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Colunista do Dia, hoje com José Pereira Palha, presidente da Associação Nacional de Produtores de Cereais, que escreve um artigo em observador.pt intitulado "Agricultura: é tempo de fazer". José Pereira Palha, bem-vindo. Acrescentar que é também o coordenador do Observatório da Agricultura da CEDES. Começa esta sua crônica com um lamento. Considera que o tema da agricultura tem estado arredado do debate eleitoral.

Boa tarde e muito obrigado pelo convite. Exatamente isso. Nós assistimos a 29 debates com todos os candidatos a primeiro-ministro e em nenhum destes debates o tema agricultura ou até o tema mundo rural foi falado. E nós, na CEDES, preocupamo-nos e achamos que, de facto, a agricultura é um tema central e é fundamental, quer para a economia das zonas rurais, quer até para o ambiente e para a sustentabilidade do território. E por isso escrevi este texto e também para apresentar um policy paper que nós fizemos no Observatório da Agricultura, onde identificamos as principais ações e em seis áreas temáticas que nós achamos que é fundamental o próximo primeiro-ministro intervir neste setor da agricultura e também numa lógica de coesão do território e de olhar para todo o território nacional e não apenas para a zona litoral, que é onde se encontra a maior parte das pessoas.

Identifica neste artigo algumas prioridades, por exemplo, a reintegração da agricultura e florestas. Por que motivo é tão importante?

É importantíssimo que o poder político olhe para o setor agroflorestal como uma resposta e uma ajuda para os problemas de Portugal e numa lógica de a floresta não pode estar separada da agricultura. Nós temos imensa área do território, em floresta são cerca de 3,2 milhões de hectares, e muitas vezes essa floresta tem uma componente agrícola associada. E se tiver uma componente agrícola associada, também é mais fácil de manter essa floresta em boas condições e mais resiliente, por exemplo, aos fogos florestais, havendo agricultura no meio da floresta que possa interromper a propagação do fogo e até também uma lógica de pastorícia ter uma componente pecuária também agregada. E a floresta também tem que ser olhada numa lógica de economia e produção de bens transacionáveis, como seja a madeira, como seja para a transformação em pasta de papel, como seja a pinha, como seja a cortiça. E passar a floresta para a esfera do Ministério do Ambiente, apenas se olha para a floresta com a sua componente ambiental e deixando totalmente fora a componente econômica. E é impossível de separar uma coisa da outra, sob pena do abandono da floresta, que é aquilo que nós temos vindo a assistir e com todos os problemas que daí advêm, desde logo, o primeiro, os fogos florestais.

A valorização do interior também passa por esta necessidade de mudar a forma como olhamos para a agricultura e para as florestas?

Passa claramente. O setor agrícola tem um defeito grande, que nós assumimos enquanto setor, que é que temos má comunicação e normalmente quando o setor comunica é em reação a qualquer questão que acontece, muitas vezes questões ambientais. Mas o setor agrícola e agroflorestal, neste caso, é parte da solução. Se não houver agricultura em todo o território nacional, nós não temos as zonas do interior resilientes. Se não tiverem pessoas a viver no interior, a produzir no interior e toda a economia que vem agregada à atividade agrícola, como seja quem vende fertilizantes, combustíveis, oficinas, enfim, se não houver pessoas no interior, não existe economia no interior. E não havendo isso, existe abandono. E o risco do abandono é enorme. E por isso este setor é tão estratégico, até numa lógica de coesão territorial, a somar à produção de alimentos, que é obviamente o principal objetivo do setor agrícola, mas também de sustentabilidade ambiental e de preservação da paisagem e manutenção da biodiversidade. E por isso é que nós consideramos que é tão importante este setor e que ultimamente tem estado muito afastado do debate político e da opinião pública. E de facto, é isso que nós tentamos inverter e é esse caminho que estamos a fazer.

Fica esse lamento em forma de apelo. "Agricultura: é tempo de fazer", a crônica assinada por José Pereira Palha, é o presidente da Associação Nacional de Produtores de Cereais, escreve esta semana em observador.pt.