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Rola a bola para mais um relatório de jogo, hoje com o treinador e comentador da Rádio Observador, Jorge Silas. Vamos analisar o jogo entre a Bessat e também o Futebol Clube do Porto. Um jogo que permita aos Dragões seguirem em frente na Liga Portugal, com uma vantagem de três pontos sobre a equipa do Sporting, que também esta tarde venceu a equipa do Vizela. Jorge Silas, este era um jogo que se afigurava relativamente simples para o Futebol Clube do Porto, até porque a Bessat está no último lugar. De qualquer forma, isto começou tudo ao contrário. A Bessat marcou primeiro, o Futebol Clube do Porto muito pouco consistente nos primeiros minutos. Aliás, a exemplo do que já tinha acontecido noutros jogos. O que é que se passa com as entradas em jogo do Futebol Clube do Porto?
Não te consigo explicar ao certo. Já vi boas entradas do Porto, já vi ultimamente entradas menos boas, mas por exemplo, contra o Benfica, já vi entradas do Porto muito fortes.
Sem dúvida, mas de qualquer forma, parece que a abordagem a estas equipas, e passo a expressão, menores.
Eu acho que tem um pouco a ver também com estruturas que os adversários têm apresentado. Ou seja, estruturas onde o Porto tem menos espaço para explorar, os adversários têm defendido com muita gente atrás e há menos espaços também para explorar. E o Porto, por exemplo, hoje foi um pouco lento na circulação da bola e em fazer a bola chegar às laterais várias vezes. Ou seja, aquilo que eu dizia há pouco de obrigar a defesa do Belenenses a bascular, porque se basculas três, quatro vezes, a partir da segunda vez, as defesas já têm muita dificuldade em chegar de um lado ao outro. Se não basculas, se queres jogar muito direto, se tens pouca paciência, é mais fácil para quem defende. E eu acho que tem a ver com isso. O próprio Sérgio já disse. Ele não gosta muito de um jogo muito elaborado, mas a verdade é que às vezes, e sobretudo nos princípios dos jogos, é importante, desde que a tua circulação seja rápida. Um jogador para passar a bola não precisa dar três ou quatro toques na bola. O jogador tem que dar menos toques, tem que saltar algumas linhas de passe para que a bola circule rápido. E o Porto não faz isso bem. Essa é a verdade. O Porto não faz isso bem. Também não gosta muito.
Temos agora a oportunidade de ouvir Vítor Bruno, que hoje ocupou o lugar de Sérgio Conceição no banco do Futebol Clube do Porto. Vamos então a essa entrevista rápida à Sport TV.
Sempre que em casa começou com 11 jogadores, esta época apenas por uma vez perdeu por dois gols de diferença, o que revela um pouquinho daquilo que é a qualidade que a equipa tem. E depois falamos de um momento em que as equipas mergulhadas no lugar difícil da tabela e que tentam tudo para pôr a cabeça de fora. Nós sabemos aquilo o que representa isso, porque também já passamos noutros clubes por momentos assim e são dramáticos. O Belenense entrou com uma agressividade fortíssima no jogo. Tivemos alguma dificuldade em perceber como devíamos reagir a essa abordagem do nosso adversário. Sofremos um gol a abrir. Até aos 20, 25 minutos tivemos alguma dificuldade em nos encontrarmos. Depois, a partir daí, criamos o primeiro lance de perigo e penso que foi sempre a crescer. Empatamos o jogo. Na segunda parte, fruto também da nossa vantagem numérica, percebemos e reconhecemos onde teríamos o espaço e onde podíamos ferir o adversário. E depois, naturalmente, foram-se sucedendo as oportunidades de gol e fomos fazendo os gols que, a meu ver, acabam por traduzir aquilo que se passou no campo.
Reconhece que a expulsão terá ajudado um bocadinho a tarefa do Porto?
Sim, mas as regras são para cumprir. Isso é um problema que a nós não diz respeito. Se calhar a falta acontece porque tentam travar jogadores de enorme talento. E a falta foi sobre o Fábio Vieira, por isso é que estou a falar nele. O Fábio percebe o jogo como poucos percebem. Vê, nestes momentos em que vai a jogo, se calhar um espaço onde pode representar toda a sua máxima criatividade e por isso depois provoca nos adversários comportamentos como aqueles que vimos.
Vítor, hoje o Francisco não marca, mas agita o gol. É logo a seguir à entrada dele que o Porto consumou a reviravolta no marcador. Entrou bem o Francisco, uma vez mais.
Sim, entrou muito bem o Francisco, quem entrou no jogo. O Francisco tem a capacidade de ser um acelerador nato. Com bola cria sempre muitas dificuldades, é um jogador irreverente, que não se esconde, que procura momentos de um contra um, em que é fortíssimo, e nasce de uma ação dele o lance do gol. Não foi só o Francisco. A nós dói-nos muito na pele quando temos que mexer, e quem sai numa primeira parte é sempre duro para o treinador. E falando no Bruno, já tinha acontecido isto com o Sporting também, em Alvalade, em que saiu ainda na primeira parte, agora volta a ser titular e volta outra vez a sair na primeira parte. E o Bruno merece uma palavra da nossa parte, porque o Bruno tem sido um profissional exemplar. Nós sempre no nosso balneário vivemos muito de relações, de empatia, de sinergias muito fortes e os colegas percebem que num momento difícil como este, o Bruno merece uma palavra da nossa parte. O Bruno cresceu muito nos últimos tempos, no último ano e meio, dois anos. Fez-lhe bem ter ido fora para voltar. O próprio nascimento do filho também o ajudou muito. O Bruno neste momento é um jogador completamente diferente e um ser humano que merece, e digo com toda a honestidade e sentimento, uma palavra da nossa parte, porque é duro para um treinador fazer aquilo que fizemos.
Mercê dos resultados desta jornada, o Futebol Clube do Porto fica na frente, isolado, com nove pontos de diferença para o terceiro classificado. Teremos um campeonato que será discutido só a dois, Vítor?
Não, essa parece-me uma falsa questão. Eu percebo a pergunta e é legítimo que a façam, porque a distância começa a alargarse um pouquinho para quem vem em terceiro. Mas temos exemplos recentes que nos dizem que é preciso estar sempre alerta. Da mesma forma que escalamos para exibições fortes e para resultados surpreendentes e catapultamos, se calhar, a dimensão da equipa para um rendimento superlativo, também da mesma forma que isso acontece, também caímos a pique. Basta um jogo, basta uma semana. É tudo muito ténue e nós temos que ter noção daquilo que fazemos sem nunca nos deslumbrarmos com aquilo que pode ser o lugar atual na classificação.
Alguma palavra para o Luís Dias, que hoje tentou várias vezes e não marcou e até falhou uma grande penalidade?
Há poucas palavras para caracterizar o Luís, vocês próprios na comunicação social falam. O Luís tem, à semelhança daquilo que falei do Fábio, tem um talento imenso, a forma como ele comunica com a bola acaba por ser quase poética. Se calhar, para nós, até foi bom ter falhado o pênalti, pode ser que tenham visto e seja uma razão para não o levarem.
Muito obrigado também.
Ficam aqui as declarações de Vítor Bruno na zona de entrevistas rápidas à saída do relvado do Jamor, onde aconteceu este Bessat 1 Futebol Clube do Porto 4. Silas, aqui Vítor Bruno a fazer uma coisa que não é muito típica na maior parte dos treinadores, a individualizar bastante, aqui até a fazer um grande elogio ao Bruno Costa, que teve que sair na primeira parte ali devido à reorganização do sistema do Futebol Clube do Porto. Enquanto jogadores e dentro do balneário, qual é, de facto, a importância disto?
Eu acho que é importante, porque para o Bruno, ainda por mais sendo a segunda vez que lhe acontece este ano, ele pode ficar com a sensação de que era o responsável pelo mau resultado, e não é assim. Nós não pensamos assim, nós como treinadores não pensamos assim. Como jogador, quando te acontece sair, é duro. É duro porque pensas nisso.
E a meio da primeira parte, não é?
Sim, eu digo-te, na primeira parte, seja a meio, seja um minuto e 40, saída à primeira parte é sempre duro.
O jogador fica sempre a pensar: "O que é que eu fiz?"
Ou o que é que eu não fiz. A imagem que passa é essa, mas nós, os treinadores, não pensamos assim. Eu não me admiro nada que o Bruno na próxima semana possa jogar a titular. Aquilo que o Sérgio e que o Vítor pensaram foi que o Bruno Costa tinha um amarelo. Se ele não tiver o amarelo, ele não sai. Mas tendo um amarelo, o Porto não podia estar a correr o risco de lhe acontecer um segundo amarelo e ser expulso também. Eu acho que o Bruno consegue perceber isso, apesar de ser difícil para o jogador, mas consegue perceber, até porque o Vítor teve o cuidado de o chamar, e eu vi esse detalhe, ele teve o cuidado de o chamar, de lhe explicar. De certeza que lhe estava a dizer isso. Mas é sempre duro. E aqui o Vítor sentiu necessidade realmente de dar uma palavra, até mesmo para fora, para que as pessoas percebam que o Bruno Costa não sai pelo desempenho. Sai porque tem um amarelo e porque o Porto precisava de se defender nesse aspeto.
Estávamos neste relatório de jogo a fazer a análise ao que tinha acontecido dentro do relvado. Já lá voltamos, mas antes disso, também aqui as palavras de Vítor Bruno. Não dar nada por garantido, isto falando em relação à diferença pontual que existe entre Porto e Benfica nesta altura. Ali, Vítor Bruno a dizer que é necessário manter o foco e não pensar que nove pontos e já está tudo resolvido.
Repara que se o Porto perder pontos para o Benfica, quer dizer que pode perder pontos para o Sporting.
Sim, isto num campeonato disputado a três, nunca podemos deixar de só olhar para o terceiro lugar, apesar de a pergunta ter sido feita nesses moldes.
Sim, mas é o que eu te digo. O Porto está muito mais preocupado com o Sporting, mas, na realidade, se perder pontos para o Benfica, o mais certo é ser apanhado pelo Sporting. Por isso, o Porto tem que se manter focado e tem que se preocupar em ganhar os jogos que tem para jogar.
E em breve, no próximo mês, haverá esse jogo que poderá então ser decisivo entre Porto e Sporting. Regressamos então à análise deste Bessat Futebol Clube do Porto. Chegamos ali, falámos acerca da entrada menos bem conseguida por parte do Futebol Clube do Porto, que o Vítor Bruno também abordou nesta entrevista rápida. O Porto, que se ressentiu de uma abordagem mais agressiva ou mais incisiva por parte da Bessat. O que é certo é que essa abordagem mais incisiva prejudicou a Bessat logo a partir do primeiro terço da primeira parte, com uma expulsão. E isto acabou por marcar definitivamente também o resto da partida.
Sim, mas lá está, quando tu tens este tipo de abordagem, que eu pessoalmente gosto, também sabes que corres alguns riscos. Corres riscos, sobretudo a nível de cartões amarelos. E realmente o Yaya, logo nos primeiros minutos, fez logo ali duas faltas duras, acaba por apanhar um amarelo. Depois, é um bocado a experiência do jogador. Tens que começar a defender. Se tens um amarelo, hoje em dia, qualquer lance um pouco mais agressivo dá amarelo. E tens que começar a defender, tens que começar a perceber em que liga é que estás a competir. Se calhar noutras ligas não dariam, mas aqui em Portugal dá. E os jogadores têm que começar a perceber onde é que estão inseridos, em que tipo de contexto estão inseridos. E depois, quando as equipas estão lá embaixo, parece que lhes acontece tudo. Então eu acho que tens que ter ainda mais cuidado
Voltamos à análise do resto do jogo. Yaya foi expulso aos 31 minutos, tinha levado o cartão amarelo, como já tínhamos falado aqui, logo no primeiro terço do jogo, logo aos quatro minutos, foi logo mesmo a abrir o jogo. A B-SAD começou logo a ficar relativamente condicionada com vários amarelos. O que é certo é que o Futebol Clube do Porto, apesar de ter tido um ascendente maior nos últimos 15 minutos da primeira parte e ter marcado um gol, quando entrou para a segunda parte, pareceu não se conseguir encontrar novamente, também com o B-SAD agora já mais organizado nesse início de segunda parte.
Sim, até à expulsão, eu penso que 11 contra 11, a B-SAD estava a ganhar 1 x 0 e o Porto estava a ter muita dificuldade. Depois da expulsão, facilitou muito. Depois do intervalo, a B-SAD reorganiza-se outra vez e o Porto passa outra vez a ter dificuldades. Até que entra o Chico, e um jogador como o Chico, que é forte na condição, que é forte no drible. Se a B-SAD já tinha dificuldades, porque naturalmente 11 contra 10 há sempre desequilíbrios, quando entra um desequilibrador destes, ainda mais desequilíbrios começa a haver. E eu acho que passou por aí, aquele segundo gol é realmente quase todo ele do Chico. Depois, logo a seguir, há aquele passe fantástico do Fábio que isola o Taremi também e a partir daí o jogo deixa de ter história. Ainda há um penalti que o Luís Dias acaba por falhar e depois mais o gol do Evanilson no canto também batido pelo Fábio. Portanto, eu penso que a partir da expulsão passou a ser muito difícil.
O Evanilson, que faturou três gols aqui frente à B-SAD. De qualquer forma, apesar de ter sido aqui já falado como o homem do jogo, haverá ali também, eventualmente, uma disputa entre o fato decisivo de marcar três gols, mas também, por outro lado, o Francisco Conceição, como estavas a dizer, foi o jogador que, ao entrar, apesar de todas as substituições terem sido mais ou menos bem conseguidas por parte do Porto, foi Francisco Conceição que abanou efetivamente ali a dinâmica da equipa.
Sim, desbloqueou o ataque organizado do Porto. Esse segundo gol acabou por mandar completamente abaixo a equipa da B-SAD, que logo a seguir leva o terceiro também. Mas eu penso que sim, penso que o Chico foi realmente o desbloqueador. De qualquer das maneiras, três gols são sempre três gols.
Olhando aqui para a frente e também para a B-SAD, parece-te que esta equipa, se tiver mais estabilidade na equipa técnica a partir de agora, pode ter a possibilidade de permanecer na Primeira Liga?
Não sei, neste momento eu acho que ainda é muito cedo. Há imensos pontos em disputa.
Sim, a diferença pontual entre as equipas que estão no fundo da tabela.
Normalmente, não olho para estes jogos como referência.
São campeonatos diferentes.
Sim, não olho para estes jogos como referência. Acho que o nível de concentração dos jogadores e das equipas é muito maior nestes jogos do que em outros jogos. Eu acho que os jogos de referência para a B-SAD não podem ser estes. Têm que ser os jogos com outro tipo de equipas. Esses são os jogos de referência. Se se conseguir, por exemplo, manter um nível competitivo contra outras equipas, futuramente vai fazer muitos pontos. Se apresentar o nível competitivo que apresentou até aqui com outras equipas, vai ter mais dificuldades.
Olhemos também ainda, e já a caminho do final deste relatório de jogo, para o Luís Dias, que pode sair do Futebol Clube do Porto. Se se confirmar esta saída, o Porto deverá atacar este mercado de inverno ou tem soluções internamente, eventualmente não tão boas, mas tem soluções que podem cobrir aqui esta-
O Pepê contra o Benfica deu indicações muito boas. Não está claramente ao nível do Luís e é difícil encontrar um jogador ao nível do Luís. Até porque este é o terceiro ano do Luís. E passou por aquilo que o Pepê está a passar, de jogar, não jogar, ser substituído, entrar uns minutos, enfim. Eu acho que esta gestão do Sérgio é uma gestão muito interessante e que se deve tentar perceber, porque há vários jogadores assim. Vários jogadores ao longo destes anos que o Sérgio está no Futebol Clube do Porto. Há vários jogadores assim, que ele vai os preparando e vai os metendo aos poucos. Fábio Vieira, por exemplo, o Vitinha, o Chico. E os jogadores aos poucos vão percebendo aquilo que ele quer e quando eles estão no ponto certo, ele aposta neles e despontam, como é o caso do Luís Dias também. Eu só não sei se haverá neste momento algum jogador que esteja a esse nível já. Haverá jogadores que daqui a dois ou três anos vão estar, mas a este nível do Luís, é difícil.
Para acabar de analisar este B-SAD Futebol Clube do Porto, com a vitória dos portistas em casa da B-SAD por 4 x 1. Jorge Silas, o melhor e o pior deste jogo.
O melhor eu tenho que escolher dois momentos. Tenho que escolher o Evanilson, que fez três gols, e depois aquela imagem que nós vimos no final do jogo, da fotografia da equipa toda com o adepto e com a oferta da camisola do Diogo Costa.
Um momento emocionante.
Sim, eu acho que não devemos esquecer isso.
Muito bonito. E como o pior deste jogo?
O pior, eu diria que foi a expulsão do Camará Por quê? Porque o Kamara é um dos jogadores mais experientes desta equipe, consegue perceber perfeitamente o momento que a B SAD está a passar e um jogador que é um dos capitães e dos mais experientes da equipe, não pode ser expulso depois de um jogo que o B SAD está a perder 4 x 1 contra o Porto, não pode ser expulso, porque no próximo jogo o B SAD vai jogar contra o Marítimo na Madeira.
E fica com menos dois.
Acho que é na Madeira. Fica sem um jogador que tem sido importante para eles. É muito difícil de compreender este tipo de comportamentos.
É exatamente na Madeira, no domingo, às 15h30.
É difícil de compreender este tipo de comportamentos de jogadores tão experientes.
Porque perde, na prática, dois jogadores. Além do Kamara, também o Yaya, que já tinha levado o cartão vermelho.
Ou seja, já não há nada a fazer, o jogo está a acabar, 4 x 1 pro Porto. Não há nenhuma atitude que possa dar a volta ao resultado. E acaba o B SAD por ser prejudicado por uma atitude irrefletida de um jogador que já não tem idade pra ter estas atitudes.
É o ponto final então neste relatório de jogo, com o treinador e comentador da Rádio Observador, Jorge Silas, aqui relativamente a este B SAD 1, Futebol Clube do Porto 4. É o ponto final neste relatório de jogo.
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