Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Mais uma segunda-feira e aqui estamos, desta vez para a última dose de sugestões do Popup antes do final do ano. Bruno Vieira Amaral, vamos começar por ti. Tens aqui um documentário.
Um documentário, que maravilha!
Juan Gabriel.
Juan Gabriel.
Fala-nos sobre Juan Gabriel.
Foi a grande descoberta deste ano.
É verdade. Espera lá. Não falámos sobre a tua tour mexicana para o "O Pés Opuesto". Comeste fajitas? Comeste bem? É só o que interessa.
Comi bem.
Isso dos livros.
Comi bem em Coyoacán, em vários sítios, Tlalpan, que são sítios dentro da Cidade do México.
El Mariachi Tour.
Guadalajara, também uma belíssima organização. A Feira do Livro de Guadalajara é gigantesca.
Conheceste a cidade?
Não tive muito tempo para conhecer a cidade.
É grande?
A Cidade do México é infinita.
Sim, pois.
Guadalajara é um pouco mais pequena, mas não tive muito tempo para conhecer. Aliás, conheci mais até da Cidade do México do que propriamente Guadalajara, porque tive uma série de atividades que me impediram de desfrutar.
Actividades.
Actividades literárias, entre as quais visitas a escolas. Foi muito interessante. Escolas secundárias. Foi muito interessante. O ponto alto, claro, foi visitar a casa onde Gabriel García Márquez escreveu.
Choraste?
Quase.
Esta é uma péssima pergunta.
Não, quase. A sério.
Sim, legítimo.
Fiquei emocionado. O tipo que está lá a receber os escritores, porque aquilo agora funciona como uma residência literária.
Casa museu.
Para escritores mexicanos e estrangeiros.
Mas se tu tivesses ficado lá, não conseguia escrever nada. Ficavas emocionalmente perturbado.
Não ficava só lá. E ele contou-me uma história que quando o tradutor de "Cem Anos de Solidão" para bengali, que tinha demorado sete anos a fazer a tradução, entrou na chamada cueva, onde o Gabriel García Márquez escrevia dentro da casa, começou a chorar convulsivamente.
Pois.
De facto, para quem "Cem Anos de Solidão" diz muito, é uma grande emoção estar naquele lugar.
É uma peregrinação.
Mas o Juan Gabriel, que era mexicano, eu descobri-o antes de ir ao México, pouco tempo antes, aliás, até como preparação para a ida ao México, porque é um documentário que está na Netflix em quatro partes e que conta a história desta enormíssima figura da música popular ligeira mexicana, que teve uma carreira que foi desde o final dos anos 60, início dos anos 70, até à sua morte em 2016, se não estou em erro. Como é que eu posso explicar? O Juan Gabriel é uma espécie de Marco Paulo, mas agora imagina que o Marco Paulo, para além de cantor, era o compositor. E não só compunha para ele, como para uma série de figuras da música mexicana. Portanto, tinha um outro lado que o Marco Paulo não tinha, da composição, mas era, em muitos aspectos, em termos de popularidade, o equivalente. Um Roberto Carlos.
Ok.
Roberto Carlos, que é famosíssimo no México. É uma estrela, ainda hoje.
El Roberto.
El Rei. El Rei Roberto Carlos.
El Calhambeque.
Das músicas cantadas em espanhol, que eles cantavam, depois faziam as versões para o mercado, para a América Latina e continua a ser muito popular. O Juan Gabriel é uma personagem incrível e depois tem músicas, canções verdadeiramente extraordinárias, como o seu célebre "No tengo dinero". Têm de ouvir porque é extraordinária. Ou o "Yo no sé qué me pasó", que hoje é um sucesso em várias covers que estão no TikTok. Portanto, há cantoras, cantores e bandas que fazem covers dos clássicos do Juan Gabriel e que têm dado uma nova vida à sua extensíssima obra. Só para vocês terem uma ideia, quando ele morreu, no funeral estiveram 700 mil pessoas. Aquilo que depois passou pelas ruas da Cidade do México.
Na Cidade do México, pronto.
Pronto, também há muitos.
Não dá para escapar.
É o mesmo que 70 pessoas aqui em Lisboa. Não, mas ele tem um grande momento e que é central na narrativa desse documentário, que é o espetáculo que ele dá no Palácio de Bellas Artes, que eu visitei agora quando estive no México, e que é uma coisa monumental e que na altura aquilo era só para música de alta qualidade, alta cultura.
Claro.
E então houve uma grande luta para impedir que o Juan Gabriel levasse a sua música popular e romântica para o palácio, para aquele santuário da alta cultura. Mas ele atuou lá e é talvez o grande momento da carreira dele e que vale a pena. Só por esse momento em que eles se centram nesses espetáculos, porque foi mais do que um, vale a pena ver este documentário que está na Netflix. Rapidamente, só mais uma sugestão. Poderá estar acessível, creio, nas Amazons desta vida, e que foi uma descoberta que fiz também por uma sugestão quando estive no México, mas de uma poeta colombiana, Piedad Bonnett Ganhou o Prêmio Rainha Sofia para a Poesia Ibero-americana em 2024. E comprei uma antologia poética, ou seja, que reúne poemas de vários dos seus livros ou de quase todos os seus livros. Tem um ótimo prefácio de Malola Carbonell, que ajuda a perceber.
Que grande nome!
Malola Romero Carbonell.
Que maravilha, quem me dera.
Já estava, era uma personagem. Eu, que não sou um grande aficionado de poesia, gostei muito desta descoberta e faz-me pensar em tudo o que eu perco às vezes por torcer.
Se calhar 2026 vai ser o teu ano da poesia.
Vou me dedicar à poesia.
Quem sabe? Calma, também para que tanto pão? Pode ser só ler, para já.
Só ler umas coisas. Mas fica aqui uma descoberta. E hoje em dia as coisas estão acessíveis.
Tudo moderno, é isso. Pedro Ruxin Mendes, daquilo que eu tenho aqui, tens uma série e um livro para sugerir. Pelo menos.
Sim.
Estás com dúvidas.
Não, a série está na Apple TV+. Chama-se "Mestres do Ar", "Masters of Air". É sobre um esquadrão, acho que é assim que se diz. Nunca sei se é esquadrão.
Aquelas coisas da Força Aérea.
Aviadores, exatamente, americanos que vêm para a Europa combater Hitler e ajudar os aliados.
Bombardear a Alemanha.
Exato. E é uma das séries mais caras de sempre.
Eu vi.
Viste a série?
Vi a série.
Pronto. E tem aquele lado muito da camaradagem masculina. No fundo, alguns de nós crescemos a ver esse tipo de ficção. Depois os homens dançam com elas, com as raparigas no café, e estão sempre a fumar. Mas está bastante bem filmada, sobretudo o interior dentro dos bombardeiros, dos aviões. Eu estive a ler e parece que fizeram à escala um avião um pouco maior para que as câmaras pudessem.
Há cenas que até chegam a ser um pouco claustrofóbicas, que aquilo é assim mesmo.
Pronto, mas era essa a vida real. E depois os casacos eram de cabedal e com pelo, portanto, não eram essas coisas dos nylons e desses materiais novos que se veem. E há aqui um lado old school que é muito sedutor.
Aliás, os casacos eram bomber jackets.
Exatamente.
Literalmente.
E os óculos também. Aviador.
A Maria sabe mais sobre estas coisas.
Antes do Top Gun, é uma série na Apple TV, eu acho que é com aquele bonitão, o Austin qualquer coisa.
Butler.
Butler, sim.
É com o namorado da Dua Lipa, cujo nome eu não me lembro.
Calum Turner.
É esse. E com o Austin Butler, é com os dois.
Austin mordomo, não é? No fundo.
Exato.
Austin Butler, peça o modelo de um carro.
É o nome de um carro.
Austin Butler. 1200.
Ou conhecido também como o Elvis.
O Elvis, também. Portanto, fiquei a saber que os Suede vêm ao Campo Pequeno, em março. Podem comprar bilhetes.
Gosto muito de Suede.
Também eu, muito mesmo.
Podíamos ir juntos.
Podíamos. Isso não vai acontecer, mas podíamos.
Então, mas eu estou a pensar seriamente comprar bilhetes, mas eu não gosto de fazer planos.
Sim, mas é um pouco isso.
Mas depois esgotam.
Se ele comprar, mas o Tiago pode comprar. O Tiago pode comprar para nós.
Tenho medo. Imagina, estão para lá de 200 pessoas.
Não.
A partir do dia 8 de janeiro vai haver um-
Foi dos melhores concertos que eu vi na vida, foi o Suede na Zambujeira.
Sim. A partir de 8 de janeiro, que já não falta assim tanto.
Não.
A Medeia Films vai organizar um ciclo integral da obra de João César Monteiro, cópias restauradas, aquelas coisas, e bem, pela Cinemateca, portanto, tudo by the book. Recomendo vivamente. É uma questão de se informarem, vejam aí, façam aí um Google.
Procurem.
Informem-se. Aqui é em Lisboa, portanto, eu acho que vale bem a pena. Depois, um livro que o Bruno comentou como o livro que toda gente fala, não fazia ideia, mas eu tropecei nele.
E que é um livro lá fora.
É um livro lá fora.
Foi publicado em Portugal, acho que em 2024, se não me engano.
É de um autor italiano chamado Vincenzo Latronico.
Pronto. Bons nomes esta semana.
Que se chama "As Perfeições".
Bora ver lá se isso não é 2024.
Espera, já te passo. Que tem 123 páginas de texto útil.
É este tipo de coisas que eu tenho que fazer. Andas a perder tempo com aquelas teorias narrativas trincadas.
O Latronico, este é o terceiro ou quarto livro dele. Ele tem cerca de 40 anos, 40 e picos. Portanto, é bem mais novo do que eu, da vossa idade, um bocadinho mais novo.
Quer dizer, esta conversa, vamos dizer que tu és-
Este livro é sobre um casal, não tem discurso direto, é sempre discurso indireto, é muito descritivo e apanha muito bem, creio eu, a vida contemporânea da malta que depois não tem dinheiro para comprar casa e depois está sempre no seu Macintosh.
A de Paul Greengrass.
Estão sempre a mandar vir coisas. Apanha muito bem isso. É um casal que vive em Berlim. Isso nem é muito importante, porque eles no fim do livro até vêm viver para Lisboa.
Claro que vêm.
Está bastante bem descrito. Devo dizer que mandei um e-mail aqui ao Vincenzo, que encontrei o contato na net.
Enviaste em italiano?
Em inglês. Podia ter ido à inteligência artificial para traduzir, mas não quis. Em inglês, porque ele tem uma coisa mal no livro, ele diz que o casal não vai ao cinema porque os filmes são dobrados em português.
Mas está mal no livro ou está mal na tradução?
Não.
Não sabes.
Não, está no livro porque há uma ação em que o casal faz qualquer coisa, não vai ao cinema e vai fazer qualquer coisa. E não vai ao cinema por quê? Porque segundo o autor, os filmes em Portugal são dobrados.
E não são.
E mandei-lhe uma mensagem.
E fizeste tu muito bem. E fizeste bem.
Eu não estivesse lido, como toda a gente está a fazer.
Queimavas o livro.
Não, mandava-lhe um e-mail. Eu não ia bater à porta.
Bateu à porta.
Já mandei uma vez um e-mail a uma escritora também que não me respondeu e há a coisa, porque deu um erro também.
Quem?
Não me lembro do nome agora, mas é uma ótima escritora americana que escreveu aqueles livros interessantes.
Meg Wolitzer.
Sim, pronto. Ela tem um livro que se chama "A Outra Mulher", "A Última Mulher" ou qualquer coisa, que tem um personagem português e ela tem diálogo em português, só que tem português do Brasil.
Ah.
Querida Meg Wolitzer, este é o Greenberg. Ele é o Greenberg, aquela personagem do Ben Stiller.
Sim. Não é isso.
Escreve cartas de reclamação.
Não acho.
Não é reclamação, é ajudar.
Mas isso também faz de ti um grande patriota.
Eu só escrevo quando são coisas relacionadas com Portugal.
Não, porque são as coisas que eu sei.
É um fact checker.
Eu acho que é importante, acho mesmo.
Eu acho que fazes bem, acho que fazes muito bem. Este livro, "As Perfeições", de Vincenzo Latronico, da Elsinore, recomendo vivamente, até porque é fácil de ler. É um livro que vocês, que têm 30 e tal, 40 e tal anos e ainda algumas ilusões sobre a vida. 30 e tal, Maria, diz ele.
Que praxe, já não há aqui ninguém.
Que têm torradeiras Smeg na vossa casa, ou que gostavam de ter. E que alugam casas no verão.
Não sei o que é isso.
Tu não tens uma torradeira Smeg?
Não sei, desculpem.
Que alugam casas no verão para onde vão todos passar férias. É uma torradeira. E estão sempre a beber caixas de minis. Então, mas isso é mau? Não, mas é essa malta que é retratada no livro. A vossa falta de horizontes e de perspetiva.
Eu estou a pensar aqui em duas ou três pessoas do panorama midiático ou cultural que sabem perfeitamente o que é uma torradeira Smeg.
Mas beber caixas de minis não tem nada a ver com o que estás a dizer. Depois alguém diz: "Compraste Sagres? Eu prefiro Super Bock", e a pessoa responde.
É a vida do Tiago Pereira no verão.
Eu bebo qualquer coisa. Que têm sapatilhas Vans.
E que ainda andam de skate, e quando os filhos estão no parque ainda vão dar umas skatadas.
Não ando de skate.
Não? Mas tens pinta disso.
Nem sequer tenho skate. Não, mas tens ar.
Achas?
Que é o que interessa.
E sabes o que é uma torradeira Smeg. O que é que é uma torradeira Smeg?
É uma torradeira da marca Smeg. E chamam Amadeu aos filhos. Não, também não.
Mas por quê?
Não sei lá porquê.
Porque é uma torradeira que só custa 20 vezes mais. É o Bang & Olufsen das torradeiras.
Está associada a um certo estatuto social. É ler o livro.
Vou ler.
Vincenzo Latronico, "As Perfeições".
Ler esse livro é o equivalente literário a ter uma torradeira Smeg.
Aliás, até te digo, o que é importante numa torradeira? Talvez. O que é importante numa torradeira? Primeiro.
Torrar o pão.
Podemos, se queres falar sobre isso mesmo. Tem que ter duas coisas para pôr. Umas gavetas. E não apenas só uma. Duas gavetas. O que tu quiseres, ou duas bocas, ou whatever, não sei como é que se chama.
Como é que se chama?
Não sei.
Vamos perguntar a um escritor.
E depois, tem que ser comprida. Não é aquela coisa à medida de um pão de forma. Mas Smeg é. Isso é estúpido. Fica aqui esclarecido.
E pode ser daquelas que abrem?
Pode, claro.
Eu gosto dessas.
Essas já têm dois lados.
Eu gosto dessas que abrem. Não é daquelas que uma pessoa deixa cair o pão.
Como eu disse ao próprio Latronico no meu e-mail.
Mas as torradeiras são coisas importantes.
A questão é: ele respondeu-te? Queremos saber.
Como eu disse ao próprio Latronico no e-mail, ele tem uma escrita seca, que é muito difícil de conseguir, e no livro não se percebe bem, porque ficará ao critério do leitor, qual é a opinião dele a respeito de pessoas que passam férias juntos em casas e compram caixas de minis e têm torradeiras Smeg.
Tiago, o que é que tu achas dessas pessoas?
Eu acho que são pessoas horríveis.
Horríveis.
E que têm pulseirinhas de cabedal. Eu só tenho um relógio. E não é smart. É Casio. É Casio, sim. Como o do Rui Borges. Não sei. Não ouviste o pop-up da semana passada. Bom, é a minha vez. Vou dar duas sugestões enviadas por ouvintes. Primeiro, uma sugestão muito interessante da ouvinte Patrícia Oliveira. O filme "Left-Handed Girl", eu acho que em português está como "A Rapariga Canhota". É um filme taiwanês, é assim que se diz, de Taiwan, com produção de outros países, França e Estados Unidos, se não me engano. E é um filme que se estreou em Cannes este ano e que está na shortlist para os nomeados de melhor filme estrangeiro, já não sei como é que se chama a categoria hoje em dia.
Melhor filme internacional.
Internacional, para os Oscars. É o filme de Chie Ching-tsu. O processo de realização e produção deste filme começou já há vários anos e Chie Ching-tsu assina o argumento também com Sean Baker, que conhecemos, por exemplo, de "Anora".
E o "Florida Project".
E é a história de uma mulher que se muda para Taipei com as filhas para recomeçar a vida e que encontra uma série de obstáculos. É canhota? Eu suponho que alguém seja.
Pode ser uma metáfora.
Pode ser do Bloco de Esquerda.
Menos óbvia.
Isto também serve como exemplo da quantidade de coisas que aparecem nas plataformas de streaming que nós não fazemos ideia. E muitos exemplos, por exemplo, isto estreou em Cannes, vale o que vale, mas estreou em Cannes e está pré-nomeado para os Oscars. Alguma coisa isto há de querer dizer.
É verdade.
Outra sugestão veio do ouvinte José Carlos Silva, ele até sugere um dia, se nós quisermos, para falarmos sobre este senhor, que é o Taylor Sheridan, que o Pedro há de conhecer melhor do que nós. Já falei várias vezes. Já falou várias vezes. Mas é uma boa ideia. E ele sugere, neste momento podem ver duas séries mais recentes que ainda não terminaram, que é o "Lioness" e o "Landman". Estas séries estão na Sky Showtime, e que foi o senhor que criou, por exemplo, "Yellowstone" e a série "Mayor of Kingstown". Que também está no Sky Showtime. Também na mesma? Sky Showtime. E o "1883" e as prequela do "Yellowstone". E, portanto, o José Carlos Silva faz aqui um- E é o do filme "American Sicario". Exatamente. Faz aqui uma ode Ao Sr. Taylor Sheridan e ficá-me aqui. Eu vi o primeiro episódio de uma série que, isto parece patrocínio da Sky Showtime. Uma série nova que se chama "All Her Fault", não sei se já viram.
Com a Sarah Snook?
Exatamente, que estreou agora.
Está na Sky?
Está na Sky Showtime. Eu vi o primeiro episódio e aquilo pareceu-me
A garrote, como diz o povo.
Sim, eu ainda não vi mais, mas pareceu-me muito interessante.
Eu não vi nada, só o trailer. Depois li críticas. Que arrasam, não é? E que eu estou a ver qual é que é a cena, que é muita coisa feita agora. Tiago, vais falar desta série no próximo verão quando alugares a casa com os teus amigos?
Talvez, nunca se sabe. Eu tenho um lado interessante que tu vais gostar, que é: é mais uma série com ricos a sofrer. Isso é interessante. Na zona de Chicago, trabalham na finança.
E muita coisa baseada em thrillers.
Isto é um thriller. A Sarah Snook interpreta uma mãe que, de repente, liga para uma outra mãe da escola do filho a dizer: "Olha, vou agora aí buscar o garoto, que ele está aí a brincar com o teu filho." E ela diz-lhe: "Não está, ele não está a brincar com o meu filho. Onde é que está o garoto?" Isto depois gera uma série de coisas e parece-me que é um pouco um whodunit, com ricos a sofrer. Eu só vi o primeiro. Achei interessante. Vamos ver para onde é que isto vai. Descobri dois livros em estrangeiro, que me pareceram interessantes. Um chama-se "Capitalism: A Global History", de um senhor chamado Sven Beckert, que é professor de História em Harvard. Eu gosto destas coisas.
E gostas de capitalismo.
E outro, que é um livro de Mark Ronson, músico produtor, que vocês devem conhecer.
Tinha um Sky do Ronson quando era miúdo.
E que escreveu um livro chamado "Night People", que é um livro de memórias dele enquanto DJ nos anos 90 e que me pareceu bastante interessante. Fiquei curioso com isto. Obrigado pelo vosso entusiasmo face às minhas sugestões.
Não, foi bom, Tiago.
Vamos então avançar para a Maria Ramos Silva, talvez ela suba aqui a qualidade.
Não sei, acho que não. Eu semana passada falei de livros e de circularidade, pelo menos da possibilidade de nós entregarmos alguns livros que temos lá em casa, algumas botecas. E eu trago mais uma ideia esta semana para tentarmos prolongar o ciclo de vida destes exemplares que já foram lidos, ou mais antigos, ou que temos guardados também durante décadas. É um projeto português, chama-se blindbook.pt. E o que é que isto permite? Basicamente, não estares tão refém de algoritmos, recomendações, críticas literárias. Vais ao site.
Podcasts de sugestões.
Podcasts de sugestões, como a nossa, precisamente. Consegues ignorar esta gente toda. E vais ao site destes cavalheiros e eles desenvolveram esta ideia a partir de uma herança pessoal dos avós, portanto calculo eu que tenham herdado muitos livros, e agora vão escoando. Tu compras às cegas, literalmente. Ou seja, tens de estar disponível para não leres sinopse, não saberes o que é que vais receber. Eu penso que o valor é sempre o mesmo, cada livro fica por 11 €. Basicamente compras e há de chegar qualquer coisa. Acho que é interessante numa altura em que tudo tem curadoria.
Já não conseguimos fazer nada sozinhos.
Podes receber um livro do Richard Bach.
Pode.
É o da gaivota. O "Fernão Capelo Gaivota". Já leste? Nunca li.
Uma das perguntas é se os livros são bons. Eles garantem que são livros muito bons.
Ou do Consalinc. O que me surpreendeu quando eu descobri foi que a personagem se chamava Jonathan Livingston. Ainda não era o Fernão Capelo Gaivota que nos ilusionou. Não, ainda não. Pois é, parece que nasceu para aquilo. Foi uma desperdício.
Para quem gosta de surpresa, quem está disponível para o inesperado, eu acho que é uma bela sugestão, até para mandar vir e oferecer eventualmente. Depois, um livro, mas este que saiu agora, chama-se "Portugal e o Património da Humanidade", da Temas & Debates, foi escrito pelo João Paulo Oliveira e Costa. Ele é professor catedrático do Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Basicamente, isto é uma pequena história de Portugal à luz dos 17 sítios portugueses inscritos na lista do Património Mundial da UNESCO. Conhecem a maior parte deles, certamente: o Convento de Cristo, a Universidade de Coimbra, o Mosteiro de Alcobaça.
O fado, o chocalho. O chocalho é legendo, não é?
Mas isso é património imaterial.
Imaterial.
Isto aqui é outra coisa, Pedro.
Por enquanto ainda é material.
Pronto, já estou a alegar aqui.
E bom material.
É muito curioso, porque sendo uma história curtinha, é muito interessante. Eu pelo menos fico muito comovida com esta coisa, quanto mais leio sobre os sítios de onde viemos e aquilo que éramos, mais gosto desta ideia de ser português. E uma das coisas que fica muito presente aqui é-
Isto também é a idade, não é, Maria?
É, nós vamos ficando.
Vamos começando a gostar do nosso país.
Vamos começando a gostar do país, exato. Mas é esta ideia que é muito interessante. De facto, nós sempre preservámos muito a nossa identidade enquanto povo, enquanto Estado-nação, enquanto Estado-língua. Nós, não nós aqui, obviamente, mas temos um pouco a ideia de que esta ideia de Estado-nação vem sobretudo muito do século XIX. E nós já sabíamos muito bem o que queríamos desde muito cedo. E esta ideia de sermos portugueses, e uma proposta que o autor também faz, e isso é interessante, é que além destes 17 sítios que já são inscritos, ele vai buscar uma série de outras referências que mostram precisamente essa expressão e que ele propõe que também faria sentido que fossem também considerados património. Nomeadamente, uma coisa muito interessante, como por exemplo, o Capítulo do Povo, que é um documento de 1498, que está na Torre do Tombo, e que é muito fiel, exprime muito essa expressão de vontade de ser português, que vem da crise de 1383, 1385, e que tem frases deliciosas como: "Nunca o povo português e espanhol couberam num saco que não se rompesse." Eu acho isto absolutamente magistral. Se gostam de história, se gostam de Portugal, acho que é uma belíssima sugestão.
Então é isso, não é?
Está feito.
Parece que sim. Olha, sugestões entregues. Como sabem, estão sempre disponíveis em podcast este episódio e os anteriores. Sigam-nos e não percam nenhum. Usem o nosso e-mail e abusem: popup@observador.pt. E fica o aviso: nas próximas duas semanas estaremos em pausa. Vamos pensar na vida. Vamos pensar uns nos outros ou não. Voltamos no início de 2025, no dia 8. Bom Natal e feliz Ano Novo para todos.