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Começa agora mais um "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", em parceria com o TeJornal e com o nosso Manuel Serrão. Bem-vindo, Manuel. Tudo bem?

Olá, a desejar que a primavera chegue a todo momento.

É verdade, está quase.

E é já esta semana.

O bom tempo.

Eu é mais do verão, já estou a pensar mais no verão.

Mas pronto, ainda falta.

Ainda falta um bocadinho.

Manuel, hoje voltamos ao microclima do largo do Castelo em Leça. Ainda não conhecíamos todos os restaurantes de lá, pois não?

Nós já aqui trouxemos vários restaurantes dessa zona. Mas eles são tantos que, de facto, não é difícil. Porque este microclima pode ser micro, mas Matosinhos em geral e Leça em particular, em termos de restaurantes, é muito mais macro que micro. Mesmo falando apenas da zona dos arredores do Castelo de Leça, que é o que nos traz hoje, são mais que muitos. Só na rua deste Margarida, que trazemos hoje, é quase porta sim, porta sim.

A Margarida, como disseste, é o nome. Pelo nome percebemos que é mais um caso de um restaurante que tem uma alma especial. Explica essa alma sobre este restaurante.

Já devem ter percebido, vocês e os ouvintes, que eu dou um particular relevo a restaurantes que têm uma pessoa por trás, que é a alma. Não tem de ser o chef, como hoje em dia é muito falado, embora também não tenha nada contra isso, mas quando são restaurantes que têm uma história ligada a uma pessoa ou uma família.

Há um carinho diferente.

É um carinho diferente, sentimo-nos mais em casa e, portanto, tens toda a razão também. Especialmente estamos a falar de um restaurante que se chama não Margarida, toucou, mas sim A Margarida, o que faz toda a diferença. É aquela Margarida.

Não é uma qualquer, é a Margarida.

Tinha que ser aquela e é isso que faz toda a diferença. Tudo o que lá podemos provar tem a cabeça e a mão da Margarida. Ela não está sozinha na cozinha, nem é omnipresente na sala, mas tudo o que lá se passa, de um sítio ao outro, tem a ver com ela.

Que bom. E tanto quanto sabemos, Manuel, as entradas não são nada conosco, não é?

Lá está. Começamos logo por aí. Isto passa-se logo com as entradas. O meu amigo Manuel, que pontifica na sala, já sabe que nós sabemos que ele sabe que nós sabemos. E por isso vai despejando as entradas na mesa que a Margarida decidiu que viessem. Não nos pergunta nada e quando nos queixamos "já chega de entradas", ele diz sempre a mesma coisa: "Foi a Margarida que vos mandou" e não podemos dizer mais nada.

É só deixar que apareçam na mesa.

A Margarida manda e nós comemos e calamos.

O restaurante tem o nome dela, tem de ser. Manuel, estamos aqui muito perto do mar. Leça da Palmeira, já sabe que com a maresia vem aí muito peixe e marisco ou não é o caso? Normalmente tem sido.

Pois, tem sido e mais uma vez, estava-se mesmo a ver, não estava? Com esta entourage.

Precisamos de uma faca de peixe, mais uma vez.

Exatamente. Também há o bife da casa, panados, rosbife e uma cataplana de carne, mas isso é só para alguém do contra. Cataplana a sério é a de amêijoas. E depois temos os mariscos mais vulgares, camarão da costa, camarão tigre, lagosta, lagarto. Mas a melhor opção lá neste Margarida é mesmo o peixinho.

Que bom.

Claro que convém sempre perguntar o que é que se está a dar naquele dia, embora normalmente tenha sempre muita escolha, porque o restaurante tem muitos clientes. Mas entre a pescada, o robalo, a dourada, o rodovalho, os linguadinhos, entre estes cinco, novamente há sempre uma coisa que está a saltar, como eu dizia, está a saltar. E salta na cozinha e depois salta-nos para a mesa e nós gostamos.

Agora ficou-me a apetecer uma dourada grelhada.

Ainda é um bocadinho cedo, mas sim.

Eu não almocei, André, por isso me apetece um peixinho.

Pode pôr a dourada na brasa, atenção.

Sim, claro.

Claro, vamos adiando.

Ela puxou não a sardinha, mas a dourada para a brasa.

Manuel, estamos aqui a estranhar não fazeres uma recomendação especial. Não há aqui nada nesta lista que mereça uma referência à parte? A estrela?

E fazes muito bem em estranhar.

Não há uma rosa Manuel Serrão hoje?

Não, isso não. Mas fazes muito bem em estranhar, porque claro que tenho uma recomendação especial. E é o que eu costumo lá muitas vezes, como é evidente, já vos entrenadas um peixinho, quase sempre robalo, mas isso a Margarida é que decide que peixe é que vai ser. Mas este peixinho vem para acompanhar uma açorda de marisco à Margarida, que é a estrela da companhia. A açorda lá é magnífica. E aliás, já prometi que vou também provar a açorda de bacalhau, que também me fala muito bem. De qualquer maneira, a açorda tem isto a ver. Eu gosto muito de açorda, mas há muitas maneiras de fazer a açorda. Claro que todas as pessoas que a fazem acham que fazem a melhor açorda do mundo. Mas os gostos são os mesmos. Eu gosto de uma açorda que tenha alguma liquidez, digamos assim. Não estamos numa conta bancária, mas enfim, gosto de uma açorda que tenha alguma liquidez. Há outras pessoas que gostam das açordas muito empapadas, com o pão a notar-se muito. E o ponto da açorda que existe e que a Margarida faz, para mim, é o ideal, porque eu adoro. Sempre que eu lá vou, nunca consigo resistir. Posso mudar de peixe, posso pedir outro prato, até posso pedir camarões, mas a açorda a acompanhar é absolutamente obrigatória.

Então, depois da açorda, não escapamos desta Margarida sem nos dizer o que é que há para sobremesa. Já sabes que nós gostamos muito.

Nós gostamos assim.

Nem eu me podia esquecer disso, era como se faltava. Nem pensar. Sempre que estou a pensar no restaurante, penso em vocês, até me apetece começar logo pelas sobremesas.

Só para matar o bicho.

Não, mas isso eu deixo para o fim.

Para criar assim um suspense.

Exatamente. E por acaso lá há muita escolha. Dos bolos bolacha e cacau, bolo de cacau que é uma coisa diferente, ao leite creme e ao semifeito de chocolate. Mousse também, mas eu costumo apostar lá com sucesso na tarte de amêndoa, que ainda por cima tem uma novidade que é, em vez de vir a tarte normal, vem cortada aos bocados, que até se pode comer um bocadinho de cada vez, até se pode partilhar, pode-se comer à mão. E aquilo fica muito engraçado, parece um nougat. Já vem partida, vem partida aos bocados.

É mais prático para se comer.

É mais prático para se comer e eu acho que fica muito, não sei porquê, é um toque. Parece que às vezes há alguns segredos na culinária que nós achamos que são pormenores que não fazem diferença nenhuma. Mas lá está, por exemplo, só este facto desta tarte vir cortada aos bocadinhos, para mim, faz uma grande diferença e eu gosto muito e portanto recomendo.

O bolo de bolacha é um dos meus preferidos.

Eu fico convencida que o bolo de bolacha, gosto muito.

O bolo de bolacha também é bom, também já lá provei.

Manuel, vamos fazer matemáticas. Continha, nota verde.

As contas, a nota verde chega bem para os três. Não digo que chegue para quatro, se formos para tudo e bebemos um vinho bom, que eles também têm lá uma boa garrafeira. Mas para os três a notinha verde funciona sem necessidade de ir buscar mais reservas ao banco.

O que é que nós queremos?

Então e o garfo?

O garfo é o garfo dourado, na qualidade de restaurante com alma e especialista em açordas.

Claro que a estrela açorda não podia escapar. Muito bem, está feito este "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", claro, com o nosso Manuel Serrão, em parceria com o TeJornal. Temos mais na próxima semana. Manuel, um beijinho. Obrigada.

Obrigado.

Até para a semana.

Até para a semana.