Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Desligue o ruído e conecte-se aos factos. Temos 10 estadias num dos hotéis de luxo Alma Luza na Comporta, dois adultos, duas noites. Assine hoje o Observador com até 58% de desconto e habilite-se a ganhar. Tudo em observador.pt.
É quarta-feira, está com o "Português Suave" na Rádio Observador. Eu sou o João Costa e Silva, está comigo também o Marco Neves. Mais próximos de um dia muito importante para nós, Marco, o dia 25 de abril. Hoje é dia 22, estamos aqui em contagem crescente.
Estamos quase no 25 de abril. Desta vez calhou sábado.
Exato, sábado. Não temos feriado durante a semana.
Mas temos o 25 de abril. No outro dia, quando fui a Valência, lembro-me que já falei daqui. Eu estava com pessoas que falavam português e que falavam espanhol, alguém me contava uma piada que se contava entre portugueses e espanhóis, que era um português que perguntava se em Espanha também houve o 25 de abril de 1974. E todos diziam: "Não, não houve, isso é uma coisa muito portuguesa". E alguém dizia: "Então, mas passaram diretamente do 23 para o 25." Parece ser uma piada da época, não sei. Não te aches rir, não acho que seja uma piada muito boa. Mas é interessante que em Espanha disseram-me que o 25 de abril é muito conhecido, ou seja, eles associam muito ao nosso país o 25 de abril. E lembro-me de ter sido convidado para ir falar a uma escola galega, neste caso sobre a língua portuguesa, não sobre o 25 de abril, mas foi no dia 25 de abril. Cheguei lá e tinha a escola toda decorada com cravos, estamos a falar de uma escola secundária, e era o tema do dia. E eu pensei: "Eu nunca tinha visto isto numa escola portuguesa no 25 de abril", e depois lembrei-me da razão, é feriado. Claro que nunca tinha visto isto numa escola portuguesa, porque não há escola nesse dia.
Exato.
Mas em Espanha há, e por vezes, quando tem aulas de português, porque há algumas escolas em Espanha que têm aulas de português como língua estrangeira, o 25 de abril é um tema para esse dia.
Muito bem.
Isso é só uma pequena introdução. Vamos agora passar para as dúvidas. A primeira dúvida é da Lúcia Fernandes, que faz uma pergunta difícil de contar em rádio, porque tem que ver com pontuação. Ela apresenta uma série de saudações: "Bom dia," depois "Bom dia." "Bom dia, Marco." "Bom dia Marco." "Olá, bom dia, Marco." "Olá, Marco."
Quando eu li o e-mail, fiquei muito confuso. Achei que a Lúcia tinha adormecido em cima do teclado.
Estava só a repetir várias vezes: "Bom dia". Mas ela está a perguntar como é a forma de saudação, e que já viu justificações para muitas formas. E de facto, por vezes nós temos convenções diferentes e não têm de ser todas iguais. Mas há aqui alguns pontos em que eu posso pelo menos ajudar. Normalmente, com olá e o nome, temos como convenção da nossa pontuação pôr uma vírgula entre o olá e o nome, porque quando temos um vocativo, quando dizemos: "Olá, Marco", o Marco, neste caso, é um vocativo. Estamos a chamar a outra pessoa e por isso aí tem de estar separado do resto por uma vírgula. Portanto, "Olá Marco" não está de acordo com as convenções ortográficas portuguesas, "Olá, Marco" está. Depois, quando estamos a escrever uma mensagem e fazemos a saudação, no final dessa saudação, é que temos aqui algumas opções variadas. Podemos pôr uma vírgula e depois mudar de parágrafo e começar o nosso e-mail. É um uso muito particular da vírgula, parece não estar de acordo com as regras mais gerais, mas é uma convenção do início de uma carta, de um e-mail. Podemos também pôr um ponto de exclamação: "Bom dia, Marco!" Também não vejo que seja um problema. A regra chave, que muitas vezes falhamos todos, é pôr uma vírgula entre o olá e o nome da pessoa, porque o nome da pessoa aqui é um vocativo. Portanto, "Bom dia, Marco", "Olá, Marco". Ou neste caso, "Bom dia, Lúcia", "Olá, Lúcia". Acho que nunca disse tantas vezes vírgula na minha vida, em menos de dois minutos. Não sei se ajudou, espero que sim.
Um abraço para a Lúcia.
A Lúcia depois pode responder e dizer o que achou. Depois temos o Paulo Aguiar, que começa o e-mail com uma saudação muito particular, que não cumpre nenhuma destas regras que estávamos a falar. Ele diz: "Estou com fome." Ponto. Foi a saudação dele. "Também há naves nas igrejas. Imagino que tenham outra origem dos barcos e das naves espaciais, ou não. H!" E há ainda um outro: "A", que também leva H, que é o tal "AH!", mas que não costuma levar à confusão do programa de hoje, talvez por isso tenha estado ausente, diz-nos o Paulo Aguiar. Eu vou responder às duas em separado. Aliás, são três questões. Uma delas é minha. Por que razão é que ele começou o e-mail com "Estou com fome"? Espero que entretanto já tenha comido.
Não, Marco, isso é porque naquele episódio nós falámos de marmelada, de manteiga, de queijo.
Agora que estou a perceber. Então pronto, está esclarecido. É verdade, já não me lembrava.
Falámos de imensa coisa.
Obrigado, Paulo.
Aliás, a tua sugestão de livro também foi à volta da comida.
Exato, eu aqui baralhado. Já passou muito tempo, eu aqui baralhado, agora já percebi. Paulo, muito obrigado. Está esclarecida a primeira questão, que era minha, e agora as duas questões do Paulo. Quanto às naves da igreja, têm a mesma origem. Nave espacial, nave de andar pelo mar fora e a nave da igreja têm exatamente a mesma origem. A razão deste uso nas naves da igreja é difícil de esclarecer, mas há duas grandes ideias. A primeira é que havia uma metáfora muito usada nos primeiros tempos da igreja, em que a igreja era uma nave que tinha os cristãos, que seguiam pelo mar do mundo, se quisermos. E depois temos também a própria forma do teto de muitas igrejas, que pode parecerUma nave ao contrário, um navio ao contrário. Dê por onde der, a origem é a mesma. A nave da igreja, a palavra, tem a mesma origem que a nave espacial e que a nave que anda pelo mar fora. Quanto ao "Ah, hã!" é um outro "ah" que como muitas interjeições-
Menos problemático, não é?
É menos problemático, mas é curioso. Eu só gostava de chamar a atenção. As interjeições muitas vezes torcem a nossa ortografia. Nós não podemos usar um H no final das palavras, com exceção de interjeições como "ah". As interjeições são uma espécie de campo selvagem no que toca a ortografia. Paulo, muito obrigado. Agora gostava de avançar para a Inês Amorim. A Inês Amorim diz-nos: "Vi hoje um vídeo", um vídeo meu, presumo, "sobre a origem dos nomes, se existiam nomes estritamente portugueses, em que o Marco Neves esclareceu que Natércia é um deles, mas que há poucos." E ela diz que sempre ouviu dizer que o nome Nuno é português. Será? Ou tem outra origem? Também pergunta por Vasco, mas eu hoje Vasco vou deixar de lado e vou só falar do Nuno.
Eu também tenho a mesma dúvida agora, se é português ou não. Fiquei curioso.
Português é. O que eu quero dizer com isto é, quando eu digo que há poucos nomes de origem só portuguesa, quero dizer que os nomes normalmente pegam em materiais que já existiam anteriormente, o que é natural e todas as línguas fazem isto. Os nomes não são menos portugueses, e eu gostava aqui só de esclarecer isso, porque pode parecer que estou a dizer que os nomes são todos estrangeiros e só há um ou dois portugueses. Não é isso, todos são portugueses. O que eu queria dizer com esse vídeo era precisamente isto: nós não conseguimos encontrar, ou é muito difícil encontrar nomes que tenham sido criados de raiz, sem qualquer uso de materiais que não venham de outras línguas anteriores ou outras línguas do lado. Mas mais uma vez, isto não é uma característica da nossa língua. Todas as línguas fazem isto, vão buscar coisas a outros lados. As línguas reciclam materiais constantemente. No caso, Natércia é particular, porque foi Camões que pegou nas letras de Catarina, deu-lhes uma volta e criou Natércia. Natércia, podemos dizer que foi criada só em português. Mas mesmo Natércia usa os tais materiais de Catarina, mas todos baralhados. Até Natércia tem materiais anteriores. Nuno, não se pode dizer que seja exclusivo do português, ao contrário do que muitas vezes nós pensamos, porque existe também em castelhano, existe também em catalão. Tem esta particularidade. É muito raro nessas línguas. Em português, e em particular em Portugal, tornou-se mesmo um nome muito comum, talvez por causa de Nuno Álvares Pereira. Esta é a minha desconfiança. E hoje é um nome tão comum em Portugal, tão raro em todas as outras línguas, que acaba por ser visto como um nome particularmente português, um nome que caracteriza muito o nosso país. A origem, não se tem a certeza absoluta. Há quem veja ali a origem em nono, ou seja, a palavra para nono no latim, mas não pode ser, porque em castelhano é "nuño", com nh. Em catalão também é com NY, portanto, lê-se "nuño". E normalmente quando nessas línguas temos alguma coisa que é um NH e em português é só um N, quer dizer que vem de uma palavra anterior que tinha dois N, que foram reduzidos para um N em português e que foram transformados num NH em castelhano, neste caso. O mais provável é que tenha vindo de uma palavra latina, que queria dizer nonus, com dois Ns, que queria dizer tutor, aquele que ensina. Nuno seria aquele que ensina. Pelas particularidades da história dos nomes, tornou-se um nome muito português, porque é quase impossível encontrar Nunos fora da nossa língua e até mesmo fora de Portugal. Pelo menos no Brasil, por exemplo, é um nome raríssimo. Em Portugal, nem por isso, é bastante comum. Pronto.
Obrigado aos nossos ouvintes, à Lúcia Fernandes, à Paula Aguiar e também à Inês Amorim, pelas dúvidas. Agora num sprint até ao final, Marco, qual é o e-mail para onde nos podem enviar dúvidas?
portuguessoave@observador.pt e depois temos o telefone para enviarem áudios.
Exatamente, que é o 91 002 41 85. Ficamos por aqui neste episódio de quarta-feira, mas estamos de volta no domingo, já depois do 25 de Abril. Um abraço, Marco Neves.
Um abraço.