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Nunca falhamos. Essa é que é a verdade. Estamos de regresso para mais uma dose de sugestões, sempre com o carimbo de qualidade do "PopUp". Sem gargalhadas, por favor. Susana Romana, vamos aproveitar que estás por aqui. Tens aqui dois livros esta semana.
Dois livros e um filme.
E um filme. Muito bem, eu sempre atento a tomar as notas certas.
As notas certas. Então podemos já despachar o filme, até porque é um filme de que toda a gente já falou imenso e eu só quero mesmo recomendar, nem quero entrar em grandes detalhes, que é o filme novo do Paul Thomas Anderson, o "One Battle After Another".
O que tu achaste?
Eu gostei muito do filme.
Pronto.
Gostei mais do filme do que estava à espera. Eu gosto de algumas coisas do Paul Thomas Anderson, apanho um bocadinho de secas noutras, por isso eu não sou daquelas fãs do PTA acérrimas que adora tudo o que ele faz, mas gostei muito do filme. O filme tem 2h50 e eu tenho alguma antipatia com filmes que têm mais do que duas horas, só porque sim. E achei que se passava lindamente 2h50 a ver.
Mas também depende da sala e da cadeira, não é?
Verdade. Estava bem resolvida nesse departamento. E gostei muito do filme, mas acho que é o género de filme que a pessoa deve decidir ir ver sem saber grande coisa sobre ele, no sentido em que depois há muita discussão sobre o que o filme quer dizer, sobre o que o filme não quer dizer, e eu acho que é o género de filme que a pessoa desfruta mais se souber relativamente pouco antes de o ir. Só tem que saber que o filme está muito bem realizado, que o guião é ótimo, que tem muito ritmo, que tem o Leonardo DiCaprio, o Sean Penn, o Belícia Deltora num papel incrível e uma miúda que se estreia chamada Chase Infinity, que é um nome que tem imenso estilo.
Chase Infinity.
Chase Infinity.
Sim senhor.
Que é uma miúda de 20 anos que faz de filha do Leonardo DiCaprio, já tem quase idade para ser namorada do Leonardo DiCaprio, que vai extraordinariamente no filme. O Paul Thomas Anderson esteve a escrever este guião durante 20 anos e ele diz que agora olhando para trás percebe que estava só à espera que Chase Infinity nascesse para desempenhar este papel.
É, isso é tudo muito poético.
O único-
Justiça universal.
É isso.
O único comentário, acho que não é menos bom, mas a única coisa é que às vezes parecia que eu estava a ver um filme do Tarantino. E cheguei a pensar: se é para ser um filme a parecer um filme do Tarantino, não sei se não o preferia feito pelo Tarantino. Mas mesmo assim gostei muito. Livros.
Muito bem, vamos a isso.
Uma novela gráfica. Eu sou grande fã de novelas gráficas e esta é talvez das minhas autoras preferidas, apesar de eu não saber dizer bem o nome dela, porque ela é sul-coreana.
Eu ia-te perguntar, porque eu estou a ver aqui o nome dela escrito. E eu acho isto um grande desafio.
E eu já estive com ela o ano passado, apresentei um dos livros dela no Amadora BD e continuo sem conseguir dizer bem o nome da senhora, mesmo depois de a ter conhecido. É Kim Suk Gendry Kim.
Pode chamar-se só de Kim.
É Kim. O livro dela, editado agora pela Iguana, chama-se "O Meu Amigo Kim Jong-un", ou seja, o querido líder da Coreia do Norte.
Ou seja, ela é coreana, mas é sul-coreana.
É sul-coreana, exatamente, mas ela fala muito sobre a questão das duas Coreias. Ela tem mais dois livros editados em Portugal, "A Espera" e "O Erva". Eu gosto muito dela. Eu acho que num mundo em que um dia se dê Nobais da Literatura a novelas gráficas, que eu acho que merecem, acho que ela seria topo da lista. E é um livro em que ela faz um trabalho de entrevistas durante vários anos e daí cria um livro com relatos de várias pessoas da Coreia do Norte sobre afinal quem é que é esta figura, que impacto é que ela teve na vida das pessoas, se as pessoas que vêm depois da Coreia do Norte para a Coreia do Sul, se são de fato felizes na Coreia do Sul, e é um livro muitíssimo interessante. Desculpa.
Ora essa.
Queres um bocadinho de água, Susana?
Como os sábios costumam dizer, isto das mudanças de estação é um problema.
É verdade, e não está fácil.
E assim sempre dás tempo à Joana Sikini Vilela tomar nota dessa novela gráfica, porque ela também é-
Eu sou grande fã. Já tinha, por acaso, já vi por aí.
Ela própria é quase uma novela gráfica.
Gosto imenso dela.
Vou guardar isso como eu lhes digo.
E o último livro é um livro de fotografia biográfico, daquele que eu acho que é capaz de ser o meu fotógrafo preferido, que é um senhor chamado Martin Parr, um inglês chamado Martin Parr.
Parece que eu vá lá a casa um dia para ele fazer um retrato.
Por favor.
Um retrato de família.
Uma das posições que eu vi, ele coleciona autorretratos tirados em sítios muito turísticos, daqueles em que às vezes até há um fotógrafo que tira fotografias. Ele tem um retrato incrível no Bom Jesus de Braga, que ele tirou nessa altura, que faz parte da coleção dele de autorretratos. Este livro agora é um livro autobiográfico, tem as fotografias dele intercaladas com histórias da vida dele. Tem um nome que eu adoro, chama-se "Utterly Lazy and Inattentive", ou seja, totalmente preguiçoso e desatento, que foi algo que um professor escreveu no seu relatório da escola quando ele tinha 14 anos.
Ops.
Completamente preguiçoso e desatento, e foi a frase que agora ele deu à biografia dele. Eu gosto muito do trabalho dele, para quem não conhece o Martin Parr. Ele tira fotografias a coisas, algumas delas muito britânicas, mas tira fotografias a coisas da vida que às vezes esteticamente nem são muito bonitas. Praias britânicas absolutamente medonhas, em que as pessoas fazem praia encostadas a tratores no meio da terra. E ele tira muito bem fotografias.
Também às vezes chamar a praias àquilo é um bocadinho-
Sim, é um bocadinho, mas é o que ele tem.
É o que há.
E entre várias coisas, por exemplo, fotografou a capa do "The Bellas of Derham", do último disco dos Blur, por isso é só mais um detalhe.
É sempre a mesma coisa também, Susana Romana.
A bela capa.
Joana Sikini Vilela.
Sim.
Vamos a isto. Trazes concorrência em forma de podcast. Vamos despachar essas partes. Estou a brincar. Pode seguir em frente.
Vou ser rápida ou não?
Não, eu estou só a tentar ter graça, imagina.
Eu só quero agradar.
E vamos a isso.
Bom, então. Quando fizemos o programa sobre a Joana Marques, eu disse que iria falar um bocadinho mais sobre dois podcasts. Aliás, um podcast e um documentário sobre humor e que tem a ver com este caso. Eu já os vi há algum tempo, mas acho que são pertinentes nesta altura e são interessantes no sentido de, este caso dos anjos é um gancho, mas neste sentido do mundo estar no estado em que está e se é possível fazer humor, que tipo de humor é que se pode fazer nesta altura, e em que há uma polarização tão grande nestas questões de conflitos armados, em que as pessoas estão cada vez mais radicalizadas em torno de bandeiras, no fundo, e parece que é quase O que eu sinto às vezes é que as pessoas estão quase mais empenhadas em estar umas contra as outras do que em propriamente tentar perceber o que se passa. Muitos de nós estamos a tornar-nos grandes pessimistas. O que os próximos 10, 20 anos vão ser, a internet, os algoritmos, a inteligência artificial, etc. Aqui há uns anos, em 2001, houve um atentado que ficou conhecido como o atentado de 11 de setembro às Torres Gêmeas. Não sei se vocês se lembram onde é que estavam. Eu lembro-me perfeitamente onde é que estava.
Estava a almoçar a ver as notícias.
Eu também.
Eu estava a estagiar na altura na Sic Notícias, e lembro-me de ver o segundo avião é que se viu. Eu olho assim para o lado e há um ecrã gigante e está tudo parado a olhar para aquilo, o que está a acontecer. E foi um momento em que, em termos do mundo ocidental, aconteceu no fundo aquilo que nós nunca pensamos que pudesse acontecer. E para aquelas pessoas, em Nova Iorque, escreveu-se muita coisa e disse-se muita coisa. Passado muito tempo, o luto e a consternação. É um choque tremendo e depois deu origem a uma série de conflitos, guerras e coisas horríveis. Ninguém pensou, se calhar, em um pequeno jornal, conhecido como um jornal universitário, que depois foi crescente, chamado "The Onion", que é um jornal que faz comédia a partir da atualidade. Portanto, parece que é um jornal, mas aquelas notícias são falsas. E eles tinham se mudado recentemente para Nova Iorque, tinham feito uma festa de lançamento do jornal e a primeira edição devia sair no dia 12 de setembro. Como é que fazemos humor? A partir de quando é que se consegue fazer humor? Que tipo de humor é que se pode fazer? E há um podcast chamado "9/12", nove barra 12, portanto, dia 12 de setembro, que conta uma série de histórias relacionadas com esse dia 12. Como é que em várias áreas se lidou com este acontecimento. Uma delas é o humor e é esta história do "The Onion" e eu recomendo muito. Não vou spoiler, vou só dizer que uma personagem que é referida, um humorista que é referido nesse podcast, é o George Carlin, que tem um documentário da HBO sobre ele, que é feito pelo Judd Apatow, acho que sim.
Eu vou investigar enquanto...
Confirma isso, faz favor.
Sim, acho que na altura falamos disso aqui quando saiu.
E que tem uma coisa, e que tem uma piada, ele diz: "Eu adoro catástrofes. Adoro quando dizem..."
É do Judd Apatow e do Michael Bonfiglio.
Obrigada.
É dos dois.
Tiago. E internet.
Estamos cá.
Ele era extremamente provocador, mas aquilo depois é aquela coisa que depois faz sentido. Faz sentido, quer dizer, para algumas pessoas. Para mim, aquilo depois é bastante genial. Aquilo está gravado em disco de vinil. Ele tem um sketch, um monólogo, em que ele diz: "A coisa que mais eu gosto de ouvir nas notícias é que houve um grande desastre natural e o pior que me podem dizer é que não morreu ninguém". Quer dizer, tu ouvires isto, isto é chocante, mas ele depois continua e de novo, não vou estragar o prazer de verem este documentário e de ouvirem também o podcast onde esta história é contada, mas são duas sugestões. O documentário do George Carlin está na HBO.
HBO.
E sendo mais rápida, as sugestões de podcast que eu tinha, fora estas, são duas sugestões de música. Uma delas parte de uma página de Instagram, que também tem um programa no YouTube, uma versão mais prolongada, e que tem sido assim o meu cantinho feliz do Instagram nos últimos tempos, que é o Star Trek. E o conceito é: há um tipo que-
Não é Trek Star?
Trek Star. Acredito que sim.
Sim.
As palavras dançam um pouco na minha cabeça.
E é irrelevante.
O Google vai lá, mas o Trek Star, vamos dizer Trek Star, porque o Tiago sabe sempre.
Não, eu anotei, por acaso anotei.
Ele é o anfitrião.
Ele anotou.
Competente.
O anfitrião do melhor programa.
Exato, o melhor programa de rádio. E já ouvi um episódio e apreciei muito.
Qual é que ouviste?
Ouvi aquele em que eles convidaram o Seth MacFarlane para falar sobre o Great American Songbook.
O cânone, não é?
E é muito engraçada a forma, a dinâmica, mas aquilo dá imenso trabalho fazer uma coisa daquelas.
Aquilo é um prazer. Aquilo parte do conceito que é: eles encontram pessoas na rua, põem-lhes uns fones e dizem: "O que estamos a ouvir?" E é um jogo que é: acertas a canção, ganhas $5.
Exato.
E depois é sempre o dobro ou nada.
E ele faz isso com o Seth MacFarlane, porque é um tipo que é viciado na Broadway e já ganhou Grammys e tudo por discos e musicais, etc. E ele faz isso, ele vai passando músicas e pergunta se ele consegue adivinhar e depois conta um bocadinho a história daquelas canções. E é muito bem feito.
É muito giro. E para quem gosta de música, saber as histórias da música. Para já, só há três, depois transformaram isto em podcast. Recomendo. O Instagram é mesmo uma coisa boa que sai daquela rede social, que vai rareando. O podcast, para já, há três episódios, um sobre punk rock, outro sobre rap e outro sobre o cânone americano.
Exato.
E finalmente, também música, uma produção portuguesa, que eu só ouvi agora. "Homem Temporariamente Só", o podcast do Luís Oliveira sobre os 70 anos do Rui Reininho, e que são sete episódios, cada um deles sobre uma década de vida do Rui Reininho, e que é também sobre cada uma destas décadas de história do Porto e de Portugal, e da música, do pop rock português. E eu gostei muito de ouvir isto, acho que é um
Rui Rainha é um orador, é um grande contador de histórias.
Vale bem a pena ouvir o podcast.
E é uma produção portuguesa da Antena Um, portanto, aqui fica a sugestão.
Muito bem. Vou dar sugestões muito rápidas.
Da Antena Três, desculpem.
Tu disseste, acho eu.
Disse Um.
Ah, disseste Um. Muito bem. A série Contra a Lei, que está na Filmin, chama-se "I Follow the Law" no original, para já é inglesa. Eu adoro. Os ingleses a sacar melancolia, aquilo é extraordinário.
Sim.
Basta entrar nas casas. Eu vejo imagem de casa inglesa e fico logo triste. Aquilo é ótimo.
Atenção às praias do Marvin Gaye.
É baseado numa história real de uma mãe que procura justiça pela morte da filha. Vejam, porque vale bem a pena. Está na Filmin. E concertos. Até 18 de outubro, o Festival Jazz no Centro em Coimbra, para quem gosta de improviso, swing e cool. Indie rock melancólico, sim, mas com muita guitarra e colorido à mistura de uma banda chamada The Baths. Vão estar no Lisboa Viva, 17 de outubro, e também a 17 de outubro, na Casa Capitão, General Lee, para quem gosta de hip-hop.
Não é sério!
É verdade.
Quando é que é?
Dia 17 de outubro. Fica aqui a dica.
Ainda bem que tivemos este programa.
Ora bem, Maria Ramoncilda, vá em frente. É tudo teu.
Olha, trago mais música. Trago a Carminho, que tem álbum novo, é sempre um acontecimento. "Eu vou morrer de amor ao resistir", diz ela.
Sai esta sexta-feira, 10 de outubro.
Exato. Já saiu, entretanto.
Depende de quando estiver a ouvir-nos.
Sim. Mas como sempre pelos temas de avanço, coisa de grande classe.
Ou do local, é mais da geografia, que isto nunca se sabe.
Sim, exato. Eu fico à espera que dê uns concertos por cá muito em breve, depois da sua tour norte-americana. Eu penso que ela vai andar pelos Estados Unidos nos próximos tempos.
Sim.
Depois, também dos Estados Unidos, já que lá estamos, os Black Lips também têm um álbum novo. Isto é uma rapaziada que eu tenho que seguir desde 2013. Eu nem fazia ideia que eles já andavam cá há tanto tempo, vê bem.
Como é que ainda andam?
Sim, também são pessoas que fizeram, não humor, mas que fizeram belíssimas canções sobre desastres, nomeadamente o Katrina.
É verdade.
Isto foi um sucesso. Para quem gosta deste dirty rock, aquele rock de garagem sujo ou skate rock, não sei o quê.
Tão bom.
E este álbum, penso que é o décimo, salvo erro, "Season of the Pitch" também bastante recomendável para quem gosta da coisa. E por fim, cinema. Uma coisa que eu fui ver, que ia assim um pouco de pé atrás, porque pensei: "bem, isto vai ser assim um pouco aborrecido". Aquela coisa de colagem de imagens, de montagem, muito grão, 130 anos para trás. Mas não, isto chama-se como? Chama-se "Lumière: A Aventura Continua" e é um título absolutamente extraordinário, eu recomendo. Enfim, foi realizado por um senhor chamado Thierry Frémaux, que é o diretor do Instituto Lumière em Lyon e que também está ligado ao Festival de Cannes e tudo mais, e que quis celebrar esta efeméride. Para quem não sabe, são 130 anos de cinema, juntando e trabalhando sobre mais de 120 pequenos filmes feitos por Louis Lumière, restaurados, portanto, têm uma imagem que é absolutamente impressionante. Podia ter sido registada ontem, pelo menos é aquilo que nos parece, sem aquele grão todo imenso. E que me dá uma visão, pelo menos a mim deu-me uma visão absolutamente extraordinária e nova deste senhor, porque eu sempre o vi muito, e penso que todos nós, como alguém que é absolutamente revolucionário, mas do ponto de vista tecnológico. Mais do aparato, da máquina e tudo mais. Mas este filme mostra-te uma coisa que é absolutamente impressionante, que é a ambição visual que estas pessoas no final do século XIX já tinham, o ponto de vista, o lado de autor. Ele tem ali coisas que são absolutamente extraordinárias, que nós estamos a ver e que passado décadas, vemos em passagens, por exemplo, do Visconti, que são aquilo que ele já tinha feito ainda no final do século XIX. É absolutamente extraordinário, comovente mesmo, desde aquelas imagens mais neorrealistas de filmar os pescadores, as saídas da fábrica. A célebre imagem que marca o começo de tudo, as pessoas a saírem da fábrica em Lyon, na rua onde o cinema começou, até depois a Exposição Universal, em 1900, e coisas mais recentes. Aquilo é muito curioso, porque termina com: "Um dia, todos nós vamos salvar-nos um pouco mais da morte quando andarmos para aí a fotografar tudo e todos". E como é que ele poderia imaginar que hoje estamos a fazer filmes de cinco em cinco segundos, filmar a família, o cão. Ele tem inclusivamente filmes com gatos. Ele inventou aqueles filmes com gatos. As brincadeiras com gatos que nós vimos no Instagram. Portanto, há toda uma dimensão que eu não imaginava e que penso que muitos de nós não imaginávamos. Portanto, se puderem ver, e para celebrar também esta arte de resistência e de ética. Vão ver o "Lumière: A Aventura Continua".
Muito bem, sugestões entregues. Estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos e não percam nenhum episódio. Voltamos na quinta-feira. Até lá.