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Para já é uma investigação, ela está confirmada oficialmente pela Procuradoria-Geral da República. Atenção que foi apresentada uma queixa, é irrelevante de quem foi, mas foi por um coordenador da Polícia Judiciária, já lá vou, através deste coordenador chamado David Freitas. Os crimes são públicos, é um crime de abuso de poder, um crime de falsas declarações e, portanto, é obrigatória a abertura do inquérito criminal. O facto de o Ministério Público abrir este inquérito não significa por si só que isso levará a alguma acusação. Significa que cumpriu a lei, porque o Ministério Público é obrigado a abrir o inquérito para investigar esta denúncia. Em segundo lugar, os factos que estão aqui em cima da mesa são graves. Sim, é verdade. Está em causa a possibilidade de o Carlos Cabreiro, então diretor da unidade que investigava Rui Pinto, ter eventualmente, e de acordo com esta denúncia, recorrido a meios ilegais, ou seja, em tribunal, o Carlos Cabreiro e outros elementos da Polícia Judiciária testemunharam no julgamento de Rui Pinto que um encontro que foi muito importante para identificar Rui Pinto como o hacker que estava por trás de muitas das situações que estavam a ser investigadas, que esse encontro não tinha sido alvo de nenhuma espécie de vigilância eletrónica, seja de escutas ambientais, seja de escutas telefónicas. Ora que o David Freitas, que é um coordenador da Polícia Judiciária, descobriu documentação no decorrer do seu trabalho, já agora também, que põe em causa, alegadamente, essas declarações prestadas em tribunal. Agora, é importante recordar que o David Freitas tem aqui um interesse pessoal nesta matéria, por uma razão: Carlos Cabreiro afastou a mulher de David Freitas, o coordenador que fez a denúncia, que é também inspetor da Polícia Judiciária, e essa senhora está a ser julgada por um alegado crime de falsas declarações em tribunal. E, portanto, o denunciante tem aqui um interesse pessoal em denunciar Carlos Cabreiro. E vamos ver o que o Ministério Público vai descobrir na sua investigação, se essas questões todas que acabamos agora de discutir, como é que vai avaliar essa matéria.

Sendo que o David Freitas foi, entretanto, transferido da unidade onde prestava serviço já depois dessa denúncia, poderá estar relacionado com isso?

Essa é outra questão, é outra matéria que também é relevante, porque quem denuncia situações não pode ser prejudicado por denunciar essas situações. Isso aí já é uma questão que pode colocar aqui em causa e tem que ser alvo de um escrutínio mais aprofundado. Pode colocar aqui em causa também uma decisão tomada pela Direção Nacional liderada por Carlos Cabreiro. Portanto, este caso é mais um exemplo de como a Polícia Judiciária, neste momento, está a atravessar uma crise interna nunca vista. Esta notícia e este caso é um excelente exemplo disso mesmo, de como há uma guerra interna dentro da PJ e que está a ter repercussões públicas e obviamente que isso também coloca em causa o funcionamento da Polícia Judiciária. Portanto, acho que não só este caso, como outros casos, vão continuar a dar muito falar, porque a Polícia Judiciária precisa de paz para fazer o seu trabalho e neste momento essa paz não existe. Vamos ver. Quando os comados se zangam, saem as três verdades. Vamos lá ver que mais verdades é que se vão descobrir no decorrer das próximas semanas.