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Filomena Martins, que já cá está para mais uma edição do "Quente e Frio", esta de terça-feira, 14 de julho. Olá, Filomena, bem-vinda.

Olá, Nelson.

Parece que o calor já está aqui a sentir-se um bocadinho. Ligeiramente estão a aumentar as temperaturas esta semana.

É o calor a reorganizar-se. Depois destes dias em que o Atlântico conseguiu travar o calor, as temperaturas, a influência do Atlântico está a baixar, está a diminuir aos poucos e o calor está a regressar. Vai ser primeiro ao interior e depois ao resto do país. Mas a mudança importante e que se vai notar mesmo, só vai chegar durante o fim de semana.

Tenho olhado para o mapa e tenho visto as temperaturas a crescer.

A crescer, sim.

A partir de fim de semana, já bem acima dos 30 °C nas principais cidades.

Amanhã ainda vamos ter algumas nuvens, neblinas, no litoral norte e centro, mas o sol já vai dominar praticamente todo o país e as temperaturas já vão subir um bocadinho. No litoral tens Viana do Castelo com 23 °C, Porto 23 °C também, Aveiro já nos 25 °C e Lisboa já nos 29 °C. No interior, Castelo Branco já passa aos 30, 31 °C, Santarém chega aos 33 °C e Évora também, Beja nos 32 °C e Faro nos 31 °C. Quinta e sexta-feira não mudará muito além disto. No sábado, os modelos já apontam para uma entrada progressiva desta massa de ar mais quente sobre a península Ibérica, associada ao reforço daquilo que chamamos uma crista anticiclónica, que se estende desde o norte de África e que traz sempre aquele calor do norte de África, e o resultado deverá ser uma subida muito rápida das temperaturas, sobretudo no norte e centro interior, Alentejo e Vale do Tejo. E no domingo e no início da próxima semana, aí o calor pode voltar a ganhar bastante intensidade. As previsões apontam para máximas próximas de 40 °C no interior, podendo mesmo atingir os 41 °C em distritos como Castelo Branco, Guarda, Viseu, Beja, Évora, Portalegre e Santarém. Na verdade, os mesmos de sempre. O litoral continuará um bocadinho mais fresco, mas vão subir as temperaturas e as noites também vão aquecer, com Faro perto dos 23 °C e o interior entre os 20 e os 22 °C, tal como Lisboa. Portanto, as noites tropicais de volta. Não há ideia ainda de onda de calor, só em Espanha, isto por influência de massas de ar, mas podemos explicar noutra altura mais perto.

O fenômeno que hoje trazes é aquele vento irritante, que eu conheço muito bem, porque fiz muitas vezes praia na Póvoa de Varzim, é a famosa nortada. Não é?

É.

Que levanta a areia.

Que levanta a areia e que vai por cima de toda a gente, não é agradável. Nestes últimos dias falou-se muito dela, precisamente porque ela explica boa parte das diferenças de temperatura entre o litoral e o interior. Já explicaste, a nortada é aquele vento persistente de norte ou de noroeste, que sopra sobretudo durante as tardes de verão na costa ocidental. No Algarve está um bocadinho livre disso. E forma-se porque o interior da península aquece muito mais depressa do que o oceano, como é óbvio, e esse aquecimento cria uma zona de baixas pressões sobre a terra, enquanto sobre o Atlântico permanece o anticiclone dos Açores. E então o ar desloca-se do mar para terra e acelera ao longo da costa, originando a nortada. É precisamente isso. É esse vento que impede o litoral de aquecer tanto como o interior.

E é um bocadinho por causa disso que entre Viana do Castelo e a Figueira da Foz há sempre uns graus abaixo do resto do território.

É, se fores do interior para a zona litoral, já sabes, pode existir ali 10 a 15 °C às vezes. E em dias de verão não é raro haver diferença superior a 10 °C entre essa faixa costeira e o Vale do Tejo ou o Alentejo. Mas a nortada faz muito mais do que refrescar o ambiente. O vento empurra as águas superficiais do mar, que são mais quentes, para o largo e permite que subam as águas mais profundas e mais frias. É o tal afloramento costeiro, um fenômeno que ajuda a explicar por que a água do mar em Portugal costuma ser bastante mais fria do que em Espanha ou em todo o Mediterrâneo. Quando a nortada enfraquece, como pode vir a acontecer nos próximos dias, esse mecanismo também perde força. Portanto, há menos renovação das águas frias e a superfície do oceano aquece mais facilmente. É fácil de perceber. É por isso que as projeções apontam para que a água do mar nos próximos dias fique entre 21 e 23 °C em alguns setores da costa ocidental e perto dos 25 °C no Algarve, que são valores pouco habituais para esta altura do ano. E sem esse vento refrescante, o calor também fica mais forte no litoral e aumenta as temperaturas mais baixas, ficando também com as noites mais quentes.

Vamos aqui a uma curiosidade. Trazes hoje esta questão de quando o mar parece que está a deitar fumo, mas está gelado.

É isso. Já viste alguma vez?

Sim, acho que estou a perceber o que é. Sim.

Também parece aquele vapor. Não é fumo, mas não é isso. Não é fumo, nem é vapor. É um fenômeno que se chama nevoeiro de advecção. Forma-se quando uma massa de ar quente e úmido, vinda da terra, normalmente, passa sobre a água muito fria. O ar arrefece rapidamente junto à superfície do mar e o vapor de água condensa-se, formando esta espécie de manto branco, que parece estar a nascer da água. Não está a surgir de dentro da água, está a passar por cima dela.

Mais uma neblina, não é?

É isso mesmo. É um fenômeno relativamente frequente na costa portuguesa durante o verão, sobretudo quando sopra a tal nortada. O vento faz subir à superfície da água muito fria das camadas mais fundas e quando o ar quente passa sobre essa água, fica aquele mar a fumigar. É uma imagem bonita, impressionante às vezes, completamente natural, que mostra como o vento pode transformar não só a temperatura da água, mas também a paisagem.

E pode ser uma ajuda para a economia, porque vendem-se muitos pára-ventos na zona do litoral norte e centro, muito por causa desta nortada que esteve aqui em destaque no "Quente e Frio". Amanhã voltamos a olhar para o tempo com a Filomena Martins. Até amanhã, Filomena.

Até amanhã.