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Ora, cá estamos mais uma segunda-feira, mais uma dose de sugestões da rapaziada do "Pop Up". É mais uma prova de que nunca houve um programa de rádio assim. Joana Sicínio Vilela, tu que estás entre nós esta semana, vais começar esta dose de sugestões e vais começar com um livro.

Chamado "A Chefe dos Maus".

Muito bem.

Do Ricardo Adolfo, que eu entrevistei aqui para "O Observador".

A sério?

É verdade.

Maravilhosamente editado.

É um texto muito bem editado.

A pedido de um editor que, de acordo com Bruno Vieira Amaral e Tiago Pereira, é maravilhoso.

É verdade.

Eu, por acaso, já tinha entrevistado Ricardo Adolfo por causa de um outro livro dele.

Eu sabia que tu ias dizer. Eu, por acaso, já sabia que o editor era maravilhoso, mas nada.

Também sabia. E gosto muito dos livros dele. Ele já não escrevia há mais de 10 anos nenhum romance. Ele tem uma série de características que eu gosto muito.

A saber?

A saber, dois pontos: um para começar é aquilo, e se calhar o Pedro Buzo Simões vai gostar de ouvir isto, que é: ele não é um escritor português, ou seja, não tenta ser um escritor português. Ele é um tipo da Linha de Sintra e os outros livros dele, a maior parte, são sobre essa realidade suburbana dessa zona, com a coloquialidade toda da zona, com imenso humor. São livros muito divertidos, com uma escrita fácil, sintética, ágil e com protagonistas, normalmente mulheres, muito inesperadas e irreverentes.

"Inesperadas" não era a palavra.

Não, e irreverentes, e que nos levam para outros mundos, lá está, e se calhar nós precisamos disso. Se calhar nós precisamos de alguém que escreva sobre a Linha de Sintra, porque é lá onde vive a maior parte das pessoas.

Milhares de pessoas.

Não, mas quer dizer.

Não faltam no Chega. Não? Pensei que fossem só.

Algumas poderão.

Mas quer dizer, nós vivemos de um centralismo numa certa intelectualidade. Eu acho isto muito mais interessante.

Temos de começar a gravar isto em Algueirão-Mem Martins.

Olha.

Em Alvalade isto não pode ser gravado.

Este "A Chefe dos Maus" é diferente destes outros livros, porque não se passa na Linha de Sintra ou nos subúrbios. Depois também há um que é sobre imigrantes, mas passa-se em Tóquio. Mas eu vou só dizer aqui o nome, vou só sugerir dois livros do Ricardo Adolfo anteriores, de que eu gostei muito. Toda a gente diz, eu não sei por quê, não sei onde é que isto aconteceu ou quando, mas toda a gente diz que o Lobo Antunes é grande fã. Mas eu vou dizer.

Fica a nota.

"Misé antes galdéria do que normal e remediada", que foi o primeiro livro dele que eu li e recomendo.

Vivamente.

Vivamente. E "Maria dos Cantos Errados" também, embora haja outros. "A Chefe dos Maus" passa-se em Tóquio. É uma sátira ao mundo corporativo, que o Ricardo Adolfo, na sua vida real, é publicitário, ele é diretor criativo de uma grande agência mundial. Não percebo como é que isto funciona, se se pode dizer nomes e essas coisas, mas de uma das maiores agências de publicidade do mundo, e trabalham também só para uma das grandes marcas de tecnologia do mundo. E ele diz: "O mundo corporativo no mundo inteiro não é assim tão diferente". E ele tem muitas questões do mundo corporativo que o inquietam, de alguma forma. E opta aqui por fazer esta desconstrução e esta sátira através de uma empresa. Este tipo de empresas existe, de facto, em Tóquio. Aliás, eu só percebi isso na entrevista, e está lá, que é uma empresa de mafiosos. Ou seja, no Japão estão legalizadas empresas de pessoas que...

Fazem bandidagem?

Sim, desde que isso não esteja escrito. Ou seja, é uma empresa de imobiliária. Toda a gente sabe que depois tem outro tipo de atividades, como extorsão, como gestão de guarda de corpo.

Isso é como as empresas de gestão de resíduos dos Sopranos, não é?

Mais ou menos.

Mais ou menos, sim. E que esta empresa vai ser abalada. Lá está, há um conflito. E esse terramoto, porque ele falou também disto, a questão dos terramotos no Japão ser muito presente, as pessoas estão sempre um bocado com receio daquilo. E esse terramoto vá vem da pessoa menos esperada, porque o Japão também é uma sociedade japonesa, a sociedade japonesa também é muito hierárquica, da pessoa mais inesperada, que é a pessoa que está mais abaixo na hierarquia. Ou seja, é não só uma mulher, como uma assistente. E no fundo, é a história da ascensão desta chefe dos maus. E é muito divertido, recomendo muito. E ainda, uma segunda sugestão Também é uma sátira, embora eu tenha visto na Wikipedia e eles descrevem como um thriller psicológico de ficção científica. Para mim é mais uma sátira e uma distopia, um mundo distópico do mundo corporativo, que é a série "Severance" da Apple TV, em português chama-se "Separação", e que eu nunca tinha visto. A série já tem algum tempo. Só agora é que tenho este canal de streaming.

Sim, já tínhamos aqui falado, mas nunca é demais.

Estou absolutamente conquistada e a mesma coisa que me aconteceu com o livro, que é: eu quero ver mais. É uma série que é protagonizada pelo Adam Scott, que é um ator cômico, é produzida e realizada em grande parte pelo Ben Stiller, que é um ator cômico, e que é uma recriação ou uma criação de um mundo, uma tal distopia, e que a nível de premissa, de guião, das interpretações, da direção da arte, podemos dizer que é um objeto cultural significativo da nossa época.

Bem bonito.

Levanta muitas questões, tem a ver com o trabalho, que tem a ver com aquela questão do sliding doors. O que aconteceria se nós virássemos para a direita e não para a esquerda ou para a esquerda e não para a direita. E também com estas questões todas da tecnologia e da separação de vários mundos e vou calar-me.

Quem não se vai calar é o Bruno Vieira Amaral. Queres falar do Sr. Scorsese, primeiro que tudo?

Sim, "Mr. Scorsese" está na Apple TV, é um documentário em seis partes. Cinco, seis.

Por aí.

Agora já não me lembro. É um documentário verdadeiramente extraordinário, realizado por Rebecca Miller. E eu vou dizer isto, feministas não me levem a mal. Rebecca Miller é filha de Arthur Miller, do dramaturgo, e é casada com Daniel Day-Lewis, que aliás dirigiu em um filme dos anos 2000, a balada de Jackie Rose, e faz aqui um trabalho, um documentário, que mesmo para quem já conhece muito da obra do Scorsese e da vida dele, das histórias de vida dele, vem aqui encontrar coisas novas e ligadas com muita sensibilidade, com muito saber. Há aqui coisas verdadeiramente novas. Logo no início, os episódios em que são ouvidos os amigos de infância de Martin Scorsese. Há coisas que nos permitem perceber melhor as obras iniciais dele, como "Os Cavaleiros do Asfalto", o "Mean Streets". Também aquele momento em que ele é convidado por Roger Corman para fazer um filme, o "Boxcar Bertha", com a Barbara Hershey, que depois haveria de trabalhar com ele também na "Última Tentação de Cristo", mas que foi um filme. Ele queria era filmar, ele queria fazer filmes, e que aqueles que o acompanhavam da mesma geração torceram o nariz, porque ele se estava a vender, estava a fazer uma coisa que não era pessoal. E terá sido John Cassavetes que lhe disse: "Ei, pá, não faças estas porcarias de filmes, não estejas a perder tempo, fazer coisas que não vêm de ti, que não são pessoais, que tecnicamente ok, mas não trazem nada." E é aí que ele depois decide fazer o "Mean Streets", que é o primeiro grande filme e que o lança. Mas curiosamente, ele depois faz o "Alice Já Não Mora Aqui", que não é um projeto pessoal, mas que para mim é um dos grandes filmes dele e ao qual ele consegue dar, de facto, uma tonalidade pessoal, apesar de ser um projeto da Ellen Burstyn. O documentário tem muitas destas histórias dos momentos de crise dele. É, para mim, um grande documentário e nós temos visto muito e temos falado aqui de muitos documentários que às vezes pouco acrescentam. Aqui o único pecado que eu identifico neste documentário é que, de facto, à medida que avança e se aproxima das últimas obras ou da fase final, mais recente da carreira do Scorsese, começa a perder o interesse quase nos seus objetos, nos filmes. Começa a passar rapidamente pelos filmes, o que também, de alguma forma, corresponde ao processo, à evolução do Scorsese, em que os primeiros filmes são, de facto, muito pessoais e são os mais relevantes.

É que depois há uma máquina a funcionar também.

Há, e acho que o documentário, esse é o único pecado que eu posso identificar, mas é um grande documentário. Recomendo também.

Oh, Bruno, desculpa, mas por que pediste desculpa às feministas? Não percebi.

Não, por estar a dizer que ela é filha de e é casada com.

Ah, ok.

Pronto, para identificar. Ok?

Muito bem. Vamos em frente.

Está explicado. Há um documentário na Netflix que é "A Vizinha Perfeita".

Isto cheira-me a sangue.

É true crime.

Cheira-me a sangue.

Mas aqui tem uma particularidade, que eu acho que é muito bem explorada, é que toda a história contada, todo o filme, são imagens das bodycams dos polícias. Depois há um ou outro momento em que se aproveita reportagens da televisão, mas é quase todo feito com as imagens captadas pelas bodycams dos polícias. E é uma história de alguém que tem ali uma desavença entre vizinhos e que a polícia é chamada várias vezes para pôr cobro àquilo e depois há um crime. E eu gostei muito da forma como a realizadora conseguiu pegar nestas imagens e contar as imagens de uma forma que é nova e que é adaptada aos recursos que hoje existem. Um pouco exemplo do que foi feito aqui também há uns anos, num documentário da Netflix, contava a história com base nas câmaras de vigilância da casa ou então nos vídeos publicados no Facebook. E eu acho que é um caminho interessante para as técnicas de narrativa audiovisual. Chama-se "A Vizinha Perfeita" e está na Netflix.

Mas ainda tens aqui um livrinho.

Qual é?

"Porque se enganam os intelectuais". Olha, enganaste-te! Isto é metalinguístico.

Eu vou deixar para as recomendações da próxima semana. Mas tenho outra recomendação. Eu comecei a ver o "Presumível Inocente", a série na Apple TV, aproveitando que tinha subscrito. O Pedro já tinha falado aqui da série.

Agora vai pra casa e liga a Apple TV.

É um dos meus filmes preferidos.

Eu estou na mesma, tenho agora três filmes.

O filme é com o Harrison Ford e aqui notei uma grande diferença, que tem a ver com a personalidade, com o carisma dos atores. Enquanto tu te preocupas com a personagem do Harrison Ford, o Jake Gyllenhaal não suscita empatia.

Acho que vai haver uma segunda temporada.

Ainda não cheguei ao fim, mas notei essa grande diferença e de como a presença de um ator e tudo aquilo que ele evoca, pode mudar completamente a tua relação com a personagem.

Depois falamos do final, quando vires até ao fim.

Sim. Tenho a suspeita que há de ser diferente do final do filme.

Vou só mandar aqui uma colherada. Três coisas rápidas para vos dizer. Uma: quero sugerir true crime. É verdade. Porém, ficcionado. Não sei se já viram, está na HBO. Há dois episódios, talvez três, não tenho a certeza. Chama-se "Murdaugh: Morte na Família".

Já vi esse.

Já vi dois episódios. Estou a gostar bastante daquela história.

E há dois documentários verdadeiros.

Sim, acho que a série é baseada em um podcast. Não vos vou dizer o que acontece.

Com a Rosario Arkett.

Não, a Patricia.

Patricia, sim.

Patricia Arkett e o Jason Clarke, que é aquele tipo australiano. Vocês viram aquela série "Winning Time", sobre os Lakers? Era o tipo que fazia de Jerry West, o jogador que virou treinador ou o treinador que virou jogador, agora não sei certo. Basquete não é a minha cena. Só para vos dizer que eu, que sou o maior cético-

Esse gajo é mau

...em relação a true crime, estou a gostar bastante desta situação.

Bem-vindo.

E quero ver onde é que isto vai acabar. Outra coisa: há um livro que saiu daqui há uns meses, na América, que se chama "Hollywood High", escrito por um senhor chamado Bruce Handy, que é a história dos teen movies.

Dos anos 80, John Hughes?

Não só, também. Mas imagina, desde "Fúria de Viver" até agora.

Chama-se Bruce Amont Zmiad?

Handy.

Handy.

Handy, de handyman.

De Amont Zmiad.

Exato, Handy.

Mas como é que se chama o livro?

O livro chama-se "Hollywood High". High de high school. E eu fiquei muito interessado nisto.

High school e de estar high também.

Mas tu estás high no high school.

Fazes trocadilho.

Eu não.

Como tu te lembras, Pedro.

Eu não, eu ficava-me bem.

O Pedro manteve-se sempre altamente sóbrio.

E tem "American Graffiti", mas também tem "Mean Girls" e tem "Breakfast Club".

Um dia temos que dedicar um programa ao "Mean Girls".

Isto para vos dizer que é sobre teen movies, não necessariamente filmes para adolescentes, mas filmes com e sobre adolescentes, que é uma espécie de filme que eu acho que nós apreciamos bastante.

É um gênero em si.

Outra coisa que eu descobri há muito pouco tempo: há um novo disco da Silvana Estrada, que é uma mexicana que eu aprecio muito. Chama-se "Vendrán Suaves Luvias". Vai chover com calma.

Eu estou lembro do "Ojalá Que Llueva Café", do grande Juan Luis Guerra.

Eu não sei se já ouviram a Silvana Estrada.

"Se Voy De Bujas A Morir".

Exatamente. E a seguir veio o "Ojalá Que Llueva Café".

Não sei se conhecem, vou vos dar um comparativo mais próximo, Silvia Perez Cruz.

Sim, claro. Gosto muito.

Não estou a dizer que é igual, mas é só para terem uma noção. Eu não me importava nada que a Silvana Estrada, por exemplo, fizesse a banda sonora dos meus dias. Eu fazia qualquer coisa e ela estava lá com uma guitarrinha a fazer uma cantiga e a cantar assim em jeito doce mel. Eu aprecio muito.

Como é que se chama aquela cantora mexicana também?

Mon Laferte.

Mon Laferte, essa é extraordinária.

O Jeremy Allen White andou com a Rosália.

Já não sei como é que isso está. Rosália também vai ter um disco novo agora em novembro. Chama-se "Lux".

Íamos falar sobre braços no cinema.

Tem uns búzios que aquilo é só ovo mar.

O que é búzios? Os braços?

Aqueles é os músculos.

Os bíceps, pá. Os bíceps são búzios.

É o mar.

É só ovo mar.

Encostas os búzios do Jeremy Allen White e ouves o mar.

E ouves as ondas. Pedro Boucherie Mendes, vamos às tuas sugestões.

Eu vou-me embora.

Isto é uma vergonha. Vamos começar por um livro, um livro sobre a internet.

Não, vamos começar, semana passada morreu o Francisco Pinto Balsemão.

Peço imensa desculpa, sim, senhor.

Temos, felizmente, as suas memórias editadas em livro ou em versão podcast.

Que eu já espreitei e aprecio muito ouvir aquilo em podcast.

Lido por inteligência artificial, por máquinas. No fundo, é um audiolivro dividido em episódios. E independentemente da figura do doutor Balsemão, que eu acho que foi amplamente e justamente elogiada ao longo dos últimos dias, através dessas memórias, nós podemos contactar com um país ou com uma parte do país que é muito raro nós vermos retratado culturalmente, que é o país dos ricos, dos privilegiados. O Balsemão quando nasceu era rico e continuou rico a vida toda e fez aquelas coisas que os ricos fazem, que é estar com outros ricos e jogar ténis e andar de moto, essas coisas. Isto antes do 25 de Abril, quando Portugal era um país muito diferente, muito pobre. E ler essas partes ou ouvir em podcast, como queiram, é francamente interessante, porque o Francisco Balsemão assume sem qualquer problema a sua situação de privilégio e, no fundo, às vezes parece um livro dos cinco, que os miúdos também eram alinhados, da Enid Blyton Parece o livro dos cinco, na medida em que depois fazem-lhe uma sanduíche, depois ele come um gelado, depois vai passear.

Depois vão embalsamar um primo.

Sim. Enfim, aqui a pretexto do seu falecimento na semana passada, recomendo o livro, que é um livro que se lê muito bem e que retrata um Portugal que não é nada habitual. Nós não temos uma tradição memorialista e quando temos é quase sempre engagée: "Fui um grande lutador disto" ou "fui um grande não sei o quê daquilo". Aqui é simplesmente a vida de um homem que teve uma vida incrível e que fez coisas incríveis, mas que também ia de mota para Évora para ir ter com uma namorada, numa altura em que não havia autoestradas, que eu acho uma coisa assinalável. Eu não iria.

Já agora aproveito para sugerir o podcast de entrevistas feitas por ele. O Mundo... agora não me lembro do nome.

O Mundo Melhor? Alguma coisa assim.

Qualquer coisa assim, mas que são entrevistas notáveis e que, pelo andar da carruagem, as pessoas vão desaparecendo e também é um retrato de um país, talvez um bocadinho depois.

Deixa-me só acrescentar isto. Estamos a falar de alguém, e já falámos disto, que representa uma elite que se deu ao país, contribuiu para um país melhor, de facto. Ao contrário de outras partes das elites que quase que são parasitárias, Francisco Pinto Balsemão foi alguém que nasceu no privilégio, mas, tanto quanto podemos avaliar aquilo que fez, retribuiu, devolveu à sociedade, com exemplo cívico e também com a sua obra, aquilo que recebeu por nascença.

Enquanto lhe partia.

Mas isso não é incompatível. É o melhor de todos.

Não, eu só acho: e bem. Pedro Boucher Mentos.

Qual é a maior invenção dos últimos anos?

O pastel de bacalhau com queijo da serra.

É a internet. Este livro, que se chama "A História Inacabada da World Wide Web", de Tim Berners-Lee.

Que é um dos pais da coisa.

Que se chama, "Isto é para Todos", publicado há muito pouco tempo em Portugal, "A História Inacabada da World Wide Web", é a história de como o Berners-Lee inventou a internet. Falo por mim, às vezes pensamos na internet como uma coisa, como a eletricidade ou como a água. Mas a internet, de facto, teve que ser inventada. E o livro está escrito de uma forma muito coloquial, que eu acho uma qualidade. É quase como se ele nos estivesse a contar a história ao ouvido, embora não muito perto, para não ser demasiado estranho, mas o livro lê-se francamente bem. Tem uma parte geek, tem uma parte lá com HTML, não sei o quê. E é muito interessante que a internet só foi possível, ou Tim Berners-Lee só chegou lá, por causa de um computador NeXT. A NeXT era a empresa que o Steve Jobs fundou depois de ter sido despedido da Apple. E a dada altura, ele diz no livro que nunca conheceu o Steve Jobs, porque o Steve Jobs estava numa feira para ver os eventos e as coisas, e quando ia chegar à bancada do Tim Berners-Lee, acho que ainda era nos anos 80 ou princípios dos anos 90, alguém o chamou, tipo cena de filme. Então as suas vidas nunca se cruzaram. E o Tim Berners-Lee diz: "Talvez se o Steve Jobs tivesse chegado à bancada dele, que é uma espécie de feira, talvez nunca tivesse havido a Apple de agora, porque seria a NeXT." Essa parte é interessante. Portanto, altamente recomendável. Eu fui e vou a meio, estou a gostar imenso. Não estava nada à espera de gostar deste tipo de coisas, mas ver a internet como uma invenção e ver o caminho que levou até lá. Ele trabalhava na CERN, na Suíça, naquela coisa onde basta até andar.

A colisão do collider.

Exato. O caldeirão. Aquela coisa que pode acabar...

Pode arrebentar, evoluir o mundo.

Isso.

É aquilo do busão.

Busão.

O busão de Higgs.

Eu estava com muitas palavras na cabeça que não eram corretas, de repente.

Finalmente, estreou na Netflix recentemente "A Diplomata".

A terceira temporada.

Com a magnífica Keri Russell. Eu talvez fosse a Évora de mota se a Keri Russell...

Finalmente, alguma coisa que mexe com as emoções.

Na primeira temporada, Keri Russell usava umas lentes de contacto. Os olhos tinham um azul piscina, é assim que se diz?

É, pode ser.

Ou em Lisboa, piscina.

Ou piscina.

E aqui já não tem as lentes de contacto, felizmente. Esta terceira temporada é uma enorme evolução em relação às outras duas. Não sei se viram as outras duas.

É bom?

Era o que eu ia perguntar, porque eu vi a primeira e também sou fã, talvez não da mesma forma.

Talvez a parte de Évora...

Não sabia disso das piscinas.

E esta temporada torna A Diplomata, creio eu, no novo "House of Cards". Vamos dizer assim, ou pelo menos é aquilo que eu defendo. Portanto, "A Diplomata" na Netflix, terceira temporada, comecem pelas duas primeiras, com a garantia de que a terceira é a melhor de todas.

E que haverá uma mudança.

Este homem para vender coisas é do melhor.

Por isso é que ele chegou onde chegou, meus amigos. Muito bem, sugestões entregues estão disponíveis em podcast. Estas e todas as outras que alguma vez aqui demos e que não têm prazo de validade, já agora. E sigam-nos para não perder nenhum episódio. Voltamos na quinta-feira. Até lá.