugueses.

E o que andavas lá a fazer?

Já não me lembro bem.

Então deves ter bebido mais do que dançaste.

Detalhes.

Mas quer dizer, tu chegas aqui e dizes que tens a oportunidade de dizer.

Como é que era o ambiente, Pedro? É o que nós queremos saber.

Estes documentários, e às vezes há alguns até sobre alguns sítios portugueses, mas ficam sempre aquém, porque há uma espécie de versão higienizada dos acontecimentos. Não estão lá a falar da droga e do álcool, não quero nada saber isso, mas há uma crueza. Há qualquer coisa que se perde com o passar do tempo e quando se estende o véu da nostalgia, e uma pessoa sobrevive a estes tempos e depois fala de lado para a câmera e confunde: "Nós íamos e não sei o quê." Mas pronto. E Camden, em Londres, onde muita gente comprou roupa em segunda mão. Na Disney. Recentemente falava com uma mulher bonita acerca do que são outras mulheres bonitas, e uma delas, que foi citada, foi a Aubrey Plaza. Aubrey Plaza é uma atriz norte-americana, conhecemo-la recentemente da segunda temporada do "White Lotus". É aquela tipo enjoada.

Sim.

Não sei se quem está a ver. O marido dela suicidou-se.

Na vida real.

Exatamente. Há muito pouco tempo. Parece que estavam separados. Não é que isto interesse, mas está o filme "Emily The Criminal" finalmente chega à Netflix, ou finalmente chega a uma plataforma onde o podemos ver legalmente. E é um ótimo filme, é um filme indie, um filme independente, que decorre em Los Angeles, onde Emily, que é a Aubrey Plaza, tem muitas dívidas de student loans e então tem que se fazer à vida e faz-se à vida por caminhos criminosos. Mas está francamente bem feito, é um filme com um ótimo ritmo, acho que foi filmado em muito poucos dias, com pouco orçamento, mas é um ótimo filme, que recomendo vivamente. Podem ver também com os filhos, "Emily The Criminal".

Muito bem. Conselhos úteis e familiares.

Por vezes.

Exato. Sugestões entregues. Deixamos aqui mais uma vez o aviso: estamos como qualquer podcast moderno em todas as plataformas, portanto, basta seguirem-nos para não perderem nenhum episódio. Voltamos na quinta-feira. Até lá.