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É o relatório de jogo que fica também disponível através do podcast da Rádio Observador. Assinatura de Augusto Inácio. Empate a dois entre Benfica e Arouca, numa jornada onde o Sporting ontem tinha ganho por 1 a 0. Foi nos Açores perante Santa Clara, um gol na segunda parte do Geny. Era um jogo em que o Benfica entrava com uma grande moral. Depois de ter ganho no Dragão 4 a 1, nada faria supor que iria aqui perder pontos. Na realidade, perdeu e olhando para o jogo, Augusto, primeira parte, uma entrada do Benfica que não foi tão afirmativa como era de supor. Era de crer que o Benfica quisesse mandar no jogo, ter dinâmica no jogo, criar dificuldades ao Arouca, mas o Arouca também percebeu muito rapidamente como é que tinha que parar o Benfica.

O Arouca tinha a lição bem estudada. O Benfica, nos primeiros minutos, tentou realmente entrar em grande força e em grande estilo, muita confiança depois da vitória que teve no Dragão. Eu calculava ou esperava que o Benfica entrasse assim e que fosse resolvendo o jogo, diria eu, na primeira parte. O que é certo é que o Arouca foi muito inteligente e aqui temos que dar muito mérito ao Arouca e ao treinador do Arouca, ao Vasco Seabra. O Arouca, quando não podia atacar a baliza do adversário, ficava com bola, mas ficava com bola, diria eu, com muita segurança e muita personalidade. E o que é que faltou aí ao Benfica? Faltou realmente a intensidade. Quando eu digo intensidade sem bola, é realmente a pressão que tem que fazer sobre os adversários, todos ao mesmo tempo. Vinha um ou outro a fazer, mas uma equipa desligada nesse tipo de pressão. E o Arouca foi jogando e começou a aparecer um senhor. Eu digo um senhor, porque eu acho que é um grande jogador. Não sei se os grandes estão atentos a isso ou não, mas isso é um problema deles. Eu comecei a notar esse jogador da forma como estava a pautar o jogo, como estava a tentar lançar o 13. E foi um jogador que na segunda parte, enquanto teve forças, também marcou realmente os ritmos e o jogo da grande qualidade que o Arouca apresentou. Estou a referir-me ao Jason. Jason realmente fez um jogo fantástico aqui no Estádio da Luz. O que é certo é que o Benfica aproximou-se muito da baliza, isto na primeira parte, do Arouca. Teve ali alguns lances de grande fricção, fez um remate ao poste do Pavlidis, um grande trabalho dentro da área, sozinho fez essa jogada. O certo é que o Benfica poderia estar na primeira parte a ganhar ao Arouca por uma bola de diferença. Não conseguiu, 0 a 0, e eu esperava que o Benfica, na segunda parte, como se costuma dizer, carregasse no acelerador, empurrasse o Arouca para o seu último reduto e começasse realmente a jogar por dentro, a jogar por fora, a criar situações de perigo, porque a defesa do Arouca estava muito bem organizada. O que é certo é que o Benfica faz um a zero, uma excelente jogada do Carreras, um grande passe para o Aursnes e ele fez o amorte para um grande gol do Kokçu. Um a zero, desbloqueou aquela defesa e esperava-se, depois, que houvesse a reação do Arouca e que o Benfica soubesse aproveitar realmente essa situação. O que é certo é que o Arouca foi aos poucos chegando à baliza do Benfica, uma segunda parte em que o Arouca realmente deu mais mostras de querer marcar primeiro do que o Benfica, mas não foi isso que aconteceu, e o Arouca foi à procura do gol do empate. Conseguiu através de uma grande penalidade e o Benfica demorou muito tempo, o treinador do Benfica, a mexer na equipa. Por quê? Porque o Benfica precisava de dinâmica, precisava de velocidade, principalmente nas alas, precisava de uma outra criatividade, precisava que realmente os defesas do Arouca tivessem novos desafios ou desafios que não tivessem ainda aparecido, porque estavam muito cómodos com aquilo que estava a acontecer. O que é certo é que o Arouca faz um a um e aí Bruno Lage mexe na equipa, ou seja, foi reativo, depois de ter sofrido é que reagiu. E nesse aspecto entrou o Belotti, entrou o Scheldrup e saiu o Aursnes e o Di María, quando eu esperava que saísse mais o Tomás Araújo, porque era um jogador que tem esse tipo de problemas de lesão, não dá profundidade, o Aursnes dá outra capacidade ao flanco direito, mas não foi isso que aconteceu. O que é certo é que o Benfica faz o 2 a 1, no momento em que realmente a defesa do Arouca já estava a dar sinais de grande fadiga, um canto curto que não tinha pressão nenhuma, um cruzamento para o segundo poste e aparece o Pavlidis sozinho, precisamente porque Belotti já estava em campo e já estavam, se calhar, os centrais com o olho no Belotti e, se calhar, dois centrais, um para o Belotti, outro para o Pavlidis, se calhar um ou outro esqueceu-se e o Pavlidis apareceu sozinho no segundo poste e faz o 2 a 1. Quando se esperava realmente que a equipa do Benfica tivesse um último fôlego, uma outra avalanche para marcar o 3 a 1 para descansar mesmo, fez, é verdade, mas estava fora de jogo o Scheldrup, é quando, enfim, não sei como, sai o Pavlidis, o ponta de lança, e entra o Oriande Barreiros. E eu disse assim: "bem, o Bruno Lage quer defender o 2 a 1, quando podia ir à procura do 3 a 1, porque o Arouca já estava mesmo sem força nenhuma". Não sei se foi por isso ou não, o que é certo é que depois no contra-ataque, o Arouca acaba por fazer o 2 a 2, que já não deu margem para o Benfica poder alterar o marcador. Curiosamente, o Benfica sofre o 2 a 2 e outra vez reativo, o Bruno Lage já coloca o Arthur Cabral. Uma série de coisas que foram sempre reativas e não foram proativas. O que quer dizer com isto? Que o Benfica posto sempre à mercê do resultado final e o que é certo é que o Arouca acabou por merecer esse resultado devido à sua grande personalidade no Estádio da Luz, da maneira como fez o jogo.

Relatório de jogo, Augusto Inácio. O melhor do encontro pra ti?

O melhor do encontro, eu sinceramente, tenho que dar jus ao Arouca, porque o Arouca jogar no Estádio da Luz, naquele ambiente, não é nada fácil e o Jason, pra mim, encheu completamente o campo. Se me disseres assim: "qual é que foi o melhor jogador do Benfica?", eu diria que foi o António Silva. Se me disseres: "qual é que foi o melhor jogador do Arouca?", eu digo que é o Jason. Se me disseres: "qual é que foi o melhor jogador do jogo?", eu digo que é o Jason, porque realmente este jogador mostrou muita categoria. Aliás, não foi só no jogo de hoje. Tem mostrado muita classe e acho que os grandes estão um bocado a dormir em relação à qualidade deste jogador.

Estamos aqui a falar do médio ofensivo espanhol.

Espanhol.

Que veio do Alavés.

Sim.

Com história de Primeira Liga e que passou também pelo Getafe. Olha, e o pior?

Pois o pior foi realmente o Benfica, que vem de um jogo no Dragão, que ganha por 4 a 1 da maneira como ganhou, sabendo que se ganhasse ficava com dois pontos de avanço sobre o Sporting. E ter entrado desta forma no jogo em que realmente deveria ter tido mais intensidade, mais qualidade, mais velocidade, não teve, só aos passes é que teve isso. O Benfica foi castigado por isso e claramente aqui o Benfica foi o pior do jogo. Mas deixa-me dar também mais uma nota positiva do jogo. Olhar para aquela tribuna do Benfica, onde estavam ex-jogadores do Benfica, muitos deles na tribuna presidencial, é tirar o chapéu e também desejar um bom aniversário de 88 anos ao José Augusto, que foi um grande jogador do Benfica e um grande jogador do futebol português.

Relatório de jogo com Augusto Inácio. Fica também disponível através do podcast da Rádio Observador. Augusto, até à próxima e um grande abraço pra ti.

Até à próxima. Um grande abraço pra todos.