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Relatório de jogo da Rádio Observador com o João Castro, hoje na condição de adepto da seleção das Quinas. Uma estreia a vencer para Jorge Jesus, João Castro, por uma bola a zero, margem mínima. Resta saber quem é que, na tua opinião, foi bom de bola esta noite na equipa da seleção nacional.
Antes de mais, é sempre importante para o treinador começar a ganhar. E era essencial, até porque parece-me ser o adversário tecnicamente mais acessível. Portanto, era fundamental para o Jorge Jesus vencer, sobretudo em casa. Em relação ao bom de bola, claramente João Félix, o homem da partida, o homem que teve maior criatividade, o homem que marca o golo decisivo. Uma bela exibição do jogador português, numa posição que ele tão bem conhece e que teve tão sucesso quando passou, por exemplo, pelo Benfica. E aqui a fazer uma boa exibição, sobretudo na primeira parte, enquanto a equipa também esteve mais ligada.
Enquanto teve também a companhia de Ronaldo, não é, João?
Sim, também com a companhia de Ronaldo. Depois, obviamente, as alterações do treinador contrário mudaram um bocadinho, complicou a vida a Portugal e complicou a vida ao João Félix de aparecer ali entre espaços tão à vontade. Mas a verdade é que é uma primeira parte muito bem conseguida por João Félix.
E um a menos, quem foi o pior jogador da nossa seleção esta noite e por quê?
Não houve nenhum jogador que pudéssemos considerar claramente a menos. Acho que todos tiveram sobre uma bitola, João Félix à partida, o melhor, conforme eu disse, depois Nuno Mendes logo a seguir, Rúben Neves também esteve bem. Portanto, eu não considero que houve alguém que estivesse abaixo. Acho que o Bruno Fernandes ainda tem algumas dificuldades óbvias para se libertar um bocadinho no jogo e mesmo a defender quando foi necessário defender mais, porque esta posição dele vai exigir que ele defenda, quando apanhar uma seleção mais forte, obviamente, que tenha que dar mais apoio ao Nuno Mendes a defender. E, portanto, vai levar que o Bruno Fernandes tenha aqui um bocadinho mais de dificuldades na adaptação.
E o ouro do bandido, o melhor jogador do adversário, quem é que tu nacionalizavas português para poder jogar pela nossa seleção?
Eu acho que poucos jogadores aqui tinham hipótese de jogar na nossa seleção. Claramente, para mim, o Johnson foi um jogador importante a tentar aparecer nas costas dos nossos defesas. É um jogador rápido, se calhar foi o jogador que eu gostei mais de ver.
E a mensagem para o querido Mister na estreia, para Jorge Jesus, neste primeiro jogo à frente da seleção das Quinas?
Acho que conseguiu ver-se na primeira parte já algumas coisas, algumas dinâmicas. Gostei muito da dinâmica de construirmos com três mais um, basicamente três mais um, depois seis. Quando tentávamos construir com quatro mais um e foi difícil, alteramos para três mais um com o baixar do Rúben Neves para o meio dos centrais, ficando o Vitinha à frente, e depois com o seis, e muitas vezes o Bruno Fernandes vinha de frente para trás, descendo para a esquerda para poder receber de frente para o jogo. Portanto, foi uma dinâmica interessante. Depois, obviamente, aquela dinâmica de proteger o Ronaldo na pressão foi também notória, porque já se começa a ver um dedo do Jorge Jesus. Há muita coisa. Este prolongar da primeira parte tem que ser para uma segunda parte. Obviamente que cada adversário vai nos causar aqui situações diferentes e dificuldades diferentes, mas é o normal. Com pouco treino e algum vídeo, foi o que foi possível fazer. A segunda parte, pelo cansaço, pelo adversário querer, e acho que o nosso canto do cisne foi praticamente depois daquele gol anulado do Ronaldo, Portugal depois teve muitas dificuldades, mas acho que Jorge Jesus mostrou aqui o que é que pode trazer. Vamos ver que elementos é que pode acrescentar também, não é, Miguel? Porque há aqui alguns jogadores que podem ser fundamentais aparecerem também na seleção. Outros jogadores para dar outro rendimento, outro tipo de características. Portanto, curioso para ver quem é que vai apresentar na Noruega, que para mim é claramente o jogo mais difícil.
E de resto, o Jorge Jesus deu também um espetáculo à parte dentro do jogo no banco de suplentes, com muita e a habitual movimentação do treinador, cujo casaco ficou para lá dos primeiros minutos de jogo, como diziam o Miguel Cordero e também o Diogo Varela. Para fechar, prognóstico final do jogo, à boa moda para o português. Qual a exibição da equipa?
Uma nota para a exibição? Diria uma nota 12 para a seleção portuguesa. Acaba, sobretudo pela primeira parte, muito positiva, a segunda parte nem tanto, e caímos ali numa situação em que o jogo podia claramente levar a outro tipo de resultado. Lembro-me daquele cruzamento do Murph, que se é bem efetuado, o Daniel James provavelmente tinha feito o empate. Acima de tudo, conseguimos defender minimamente, apesar desse percalço final.
Está feito e entregue o relatório de jogo da vitória de Portugal na estreia de Jorge Jesus frente ao País de Gales, em jogo a contar para a Liga das Nações, primeira jornada do grupo quatro. Análise do João Castro, nosso habitual adepto do Sporting, hoje aqui a adicionar a cor vermelha também ao verde, por motivos de Nação Valente e Imortal. Um grande abraço, João.
Um grande abraço.