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Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", o seu termômetro para as coisas da cultura popular, sempre pronto para dizer o que está quente, o que está frio e o que vai morno. Mestres na medição das temperaturas, os habituais Bruno Vieira Amaral e Pedro Bucher Mendes. E esta semana também temos conosco a Susana Romana, no lugar da Maria Ramos Silva. Olá, Susana.

Olá.

A Maria foi ver as modas por outras paragens e nós estamos aqui cheios de estilo, como é habitual. Neste programa, estamos numa de avaliações. Vamos passar inevitavelmente pelos Oscars, mas antes vamos falar sobre "The Last of Us" na boa dica.

"If you don't think there's hope for the world, why bother going on? You haven't seen the world, so you don't know. Keep going for family. I'm not family? No. You're cargo."

Meus amigos, estamos a ouvir Pedro Pascal. Parece-me que é o homem que toda a gente quer ouvir hoje em dia. Susana suspirou. Susana Romana passou a Susana Suspiro. Estreou-se na segunda-feira na HBO Max o último episódio da primeira temporada de "Last of Us", adaptação à TV do jogo de vídeo com o mesmo nome, sucesso de vendas nas consoles, sucesso estrondoso nas audiências. Nós por aqui apreciamos bastante fazer contas finais e é por aí que vamos começar. Susana Romana, vamos começar contigo, até porque chegas aqui com alguma indignação, porque no início desta série, nós falamos aqui, vimos todos o primeiro episódio e ficamos todos com a sensação que a série não ia longe.

Tão certos que estavam. Eu estava a ouvir-vos em podcast, ia cozinhar e a gritar com vocês.

Enervada.

Parecia que estava a falar com os espíritos.

Enervadíssima que ela ficou.

Espíritos que não percebem nada do que eu estou a falar, acima de tudo.

Nada. E portanto, tu vens aqui dizer que esta série vale bastante a pena. Viste o último episódio, viste tudo. Faz-nos o teu balanço.

Ora bem, é uma série extraordinária, e eu digo isto do ponto de partida de alguém que não seria fã do "Last of Us". Eu nunca joguei o videojogo. Aliás, eu não sou capaz de jogar videojogos. É como se tivesse só polegares e vou dar contra paredes, não consigo.

Eu ia perguntar se era um problema físico.

Cognitivo ou digital. Eu não sou fã de videojogos. Eu, depois daquilo que me desiludiu, o "Walking Dead", prometi a mim mesma que não voltava a ver séries com criaturas, zumbis vindos de não sei onde.

Fim do mundo, etc.

Não me apetecia, depois do Covid, estar a ver uma série sobre uma pandemia, não me apetecia mesmo. Por isso, eu aterrei em "Last of Us" a achar que não ia gostar, mas "Last of Us" é uma série extraordinariamente bem feita. Para começar, tem o mérito de ser a primeira adaptação de um videojogo que é boa. Já houve várias tentativas no cinema, na televisão, com vários tipos de realizadores, com vários tipos de background, e todas elas foram absolutamente desastrosas. E o "Last of Us" consegue fazer uma série ótima. Uma série que tem o que normalmente se chama episódios de antologia, ou seja, são episódios que têm uma espécie de minihistória dentro da história, nomeadamente o terceiro episódio, que tem o Nick Offerman e o ator da primeira temporada do "White Lotus", que agora não me lembro o nome, a fazerem de um casal que consegue uma vida mais ou menos normal.

Murray Bartlett.

Muito obrigada.

A voz do além, caiu o anjo. Olá.

E é um episódio extraordinário. É uma série que tem ótimos atores, e estou a tentar não ser tendenciosa com Pedro Pascal, agora conhecido como o daddy da internet, que tem todas as mulheres do mundo malucas com ele.

Mulheres e homens, Susana.

E homens, quem quiser. Quem ama.

Por amor de Deus. E outros seres vivos.

E zombies.

E zombies.

Sim, e zombies. Clickers, neste caso. E a Bella Ramsey, que faz de Ellie, que já tinha entrado no "Game of Thrones" e que eu vi num filme que tive que ver aqui para o Observador chamado "Catherine Called Birdy".

Que eu tive que ver.

Que eu tive que ver, exatamente.

Investigada e obrigada.

Por acaso, acho que lhe dou uma boa nota. Eu acho que a Bella Ramsey vai ser uma das maiores atrizes da sua geração. Acho que ela consegue fazer comédia, consegue fazer drama, e acho-a absolutamente extraordinária e acho que vai ser uma das-

Tomei nota

...uma das grandes atrizes da sua geração. E acho que o "Last of Us" consegue ser uma série boa em tudo. É bem realizada, tem bons atores, tem um ótimo argumento, é fiel ao jogo quando tem que ser fiel ao jogo e é fiel a si própria quando tem que ser fiel a si própria. E lá está, eu aterrei nesta série com zero vontade de a ver, vi aquilo tudo e acho genuinamente que é uma série muito bem feita e que é uma série que vai marcar muito. E acho curioso que o "Last of Us" tenha saído e dado esta força toda à HBO numa altura em que em vários países do mundo, incluindo Portugal, há um êxodo da Netflix, há muita gente a sair da Netflix por não se rever nas novas medidas ou por não se rever no próprio catálogo. Há muito tempo que a Netflix não tem um grande sucesso, a não ser aquelas coisas um bocadinho mais teenager, tipo "Wednesday". Eu acho que tirando de dois em dois anos sair um "Stranger Things", a Netflix não está propriamente em pico de forma. E acho curioso que na altura em que há tanta gente a sair, que esteja a HBO exatamente com o "Last of Us".

Nada acontece por acaso, Susana. Pedro Bucher Mendes, já tu. Queria saber se continuas relativamente cético em relação a este tipo de história e mortos-vivos, etc., e pós-apocalipse, ou se te converteste à série entretanto ou, pelo contrário, nem sequer voltaste lá.

Cumprimentando a Susana e lembrando que um homem-

Olha o brigadinho, está bem?

Exato. E o Bruno, eu vejo o Bruno todas as semanas.

Exato.

Que um homem bonito não é necessariamente um bom ator. Eu acho o papel do Pedro Pascal bastante plano. Ele está sempre impecável, tem sempre um cabelo impecável, uma barba impecável e um bigode impecável. E os diálogos, eu acho os diálogos lamentáveis desta série, pelo potencial que tinham, porque de facto a Bella Ramsey, a miúda é uma atriz extraordinária. O Pedro Pascal não é tão bom ator, mas de facto é uma figura invejável.

É o que é, Pedro.

Exato. Mas ao nível dos diálogos, como diria outro, a série não é boa, o arco dos personagens não parece conseguido. O facto de ser a melhor adaptação de sempre de um videojogo não torna necessariamente "The Last of Us" numa boa série ou qualquer outra. Eu vi os episódios todos com esforço, até porque o meu filho jogou o jogo e queria ver.

E já agora, ele gostou da série e da adaptação?

Não, porque a miúda no jogo é bonita. Vou falar de uma certa ortodoxia. E para ele, meu filho, a Bella Ramsey não é bonita.

A miúda em 3D é mais bonita, como?

Mas isso eu dou-te o telefone.

Ok.

Vocês discutem.

Ele estava um pouco desapontado com isso, mas é uma criança de 19 anos, portanto, não levamos muito a sério. Mas eu fiz um esforço para ver, porque como a Susana alude a uma questão interessante que é a fadiga das plataformas. Nós que vemos séries e que gostamos, independentemente de trabalharmos nestas coisas, gostamos muito de gostar de séries. Verdade, não é, Susana?

Exatamente.

E não havendo outra, eu acho que "The Last of Us" ocupou uma janela de tempo, que é esta que vivemos agora, em que não há propriamente concorrência. E se criou aquilo que os americanos chamam hype train, comboio de hype, que toda a gente: "É o máximo, tens que ver, etc." Eu vi com grande esforço todos os episódios, e não extraí grande coisa. Por exemplo, os Clickers, não sei se concordas, Susana, gostava mesmo de saber a tua opinião, parece aquela altura em que nós nos mascarávamos para assustar. Jogávamos aqueles jogos em que apagávamos a luz e assustávamos os amigos. Não parecem sequer, do ponto de vista da caracterização, bem conseguidos.

Querias que eles fossem mais assustadores e menos um cogumelo com dentes.

Querias que fossem mais verosímeis, se quiseres, se é que isto faz sentido dizer, já que obviamente não existem zombies.

Sim, mas eu percebo o que dizes, até porque a série começa com aquela conversa ainda nos anos 60, que tem um lado relativamente duríssimo.

Eu acho que a justificação daquela pandemia é boa, sendo mais ou menos crível. Acho que a justificação da pandemia é boa, e foi pela farinha.

Certo, também acho. Do contágio.

Sim.

Mas depois, já no "Walking Dead", a dada altura começou a ter esse problema em que no fundo pareciam cartoons os zombies, ou como é que se diziam, os infetados. Por exemplo, achei aquele episódio do casal gay que tu referiste, achei um ótimo episódio, um episódio de antologia, como tu dizes, ou um bottled episode, um episódio engarrafado, porque não tem ligação à trama principal. Mas achei um episódio ok. O tipo tinha imenso vinho e imensa carne durante muitos anos. Falando por mim agora, mas quando eu começo a focar-me apenas nos detalhes, nomeadamente esse do stock de vinho do tipo, e no facto de o Pedro Pascal ter sempre um aspeto impecável, aconteça o que acontecer, é mau sinal, significa que o resto não me está a interessar. Fico um pouco com a sensação de que basta ler os recaps se quisermos saber como continua a história. E eu nem sequer quero saber como continua a história, porque se a série continuar a ser o êxito que está a ser, a história nunca mais vai acabar.

Eu aprecio este balanço de opiniões e é para isso que nós estamos aqui. E eu quero ouvir o Bruno Vieira Amaral.

Obrigado.

Quero saber se vais desempatar isso.

O Tiago também me quer ouvir.

Exato. Eu quero saber se vais desempatar isto de alguma forma.

Depois queremos ouvir o Tiago.

Se eu vou desempatar?

Sim.

Eu sou mais pelo sim, a favor.

Mas não totalmente.

Há duas formas de ver isto. Será a melhor série do momento? Será a melhor adaptação de sempre de um videojogo? Sim, e provavelmente sim. Não é que eu tenha visto muitas outras. Não consigo comparar bem em relação aos videojogos, porque não os jogo. Então logo aí tenho essa desvantagem. Mas é uma boa série. Eu gostei muito do primeiro episódio, acho que é um dos melhores. Eu daria um oito em 10 ao primeiro episódio e à série no seu todo, um sete em 10. Creio que a série vive muito da dinâmica e da química do par de protagonistas e quando eles desaparecem, como é o caso do episódio três, parece que aquilo fica um bocadinho coxo. Não creio que resulta. Creio que aquilo que o Pedro disse, que é um excelente episódio, é verdade, esse tal famoso episódio três, mas que não joga a favor da série toda. Está ali um bocadinho isolado e muito cedo na narrativa. É o terceiro episódio e de repente os teus protagonistas desaparecem para contarem uma história de personagens que depois também desaparecem, não voltam a aparecer. Portanto, não sei se funciona muito bem. Talvez seja essa uma das dificuldades da adaptação dos videojogos, é que de facto é tudo muito centrado numa ou em mais, ou em poucas personagens principais e as outras vão aparecendo e desaparecendo. Eu gostei muito, esse foi o meu episódio preferido. O episódio cinco chama-se "Endure and Survive". Vão ver, agora já estão todos disponíveis, já não há aquela coisa de terem de esperar. Eu tive uma história a seguir, não vejam à noite. Para mim foi o melhor episódio. Acho que o final é bom. Eu diria que é o episódio padrão, aquele que está ao nível da série toda. Nem é extraordinário, nem é mau. Essa é a minha opinião sobre a série. Vive muito, de facto, do par de protagonistas e aí o Pedro Pascal acho que se destaca. Eu no outro dia estava a ver os Oscars, e depois vamos falar dos Oscars, e ele aparece E eu senti que estava a ver alguém da família: "Olha ali o Pedro Pascal!"

E eu acho que as pessoas que estavam no Dolby Theatre sentiram a mesma coisa, porque houve ali um viagem.

De repente, o tipo que nós estamos a ver agora todas as semanas na série está ali, sem ser a matar zumbis, e parece alguém da família. Se calhar, é este o efeito também de as séries não serem disponibilizadas integralmente, serem disponibilizados os episódios semana a semana. Cria um outro envolvimento com os personagens e com os próprios atores. Mas o meu balanço, e é isso que nós estamos a fazer aqui, é positivo. Não é a melhor série de sempre, não está, para mim, na lista das melhores séries de sempre, mas é muito boa e vale a pena. Será o "Tiger King" deste ano. O "Tiger King" apareceu quando nós não tínhamos nada para fazer na Netflix. E esta série apareceu agora que nós temos um bocadinho de falta de séries de qualidade e que nos façam ficar agarrados durante várias semanas a uma narrativa.

Só para terminar este capítulo.

Uma questão interessante. Desculpa, Tiago, interromper. Uma questão interessante é para que idades será esta série? Ou seja, admitindo que seja para adolescentes que jogam videojogos ou que tenham jogado, sobretudo masculinos. Mas até que idade irá? Eu, por exemplo, sinto-me já fora do chamado demographic deste tipo de série. Séries de survivals e de zumbis é um assunto que não me interessa minimamente, mas compreendo ou verifico, aliás, que é um assunto que interessa muita gente. Esta coisa dos apocalipse. Eu nem sequer acho a série tecnicamente muito bem feita, porque recorre muito a cenários virtuais, cenografia virtual e aqueles carros sempre de capota aberta que estão ali nos cantos. Eles parecem que estão mesmo num videojogo, quando nós queremos é ver uma série e não um videojogo com actores lá dentro. Uma coisa que é sempre de sublinhar na indústria americana é a enorme quantidade de excelentes atores secundários que eles têm, de facto.

E as girafas também.

As girafas que são CGI.

É real, a girafa é real.

Pois, mas não é lá a dar-lhe o, acho eu, o eucalipto.

Deixamos só terminar este capítulo antes de fazermos aqui uma pausa. Susana, rapidamente. Isto é uma prova de que eu também tinha a ideia de que depois de "Walking Dead" tinha acabado esta brincadeira do pós-apocalipse, etc. Mas afinal não acabou, não sei se vai acabar. Por que isto resulta?

O "Last of Us", para começar, resulta porque é baseado naquele que é provavelmente o jogo mais famoso e mais importante dos últimos 20 anos.

Tem um arrasto danado lá com o jogo.

Logo aí, à partida, está mais conquistado do que outros territórios. Pois a minha teoria sobre este género de conteúdos pós-apocalípticos sempre foi que nós gostamos de ver o mundo em circunstâncias nas quais achamos que íamos ser o herói e fazer as coisas certas. Depois vem uma pandemia e mostra-nos que se calhar não é bem assim. Mas eu acho que uma pessoa olha sempre para este apocalipse e pensa: "Não, eu ia ser a pessoa que não ia pensar só em mim, também ia pensar nos outros. Eu ia ser a pessoa que ia parar o carro e salvar." Eu acho que nós nesse mundo pós-apocalítico gostamos muito de nos imaginar a fazer tudo certo nesse cenário. Nós éramos os sobreviventes.

Eu gosto de me imaginar como o protagonista do terceiro episódio, como diz o Pedro, com muito vinho e muita carne.

Se é para acabar.

Sem mantimentos. Não me importava que o resto do mundo estivesse a arder. Se estivesse naquelas condições tão favoráveis.

Eu acho que a maior parte das pessoas que vê acha que dava um ótimo herói. Pronto, eu também sei que não dava, eu morria em dois segundos ou então, lá está, trancavam-me com bifes e Casal Garcia não sei onde.

E esperavas para ver o que é que acontecia.

E esperava para ver o que é que acontecia, mas eu acho que muita gente gosta de imaginar que faria a coisa certa, mas pronto, depois do Covid, tenho grandes dúvidas que assim fosse.

Vamos lançar aqui as sugestões da semana. Começamos por ti, Susana, queres falar-nos de uma série que parece que passou ao lado de tudo o que a gente chama-se "Extraordinary", na Disney+.

Exatamente. A Disney+ tem um catálogo ótimo de séries, sobretudo séries britânicas, mas que estão lá encafuadas entre Marvel e Toy Story, e às vezes as pessoas não se apercebem que de facto o catálogo da Disney+ é bem mais apetecível do que aquilo que parece. Esta é uma série chamada "Extraordinary". É a primeira série de uma showrunner e criadora estreante chamada Emma Moran, que é da Irlanda do Norte. E o "Extraordinary" era o trabalho que ela desenvolveu como tese de mestrado de um curso em guionismo, e depois entretanto veio o Covid e ela trancou-se em casa a escrevê-lo. Por isso foi a primeira série que ela escreveu na vida e foi a primeira série que ela vendeu na vida. Enquanto pessoa que tenta vender séries em Portugal, isto é ao mesmo tempo inspirador e desesperante, ouvir relatos destes. Mas pronto, "Extraordinary" é uma comédia britânica que tem mesmo aquele ar de comédia britânica, ou seja, fala sobre pessoas com superpoderes, mas não tem nada ar de série de super-heróis, antes pelo contrário, tem mais ar de uma série como, sei lá, um "Derry Girls" ou um "Breeders", vai mais por esse género de território. E nesta realidade do "Extraordinary", todas as pessoas aos 18 anos descobrem que superpoder é que têm. E pode ser super aleatório, desde conseguires voar, a conseguires levantar coisas pesadas, a o teu, como dizer isto elegantemente, o teu rabo ser uma impressora 3D. Tudo é possível em termos de superpoder, há superpoderes mais apetecíveis e outros menos, mas aos 18 anos toda a gente tem um superpoder. E o "Extraordinary" é sobre Jen, uma rapariga que já tem 25 anos e que continua sem ter nenhum poder óbvio, continua sem lhe ter acontecido nada.

Como aqueles garotos que chegam aos 40 e nunca tiveram varicela.

Exatamente. Eu nunca tive varicela, por exemplo. Nunca tive. E então ela tentar descobrir qual é que é o seu superpoder num contexto em que toda a gente os tem. É uma série que está muito bem escrita e é uma ótima série de comédia e recomendo bastante.

Muito bem, o Pedro Boucherie Mendes viu "A Baleia", o filme de Darren Aronofsky, que deu o Oscar a Brendan Fraser.

Vi, sim, senhor. E a "The Whale", A Baleia, foi para mim, pelo menos, uma espécie de alívio dos Oscars, na medida em que o "Everything Everywhere" ganhou tudo e mais alguma coisa. E aqui o Brendan Fraser ganhou. É um filme francamente bom e que eu convido as pessoas a irem ver ao cinema. Para além da história em si, no fundo é uma história de amor, neste caso amor de pai e filha, tem ótimos atores e ótimos personagens. Isto é adaptado de uma peça de teatro, portanto as convenções são às vezes mais aproximadas do teatro do que propriamente do cinema, mas é um filme que vale francamente ver a pena no cinema. E como eu venho dizendo ultimamente, a quem me quer ouvir e a quem tem de me ouvir, não é assim tão longo.

Exato.

Seis horas. "The Whale", a baleia no cinema.

Bruno Vieira Amaral, tu andaste à procura do voo MH370 na Netflix.

Pois, eu voltei àquelas coisas de histórias reais, neste caso do desaparecimento de um avião, de um Boeing, em 2014. E que é um dos grandes mistérios do mundo moderno. Provavelmente estará alguma série no canal História a relacionar isto com o Triângulo das Bermudas ou com extraterrestres. É uma série que procura e tenta dar respostas que não existem. Não existe uma resposta satisfatória ao que terá acontecido ao avião. É uma série que também entra um pouco em zonas de teoria da conspiração, mas pela voz de pessoas que entrevistou, jornalistas e familiares de vítimas, porque nesta altura serão vítimas, não há grandes possibilidades de o avião ter passado para uma dimensão paralela à nossa, para um universo alternativo. Portanto, são vítimas. Mas creio que dá muita voz a essas teorias, quando a explicação mais simples para o que terá acontecido é também a mais provável, que terá sido o piloto a fazer despenhar o avião, mas não temos aqui uma certeza. É uma série de três episódios que se vê bem para também fazer esse desenjoo dos Oscars e da ficção. Eu gosto muito destas séries, recomendo. Não lhe daria um 10 em 10, um 7 em 10 também.

O Bruno está muito no 7 em 10. Nada mal. Depois da análise ao final da série "Last of Us", vamos continuar numa de anatomias de coisas passadas. Os Oscars foram entregues na madrugada de segunda-feira. Sete bonequinhos dourados para "Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo", em quase todas as categorias principais. Um varrimento que vamos aqui analisar. Susana Romana, ganhou bem este filme? Também é um dos que ainda não conseguimos unanimidade aqui.

Dos 10 nomeados para o Oscar de melhor filme, eu só vi quatro. Vi o "Everything Everywhere All at Once", vi o "Espíritos de Inisherin", vi o "Triângulo da Tristeza" e vi um quarto que agora não me estou a lembrar. E com todos aconteceu-me o mesmo, que é eu entrar na sala de cinema convencida que ia adorar o filme e depois ter gostado, só.

Ok.

Eu este ano não consegui ser arrebatada por nenhum filme nos Oscars, mas admito que o problema possa ser meu, porque eles em papel pareciam-me todos incríveis e depois vi e gostei. Eu gostei do filme, não me chateia nada que seja premiado, até porque gosto que sejam premiadas coisas um bocadinho mais tresloucadas. Não sei se isto é sinal de alguma coisa, porque os Oscars andam há não sei quanto tempo a tentar perceber o que querem ser. Agora vamos premiar o "Parasitas".

Exato, é verdade.

Eles estão um bocadinho a tentar perceber o que querem ser e no meio dessa busca premiarem uma bizarrice em que há pessoas com mãos feitas com dedos de salsicha e pedras que discutem filosofia, não me chateia. Eu gostei do filme, queria ter gostado um bocadinho mais.

Pedro Bucho Mendes, outra das, talvez a maior expectativa aqui do nosso lado tinha a ver com "Ice Merchants", a curta-metragem de animação portuguesa, que não ganhou. Realizador e produtor, apesar disso, disseram-se muito felizes e afirmaram que o melhor prémio é conseguir levar pessoas ao cinema e conseguiram levar muita gente a ver esta curta no cinema. Pergunto se concordas que foi obviamente uma vitória ou se na verdade foi mesmo uma derrota amarga.

Evidente que foi uma vitória. Nós em Portugal temos um bocado a mania de, de repente, começamos a acreditar ou a "acarditar", como diria outro, e achamos que vamos, de facto-

Limpar a concorrência.

Sim, às tantas eu estava a ver que o "Ice Merchants" também ia ganhar o melhor filme, melhor ator. Não é de mérito nenhum não ter ganho.

E o Festival da Canção também.

Exatamente. Muitos filmes que não ganharam, foram nomeados para Oscars e que não ganharam. Portanto, não é de mérito nenhum, pelo contrário. Parabéns a quem fez o filme, ao João Gonzalez. Fica-se um pouco com a sensação que como é animação, não era bem o que-

Ainda não era isto.

Exato. Não seria isto, exatamente, mas se calhar estou a ser injusto. E sobretudo, também não terá ajudado aqui a fazer um hype train maior, não ser de Lisboa. Não sei se o João alguma vez foi ao Frágil ou ao Lux, mas dá um pouco a ideia que se tivesse ido, teria sido mais acolhido ou acolhido de outra forma. De qualquer das maneiras, é um ótimo filme. Portugal tem, de facto, uma micro, pequena indústria de cinema de animação. Há vários cineastas, homens e mulheres, que fazem este tipo de cinema ou até de televisão. E eu acho que estão de parabéns.

E também porque falaste nisso, e com um polo criativo a norte que é notável.

Isso. E eu já o disse aqui, isto merece uma entrada direta em qualquer enciclopédia que se faça do cinema português, porque é a primeira vez que vimos alguém de smoking lá na sala e que de facto podia subir ao palco e no limite dedicar o prémio, não sei a quem, ao Tiago Pereira, uma coisa assim.

Imagina. Extraordinário. Bruno Vieira Amaral, uma das personalidades da noite foi Que, Ke Huy Quan, podemos dizer isto?

Huy. Claro que foi uma das personagens da noite que nos reconciliou a todos, sobretudo aos da nossa geração. Porque eu creio que esta cerimônia teve esse lado nostálgico, pelo menos no reconhecimento, nos prêmios de representação, para atores que nunca estiveram no topo da cadeia alimentar de Hollywood, mas que eram figuras conhecidas.

Exato.

Jamie Lee Curtis, com essa ligação toda. Uma Apple baby, já tínhamos falado aqui há uns tempos, mas que sempre manteve uma carreira e uma presença mais ou menos discreta. Nunca foi uma atriz de topo de Hollywood, muito ligada ao cinema de gênero, de terror e também algumas comédias. E também teve esse gosto, este reconhecimento, teve esse gosto de se premiar, quase por interposta pessoa, todo um gênero cinematográfico que raramente é premiado, e isso também aconteceu com o reconhecimento do filme. Mas no caso do Ke Huy Quan, tem essa questão de um regresso. Estamos a falar de alguém que tinha feito o último filme há 30 anos. Creio que são três filmes que ele fez, e o mais conhecido é a segunda parte do "Indiana Jones", e que tinha desaparecido, tinha desistido da carreira e agora regressa, e Hollywood e todos nós gostamos dessas histórias de regresso. E a mesma coisa com o Brendan Fraser, que era um has been, que tinha estado perto ali da A-list, dos atores com maior sucesso de bilheteria, quando fez os filmes da Múmia, e que também tinha desaparecido, entre problemas pessoais. E o Darren Aronofsky, que já tinha recuperado o Mickey Rourke naquele filme do "Wrestler", tinha conseguido uma nomeação, recuperou o Brendan Fraser. Mais uma vez, narrativas que todos nós gostamos, que nos reconciliam não só com a indústria, mas também com a vida. Dizer: "Bem, há sempre uma segunda oportunidade e é tão bom reencontrar estas figuras que pareciam mais ou menos perdidas." Portanto, teve esse efeito, e Ke Huy Quan, pela história dele e também pelo discurso, acabou por ser, claro, uma das figuras da noite, numa noite em que as figuras foram estes atores e atrizes recuperados. Mesmo a Michelle Yeoh nunca foi uma atriz de primeiro plano, também ligada muito ao cinema de gênero, ao cinema de artes marciais. Não sei se ela tinha sido nomeada com o "Tigre e o Dragão", mas também não era uma atriz do topo em Hollywood.

Não foi nomeada.

Não foi nomeada.

Não foi.

E estamos a falar também, no caso das atrizes, de duas atrizes já com 60 anos. Isso também foi um facto mencionado, e que muitas vezes não têm papéis à altura. Começam a fazer papéis de avó, porque deixa de haver papéis interessantes para atrizes desta idade, a não ser que se tenham mantido no topo durante muitos anos, não sejam uma Meryl Streep. E isto tudo veio pôr em causa todas essas narrativas. Vamos ver se isto é pra continuar. Não sei se é, mas pelo menos soube bem este ano.

Sónia Romana, tu tens uma teoria em relação a isto, é que estes foram os Oscars da fofice, não é?

Sim. Lá está, eu não sei quão maquiavélicas são as decisões dos Oscars em termos de como é que distribuem os prêmios.

Mas pareceu tudo alinhado, não é? Demasiado alinhado.

Pareceu muito alinhado, sobretudo se tivermos em conta que o ano passado quem ganhou o Oscar de melhor ator foi um tipo que tinha acabado de bater em alguém e que depois fez um discurso interminável, porque toda mundo tinha medo de o interromper. Ou seja, o ambiente que estava nos Oscars do ano passado era completamente oposto dos Oscars deste ano. E independentemente dos prêmios, eu acho que a grande imagem que fica e que ficará como símbolo dos Oscars deste ano é o Ke Huy Quan abraçado ao Harrison Ford quando eles ganham o Oscar de melhor filme. Aquela espécie daquele reencontro em palco, foi o frame que circulou e acho que vai ser a grande imagem que vai ficar destes Oscars.

Dava uma bela T-shirt.

Dava uma ótima T-shirt, que eu usaria.

Exato.

E vem muito ao encontro daquilo que dizia o Bruno. Foram muito os Oscars de pessoas fofinhas e resilientes numa indústria que nem sempre é simpática.

Exato.

Pessoas genuinamente felizes por estar ali e por ganharem aquilo. Estes Oscars tiveram, calculo, eu, uma espécie de recorde de pessoas nomeadas pela primeira vez. Em 20 atores nomeados nas categorias de representação, 16 estavam a ser nomeados pela primeira vez. Todos os atores na categoria de melhor ator estavam a ser nomeados pela primeira vez. E era assim tudo uma espécie de um bom ambiente entre esta gente que deu a estes Oscars uma pátina muito fofinha. O Brendan Fraser comovido só no próprio momento em que estão a dizer os nomeados, mesmo ainda antes de ganhar. E tudo tende a estar assim muito fofinho e muito de segunda oportunidade, que eu acho que deu a estes Oscars. Lá está, independentemente de concordar ou não com as estatuetas, deu-lhes uma boa onda, que eles provavelmente estavam a precisar. E lá está, se tivesse ganho, nada contra as pessoas, mas se tivesse ganho um James Cameron, que é um tipo que nem sequer vai à cerimônia porque percebe que não vai ganhar nada, é um tipo de outro gênero de atitude. Ou mesmo o Austin Butler, que fez o Elvis e que estava nomeado, e que é um tipo que fala o quanto sofreu, porque o sotaque dele mudou pra sempre, porque ele esforçou-se tanto a mudar o sotaque que não consegue voltar à voz dele normal. E que foi conhecido porque foi a ex-namorada, que também é atriz, a Vanessa Hudgens, que o ajudou a preparar pro papel e ele não fala dela nas entrevistas.

Exato. Muito drama.

Ou seja, é um tipo com outro gênero, lá está, de drama e de ser um tipo um bocado mais convencido. E eles foram totalmente para: vamos premiar os fofinhos.

Exatamente.

E não tão giro como o Pedro Pascal, não é, Sónia?

E não tão giro como o Pedro Pascal, podes ter a certeza.

Era o que faltava. Duas notas muito rápidas, só para terminar este capítulo. Primeiro, Pedro Bucherimenes, Jimmy Kimmel, ao nível de apresentação, um trunfo?

Muito competente, é a terceira vez que apresentou. Fez otimamente bem as transições. Muito competente. A cerimônia foi calma.

Sim.

Foi sem incidentes, sem chapadas, sem discursos, sem politiquices daquelas que às vezes surpreendem. Teve melhores audiências do ano passado, estive a ver. E assinale-se que foi produzido por veteranos de live TV, portanto, pessoas habituadas a fazer televisão em direto, e não, como habitualmente, por veteranos do cinema, por produtores de cinema.

Exato.

A malta da televisão fez um bom trabalho.

E para terminar, Bruno Vieira Amaral, sobre a mini conversa que também deu em mini polémica entre Ashley Graham e Hugh Grant, o que é que tens a dizer?

O que eu tenho a dizer?

Vamos só contextualizar. Foi uma conversa na passadeira champagne em que Ashley Graham faz ali duas ou três perguntas, podemos dizer, não muito interessantes.

Não são para quatro também deste género.

Que é o habitual. E o Hugh Grant faz um revirar de olhos, como quem diz: "Que palermice de perguntas."

Sim, vamos lá ver. Por um lado, sim, o Hugh Grant sabe ao que vai.

Claro.

Ele não está à espera que lhe façam ali perguntas muito inteligentes sobre o sentido da vida. É aquele tipo de perguntas que se fazem numa passadeira champagne.

Exato.

E ele acho que devia estar preparado para isso. Acho que foi um bocadinho desagradável aquele tipo de resposta, porque ou então não vais, não é? Porque é um espetáculo, é uma coisa um bocadinho frívola.

Não é uma entrevista, é uma flash interview.

É, uma coisinha. Então diz lá onde é que foste buscar essa roupa, quem é que fez.

Exato.

As perguntas que se fazem ali. Eu não sei que tipo de perguntas é que ele estava à espera. Por isso eu tenho alguma simpatia pela entrevistadora. Depois, começam com grandes teorias sobre as mulheres que sofrem às mãos de homens. "Estamos muito habituadas a que os homens..." Quer dizer, eu acho que já é de mais. Foi um bocadinho desagradável, é verdade. Acho que podia ter evitado. Teve piada também, por outro lado, confesso que teve alguma piada aquele tipo de respostas. Percebo que tenha sido ligeiramente, não extremamente desagradável. Agora, depois todas as teorias, e creio que houve ali uma parte da imprensa britânica, o Independent e o Telegraph, que insistiram muito, fizeram dele um vilão com artigos a dizer que o Hugh Grant foi um vilão.

É uma onda cavalgável, não é?

É, e eu acho que isso já é um exagero. É um exagero nós estarmos a falar de dois ou três minutos de entrevista numa passadeira champagne, como se fosse uma coisa extraordinariamente importante. Não é, não tem grande importância. Ele foi um bocadinho antipático, mas não vem mal ao mundo por causa disso.

Mais importante do que isso, antes de irmos embora, uma última conta sobre os Oscars, porque isso é que era bom. Ora pedi aqui à rapaziada um filme nomeado para melhor filme, cá está, e que tenha perdido, e que até hoje esta malta não tenha superado a derrota. Vamos começar por ouvir a escolha da Susana Romana.

"I don't know anything about Ryan. I don't care. Finding him so he can go home. If that earns me the right to get back to my wife, well then, that's my mission."

Ora cá está, Tom Hanks preocupadíssimo em salvar o puto Ryan para voltar para os braços da sua mulher. "O Resgate do Soldado Ryan", que não ganhou.

Não só não ganhou, como perdeu para o "Shakespeare in Love".

Epá, a sério?

Exatamente, perdeu para o "Shakespeare in Love". Isto só não é mais grave porque pelo menos o Spielberg ganhou o Oscar de melhor realizador por este filme. Se não tivesse ganho, então o escândalo ainda era maior. E acho que, nem que seja o teste do algodão do tempo, é o "Shakespeare in Love" é daqueles filmes que já não passa nem no Hollywood às 3:00. É um filme que o tempo dilacerou e esqueceu. E "O Resgate do Soldado Ryan" é talvez o melhor filme já feito sobre a Segunda Guerra Mundial.

Continua a ser um belíssimo filme.

E continua a ser um grande filme. Deixa-me só fazer muito rápido um aparte, que depois fui pesquisar. O facto de "Shakespeare in Love" ter ganho o filme marca o início do reinado e do poder de um senhor chamado Harvey Weinstein. Foi a primeira vez que ele fez determinadas movimentações de bastidores dos Oscars para um determinado filme ganhar. Isso não só se tornou a regra, como fez de Harvey Weinstein a criatura que sabemos que é.

Muito bem, vamos ouvir a escolha do Pedro Boucher Mendes.

"The path of the righteous man is beset on all sides by the enemy."

1994.

Diz, Pedro.

1994, venceu "Forrest Gump" e perdeu "Shawshank Redemption", supostamente considerado um dos grandes, talvez o melhor filme para guys, para gajos, desculpem a expressão, de sempre. E perdeu, sobretudo, "Pulp Fiction", que é talvez um dos melhores filmes do cinema de sempre, acho eu, atrevo-me a dizer. Acho que não há nada errado em "Pulp Fiction", mas perdeu o Oscar.

E é aquele silêncio trágico e dramático, de facto, hoje perguntamos como é que estas coisas acontecem. E vamos terminar aqui com mais uns rapazes a falar na escolha do Bruno Vieira Amaral.

"Never rat on your friends and always keep your mouth shut." "As far back as I can remember, I always wanted to be a gangster."

E agora lembrei-me que entretanto o Ray Liotta também morreu, não é?

É verdade.

Falou há algum tempo.

O Paul Sorvino não apareceu.

Exato.

E houve mais gente que não apareceu.

O do "Resgate do Soldado Ryan", que morreu há pouco tempo. Agora não me lembro o nome do ator, também não apareceu.

Que morreu aqui há uma semana ou duas.

É o Tom Sizemore.

Exatamente.

Tom Sizemore. E a atriz, que é uma das protagonistas de "O Triângulo da Tristeza" também não aparece. Mas enfim, "Tudo Bons Rapazes".

"Tudo Bons Rapazes" perdeu para "Danças com Lobos", que é um bom filme.

É um sete em 10.

Não, é seis em 10. Eu gosto muito do Kevin Costner, apesar de todos os falhados dele, mas quer dizer, vamos lá ser honestos.

Isto é o "Goodfellas".

O "Goodfellas" perder para o "Danças com Lobos", enfim, é um bocadinho incompreensível, mas é o que é. Devo lembrar que o "Pulp Fiction" foi produzido pela Miramax, não é?

Exatamente.

Estou certo ou estou errado?

Não, estás certo.

Portanto, o Harvey Weinstein na altura ainda não sabia como promover.

Ainda não mexia os cordelinhos.

Infelizmente não mexia, porque o "Pulp Fiction" merecia, claro, ganhar naquele ano, como merecia o "Tudo Bons Rapazes", que é um filme extraordinário e era também uma oportunidade na altura para fazer justiça ao Scorsese, que ainda não tinha vencido nenhum Oscar.

Muito bem, chegamos ao final de mais um "PopUp". Um agradecimento especial à Susana Romana por regressar mais uma vez. Voltamos na próxima semana. Até lá.