Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Português Suave na Rádio Observador, sempre com o Marco Neves. Eu sou o João Costa e silvo lá, Marco.

Olá, tudo bem? Hoje é dia de seleção nacional, não é?

É verdade.

Mas não fazemos ideia.

Não estamos equipados a rigor. Quer dizer, eu estou seguindo um pouquinho as cores.

Eu estou azul.

Tenho vermelho e verde. Tu estás de azul.

Estou de azul, mas estou a pensar no vermelho e verde. Vamos ver qual será o resultado.

Vai correr bem.

Hoje vamos falar não da seleção portuguesa, mas da língua portuguesa, e vamos ter aqui algumas dúvidas. A primeira dúvida é de Paulo Jorge Ferreira, que nos enviou duas, mas eu vou lhe pedir desculpa e, neste caso, vou, para poder falar de outros.

Claro. Temos muitas.

Temos muitas. Vou escolher uma das que Paulo Jorge Ferreira me enviou. Ele agradece a oportunidade que nos dão, diz ele, de aprender e apreender um pouco mais da nossa língua. E a dúvida é: por que razão é que os brasileiros dizem planejar ou planejamento, em vez de planear e planeamento? E a nós soa-nos estranho planejar, tal como aos brasileiros soa estranho planear. E acontece que são palavras relativamente recentes. Nós, falantes do século XXI, não parecem ser tão recentes porque sempre as ouvimos, mas elas são relativamente recentes. Foram criadas em separado dos dois lados do Atlântico e os brasileiros simplesmente usaram um sufixo que existe. Nós também usamos outro sufixo. No caso do sufixo que os brasileiros usaram, nós também o temos em palavras como gotejar, gota, praga, praguejar, plano, neste caso, planejar não é nosso, é dos brasileiros, gago, gaguejar, vela, velejar. O nosso é o -ear, portanto, planear, e também usamos em muitas outras palavras. Os dois, tanto o planejar como o planear, vêm do mesmo sufixo latino, que é algo como -izare, que deu origem depois a estes dois. Repara bem que o Z facilmente, ao longo de gerações, passa para o J, aquela forma de pronunciar em que as sibilantes às vezes transformam-se umas nas outras, e é por isso que eles têm o planejar. Portanto, a única resposta a dar a isto é: os brasileiros criaram a palavra em separado dos portugueses e usámos sufixos diferentes.

Muito bem. Esta está respondida, do Paulo Jorge Ferreira. O que é que se segue? Vamos ver aqui.

Vamos ouvir uma dúvida da Joana Coelho.

Ai, deliciosa. Vamos ouvir.

Olá, Marco e João. O meu pai tem medo de palíndromos. Por que razão? Para ele explicar isso, tenho de dizer o palíndromo aibofobia.

O pai da Joana teve aqui o problema com esta palavra aibofobia, que eu gostaria só de apontar, para quem não percebeu o que se passou aqui, que aibofobia é ela própria a palavra um palíndromo. Por isso é que o pai da Joana acabou por ter de gritar, porque ele não aguenta ouvir palíndromos. Palíndromos são palavras que podem ser lidas numa direção como na outra. Aibofobia, ao contrário, fica aibofobia. Nós também temos as capicuas, que normalmente é um termo mais aplicado aos números, mas que de vez em quando também podemos aplicar às palavras. Eu gostava só de dizer, em relação à capicua, lembrei-me por causa da dúvida. Dúvida, não, ela não está a duvidar nada, ela está a mostrar um palíndromo que, na verdade, é um palíndromo que representa o medo dos palíndromos. Quem inventou esta palavra estava num dia particularmente inspirado.

Bom ou mau? Num dia bom ou num dia mau?

Estava num dia bom. Não sei.

Depende da perspectiva. Para quem não gosta.

Se bem que, lá está, uma pessoa que vai ao médico: "Oh, senhor doutor, eu sofro de aibofobia." É como a palavra, agora não me lembro de cor, mas as pessoas que têm medo de palavras grandes, também têm um nome que é uma palavra gigantesca. Capicua, só para dizer que a palavra capicua vem do catalão. Eu gosto sempre de dizer, porque cap e cua é cabeça e cauda. Cua é cauda.

Nós temos uma capicua portuguesa, Ana Matos Fernandes.

Ana Matos Fernandes? Desculpa, Marco, por momentos já esqueci.

Que nós conhecemos como capicua enquanto artista.

Sim, eu agora estava a pensar se o nome dela ao contrário também dava um palíndromo. Obrigado, Joana, e obrigado ao pai da Joana. Como é que se chama o pai da Joana? Eu agora não tenho aqui apontado.

Já não me lembro.

Imagino que seja Coelho.

Pois, não sei. Já não me lembro.

Não vamos arriscar. Obrigado à Joana e ao pai. Vamos então à terceira dúvida, que é a dúvida de Simone, que nos diz o seguinte: "Queridos João e professor Ninja". Obrigado.

Professor Ninja.

É Simone. "Me chamo Simone, sou brasileira e vivo cá em Portugal há cerca de cinco anos. Acabei de ouvir 'estou em pulgas' para demonstrar uma alegria por algo que há de vir e me ocorreu a dúvida: estou empolgado ou empolgada e em pulgas querem dizer a mesma coisa, mas têm a mesma raiz? Adoro o vosso programa. Obrigada."

Esta dúvida é muito interessante.

É muito interessante.

Nunca tinha pensado sobre isso.

Nunca tinha pensado sobre isso, exatamente. Aqui parecemos o do pão e do pó. E há que dizer que eu também não sabia, não fazia ideia. Eu desconfiava que não, que não tinham a mesma origem.

Mas querem dizer quase a mesma coisa.

Coisas parecidas, mas se eu tivesse que apostar, diria que não. E de facto, depois de verificar, não tenho a mesma dúvida. O empolgado tem uma origem latina que não tem nada a ver com a pulga. Tem a ver com força, com estar com força, neste caso, entusiasmo.

O em pulgas serve mais até para enfatizar. Para nós termos aquela imagem mental.

Eu não sei. Pode dar-se o caso do em pulgas ser uma expressão que entrou mais na nossa cabeça por causa do empolgado, mas acho que não, é mesmo só uma coincidência. O que acontece? Atenção, as coincidências acontecem nas línguas e em todo lado. Aquele dito "não há coincidências", na verdade, é falso. Existem coincidências. Por exemplo, uma das coincidências linguísticas mais famosas é a palavra noite, que é muito parecida com oito em muitas línguas. Ocho em espanhol, noche, noite, oito, nui, ui, e por aí fora. Essa coincidência, na verdade, tem que ver com uma coincidência muito antiga. No protoindoeuropeu, as duas palavras eram parecidas, por coincidência, e depois ficaram parecidas em muitas línguas. E neste caso, primeiro, dou os parabéns à Simone, porque é destas coincidências que se fazem as brincadeiras da língua, a poesia. Às vezes, a literatura precisa destas coincidências para viver. E eu nunca tinha reparado, e o João também sei que nunca reparou, como ele disse há pouco, e a Simone reparou. Obrigado, Simone.

É por isso que este programa é tão interessante, porque ter estas perspectivas de quem nos ouve e às vezes está a ouvir o programa e pensa: "Bem, eu tenho esta dúvida há não sei quanto tempo."

E surpreende também a nós que estamos aqui a falar disto todas as semanas e temos sempre surpresas. Eu posso-te dizer que nós já estamos no "Português Suave", já está perto dos dois anos, se vires bem.

Sim, o tempo passa a correr.

Já não estamos muito longe do segundo aniversário do "Português Suave". Se me dissessem no início que iríamos ter ainda aqui surpresas daquilo que os próprios ouvintes nos dizem dois anos depois, eu diria que eu, na altura, acharia estranho, ficaria contente por saber isso.

E como é que ao fim de tanto tempo ainda há dúvidas? Todos os dias há alguma coisa que surge.

Às vezes nós repetimos alguns temas, é normal, também há coisas que voltam. Por exemplo, uma das perguntas que me fazem muitas vezes e que eu não vou responder hoje.

Eu gosto que tu deixas sempre ali.

Sim, é para os próximos episódios. Não perca os próximos episódios em que vamos descobrir por que razão é que muito se lê assim e não se lê muito. Já falámos disto, mas é uma dúvida que eu recebo tantas vezes.

Bem, ficamos por aqui, não é?

Vamos ver o jogo, vamos ver quem é que ganha. Vai ser Portugal, certamente.

Isso é fácil.

Espero que o Cristiano Ronaldo tenha ficado muito picado com o hat trick do Messi.

Não, é que o Messi marcou três, o Haaland marcou dois e o Kylian Mbappé também marcou dois. Portanto, são três matadores, vamos dizer assim, que marcam muitos gols. Portanto, o Ronaldo tem que ficar mais do que inspirado.

Tem de se inspirar, porque tem de fazer melhor ainda.

E depois de ver o jogo, enviar dúvidas, porque podem surgir ao longo do jogo, para o "Português Suave". É muito fácil, através do nosso e-mail, Marco.

portuguessuave@observador.pt.

E o número de telefone, que é o 910024185.

Eu concordo.

Dúvidas através do nosso WhatsApp. Aliás, no domingo vamos também ter dúvidas dos ouvintes, não é?

Exato. Este domingo vai ser um domingo especial.

Então vamos a isso. Até lá, Marco. Um grande abraço.