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Junta-se agora a nós o Edgar Caetano, que é jornalista de economia do Observador. Edgar, bom dia.
Bom dia.
Estão ultrapassados os receios em torno do Credit Suisse, depois da resposta desta manhã dos mercados?
Eu penso que não, porque a subida de hoje impressiona, de facto, mas temos que ver que a cotação do Credit Suisse ao longo do último ano perdeu quase 90% do valor. Portanto, temos que relativizar isto um pouquinho. Temos que sublinhar que o que o banco central faz é dar liquidez ao banco, que serve mais para proteger as contrapartes ou os bancos que fazem negócios com o Credit Suisse do que propriamente o Credit Suisse. Por um lado, isso acontece, por outro lado, de facto, mostra que o supervisor e que o banco central está a envolver-se neste tema. Mas temos que pensar que o problema do Credit Suisse não é apenas de liquidez, é um problema de solvência. Tanto que as quedas de ontem foram porque um grande investidor, um grande acionista do banco, neste caso os sauditas, disseram que não estariam disponíveis pra meter mais capital. E, portanto, mesmo não havendo um problema grave urgente de liquidez, o que afetaria não só o Credit Suisse, mas os outros bancos que fazem negócios com ele, o problema centrado no Credit Suisse continua a existir e é um problema de capital.
Portanto, não se respira de alívio, apesar dos ganhos nos mercados.
Eu diria que investir nas ações do Credit Suisse, quem está fazendo neste momento está a tentar apanhar uma faca que está a cair do céu e, portanto, é isso que está acontecendo.
Edgar, em relação ao BCE e à reunião desta manhã, espera-se mais cautela em relação ao aumento das taxas de juro?
Eu gostava de dar um pouquinho de contexto. Esta reunião de hoje, desta quinta-feira, do BCE, foi a primeira vez na história da zona euro em que o banco central já vai pra reunião tendo dito, na última reunião, que ia aumentar em 50 pontos. Isto nunca tinha acontecido. Eu não sei quais é que seriam as consequências de, depois da primeira vez ter dito que ias fazer alguma coisa, não fazer isso. Eu penso que aumentar as taxas de juro em menos do que os 50 pontos que são previstos, acho que podia ser ainda pior, ainda ia assustar mais as pessoas, porque o banco central disse que ia fazer um aumento de 50 pontos, isso está plenamente descontado pelos mercados, está completamente incorporado. Ainda ontem saíram notícias de dizer que apesar desta tensão nos mercados financeiros, eles iam avançar na mesma com este aumento de 50 pontos. Se aumentassem em menos do que isso, eu não sei se isso não podia ser contraproducente, até porque ia se queixar o que eles sabem que nós não sabemos e por que eles estão a tomar esta medida. As coisas devem estar muito piores do que nós pensamos e acho que isso podia ser ainda pior. A zona euro tem um problema muito grave.
Portanto, o que é preciso é que se mantenha esta intenção anunciada.
É a minha aposta, mas temos que perceber que nós temos um problema de inflação muito grave na zona euro e isso não muda. Nada disto muda com isso. Por muito que nós estejamos preocupados com a estabilidade financeira, o problema de inflação não muda e não está a melhorar por artes mágicas. E, portanto, pra evitar que haja aquilo que se chama a desancoragem das expectativas de inflação, que é a inflação descontrolar-se, é preciso fazer alguma coisa e temos que pensar que a zona euro tem os países do Norte, tem os países do Sul, e pra nós uma subida da taxa de juros significa prestações de crédito mais caras, mas isto, por exemplo, nos países do Norte, em que a maior parte das pessoas vive em casas arrendadas ou em casas com taxa fixa, isso não é uma preocupação. Nós temos que pensar que é uma zona euro que é muito heterogênea em vários aspectos e, portanto, tendo em conta que existe um problema tão grave de inflação que afeta sobretudo as pessoas mais pobres, acho que não existe outra alternativa que não continuar com a subida da taxa de juro e esperar que isto funcione.