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No fecho da 24ª jornada, o Benfica foi até Barcelos vencer o Gil Vicente, equipa sensação do campeonato, por duas bolas a uma. Uma vitória que chega depois da eliminação da Champions e na antecâmara de um clássico. Muito importantes estes três pontos para o Benfica, Mário Cajica, num jogo em que o Gil Vicente vendeu caro a derrota.
Sim, completamente. O Gil Vicente foi uma equipa muito competitiva perante a formação do Benfica. Muito mérito para a estratégia que o César Peixoto montou, que não é uma estratégia nova e que já vimos a ter efeitos práticos nesta temporada. Aliás, este Gil em casa tirou pontos a Sporting e a Sporting de Braga e, portanto, o Benfica sabia bem com aquilo que contava, ainda para mais depois de uma jornada a meio da semana, que eu acho que isso também colocava aqui um peso extra na equipa encarnada, ter o jogo a meio da semana da Champions. E, portanto, o jogo foi, diria, exatamente aquilo que esperávamos. Foi um jogo equilibrado. O Benfica, se calhar, melhor em maior parte do jogo, mas o Gil também com os seus momentos e com qualidade.
As primeiras minutos do jogo, muito bem a entrada do Gil, com dois lances de perigo, mas a partir dos 10 minutos, o Benfica tomou um pouco, da primeira parte, do controlo do jogo.
Se me permitires, até olhando para o jogo todo, as entradas na primeira parte são semelhantes, porque o Gil entra muito bem. Na segunda, até entra melhor do que na primeira, mas o jogo é muito por aí. O Gil entra bem na primeira e entra bem na segunda parte, o Benfica vai em crescendo e depois acaba bem os dois tempos. Portanto, acho que o Benfica acabou por fazer valer um pouco da qualidade superior que tem em termos coletivos e individuais, mais até individuais, claro. E depois, temos esse momento que, como dizias e muito bem, o Gil entra bem no jogo, cria algum desconforto na equipa encarnada e é a partir do minuto 30 que o Benfica agarra no jogo, cria o gol, cria mais situações para marcar e podia perfeitamente ter até chegado ao segundo de forma clara. Não chegou, o jogo foi para intervalo e depois a equipa volta a entrar muito mal com um excelente desenho que o Gil trouxe para o segundo tempo, de trabalhar no lado do Dalot, que acabou por estar constantemente em situações de inferioridade. Eu creio que a alteração e a saída do Aursnes por lesão também não ajudou propriamente o Benfica, mas muito mérito para aquilo que o Gil acabou por trazer para o segundo tempo, principalmente o trabalho do Zé Carlos e do Murilo, que colocaram muita dificuldade no Dalot, com o aparecimento constante do Santi García, que para mim foi o melhor da equipa gilista.
O Benfica acabou, por motivos de lesão de Aursnes, por colocar primeiro Barragán, depois entrou também Richard Rios, na prova de que Mourinho tem muitas soluções no meio-campo, embora tenha mantido esta preferência por Barreiro e Aursnes, pelo menos como titulares.
Sim. O Benfica tem muitas opções, não tem um jogador como o Aursnes e eu creio que esse é, se calhar, o ponto de maior pessimismo que o Benfica pode encarar o jogo do Futebol Clube do Porto, o clássico, é perceber aqui a recuperação.
Que possa falhar o jogo, sim, se lesionar a dois deste.
Este tempo aqui para perceber se terá ou não capacidade para recuperar o Aursnes, que tem sido, se calhar, o melhor jogador do Benfica em 2026, isto ano civil. E agora, se calhar, nestes últimos tempos, a par do Scheldrup, os dois melhores, os dois noruegueses, que têm estado em bom plano na equipa encarnada. Quanto a esse momento, sim, é como dizíamos, a saída do Aursnes deixa o Benfica numa situação difícil. Destacaste bem que o Benfica tem muitas soluções para o meio-campo, mas não tem um jogador tão completo.
Que organize o jogo.
Sim, e que acaba por ter a dinâmica adequada para ajudar a equipa a defender e ajudar a sair. O Enzo está muito longe daquilo que pode dar, muito lento no processo, muito lento a decidir, muito passe para trás e pouca objetividade e pouco risco. E o Rios é o contrário, é risco excessivo e que ajudou. Acho que o Benfica hoje ajudou as alterações do Rios e o Lucas Evangelista, que deram ali um pouco mais de fulgor à equipa, mas para equilíbrio e para deixar a equipa confortável e para deixar, acima de tudo, Rafa para este ano e Scheldrup mais confortáveis, o meio-campo que mais faz sentido para o Benfica é claramente Barreiro e Aursnes.
E como falámos ainda há pouco, Mário Cajica, do lado do Gil Vicente, boa prestação, algo que estávamos à espera, falhou. Foi um número de jogadores que costuma ser fundamental, que hoje, como disseste há pouco, esteve uns furos abaixo.
Sim, o Gil teve algumas baixas, mas nada de substancial. Podia estar o Varela na frente, mas o Héctor Hernández já se sabia que ia ser uma excelente solução e marcou e é uma ótima opção que o Gil agarrou no mercado de janeiro. Não é por aí. Creio que hoje o Gil não beneficiou do melhor Luís Esteves. O Luís Esteves tem sido um dos jogadores mais preponderantes da equipa de César Peixoto. Hoje esteve muito desinspirado. Defensivamente, não esteve mal, efetivamente, mas ofensivamente, não trouxe aquilo que eu acredito que o César Peixoto desejasse para a sua equipa. Ainda assim, há notas de muito destaque. O Murilo faz uma primeira parte mais apagadinha, na segunda foi ali um quebra-cabeças para a equipa do Benfica e o Santi García esteve em todo o lado. Foi uma excelente opção em todo o jogo. Equilibrava no meio, ajudava a equipa a sair, aproximava-se dos corredores para dar soluções e ataques mais combinativos sempre que era necessário e foi, para mim, o melhor jogador da equipa do Gil Vicente. De caras, um belo jogador que o Gil tem ali.
E resta saber, para fechar este relatório de jogo, Mário Cajica, o que é que foi o pior esta noite? Em Barcelos, esta noite de segunda-feira, a fechar a 24ª jornada.
Tentando olhar para os dois lados. Do lado do Gil Vicente, dois momentos. Eu acho que o Luís Esteves não esteve ao seu nível em momento ofensivo e acho que isso prejudicou um bocadinho a equipa. E também as soluções que vieram do banco não foram soluções que trouxessem algo positivo. O Joelson entrou mal no jogo, o Carlos Eduardo também não ajudou a equipa tanto como o Héctor e depois as últimas alterações, já numa fase final, também não acrescentaram grande coisa. Portanto, eu acho que do banco o Benfica melhorou, tirando a questão do Enzo pelo Washner, eu acho que todas as outras alterações do José Mourinho foram certeiras. O Lukebakio e o Rios acho que acrescentaram algum poder ao Benfica para sair e o Bah fechou exatamente aquilo que o José Mourinho quereria, que era o corredor direito. Do lado do Benfica, devo dizer que o golo foi atribuído ao Pavlídis, mas hoje é mais um jogo difícil para o Pavlídis. Está muito longe daquilo que pode dar. Parece cansado, parece algo desmotivado.
Não é tão psíquico, é mais o momento dos jogadores.
Exatamente. E não é de forma voluntária. Eu creio que isto é uma questão muito mental e, de facto, que está a afetar aqui um bocadinho o trabalho do Pavlídis, que continua a esforçar-se muito, mas já não tem a mesma objetividade. E hoje acho que foi um jogo mais pobrezinho do Pavlídis.
E para fechar, o que é que foi o melhor esta noite em Barcelos?
Já falei do Santi Garcia, mas o melhor em campo, para mim, foi de caras o Scheldrup. Belo jogo. Sempre o elemento mais esclarecido na frente, criou muitas situações de perigo, faz um belo golo e hoje diria que foi, de caras, o melhor em campo.
Eu gostava de dizer do Scheldrup que ele terá sido o tónico ideal porque tem nome de água tónica. Qualquer coisa deste género.
Também foi o tónico ideal para o Benfica. E só dar a nota que, mesmo fazendo um grande jogo, ainda não foi desta que o Scheldrup fez os 90 minutos. Atenção, não digo que a alteração não fizesse sentido, porque eu acho que fazia, equilibrar a equipa, mas ainda não foi desta que o Scheldrup fechou uma partida a jogar os 90 minutos.
Assinado e entregue o relatório de jogo deste Gil Vicente 1, Benfica 2, a contar para a 24ª jornada do campeonato, com a cortesia do Mário Cajica. Assim é que é. Um abraço.
Um abraço. Obrigado.