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The building is exploding right now. You got people running up the street. Another passenger plane in the World Trade Center.

The Twin Towers of World Trade Center, both of them being damaged by impacts from planes. We saw one happen.

It is a very hard thing to watch.

Eu lembro-me bastante bem das circunstâncias em que tomei conhecimento do que estava a acontecer, primeiro em Nova York e depois em Washington, nos arredores de Washington, com o ataque ao Pentágono. Eu tinha ficado na Câmara à hora do almoço, isto deu-se de manhã nos Estados Unidos, portanto, à hora do almoço em Lisboa. Eu tinha ficado na Câmara, no gabinete que eu ocupava, e as duas minhas principais colaboradoras, nomeadamente o Pais Vaz, que era meu chefe de gabinete, e a Patrícia Assis Teixeira, que era minha assessora direta e que passava o dia praticamente todo comigo em coisas de trabalho, e eu tinha dito: "Não aguentamos mais esta coisa, não se almoça nunca", etc. E eu tinha dito: "Não, eu fico aqui", porque estávamos na altura a discutir com os clubes de futebol as questões que tinham a ver com as construções dos estádios e as modulações dos estádios para o Euro 2004. E era suposto haver uma reunião, já não me lembro se com o Benfica, se com o Sporting ou até com os dois nessa tarde. E eu queria afinar ali as questões que se colocavam nessa altura. E decidi ficar ali nos Passos do Conselho, no gabinete do presidente da Câmara, continua a ser o mesmo, a afinar as coisas para uma reunião que teria lugar, só foi às 15h ou 16h, e que acabou por não ter lugar, dado o que se passou no 11 de setembro. E eu tinha recomendado sempre a uma ou duas senhoras, minhas secretárias, que acabaram por se tornar minhas amigas também, que estavam sempre ali em permanência, de manhã, de tarde e à noite, até altas horas, que tivessem sempre uma das televisões. Foi na altura, já a SIC tinha um canal de informações, que era a SIC Notícias, em permanência. E os outros canais também estavam a procurar corresponder ao desafio que tinha sido lançado, salvo erro, pela SIC, que foi pioneira ainda no tempo do Emídio Rangel e, claro, do Dr. Baal Simão, como canal de informação em 24 horas sobre 24. E eu não tinha a televisão ligada, evidentemente, eu vivia todo estável, raramente tinha a televisão ligada, mas tinha recomendado que nessa sala de apoio de secretariado, mesmo ao lado do gabinete do presidente da Câmara, houvesse sempre, mesmo que sem som, um desses canais de televisão ligados, nomeadamente a SIC Notícias, que desempenhava um papel, e continua a desempenhar muito, mas neste momento não é a única, muito ativo nas notícias do que acontecia a cada momento, no dia e também na cidade. E eu tinha, nessa altura, uma das minhas filhas mais velhas nos Estados Unidos. Estava numa universidade no Connecticut, onde eu já tinha ido mais que uma vez. E lembro-me perfeitamente que essa senhora, que é a dona Filomena, que foi minha secretária, depois também me acompanhou quando eu, mais tarde, estive no Ministério da Cultura, entrou no meu gabinete na altura em que as primeiras cenas do avião embater nas Torres Gêmeas, em direto, porque um desses canais transmitiu em direto aquilo que estava a passar, provavelmente na CNN ou noutro canal qualquer, e entrou no meu gabinete para me avisar de que tinha havido um acidente muito grave, aquilo que se pensava que era um acidente muito grave em Nova York. Exatamente. Porque havia um avião que tinha batido. E a minha preocupação, nessa altura, eu pensava que se tratava de um mero acidente, tinha havido, aliás, uma coisa parecida pouco antes, já não me lembro exatamente em que cidade americana, tinha havido de facto um avião que tinha batido, mas um avião muito pequeno, salvo erro, monomotor. E eu liguei a televisão que tinha no gabinete, ficámos a ver o que se passava e assistimos ao segundo embate em direto, convencidos de que era, na primeira visão que eu tive, a repetição da imagem que ela me tinha reportado poucos minutos antes. Mas foi o segundo embate.

Que foi uma sensação que muita gente teve na altura, os próprios jornalistas.

Eu tive essa sensação que era uma repetição, como aliás é frequente em televisão, é repetir uma coisa que passou e uma imagem que é uma imagem forte. E ainda liguei para os Estados Unidos, onde era cedo, e acordei a minha filha que estava nessa universidade do Connecticut, numa cidadezinha onde aliás há bastantes portugueses, é uma cidade chamada Bridgeport, e disse: "Olha, atenção, houve ali uma coisa séria em Nova Iorque", mas eu não tinha percebido e consegui a ligação com grande facilidade. "Atenção, cuidado com Nova Iorque, houve ali um acidente grave". E depois é que comecei a perceber o que se tinha passado. E nessa altura, falámos, quando se começou a perceber, já não sei dizer exatamente a este anos todos de distância, estamos a falar de 20 anos. Foi em 2001, não lhe sei dizer exatamente, mas falámos com o Ministério da Administração Interna, falei com o comando da Polícia Municipal.

Na altura, foram recomendadas algumas medidas de segurança por ser uma cidade como Lisboa, por exemplo?

Não houve nenhuma recomendação especial, mas eu lembro que o Ministério da Administração Interna, salvo erro, o ministro Alberto Costa, e eu lembro-me de ter falado com ele ou ter falado com alguém do governo E que os serviços já estavam a tomar medidas. Mas isto já deve ser uma hora depois, ou coisa assim. Eu não sei também dizer já hoje qual foi a hora exata do primeiro embate, porque eu sei que isso correspondeu àquilo que era a hora do almoço.

Posso-lhe dizer que foi à 13h46 o primeiro.

Está a ver? Eu não tinha querido ir almoçar com eles e eles depois apareceram imediatamente, também foram confrontados com as notícias na pequena tasquinha ali ao pé da câmara onde estavam a comer qualquer coisa. Nós falámos com a Polícia Municipal e com o Ministério da Administração Interna, que nos disse que estava a tomar medidas no que diz respeito à proteção das embaixadas e alguns pontos mais sensíveis da cidade. Eu transmiti isso também ao comando da Polícia Municipal para ver o que a Polícia Municipal podia, quanto a essa matéria, fazer. Eles falaram das embaixadas e de alguns pontos públicos mais sensíveis, nomeadamente os grandes centros comerciais, e lembro-me que se tomaram algumas medidas no sentido de recomendar prudência e fizeram-se alguns telefonemas em relação aos principais centros comerciais para tomarem medidas de cautela e eventualmente até fecharem. Não me lembro se houve alguns que tenham fechado ou não, mas sei que se tomaram algumas medidas. E depois, claro, falei com os outros responsáveis da Câmara, também para que cada um em seu setor fosse procurando saber exatamente o que se passava e o que eventualmente se poderia passar em Portugal. Embora as indicações que vinham do Ministério da Administração Interna e dos Serviços de Informações Portugueses funcionam muito melhor do que se pensa. Eu depois estive, durante quatro anos, por via parlamentar, na Comissão de Fiscalização dos Serviços de Informações, no SIE e no SIS, eram de tomar precauções, mas não exagerar, porque não havia nenhum risco visível de ameaça imediata. Mas lembro, por exemplo, que nós, também no plano da solidariedade com os Estados Unidos, e repare, eu estava, enquanto socialista, coligado com o Partido Comunista Português, consegui imediatamente um acordo com os nossos parceiros de coligação para tomarmos algumas iniciativas que nos permitissem a solidariedade, quando percebemos, nesse dia ou no outro dia de manhã, a dimensão que aquele conjunto de atentados terroristas tinham tido.

E precisamente sobre essas medidas de solidariedade, ainda que mais simbólicas, chamam-me aqui a atenção e queria perguntar.

Vou-lhe explicar.

Sim.

Nós devemos ter sido das poucas cidades no mundo onde, uma semana depois, você tem de consultar os dados da época, eu não gosto de falhar nas datas e nas coisas. Mas uma semana depois, fizemos uma exposição numa sala de exposições que havia no piso térreo dos Paços de Conselho renovados, onde depois do incêndio tínhamos feito uma grande renovação e criámos ali uma sala de exposições, fizemos uma exposição da maioria dos grandes fotógrafos portugueses da altura, todos esses que ainda hoje mexem, desde o Luís Carpalho até ao homem dos Pretos, etc, colaboraram com uma exposição sobre Nova Iorque e de preferência com imagens sobre as Torres Gémeas.

Posso confirmar que sim.

E pode confirmar que isso foi iniciativa, foi uma ideia minha, e nós executámos isso com essa rapidez de uma semana e conseguimos, inclusivamente, e vou-lhe dizer quem foi, uma fotografia que no próprio dia 11 de setembro conseguiu chegar, porque os voos estavam muito limitados e a partir de certa altura os americanos suspenderam os voos, mas conseguimos fazer chegar uma fotografia, uma pintora e fotógrafa portuguesa que vive em Nova Iorque, que é minha amiga, que é a Rita Barros, que nós tínhamos apoiado também numa outra exposição. E ela mandou duas fotografias, os fotógrafos deram todos duas fotografias cada um, alguma já com mais de um ano, mas em que entravam as Torres Gémeas e entravam imagens de Nova Iorque, e a Rita Barros mandou fotografias feitas no próprio dia 11 de setembro. Já com as chamas e com a derrocada. Fizemos isso uma semana depois. Um mês depois, também por iniciativa nossa, colocámos na esquina da Avenida dos Estados Unidos da América com a Avenida de Roma, um pequeno monumento, que ainda hoje lá está.

Uma escultura de Augusto Cid, não é?

Encomendado por mim ao Augusto Cid. E ele fez uma coisa muito bonita, que é aquela imagem muito forte que apareceu logo a seguir ao 11 de setembro, quando foi da derrocada das duas torres e ficou uma estrutura metálica de pé.

Uma fachada com aqueles buraquinhos.

Não é uma fachada, é a estrutura metálica que sustentava a fachada do prédio. Essa você pode ver e vá ver, se ainda nunca a viu.

Passo lá quase todos os dias, por acaso.

Está lá na esquina. Eu fiz questão que ficasse na esquina da Avenida dos Estados Unidos da América.

Era precisamente sobre isso que eu queria também perguntar ao João Soares: o que motivou João Soares e a Câmara de Lisboa a avançar tão rapidamente nestes atos de solidariedade? Porque são vários. Tenho aqui também, por exemplo, a informação de uma cerimônia religiosa no dia 18 de setembro também.

Sim. Mas foi aprovada. A cerimônia religiosa não foi iniciativa minha, mas teve a minha total solidariedade e a minha presença, foi em frente aos Jerónimos, com, aliás, todas as confissões religiosas. Foi uma cerimônia em frente aos Jerónimos, portanto com a presença, já não me lembro, mas acho que o próprio cardeal patriarca lá terá estado e esteve lá o xeique da mesquita, estiveram lá o rabi das sinagogas, estiveram lá todas as confissões religiosas Lembro-me bem disso. E nós demos todo o apoio logístico e entrámos imediatamente nesse conjunto. Não foi uma ideia minha, mas foi uma ideia que eu apoiei de fundo. Foi de alguém ligado ao nosso patriarca da altura, que era o Doutor José Ricardo. E nós aprovámos dois ou três dias depois, eu não sei que dia da semana é que foi o 11 de setembro, não lhe sei dizer a essa distância, mas aprovámos na primeira sessão de câmara, que foi pública, uma moção de solidariedade com o povo dos Estados Unidos e as autoridades dos Estados Unidos, vítimas de um atentado terrorista, que foi aprovada por unanimidade nessa sessão, três ou quatro dias depois.

E na sua opinião, o que é que motivou toda esta onda de solidariedade?

Não foi fácil aprovar uma moção de solidariedade com o povo americano e com as autoridades dos Estados Unidos, nomeadamente as autoridades locais, num contexto de coligação com o PCP. Mas aprovaram e estiveram de acordo. Fui eu que a redigi com esta minha mãozinha direita, porque não sou canhoto. Não, o que levou foi que houve, de facto, uma solidariedade imensa em todo o mundo, mas houve os que se ficaram pela conversa e pelas declarações mais ou menos tónitroantes, e houve os que traduziram isso em coisas que ficaram e que estão aí à vista. A exposição de fotografia foi feita uma semana depois, no máximo 10 dias depois, mas eu acho que foi uma semana depois. E o monumento ao Augusto Cid foi metido um mês depois, no máximo.

Diz o jornal Público que foi o primeiro monumento que surgiu em homenagem ao 11 de Setembro.

Em todo o mundo. E é um monumento bem bonito. E a moção foi dois ou três dias depois, não sei se foram dois ou foram três, e tem esse sabor particular que é os meus companheiros de coligação do PCP aprovaram. Embora havia ali uma certa coisa em relação aos Estados Unidos.

Claro.

Os Estados Unidos foram sempre um bicho de sete cabeças para uma parte da esquerda. Eu incluído, em muitas coisas, com que não me identifico, mas de facto foi uma diferençazinha. E mesmo as iniciativas que se tomaram em matéria de segurança, etc. Na cidade, já não me sei dizer exatamente, mas sei que fizemos imediatamente, e houve ali um conjunto de iniciativas e de reuniões com os responsáveis da Polícia Municipal. A Polícia Municipal esteve à disposição da Polícia Nacional. Tínhamos menos elementos nessa altura na Polícia Municipal do que há hoje, do que a cidade dispõe hoje. Nomeadamente, a Polícia Municipal ainda não tinha competência em matéria de trânsito, mas também esteve muito envolvida e correspondeu. Todos os responsáveis da cidade corresponderam, dos vários setores, da Proteção Civil, etc. Também tive aportes se pudesse ter ocorrido alguma coisa. Felizmente, não ocorreu e nunca ninguém previu, com base em dados sérios, que pudesse vir a ocorrer, também sejamos sinceros. Mas, de facto, acho que nos distinguimos pela positiva da generalidade das outras capitais europeias e mesmo das outras capitais do mundo. The building is exploding right now. You got people running up the street.

Another passenger plane in the World Trade Center. The Twin Towers of World Trade Center, both of them being damaged by impacts from planes we saw. It is a very hard thing to watch. We're at war.