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Aqui estamos, somos o vosso fular de cultura pop, mesmo depois da Páscoa, com mais uma dose de sugestões. Pedro Buchinho Mendes, vamos começar por ti e vamos começar por ficção científica? É isto? Podemos dizê-lo ou não é bem?

Na semana passada falamos do Saramago, que é um grande escritor de ficção científica também.

Sim, é verdade.

Mas isso não se pode dizer.

Então não pode. Olha nós aqui a dizer.

Acho que não se pode dizer.

Já está dito.

Sim, "Projeto Hail Mary".

Gostaste? Tenho curiosidade, ainda não vi.

Isto bem dava um programa inteiro.

Ah, é?

Não só gostei, como gostei imenso.

Vá lá!

Um dos melhores filmes que o Pedro viu em cinema nos últimos anos.

Sem dúvida.

Pensava que tu também já tinhas visto, Bruno.

Não, ainda não.

Fiquei de queixo caído.

Levaste o queixo ao chão. Como diz o outro. Então explica aqui às pessoas o que se passa neste filme.

Eu ainda não estou bom da constipação, vou tentar.

Muito bem, vamos a isso.

No fundo, descobrem que há um problema qualquer com o sol, não sei o quê, parece assim o tema. É preciso ir a uma estrela a não sei quantos anos.

Para arranjar.

Isso. Tem um lado linear sci-fi. É preciso resolver um problema, é preciso ir numa nave.

Sim, mas isso pode ser um ótimo princípio.

É isso que estou a dizer. É um dos méritos do filme. Para mim, isso é muito simples. Percebemos logo o que está em casa.

Quem é o realizador?

Não sei.

Vamos ver.

É com o Ryan Gosling e sobretudo com a alemã Sandra Hüller, de quem eu gosto imenso. É o primeiro filme americano dela. Fazem os dois um papel incrível. O filme não tem CGI.

Isso é a senhora do...

"Anatomia de uma Queda".

"Anatomia de uma Queda" e do outro filme da casa ao lado de Auschwitz.

"Zona de Interesse".

"Zona de Interesse".

Mas este filme, este "Projeto Hail Mary", que tem este nome bastante tonto, parece. Phil Lord e Chris Miller, parece-me que são dois realizadores. É inspirado num livro do mesmo autor de "O Marciano", aquele filme com o Matt Damon. É um filme muito à antiga, mas muito bem feito. Aconselho vivamente a que vejam no cinema. Acho que tem duas horas e quarenta, enfim, aguenta-se bem.

Aguenta. Como dizia o outro.

Eu gostei imenso de ver. Fui com meu filho, ele também gostou imenso.

Muito bem.

"Projeto Hail Mary"?

Sim. Desculpem.

Vamos conseguir, Pedro. Estamos quase. Agora tem zoo a Prime.

O anti-gripin, trovo Pedro. Depressa.

Chegou à Amazon Prime, "The Jury Duty", finalmente, embora seja só a segunda temporada.

Fala-me disto.

"The Company Retreat".

Isto tem tido algum sucesso no estrangeiro, não é?

"The Jury Duty" é de 2023. É aquela série em que eles montam um julgamento, são todos atores, exceto um dos jurados, que é uma pessoa verdadeira e que não sabe que está numa paródia.

Ok. Achas que é uma bela ideia? Resulta bem?

É, eu já vi. É uma espécie de mockumentary à la Nathan Fielder.

Ok. Mas alguém a sofrer, de facto.

É uma experiência?

Sim.

Sociológica, jurídico-sociológica.

E tem graça, porque a pessoa que não sabe que está a participar numa paródia, acaba por ser o apaziguador. No fundo, é a bússola moral de todas aquelas situações, porque todos os outros têm papéis e têm comportamentos estranhos.

Uns puxam para um lado, outros puxam para o outro.

Sim, às vezes têm comportamentos muito bizarros.

Chama-se "O Último a Saber"?

Não sei. Chama-se "The Jury Duty: Company Retreat" na Amazon Prime e aconselho vivamente.

Muito bem.

Este aqui é sobre um encontro de quadros de uma empresa, um retiro lá num resort. Já não soube de um julgamento.

Muito bem, o Pedro conseguiu dar as suas sugestões, apesar de estar neste estado miserável que toda a gente pode comprovar.

Força, Pedro.

Joana Stickene Vilela, tu tens banda desenhada e fanzines para distribuir à malta, que é uma coisa que ainda existe.

Bonecada.

E então, vamos começar por novela gráfica publicada pela Devir?

Olha, se calhar começamos aqui.

Não. Só para chatear. Não há problema nenhum.

Estava a precisar de um bocadinho mais de tempo.

Não há problema nenhum.

Feitio.

Sempre do contra.

Má onda.

Sempre. Sou leitora assídua de banda desenhada e novelas gráficas. Não leio mais, porque são caras.

Podias ler 60 minutos por dia.

É!

Eu adorava ter tempo para isso. Aliás, é uma coisa, estava a pensar.

Cá das editoras.

A altura em que eu lia mais foi na infância. E era porque eu adorava aquilo, queria saber onde é que chegava. Mas não tinha mais nada para fazer. Quer dizer, havia televisão, mas não tinha os telemóveis. Hoje em dia eu adorava conseguir pensar assim: tenho 60 minutos para ler e não há nada no horizonte.

Não há filhos para te dar banho, para te cuidar.

Já tomam sozinhos, chega. Isso é abuso. Mas não há uma tarefa para cumprir. Há aborrecimento. Tenho tantas saudades.

Dito isso.

Dito isso, explanei-se num instantinho. A primeira sugestão chama-se "A Cada Sete Ondas" e é de uma autora portuguesa chamada Beatriz, eu não sei se este nome é espanhol, se for espanhol é Brajal, se for português é Brajal.

Tu escolhe. Deve ser espanhol.

Deve ser Brajal. E que ganhou um concurso que eu gosto muito, que é de uma editora muito independente de fanzines e banda desenhada e por aí fora, que se chama Chili Com Carro.

É aquele concurso pingoso que oferece alguns oito milhões de euros.

Esse era espetacular. É uma pena não terem esse dinheiro para oferecer.

Aqui não, até porque este concurso chama-se?

Chama-se "Toma lá 500 paus e faz uma BD".

Isto é o nome do concurso.

Isto é o nome do concurso. E todos os anos eles elegem um vencedor e depois editam. A Beatriz Brajal foi a vencedora do ano passado. Já se sabe quem é a vencedora deste ano, mas o livro ainda não está editado. É um exercício gráfico, é muito divertido. Tem uma criatividade a nível de movimento, de ângulos, de formas de representação que é muito refrescante e sobretudo nestes tempos de inteligência artificial e das coisas serem feitas em série, em que de repente percebemos que há artistas que não existem, que são inteligência artificial no Spotify com milhões de audições, porque aquilo tem uma fórmula e as pessoas gostam de uma fórmula. Ler estas coisas, olhar para estas coisas que se leem muito depressa. Eu gosto muito do traço dela. É muito plástico, tem o movimento, as escalas. Ela brinca muito. São muito poucas páginas, mas olhar para isto acaba por ser quase um limpar de alma, de cabeça. E esta editora com este concurso tem feito, por exemplo, outro livro totalmente diferente e que ganhou este concurso em 2021. Eu até sugeri aqui uma vez no "Observador", já não me lembro quando é que foi, se era livros do ano, qualquer coisa assim, que era um livro chamado "Hoje Não", da Ana Margarida Matos e que inclusivamente neste momento está editado nos Estados Unidos, que foi feito durante a pandemia. Estejam atentos. E também da Chili con Carne. Tenho aqui uma coisa que até podia ser dada nas escolas, por exemplo, ou usada. É divertido. É uma coisa que se chama "Rumo ao Eclipse" e é um livro que é um acessório de um outro livro. Ou seja, há uma banda desenhada sobre uma expedição científica da qual eu sabia zero, mas que existiu, de facto. Não sei como é que não sabia nada disto e como é que não se fala nada disto. Mas que é uma expedição que foi feita em duas partes, mas falando de uma só. Em duas missões paralelas, mas falando de uma só, que foi liderada por um matemático e astrónomo, se não me engano, eu tomei aqui nota. Matemático e astrofísico chamado Eddington, um inglês, a seguir à Primeira Guerra Mundial. E é uma expedição que consiste em quê? Eles resolveram ir até à Ilha do Príncipe para presenciarem um eclipse total do sol e com isso porem à prova uma teoria do Einstein, que eu vou ter de ler, porque senão vou espalhar-me aqui ao comprido, que se chama "A Experiência de Eddington". Desculpem lá, devia ter preparado isto melhor. Eles atravessam o oceano, fazem Inglaterra-Lisboa, Lisboa-Funchal, Funchal-Príncipe. Mentira. Inglaterra-Madeira. Fiz isto tudo mal. Reino Unido-Madeira, ficam na Madeira, depois vão da Madeira para o Príncipe, tudo para tentarem apanhar o tal eclipse. Vou ler daqui da explicação do jogo. Este jogo tenta reconstruir a viagem que Eddington fez para testar, cá está aquilo que eu tinha medo de me embrulhar a dizer, como me embrulhei de qualquer maneira, testar a hipótese do encurvamento dos raios luminosos, a mais espetacular das previsões da teoria da relatividade geral do Albert Einstein. E, spoiler, eles provaram. Depois desta expedição, o Einstein é uma estrela. Ele depois ganha o Prêmio Nobel da Física em 1921. O eclipse foi a 29 de 1919. E uma coisa muito interessante nisto é que é tipo um role-playing game. Pegas nisto, jogas, joga-se com baralho de cartas normal e com um diário, um caderninho, o teu diário de viagem. E tu tens que conseguir e ver se consegues fazer a viagem e chegar lá a tempo. E ao mesmo tempo, salvo aqui a repetir. Qual é a figura de estilo, Bruno?

Redundância, pleonasmo.

Redundância, pois, a repetição de palavras. Porque elas não estão com o mesmo significado. Mas vai se percebendo como é que isso só foi possível porque havia um império colonial, todas essas ramificações. E é um objeto em papel que nos faz sonhar um bocado, que nos tira tempo. Olha, 60 minutos, se calhar, era um tempo porreiro para fazer isto.

Olha, cá está.

E também é da Chili con Carne. Finalmente, um livro que me surpreendeu muito. O da Beatriz Bachal, estava a dizer, foi editado ano passado, final do ano. Este "Rumo ao Eclipse" foi editado agora para aí em fevereiro. E este da Anais Nin chama-se "Anaïs Nin: No Mar das Mentiras", de uma autora que nasceu na Suíça, depois naturalizou-se belga, Léonie Bischoff, não sei como é que isto se diz. Isto só foi editado cá no final do ano passado, mas ganhou o prêmio do público no Festival de Angoulême, que é o festival de banda desenhada mais conceituado, que é em França, ganhou o prêmio do público em 2021. Eu conheci a Anais Nin do Henry Miller. Conhecidamente do Henry Miller, que depois também tinha escrito livros eróticos, "Marias Medeiras". Foi a Anais Nin num filme chamado "Henry & June", do Philip Kaufman, com a Uma Thurman a fazer de June, que era a mulher do Henry Miller.

E o Fred Ward, o grande Fred Ward.

O Fred Ward a fazer de Henry Miller, e era um suposto triângulo amoroso. Este livro Conta a história da Anais Nin. É a transformação dela desde o momento em que só escreve pra ela própria, porque ela é conhecida pelos diários, desde muito novinha, com 11 anos escrevia diários, até conseguir emancipar-se e ser ela própria. O que é interessante nisto é que além da Anais Nin ter uma vida muito fora do comum, não só com as múltiplas relações com muitos homens, ter sido abandonada pelo pai, que era um pianista famoso, depois tem uma relação incestuosa com o pai, que é uma coisa que faz muita confusão. Além de tudo isso, este livro tem um traço muito bonito e é todo feito, todo desenhado a lápis. É um lápis de cor e muitas das partes são aqueles lápis que têm muitas cores lá dentro. Que nós estamos a desenhar e vai mudando a cor. E que é um bocado uma forma que esta autora encontrou de mostrar que esta pessoa é uma pessoa com múltiplas faces. E no fundo, isto acaba quando ela faz as pazes com isso. "Eu sou esta pessoa, eu tenho não sei quantas faces." E quando é no mar das mentiras, é porque ela para ter essas faces todas, acabada por representar várias personagens. E inclusivamente, isto lançou-me numa toca de coelho da vida da Anais Nin, que foi fascinante.

E da qual ainda não saíste.

Ela viveu em vários países, a fase do "Henry & June" e dessas coisas, isto é tudo em Paris, mas ela depois foi para os Estados Unidos. E ela tinha um marido, que foi uma pessoa que a apoiou muito e que a dada altura se conformou com esta coisa de terem uma relação aberta. E ela mais velha, só consegue sustentar e torna-se uma figura nos Estados Unidos. Isto porque eles vão-se embora por causa da Segunda Guerra, a grande guerra. E há uma história, que não vem aqui, mas que eu fui saber, que é: ela depois ainda é casada com o primeiro marido e casa-se mesmo.

E bem.

Com outro. Então ela tem um marido em cada costa.

E o pai dela.

Um olho em cada porto, um marido em cada costa.

O pai dela, felizmente, ela conseguiu livrar-se dele, porque aquilo era uma coisa completamente abusiva e percebe-se que abusou dela quando ela era criança. Mas eles percebem, depois também há quem diga, eles optaram os dois por não saber do outro. Ela quando estava numa costa, tinha documentos com um apelido, quando estava na outra, tinha com outro apelido. E isto torna-se público, porque eles ambos apresentam uma declaração de IRS com Anais Nin como sujeito passivo.

Olha, cá está.

Ainda na semana passada falámos disso.

Falámos disso.

As finanças, sempre.

Isto é uma homenagem a Pedro Bochi. E tem outras coisas. Eu não tinha assim grandes expectativas, mas recomendo muito. "Anaïs Nin: No Mar das Mentiras", editado pela Devir.

Muito bem. Eu tenho, antes de fazer referência aqui a dois e-mails que recebemos, só duas sugestões. Uma ainda não vi, mas quero ver e, portanto, vou já sugerir, que é um filme que estreou na quinta-feira passada, que se chama "Os Domingos", que é um filme espanhol, filme que ganhou San Sebastián e foi premiado nos Goya, e que conta a história de uma jovem de 17 anos que decide ser freira. O que é interessante na história?

É um filme espanhol, diz.

É um filme espanhol. O que é interessante? Não é tanto o facto de ela decidir ser freira, obviamente. É o dilema familiar, as conversas que vão acontecendo, os choques geracionais e culturais, etc. E eu, como não faço ideia como é que o filme vai acabar, estou muito curioso. Ainda não vi o filme, mas quero muito ver. Parece-me muito interessante. Eu gosto de filmes em que não se passa nada a não ser conversa. Aprecio.

A sério?

Gosto muito. Pessoas a falar, famílias a falar coisas. Dilemas.

Já não me lembro. Gostaste do...

Deve ter gostado, Joana. Já me perguntas. Outra coisa que eu quero lembrar. Próxima segunda-feira, de 02/08, dia 13, passa na HBO Max o último episódio de "DTF Saint Louis".

Comecei a ver por tua causa.

E isso vale a pena.

E bem arrependido estou.

Não estás a gostar?

Não.

Eu estou a gostar muito.

Como é que é possível?

Eu não estou a gostar.

Claro, e por isso é que temos este programa. Somos todos diferentes.

O Jason Bateman cada vez me irrita mais.

O outro ator, não sei o nome, faz um papel incrível.

O Jason Bateman vai muito bem.

O David Harbour. O do "Stranger Things", sim, está melhor do que o Jason. Não, já não tenho paciência. Ainda no outro dia estava a ver uma entrevista do Jason Bateman. Claro, óbvio. É sempre. O Jason Bateman deu uma entrevista a dizer que houve uma altura em que as coisas na carreira dele pareciam estar a correr bem e de repente deixou de ter oportunidades.

Agora sim, quem nunca?

E quando voltou a ter oportunidade, disse: "Epá, não, isto agora vou mesmo agarrar e fazer tudo o que puder". E está a fazer. Ele faz tudo. E começa a ser um bocadinho cansativo.

Muito bem. E depois, só referir aqui dois e-mails que recebemos, um do Nuno Cabeça, que para já agradece por termos divulgado uma recomendação dele aqui há uns tempos, que era o "Mr. InBetween", e dá razão ao Pedro dos Ferimentos, claro Claro.

Quem nunca?

Porque foi mesmo a recomendação do Ricky Gervais que o levou lá. Julgo que tinhas feito referência a ele. Cá está, é mais uma. Falámos há pouco tempo de videoclubes, quando falámos de Chuck Norris. Ele recomenda o canal de YouTube The Criterion Collection, onde vários realizadores e atores famosos vão fazer a sua escolha de filmes e numa coisa parecida, um canal que a Joana também já aqui falou, que é o Trackstar, onde várias personalidades famosas são testadas nos seus conhecimentos musicais para ver se descobrem a canção que está a passar nos headphones.

E que agora tem um podcast.

Tem um podcast, exatamente. O José Valente, que mandou um e-mail longo sobre Chuck Norris aplaudindo a personagem, o ator, o lutador.

Que bom!

Dizendo que ele era, de facto, o maior das coisas da porrada no cinema.

José Ventura, não é?

José Valente.

José Valente ficou indignado quando falámos, enfim, eu que falei, do Jason Statham.

Pois foi. Não vale absolutamente nada.

Claro.

E não vale.

Com certeza que não vale. Mas gostei muito do e-mail, porque ele fez a comparação, e não deixa de ter razão, com, por exemplo, o Jackie Chan, o Chuck Norris e o Fred Astaire.

Ele diz: "Chuck, Bruce Lee e Jackie Chan foram a nobreza das artes marciais no cinema". É a frase dele.

E ele faz a ligação aos musicais e eu acho que tem toda a razão, porque havia um lado de performance física.

Uma coreografia.

É, que eu acho que é muito notável, excluindo tudo isto do Jason Statham.

E outra coisa muito interessante que ele diz é: "Outros foram mais longe no cinema, mesmo que ninguém acreditasse na altura, Schwarzenegger, Stallone e afins". E depois diz: "Nem sei se o Stallone sabe dar um soco direito". Fica a dúvida, amigos.

Provavelmente não sabe, mas o que é que isso interessa?

Fica a dúvida. Mas muito obrigado ao José Valente pela sua partilha e por ouvir.

Aos nossos ouvintes.

E a todos, claro. Bruno Viana Amaral, também obrigado a ti e tens duas sugestões.

Tem várias, não é duas, muitas.

Olha, então deixa-me só dizer, o filme era o "Blue Moon".

O "Blue Moon", com certeza.

Pessoas a conversar.

"Blue Moon".

Gostava de história.

Ainda não vi, mas quero muito ver.

Os filmes do Linklater são sempre muito de people a falar.

Mas há uns melhores que outros. É como tudo. Tem mais farófias, por exemplo.

True crime.

Pena o Ethan Hawke não ter ganho o Oscar.

Eu não vi o filme, mas dizem que é um grande papel.

Mas nós queríamos que ganhasse o Jesse Plemons, não era? Tínhamos lá a ver.

Ele não estava nomeado, mas dos que estavam nomeados.

Muito bem, Bruno.

Bate mais forte.

Bate mais forte.

O Ethan Hawke. Lembramo-nos logo do "Clube dos Poetas Mortos".

Mas não te lembra, a questão é essa. Tu vês o filme e ele está irreconhecível.

Ai, é?

Eu, pelo menos.

Sim, mas a gente lembra-se sempre.

Eu sabia que o filme era com ele.

Mas conseguiste esquecer a meio.

E depois estava distraído.

Sempre, porque a caracterização muda muito.

Na qual eu tenho algum jeito de me distrair.

Sempre que andas de comboio, em Inglaterra, vês sempre um Ethan Hawke.

Estás sempre à espera do teu "Before Sunrise".

Não vês a Julie Delpy?

Não. Vejo só Ethan Hawke.

Bruno.

Então, true crime. Está em primeiro na Netflix, portanto, já não é sugestão nenhuma. "Olha, uma coisa que ainda nem vi."

Eu não vi.

Não viste? Então vê, "O Predador de Sevilha".

OK.

Em termos de true crime, vamos à apreciação estética, artística. É uma história terrível, de um guia turístico espanhol, sediado com uma empresa em Sevilha, que organizava viagens turísticas a Marrocos e a Lagos, Portugal, referido várias vezes no documentário, e que durante essas viagens, algumas vezes ou muitas vezes, não se sabe ao certo quantas, terá violado, abusado de muitas raparigas. Quase todas as americanas, as que falaram eram quase todas americanas, não todas. Uma delas resolveu avançar com uma queixa e depois vamos conhecendo todos os pormenores sórdidos desta história e não vou revelar o final, a sentença, não vou spoiler.

Era o que faltava.

Não está mal feito. Quer dizer, não empolgou. Eu sou um gourmet do true crime, não me empolgou por aí além. Eu creio que a produção até é espanhola. Não me empolgou. Tenho saudades de um true crime que, de facto, me encha as medidas, mas para agora, sim, chega.

Até ao próximo.

E dá para matar um bocadinho a fome. Queria falar também de um livro.

Muito bem.

Ana Cláudia Santos, autora de "Os Lavradores de Ana", publicado ano passado.

Sobre o qual também falámos aqui.

Falei aqui, é verdade. Ana Cláudia Santos, para mim, foi uma revelação no ano passado, só que ela já tinha um livro. Um livro de contos. E é esse livro de contos, com mais algumas narrativas introduzidas, que agora não é republicado, porque não tinha sido publicado.

É repescado.

É aqui um reaproveitamento daqueles contos que já faziam parte desse primeiro livro, introduzindo outras coisas. Eu acho que é a confirmação, de facto, de uma autora que se percebia logo, eu pelo menos, através desse segundo livro, que afinal era o segundo livro, "Os Lavradores de Ana", que está ali uma autora já completa. Esta é a confirmação desse Livro. Eu não sei se não deveria ter esperado mais tempo para publicar este.

Mais distância.

Mais distância e talvez um outro livro publicado pelo meio. Talvez tenha ido demasiado depressa revisitar, porque o outro livro também não tinha sido publicado há tanto tempo. Mas confirma uma autora, de facto, com uma voz muito própria, com um universo também, aqui estamos a falar muito de histórias de formação, todas elas do ponto de vista de raparigas, de mulheres, de jovens mulheres ou jovens adultas. E eu acho que há aqui uma circunscrição deste universo que liga com essa outra, chamaria uma novela, que era "Os Lavradores de Ana", que eu acho que é mesmo, de facto, um livro excecional. Este livro, o que digo é que talvez precisasse aqui de um outro livro, mais um livro, para consolidar esse universo ficcional, antes de voltar logo atrás, ainda que lhe acrescente alguns contos. A Ana Cláudia Santos é da Companhia das Letras.

Companhia das Letras.

Como é que se chama o livro?

Este é "A Morsa".

"A Morsa".

Eu li "Os Lavradores de Ana", fiquei curiosa agora, embora ache que ela escrevia muito bem.

Mas?

Achei pouco.

Pronto, OK. É pouco, é um livro curto.

Acho que escreve muito bem, cria um universo. Escreve muito bem, uma escrita muito límpida e domina perfeitamente a língua.

Mas não te encheu as medidas?

Se calhar não chega a novela, sequer, é um conto. Para mim, senti aquilo quase como um longo conto.

Sim, também pode ser.

Senti que era essencial, sobretudo. Não me encheu as medidas.

A mim sim. E daí agora falar deste "A Morsa". Tínhamos esquecido do título. Obrigado, Joana.

Eu estava a tomar nota, eu tomo nota das sugestões.

Muito bem. Agora duas coisas muito rápidas. "Tito Andrónico", uma peça de um jovem dramaturgo.

Um tipo novo.

William Shakespeare, é uma tradução de Miguel Moreira. A introdução é muito boa para nos explicar também o contexto em que foram levadas a cena inicialmente as peças do Shakespeare, que nós por vezes temos uma ideia. Quando pensamos em Shakespeare, pensamos em El Cana, uma coisa pesada e já instituída pelo tempo, consolidada pelo tempo e um clássico inquestionável, e esquecemo-nos da origem, onde é que aquelas peças nasceram, em que condições é que eram representadas.

É uma lógica lá fora, digamos assim.

E de como eram compreendidas e aprendidas pelo público a que se destinavam. Porque as peças, hoje nós recebemos as peças muitas vezes logo em livro.

Em texto.

Em texto, mas elas não eram pensadas para ser livro. Só depois é que começaram a ser publicadas.

E o público, pense que estava em silêncio naquela altura.

Tudo isso está nesta introdução. Eu acho que é muito útil também do tradutor, Miguel Moreira. Ele depois também explica um pouco as opções de tradução. O "Tito Andrónico" é uma peça que terá sido levada à cena entre 1588 e 1593, pela primeira vez.

Se é que o Shakespeare existiu.

Claro, ou ter sido Christopher Marlowe. Não se sabe. Mas é considerada a primeira tragédia, é a primeira tragédia de Shakespeare e é também uma das suas peças mais violentas, até com uma cena de canibalismo involuntário. E foi uma peça, e isto depois também é interessante perceber, que na altura foi uma tentativa do Shakespeare competir com outros autores que também se destacavam, outros dramaturgos neste tipo de peças violentas que agradavam muito ao público, mas que depois caiu mais ou menos em desgraça durante o período vitoriano.

Só dizer uma coisa, na semana passada, desculpa, esquecemos de dizer. A BBC é obrigada por lei a fazer sempre Shakespeare. Adaptar, sempre. Não é se quiser, é sempre. Em Portugal, os nossos políticos, os defensores da escola pública, essas coisas todas, não obrigam a RTP a adaptar rigorosamente autor nenhum, incluindo Saramago.

Toma. Toma, meu amigo. É sim. Estamos a falar em violência.

As adaptações históricas. Está na lei de concessão do serviço público francês e inglês, adaptar o cânone ao audiovisual.

Estamos a falar de violência e aqui está a violência. Por último, só uma última sugestão.

Sim, senhor.

Já estamos a falar de aprender literatura. Está no YouTube, já há muitos anos, para aí uns 16 anos, um curso de Yale sobre romance norte-americano depois de 1945. A professora chama-se Amy Hungerford. Aquilo são 20 e poucas aulas de 50 minutos. São aulas dadas na universidade, que foram gravadas na altura para ficarem disponíveis.

Então podemos todos fazer esse curso.

Podemos fazer todos este curso. Aquilo vai desde Richard Wright, passa por Nabokov, vai Philip Roth, Thomas Pynchon, Toni Morrison. E aí, sim, tem alguma coisa circunscrita. Aquilo é para sabermos mais sobre literatura norte-americana, mais concretamente o romance norte-americano. Olha, é das coisas de borla que há na net que vale mesmo a pena. Aprende-se mesmo muito e aquilo é dado de uma forma muito sedutora.

Muito bem, dose rica.

Como é que se chama? The American Novel. Podes pesquisar Amy Hungerford, Yale.

Muito bem. Fiquei aqui boquiaberto com esta borla online. Sugestões servidas e são muitas. Sigam-nos, não percam nenhuma dose. E são muitas também da imenso jeito, porque nos próximos dias o PopUp vai estar em pausa. Também merecemos, mas voltamos rapidamente no dia 16 de abril. Até lá.