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Está com o Português Suave na Rádio Observador. Eu sou o João Costa e Silva, tenho comigo o ninja da língua portuguesa, o Marco Neves.
Olá. Fim de ano, não é?
Exato. Vamos fazer as despedidas deste ano, 2025.
Estás pronto pro final do ano?
Estou. Eu quero 2026.
É?
Se bem que eu faço anos em janeiro.
E que dia? Não podes dizer.
Posso. Dia 22 de janeiro. Estarei de férias nessa altura.
Prometo que não vou esquecer, mas espero depois ver. Dar alguma maneira de conseguir dar os parabéns.
Sim, acredito que sim. Se bem que eu não gosto muito de fazer anos.
Tu não achas que as redes sociais deram cabo da nossa capacidade de decorarmos os aniversários dos outros?
Sim.
Nós começamos a depender tanto, na altura, do Facebook, depois agora já não é o Facebook, e agora se calhar já não sabemos as datas.
Agora ficamos à espera que alguém publique uma história no Instagram.
Se nós não temos nenhuma indicação pelas redes sociais do aniversário de amigos, esquecemos.
Passa. Exato.
E há uns anos não nos esquecíamos.
É verdade. Aqueles amigos mais antigos eu ainda vou ver o Facebook pra confirmar.
É sim, nostalgia. E acaba aqui o episódio, porque estamos tristes.
Tivamos. Um minuto de episódio, está muito bem. Mas não, os nossos ouvintes merecem mais. Estamos no-
No dia do Réveillon.
Réveillon, não é?
Réveillon é uma palavra francesa, como todos acho que sabemos. Os franceses têm uma característica, que é: destruíram o latim completamente, porque se nós olharmos para a escrita francesa, está lá ainda muita coisa que nós conseguimos identificar o latim, mas se nós ouvirmos os franceses, eles deram cabo, entre aspas, da maior parte dos sons.
São os responsáveis.
Eles dizem: "Réveillon", já não usam aqueles dois "L" no meio. Há palavras francesas que nós pronunciamos, a mais engraçada é o "eau", que quer dizer água. Tem três grafias e nenhuma delas é aquela que se diz. E por aí fora. Uma língua muito interessante que levou o latim por caminhos que o latim não estava à espera. Agora, o que eu queria dizer aqui sobre o Réveillon, é que na origem, no francês, esta palavra não quer dizer só véspera do fim de ano. Quer dizer também véspera de Natal, por exemplo.
É verdade.
Usam Réveillon pras várias vésperas.
Mas nós associamos isso sempre à passagem de ano. Pelo menos aqui em Portugal.
Se alguém disser o Réveillon de Natal, fica tudo: "Olha, o que está a se passar?"
Tudo com as mãos na cabeça, acho que estamos malucos.
Pronto, foi a nossa indicação linguística de hoje. Este ano, o que tu achas do Português Suave, como é que correu?
Acho que correu muito bem. Aliás, eu tenho aqui a lista. Nós fizemos essa publicação no Spotify dos episódios que foram mais ouvidos e já nos dão conta também, se calhar, daqueles que suscitaram mais curiosidade ao nível de dúvidas. O mais ouvido foi o "Mãe, posso pão?" Nós perguntávamos se era a nova moda entre as crianças e tu estavas a dizer-me ainda há bocadinho em off que-
É complicado
...que é complicado e que ainda hoje recebes dúvidas sobre isso, não é?
Sim. Eu não vou repetir o que disse no episódio, e convido as pessoas a ouvir.
Foi o mais ouvido do ano.
A língua é muito variável. As crianças também usam a língua de forma muito variável, estão a aprender. Continuo convencido que não há aqui um fenômeno a longo prazo. Há uma série de usos em que os pais reparam muito, precisamente porque nós falamos desses usos.
Exato.
Se daqui a cinco anos, aquelas mesmas crianças, na adolescência ou mais tarde, continuarem a usar isto de forma sistemática, falaremos. Mas isso é muito típico haver este, em todas as épocas, as pessoas reparem certos usos e pensam que isto vai ser uma desgraça, porque agora isto ou porque agora aquilo.
Nós antecipamos sempre o pior.
E depois houve mudanças, mas são outras. As pessoas estão atentas a um problema e de repente ultrapassa-nos pela esquerda outro problema, ou outra mudança, não quero dizer problema, que não era aquela que as pessoas estavam à espera. A língua está certamente a mudar, não será provavelmente por esse lado, até porque as crianças continuam a usar os verbos principais em muitas frases. Se naquele momento dizem sempre de forma sistemática, eu até arrisco a dizer que se calhar é porque já perceberam que os pais se irritam com aquele uso em particular.
Exato.
Mas pronto. Qual é que foi o segundo episódio?
O segundo mais ouvido foi o "Réus vs.: de onde vem o réus vs. Campo de Ourique?", em que falamos de várias expressões.
E não vou aqui repetir, mais uma vez.
Exato. Mas recebemos uma dúvida, a propósito, esta semana. Penso que foi no nosso WhatsApp, já não me lembro do nome do ouvinte, peço desculpa, mas que perguntava qual era a origem desta expressão. O episódio foi novamente republicado, portanto, pode ouvir no Spotify. Lembras-te, foi o "Réus vs. Campo de Ourique", falamos também "meter o rossio na Rua da Betesga".
Que é uma expressão em que nós podemos localizar de forma bastante precisa em que época é que apareceu, ou pelo menos imaginamos que sim, porque ela aparece pela primeira vez escrita num livro que já falei várias vezes aqui, que é "Enfermidades da Língua", de Manuel José de Paiva, em que ele escreveu ali por volta de 1756, 1757, que ele só foi publicado em 1759, um livro em que dizia: "Temos de eliminar estas expressões." E uma delas era "meter o rossio na Rua da Betesga". Ele escreve isto dois ou três anos depois do terremoto. O terremoto foi a origem da pequenez da Rua da Betesga, porque a Rua da Betesga era maior. E por isso, aquele ditado só faz sentido ter surgido naquele momento. Portanto, temos quase o nascimento da expressão ali mesmo ao vivo registrada.
Falamos também do Carmo e a Trindade nesse episódio. Depois, o terceiro mais ouvido foi um episódio que surgiu no pós Ricardo Araújo Pereira, que também recebemos aqui neste ano, 2025. Foi o quarto episódio mais ouvido aqui do "Português Suave". E nesse episódio, pós Ricardo Araújo Pereira, falamos da origem da palavra cuecas e de onde vem o XPTO. E foi o terceiro mais ouvido o ano.
E nós gostávamos, se calhar, no próximo ano, o ano começa daqui a pouco.
Daqui a pouco mesmo. Estamos na contagem crescente. Aliás, já é 2026 em várias partes do globo a esta hora.
Sim, neste momento já.
Feliz 2026.
Mas gostávamos de ter mais convidados, se calhar, e vamos ter mais convidados.
Sim, temos esse desejo. Está na nossa lista de desejos para 2026, receber mais convidados aqui no "Português Suave".
Este dia é um dia engraçado. Vamos vendo o ano a aproximar-se, depois há a contagem decrescente, que é sempre muito interessante. Há pessoas que dizem: "Isto é tão fútil, estamos a comemorar por um número que muda". E eu: "É, vá!".
Eu, por acaso, gosto. Acho engraçado.
Coisas piores. É sempre uma desculpa boa para estarmos com amigos e com a família.
Tens alguma superstição? Eu gosto de subir para uma cadeira e abanar uma nota.
Essa é muito curiosa, não conhecia. Eu tenho aquela das passas.
Eu não gosto de passas.
Eu também não.
Eu subo para uma cadeira.
Ponho as 12 passas e como tudo de uma vez.
Pronto. E eu subo para cima de uma cadeira, apoio-me apenas num pé e abano uma nota, geralmente de €20.
Imagino tu subires numa cadeira, começar a abanar uma nota de €500 e eu dizer: "Isto o que se passa aqui?"
"O que é que se passa? Temos mesmo de ser amigos dele."
É uma fotocópia.
Imagina. Estás a mandar ideias.
Eu, por acaso, gosto muito daquele momento, daquela contagem decrescente. Lembro-me de várias épocas da vida e de várias passagens de ano, até de várias promessas. Lembro-me que o primeiro livro que publiquei foi em 2016.
Vai fazer 10 anos.
Naquele momento, eu prometi: "Este ano tenho mesmo de publicar um livro", que eu já estava a escrever, e por acaso acabou por correr bem e ser bastante rápido e foi logo nos primeiros meses. E também me lembro de ter imaginado uma história, foi o único romance, ou seja, livro de ficção que escrevi, que começava precisamente no fim de ano, em que há uma contagem decrescente, em que no final chega ao zero e alguém recebe um telefonema naquele momento e foi a partir daí. Não vou estar aqui a fazer publicidade ao livro, mas foi, acho que um momento muito engraçado do ano.
Temos de agradecer aos nossos ouvintes. Isto sem eles não é possível, porque todas as semanas enviam-nos dúvidas, sugerem-nos temas. Tu cresceste imenso ao longo deste ano também nas redes sociais, o que também é importante porque ajuda a trazer mais dinâmica aos nossos episódios, cada vez mais interação. Tivemos mais de 600 mil downloads nos episódios ao longo deste ano, muita gente a ouvir-nos, fora nas plataformas do YouTube, que não estão contabilizadas na questão do podcast. Estive eu agora neste final de ano sempre contigo, Marco, mas também agradecer ao José Rafael Lopes, que também fez parte deste "Português Suave", esteve sempre conosco e portanto foi um ano bom para o "Português Suave" e vem aí 2026.
Eu há umas semanas disse que nós éramos as Tartarugas Ninjas.
É verdade.
Portanto, estás aqui e fazes parte do "Português Suave". Há pessoas que te falam do "Português Suave"?
Sim, eu já te disse, eu tenho amigos que me dizem que ouvem o "Português Suave" e que eu não sabia, e acho sempre giro.
Várias pessoas dizem-me. No outro dia, já te contei isto, fui a uma livraria e a menina da caixa olhou para mim e disse que me reconhecia e perguntou-me: "Então e a origem do meu nome?" Eu fiquei um bocadinho atrapalhado e eu: "Qual é que é o nome?" Era Carolina, já agora, e lembro-me, e Carolina é um nome relacionado com Carlos. Fica aqui a resposta no "Português Suave".
Muito bem.
E é um nome, Carlos.
Objetivo para 2026: abrir um consultório para dar origem dos nomes.
Consultório onomástico. Vamos falar de nomes. Eu fico muito contente. Um dos meus objetivos secretos, vou já revelar aqui, no início, quando isto começou, nós tivemos uma grande discussão, na altura, discussão no bom sentido, aqui na rádio, sobre qual seria o título deste programa.
Sim.
E ficou "Português Suave", mas o "Português Suave" tem uma conotação, que todos conhecem, de tabaco, que não é a coisa mais saudável do mundo.
Exato.
Um dos meus objetivos secretos era que, mais tarde ou mais cedo, e ainda não chegámos lá, mas estamos a caminho, que as pessoas quando dissessem "Português Suave", se lembrassem mais do programa do que do tabaco. Vamos ver se conseguimos.
Acho que estamos nesse bom caminho. Marco Neves, é sempre um gosto. Estamos juntos em 2026.
E como é que vais passar o ano? Queres revelar?
Vou ao norte. Vou agora sair daqui e vou para norte.
Muito bem.
Sabes como é que eu gosto de ir para a frente. Diz-me.
Vou passar não em Portugal. Eu sei que isto vai parecer um pouco estranho, porque estamos aqui com pouco tempo até ao final do ano, mas vou passar com a minha família em Veneza.
Muito bem. Olha, que seja uma boa passagem. Boas entradas, costuma-se dizer isto, não é?
Igualmente.
Fica por aqui o "Português Suave".